PALAVRA DO PRESIDENTE AVI GELBERG – EM TEMPOS DE “SELFIE” O PAPEL DE “NÓS” | Glorinha Cohen

PALAVRA DO PRESIDENTE AVI GELBERG – EM TEMPOS DE “SELFIE” O PAPEL DE “NÓS”

302_hebraica_1_1Precisamos renovar os encontros olho no olho com pessoas diferentes de nós. É nos encontros olho no olho que descobrimos que pessoas diferentes de nós são apenas pessoas, como nós.


O ser humano já reverenciou tantas coisas diferentes: o sol, as estrelas, a lua, animais. Algumas pessoas reverenciam vários deuses, outras apenas um, algumas, nenhum. Nos séculos 19 e 20, as pessoas reverenciavam a pátria, o estado comunista e outros. E o que nós reverenciamos?

No futuro irão analisar os livros que lemos de autoajuda, autorrealização, autoestima (autotudo) e verão a forma como falamos a respeito de moral, se fomos fi éis a nós mesmos, a forma como falamos de política como uma questão de direitos individuais, e analisarão a moda do “selfie”, o que usamos, I phone, I pod, I em tudo, I etc., e os que nos sucederem irão concluir que em nosso tempo o que reverenciamos foi o indivíduo, o meu, o eu. E mais o problema com os fi ltros do Google, os amigos do Facebook e a leitura das notícias filtradas, em vez de as notícias em geral.

Isso significa que estamos cercados de uma maioria de pessoas como nós, cujas perspectivas, opiniões e até preconceitos, são iguais aos nossos. Se nos cercarmos de pessoas com as mesmas perspectivas, nos tornamos mais radicais. Ainda mais numa geração que, muitas vezes, se esconde atrás do computador para poder atirar sem fi ltros e sem pensar, e, por isso, me vejo obrigado a considerar essas redes sociais para algumas pessoas como “ferramenta dos covardes”.

Precisamos renovar os encontros olho no olho com pessoas diferentes de nós. Precisamos fazer isso porque assim podemos discordar fortemente sem nos tornarmos desafetos. É nos encontros olho no olho que descobrimos que pessoas diferentes de nós são apenas pessoas, como nós. Sempre que estendemos a mão da amizade a alguém diferente de nós, cuja classe, credo ou cor sejam diferentes dos nossos, nós curamos uma das fraturas do nosso mundo ferido. Esse é o “nós” da relação.

Precisamos trabalhar isso cada vez mais para garantir nossa sobrevivência e não viver na solidão. O homem é gregário, isto é, está acostumado a viver em pequenos grupos e isso nos leva a cultivar cada vez mais essa tendência. Isso faz parte do papel de “nós” e da nossa Hebraica, onde podemos conviver com nossos amigos, com nossa família e com nossa coletividade. Conviver nos grupos de que tanto necessitamos e que tem tudo a ver conosco, o lugar onde podemos fazer a ginástica do corpo em diversas modalidades esportivas e a ginástica da alma com atividades sociais e culturais.

Temos uma casa linda que nos alimenta de tudo que essa época de “selfi e” diz que necessitamos. Nosso papel é valorizar isso e em vez de brigar, discutir e só criticar vamos nos amar, nos abraçar, vamos valorizar o simples fato de viver e engrandecer tudo que temos. Não é tão óbvio. Pensem nisso.

Nota – Matéria publicada na revista da Hebraica – novembro/2017