OLHAR ALÉM – POR AKIM ROHULA NETO | Glorinha Cohen

OLHAR ALÉM – POR AKIM ROHULA NETO

319_saude_1_1Para resolver problemas em nossas vidas, muitas vezes precisamos de uma nova perspectiva, um enquadre diferente sobre o problema. Esta mudança de percepção, no entanto, nem sempre é fácil de ser adquirida.

Mudar o ponto de vista é uma atividade que parece simples, mas é complexa. As pessoas tendem a achar que o foco deve ser o novo, porém isso não é verdadeiro. Para que a perspectiva mude, é importante saber o que motiva a perspectiva atual. Quais são as necessidades que pretendo saciar? Esta pergunta é sempre esquecida, mas é fundamental.

Nenhum comportamento ocorre no vácuo. Tudo aquilo que fazemos possui algum tipo de motivação. A nossa forma de olhar os problemas também é um comportamento, assim sendo, a forma pela qual você encara seus problemas além de ter um “jeitão próprio”, também tem uma motivação.

Algumas pessoas querem ter soluções brilhantes porque acham que isso vai lhes dar destaque, outras porque gostam da sensação de criar algo brilhante, outras, ainda o fazem por puro “senso estético”, ou seja, acham bonito saídas elegantes. Os motivos nestes três casos precisam ser contemplados quando é necessário criar uma nova perspectiva para resolver determinado problema.

Com isso é possível “olhar além”. Ver além daquilo que vemos hoje exige um passo para trás e não para frente. É necessário perceber o que estou querendo com algo para poder deixar isso de lado e olhar de outra maneira. Ou então, perceber de que outra maneira seria possível conseguir aquilo que quero.

Mudar o foco significa abandonar antes de conseguir algo novo. Boa parte das pessoas não consegue uma nova perspectiva porque não suporta a ideia de perder seu ponto de vista. Abandonar um ponto de vista é diferente de abandonar “o meu” ponto de vista. No primeiro caso a pessoa se identifica com o processo de pensar e refletir o mundo, no segundo com o resultado disso. Enquanto processo, podemos gerar vários resultados, mas identificados com o resultado, apenas podemos repetir e repetir o que já fizemos.

A grande perda que temos com isso é o nosso próprio desenvolvimento. O ser não é, o ser está e se torna algo novo à medida em que vive. Ao entrar em contato com este processo compreendemos que aquilo que somos é passageiro, está em relação aquilo que virá de nós, aquilo que seremos.

Mudar o ponto de vista, olhar além daquilo que vemos, é, então, a atitude de entrar em contato com esta essência criativa que produz algo. Ao abandonar uma maneira de agir ou pensar não nos perdemos, pelo contrário, apenas acessamos outra parte de nós com a qual podemos até não nos identificar. Porém, integrar é a atitude de trazer para perto aquilo com o que não me identifico. E isso é a essência de olhar além.

É interessante perguntar: o que me faz não ver o outro lado de um problema? Em geral a resposta é: estou viciado no meu jeito de ver o mundo. Aprender a deixar isso de lado e olhar de outras maneiras nos abre para algo além em nós mesmos. E conseguir nos ver de maneiras diferentes é que é o grande salto da evolução pessoal, pois com isso, podemos integrar mais e mais partes nossas ao nosso eu.


AKIM ROHULA NETO – Graduado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Psicologia Corporal pelo Instituto Reichiano Psicologia Clínica e Centro de Estudos e em Programação Neurolingüística. Saiba mais.

akimrohula@gmail.com