O GOVERNO DA SUÉCIA FINANCIA O ANTISSEMITISMO – POR NIMA GHOLAM ALI POUR

  • O município de Malmö usa o dinheiro dos contribuintes para apoiar o “Grupo 194″, uma organização que publica imagens antissemitas em sua página no Facebook, como por exemplo uma caricatura difamatória retratando um judeu bebendo sangue e comendo uma criança.
  • Na Suécia, o antissemitismo importado do Oriente Médio é financiado com dinheiro do contribuinte, de modo que quando há escândalos, eles são frequentemente tratados pelos protagonistas que participaram da divulgação de seu conteúdo.
  • Até o momento não está sendo tomada nenhuma providência efetiva contra a disseminação do antissemitismo na Suécia.

À medida que as principais cidades suecas como Malmö se destacam como lugares onde os judeus sofrem ameaças, o antissemitismo na Suécia vem despertando a atenção internacional. Será que a Suécia realmente merece essa má reputação ou há um certo mal-entendido?

Em dezembro de 2017, assim que o presidente dos EUA Donald J. Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, irromperam manifestações em Malmö. Os manifestantes, normalmente com background árabe, gritavam “queremos a nossa liberdade de volta, vamos atirar nos judeus”, uma capela no cemitério judaico foi atacada com bombas incendiárias. Em Gotemburgo, a sinagoga também foi atacada com bombas incendiárias.

321_especial_3_1Em 9 de dezembro de 2017 a sinagoga em Gotemburgo, na Suécia, foi atacada com bombas incendiárias. (Imagem: Lintoncat/Wikimedia Commons)

O jornal Kvällsposten de Malmö, descreveu como a congregação judaica de Malmö procura se proteger, eles não são israelenses, são judeus suecos:

“Na sinagoga de Malmö, a congregação judaica instalou barras de ferro para impedir ataques com veículos. Além disso, o edifício é protegido por uma cerca alta ao seu redor. A área vem sendo vigiada há muito tempo pela polícia. Quando há um serviço religioso, as dependências são protegidas por policiais”.

Poder-se-ia dizer que os judeus de Malmö estão sitiados. Registros também destacam que os judeus de Malmö não podem usar nenhum símbolo judaico em público sem correrem o risco de serem atacados.

Somente os atentados antissemitas mais violentos e execráveis são mostrados pela mídia sueca. Muitas organizações que disseminam o antissemitismo disfarçado não recebem a atenção nem da mídia sueca nem dos assim chamados movimentos “antirracistas”. O grupo Juventude Contra os Assentamentos (YAS) por exemplo, que tem sua base em Hebron, visita escolas de ensino médio e ministra palestras na Suécia, conduzindo uma campanha contra os residentes judeus de Hebron. Um estudante contou o que foi dito quando a YAS esteve na escola Glokala Folkhögskolan em Malmö, em 28 de fevereiro de 2018:

“Os integrantes disseram que havia postos de controle em todo o país (Israel) e que os árabes são constantemente parados, espancados e mortos. Eles também disseram que os palestinos vivem em campos de concentração, como os da Segunda Guerra Mundial. E que Israel vê e ouve tudo. Como se tivessem câmeras em todos os lugares e observassem tudo. Quero dizer, eles disseram muitas bobagens. No final, todos foram obrigados a tirar fotos com a bandeira deles. Eu tive que fingir ir ao banheiro para não participar disso. Realmente muito nojento!”

Outro estudante disse o seguinte sobre a visita da YAS:

“A afirmação mais polêmica mencionada foi que os judeus controlam os Estados Unidos e a mídia.”

As conversas com os estudantes foram conduzidas pelo blogueiro sueco, Tobias Petersson, que as publicou em seu blog. O simples fato de escolas públicas de ensino médio serem visitadas por uma organização que demoniza Israel e faz afirmações antissemitas falsas e deploráveis deveria, no mínimo, ser investigada pela mídia. Mas a mídia sueca ignorou a difamação, nem verificou nem repudiou o que foi dito.

Muito pelo contrário, as duas figuras, Zleikha Al Muhtaseb e Anas Amro, que representavam a YAS e estavam percorrendo a Suécia, foram retratadas como “ativistas da paz”. Em suas páginas no Facebook no entanto, celebram os ataques com facas, martírios e intifada. A YAS também defendeu as recentes violentas manifestações na fronteira entre Israel e Gaza, apesar dos protestos que levaram à morte de mais palestinos, agravando o conflito entre israelenses e palestinos, ter sido organizado pelo Hamas, organização terrorista antissemita que fala abertamente que seu objetivo é destruir Israel.

