LIVRO: “A PELE QUE NOS DIVIDE” DE PAULO ROSENBAUM | Glorinha Cohen

LIVRO: “A PELE QUE NOS DIVIDE” DE PAULO ROSENBAUM

314_fique_2_1A Quixote+Do Editoras Associadas, editora mineira em atividade desde Março de 2017, lançou a “A pele que nos divide: diáforas continentais”, novo livro do poeta e romancista Paulo Rosenbaum. O livro reúne poemas que para Lyslei Nascimento, professora de Literatura Comparada e Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, ecoam a célebre lição de Carlos Drummond de Andrade: “penetre surdamente no reino das palavras, elide sujeito e objeto, chegue mais perto e contemple as palavras: ei-las impregnadas de múltiplos sentidos, em estado de dicionário”.

Para Nascimento, esse estado de dicionário da poesia de Paulo Rosenbaum traduz-se em “impensáveis palavras”, “levas de assombros”, “papéis pisados”, numa lírica tensão entre o que é exato e múltiplo simultaneamente. Para Wander Melo Miranda, que apresenta o livro, “este livro se afasta da orientação dominante na poesia brasileira contemporânea, apegada em geral ao que se poderia chamar de “trivial e corriqueiro” e “por isso o livro é uma espécie de Muro das Lamentações – “descontínua diáspora/livro de bilhetes” (“Ode ao Muro”) – que se ergue como testamento e presságio, conforto e desolação, linguagem e silêncio: palavra tornada coisa em si mesma”.

O conjunto de poemas aqui reunidos surge no momento apropriado, depois de Rosenbaum se firmar como romancista. “Diáforas continentais convida o leitor a experimentar o poder redentor das palavras, capazes de se perguntar sobre a realidade e, ao mesmo tempo, de promover um salto para o maravilhoso e o onírico – ou mesmo para o trágico” escreveu Fernando Paixão no prefácio. E para Nelson Archer, que assina o posfácio do livro, os poemas reunidos em “A Pele que nos divide” configuram-se como metapoesia crítica é , moderna e arcaica ao mesmo tempo, pois diz de sua própria condição judaica. O que Rosenbaum nos oferece neste livro é o proverbial sétimo dia da criação, aquele dia no qual nos dedicamos ao repouso dos músculos, mas não da mente: o shabbat perpétuo da poesia”.

Em mais um momento crítico da história, no qual surtos xenofóbicos e espasmos de truculência disfarçados de solução aparecem ao redor do mundo, um livro de poesias parece deslocado e rigorosamente desnecessário. Pois esta costuma ser a marca da resistência. Todo poema é um instantâneo que não se deixa abater pelo útil nem submeter-se ao necessário. Contra o vendaval de coisas passageiras, a poesia permanece. Afinal, ela é o registro de toda nossa invisibilidade.

Paulo Rosenbaum é poeta e romancista e escreve para o Estadão (blog Conto de Notícia). Médico, pós-doutor em Ciências, é autor de A verdade lançada ao solo (Record, 2010) e Céu Subterrâneo (Perspectiva,2016).

Ficha técnica

A pele que nos divide: diáforas continentais
Autor: Paulo Rosenbaum
Editora: Quixote+Do Editoras Associadas
Capa – concepção e design: Marcelo Girard
Miolo – concepção e diagramação: Caroline Gischewski
www.quixote-do.com.br