SUA PRÓPRIA ESCOLHA – DR. TALI LOEWENTHAL | Glorinha Cohen

SUA PRÓPRIA ESCOLHA – DR. TALI LOEWENTHAL

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É escolha sua? Ou você foi forçado a ela? Forçado a quê? Ah, para uma vida judaica. Você sabe: Judaísmo, ser um judeu no mundo atual e ter que respeitar todas aquelas leis e tradições de seus antepassados.

Tal como com várias questões como estas, os ensinamentos judaicos nos dão pelo menos duas respostas. Primeira resposta: Sim, é a sua escolha. Segunda resposta: Sim, você nasceu com ela, é você, você não pode escapar. Como podem ambas as respostas estar certas? Sim, isto também é uma questão. Vamos tentar ver como. Para tanto, olhemos na Parashá [1] da semana e também no livro “Ética Dos Pais” [Pirkei Avot].

A Parashá começa nos falando sobre “uma mulher que concebe e dá a luz a um menino”. É interessante que ela comece com a mulher em vez de com um marido e esposa se casando. Ela não diz “um homem casou com uma mulher e ela concebeu um filho”. O foco está somente na própria mulher. Os ensinamentos chassídicos explicam que esta mulher em nossa Parashá representa ou o povo judeu ou o indivíduo judeu. A Torah nos está falando sobre uma pessoa que dá um passo em direção à vida judaica, por sua própria vontade. Sem ser forçada, uma escolha foi feita e isto tem um bom resultado: o nascimento de uma criança, significando realização e sucesso [2].

De acordo com isto, o fato importante é nossa própria escolha. Se alguém, em vez de ser forçado, faz sua própria opção por expressar seu Judaísmo, então isto terá um efeito positivo e duradouro.

A “Ética Dos Pais” toca no mesmo assunto e o primeiro capítulo, que começa com “Moisés recebeu a Torah no Sinai”. Neste Shabat, o foco está no capítulo 2, que começa dizendo: “Qual é o caminho que uma pessoa deve escolher?”.

O Rebbe de Lubavitch aponta que o primeiro capítulo da “Ética dos Pais” começa com algo sendo imposto de cima para baixo: Moisés recebeu a Torah de D’us no Sinai e, então, a transmitiu às futuras gerações de Sábios e líderes. Como resultado, se alguém for criado em um ambiente judaico tradicional, ele receberá uma forte influência de ensinamentos e prática judaicas em sua vida diária. É o “vir de cima”, eles mesmo não o escolheram.

Em contraste, diz o Rebbe, o segundo capítulo começa com a idéia de “escolha”. Uma pessoa escolhe por ela mesma e isto lhe dá uma relação mais profunda com sua identidade judaica.

O Rebbe explica ainda mais que, de fato, nós precisamos de ambas as qualidades. Precisamos de tanta informação quanto possível sobre a cadeia de tradições, ambiente, vida familiar e educação judaicos que nos moldam em um padrão judaico. Mas, então, vem o próximo importante passo: nossa própria escolha, nosso próprio reconhecimento de nossa identidade e nossa relação com a Torah.

Você poderá perguntar: isto sempre acontece? Será que todo judeu encontra sua “real” identidade no Judaísmo? Bem, vejamos um comentário talmúdico sobre a gravidez e o nascimento, a abertura do tema de nossa Parashá.

O Talmud diz que enquanto uma mulher está grávida, a seu feto esta sendo ensinada a Torah completa. Quando ele ou ela nasce, “um anjo atinge a criança em seu lábio superior” e eles a esquecem [3]. Ainda assim, isto significa que, bem fundo em seus subconscientes, ainda existe a consciência da Torah inteira. Cada judeu ou judia tem este nível oculto de conhecimento e reconhecimento. Vida é um processo de recordação e os padrões impostos de cima para baixo, “forçando” uma pessoa a um padrão de vida judaico, na verdade, evocam seu próprio reconhecimento oculto, sua própria escolha de ser um judeu vivente [4].


Referências:

1. Vayikra (Levítico) caps.12-15.

2. Veja o comentário de Rashi para Vayikra 12:2, e Likkutei Torah do R. Shneur Zalman, início da Parashá Tazria.

3. Niddah 30b.

4. Baseado livremente no Sefer HaSihot 5748 vol.2 pp.419-427.


DR. TALI LOEWENTHAL – Diretor do Chabad Research Unit, London

Tradutor: Maurício (Moishe) Klajnberg