A YAS foi convidada a dar palestras em órgãos públicos na Suécia, a ministra das relações exteriores da Suécia, Margot Wallström, reuniu-se com a YAS quando ela visitou Ramala em dezembro de 2016. Assim sendo, a YAS se tornou uma organização legitimada pelo governo sueco. Quando organizações como a YAS percorrem a Suécia e são recebidas inquestionavelmente de braços abertos por escolas de ensino médio e por outros órgãos públicos, esse tipo de acolhida legitima o tipo de antissemitismo que ela apresenta, independentemente do quão falso, como uma visão supostamente confiável sobre Israel.

Outra organização que nítida e notoriamente nutre propensões antissemitas e é apoiada por instituições públicas suecas é o Grupo 194. O nome deriva da Resolução 194 da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada em 11 de dezembro de 1948, durante a guerra árabe-israelense de 1948/1949 que se seguiu à criação do Estado de Israel. A resolução 194 reza entre outras coisas:

“… os refugiados que desejarem retornar às suas casas e viver em paz com seus vizinhos devem ter permissão para tanto na data mais próxima possível, a indenização deverá ser paga pela propriedade daqueles que optaram por não retornar e pela perda ou dano à propriedade que, sob os princípios do direito internacional ou da equidade, deverão ser reparados pelos governos ou pelas autoridades competentes…”

A resolução é usada por muitos palestinos para provar que o reconhecimento internacional do “direito de retorno” ao que é hoje o coração de Israel, tem na realidade como objetivo eliminar Israel conforme mostram abertamente os mapas da “Palestina“. De maneira ostensiva pretendem recuperar as casas que após 70 anos provavelmente já não existem mais.

O grupo 194, organização política pró-palestina, mantém laços estreitos com a Frente Democrática para a Libertação da Palestina (DFLP), grupo terrorista que assassinou pelo menos 36 civis israelenses, além de apoiar o regime de Assad na Síria. É por esta razão que causou espécie quando em 27 de outubro de 2017 o Conselho de Serviços Sociais e do Trabalho do Município de Malmö concedeu 132 mil coroas suecas (aproximadamente US$15 mil) ao Grupo 194 e a outras duas organizações, para que elas patrulhassem o subúrbio de Rosengård no período noturno, teoricamente para incrementar a segurança. Para uma divulgação completa, o autor deste artigo, como membro do conselho municipal e alguns de seus colegas partidários votaram contra essa proposta, a maioria do conselho, no entanto, apoiou-a. Hoje é fato consumado que as organizações pró-palestinas são financiadas pelo município de Malmö.

O grupo 194 apoia o extremismo violento. Em sua página no Facebook é possível visualizar fotos de menores segurando fuzis automáticos Kalashnikov. Há também imagens antissemitas na página do Grupo 194 no Facebook, como por exemplo uma caricatura difamatória retratando um judeu bebendo sangue e comendo uma criança. Por que o município de Malmö financia com dinheiro dos contribuintes esse tipo de organização? A razão é que Malmö e a Suécia têm sérias dificuldades em lidar com o antissemitismo importado do Oriente Médio. No momento em que políticos suecos, devido à ignorância ou à tolerância ao comportamento intolerante, aceitam o antissemitismo em uma importante cidade sueca como Malmö, isso se torna uma mazela inaceitável. Também é inaceitável quando a maioria dos políticos locais da terceira maior cidade sueca apoia que o dinheiro dos contribuintes vá para uma organização pró-palestina que faz declarações antissemitas e promove a violência. Isso revela que muitos políticos suecos ao que tudo indica, não conseguem nem reconhecer o que é antissemitismo, quando e como se posicionar contra ele. O que os judeus suecos devem achar disso tudo?

O grupo 194 também foi premiado pelo município de Malmö em uma cerimônia de gala por ele organizada e recebeu contribuições de vários municípios suecos ao longo de vários anos, incluindo Sundsvall e Landskrona, onde o município nutre estreita cooperação com o Grupo 194. O Grupo 194 foi um dos organizadores da festa oficial de verão de Landskrona.

Ship To Gaza é uma organização que normalmente atrai muita publicidade na mídia. Quando um dos ativistas do Ferry Saarposhan afirmou que a forma com que Israel trata os palestinos “é pior que o Holocausto”, a mídia sueca permaneceu em silêncio. O videoclipe da sua declaração encontra-se na página oficial do Facebook do Ship to Gaza-Sweden, página que tem mais de 35 mil “curtidas”. Até agora ninguém se manifestou frente à calúnia por ele proferida.

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Nima Gholam Ali Pour é membro do Conselho de Educação na cidade sueca de Malmö e participa de diversos institutos interdisciplinares de estudos relacionados ao Oriente Médio. Gholam Ali Pour também é editor do Website social conservador Situation Malmö. Ele é o autor dos livros “Därför är mångkultur förtryck” (“Porque Multiculturalismo é Opressão “) e “Allah bestämmer inte i Sverige” (” Alá não Manda na Suécia “).

Original em inglês: Sweden’s Government Funds Anti-Semitism – Tradução: Joseph Skilnik