INTOLERÂNCIA E VIOLÊNCIA – POR AKIM ROHULA NETO | Glorinha Cohen

INTOLERÂNCIA E VIOLÊNCIA – POR AKIM ROHULA NETO

314_saude_4_1Compreender melhor o mundo nos faz mais responsivos perante ele e isso nos indica com o que de fato precisamos lidar.


Olá querido leitor, cada vez mais nossa sociedade tem se mostrado extremista. De todos os lados das inúmeras “facções”, que têm aparecido com frequência cada vez maior, surgem pessoas dispostas a “cortar o mal pela raíz” destruindo aqueles que, simplesmente, pensam de maneira diferente da deles.

Em geral, percebe-se que existe proximidade entre os fenômenos da intolerância e da violência porque a primeira dá brechas para a segunda. Para compreender este mecanismo é importante compreender o que é intolerância. Para isso, vou tomar o corpo como ponto inicial. No organismo humano a intolerância se refere à percepção de alguma substância que causa danos ao organismo. Quando se percebe a ingestão ou proximidade com esta substância o organismo cria o nojo e o expele, tem reações alérgicas de defesa contra ele ou arma comportamentos de afastamento.

A cultura funciona de maneira semelhante. A diferença é que o elemento que causa a intolerância, em geral é criado a partir de discursos. A ideologia cria monstros e inimigos com muita facilidade. Judeus, negros, homossexuais, comunistas, capitalistas, socialistas, enfim, praticamente todas as características podem ser vítimas da construção de uma ideologia que as torna elemento de intolerância.

A partir do momento em que a ideologia entende que determinado elemento é criador de algum tipo de “mal”, automaticamente se libera a violência contra este elemento. Um ponto da intolerância ideológica e cultural é que nunca existem provas concretas contra o elemento. Ele é tomado de maneira arbitrária, ou, quando muito, seus comportamentos são observados de maneira parcial, ou seja, leva-se em conta apenas uma determinada parte do comportamento que “comprova” a teoria que se deseja comprovar.

Em seu livro “Cérebro e Crença” o psicólogo Mihael Shermer mostra com maestria algo que poucos de nós sabem: as crenças não advém da realidade. Em outras palavras: não é a experiência que fomenta nossas crenças, pelo contrário, nossa percepção já está determinada a encontrar em nossas experiências, determinados elementos que comprovem nossas crenças. Dessa forma a intolerância se auto alimenta de maneira muito eficaz. A violência auxilia este processo pois dá, ao autor da violência, a sensação de poder frente ao elemento que ele considera que pode lhe causar dano.

A resposta que pode dar fim ao ciclo é sempre a compreensão. Compreender melhor o mundo nos faz mais responsivos perante ele e isso nos indica com o que de fato precisamos lidar. Em geral, nas questões humanas, minha experiência me mostra que por mais complexo que seja o assunto, em geral caímos em questões básicas: aprender a dividir o mesmo espaço no mundo.


AKIM ROHULA NETO – Graduado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Psicologia Corporal pelo Instituto Reichiano Psicologia Clínica e Centro de Estudos e em Programação Neurolingüística. Saiba mais.

akim@uol.com.br