EXPOSIÇÃO “SCANNER” DE EDITH DERDYK | Glorinha Cohen

EXPOSIÇÃO “SCANNER” DE EDITH DERDYK

192_fique_3.1

Abertura dia 07/08/2013, das 19/22h, na Galeria Gravura Brasileira, com 6 séries de obras inéditas 

A mostra SCANNER foca a construção de matrizes através do equipamento Scanner, matrizes passíveis de serem reproduzidas e impressas, trazendo uma pequena reflexão sobre a natureza da estampa, da imagem impressa, da reprodução das informações para dentro do universo da gravura. São linhas desenhadas sem terem sido desenhadas materialmente. São linhas de luz que existem no ar.

 

O título Scanner vem do equipamento. A artista apropriou-se do procedimento que varre uma imagem com feixe de luz e codifica suas características sob a forma de dados expressos no sistema binário (objeto ou pessoa que explora, escrutina, examina, percorre uma superfície).

Todos os trabalhos apresentados são imagens impressas cujas “matrizes” digitais são resultantes da captura da passagem do feixe de luz que percorre a tela transparente do equipamento. A “matriz digital” obtida reflete exatamente a passagem da luz que varre a tela aberta, sem tampa coberta, produzindo imagens cujo registro traduz a imaterialidade do caminho da luz no ar em formas de linhas. As linhas que surgem são as interrupções da luz dada a movimentação da mão da artista no ar, interrompendo o fluxo das radiações eletromagnéticas.

A mostra SCANNER foca a construção de matrizes através do equipamento Scanner, matrizes passíveis de serem reproduzidas e impressas, trazendo uma pequena reflexão sobre a natureza da estampa, da imagem impressa, da reprodução das informações para dentro do universo da gravura. São linhas desenhadas sem terem sido desenhadas materialmente. São linhas de luz que existem no ar.

As imagens obtidas serão a transcrição/decodificação da imagem “real” – no caso, a captura da passagem do feixe de luz e suas interrupções dada a movimentação da mão que interrompe este fluxo – através do sistema binário – zero e um – que é a base de todo sistema operacional da computação eletrônica digital. Aqui o sistema binário será então tratado como enunciado para compor e organizar as imagens obtidas por este procedimento.


 

Texto apresentação Galciani Neves (curadora e pesquisadora):

“ O pensamento e o movente”: prólogo ao que não se vê

Não há nada tão indiscernível quanto a qualidade do movimento. A palavra, ainda que se erga para tornar esse fugidio ao menos uma menção aos olhos, transtorna-se. Para descrevê-lo, se exibe nessa tentativa falha e exprime uma noção de movimento compartimentada em instantes. E movimento é transitoriedade. É um existir mutante em embate com o vazio, com a pausa, com o não querer (note a falha). Em Scanner, Edith Derdyk persegue esse infixável, convidando-o a existir em imagem. Como artifício, a artista projeta um paradoxo que indetermina e ao mesmo tempo possibilita modos de ser, planos e efeitos do movimento.

Nessa mostra, a artista problematiza os procedimentos da gravura: dispensa a matriz e o seu processo de construção referencial, lidando com o registro da imaterialidade do movimento. Em coreografias com as mãos forja anteparos cambiantes enquanto desenha fendas para que feixes de luz sejam varridos pela superfície vazia do scanner. E disso, visualidades de movimento. Linhas, capturas, passagens resultam do gesto e da luz, entre ver e deixar escapar. A mão dança, compete com a luz, e sobram índices desse movimento.

Assim, Edith despede-se dos cumes fixos dos quais se avista a criação artística – a ideia, o fazer, o fim atingido – para largar-se à mobilidade em sua continuidade processual indivisível. Flagra uma manufatura do mover como espectadora e autora de fluxos de ações, que desenrolam-se em seus próprios inacabamentos. Para tanto, nega os estágios curtos artificialmente compreendidos e organizados em acomodações de momentos no espaço: o mundo é aqui, o tempo é agora, o texto afirma isto. A radicalidade do estar em fluxo e a imprevisibilidade do arbítrio dos gestos figuram como exercícios para preencher o estado de ver/pensar/perceber o movimento. Tal como questiona Henri Bergson acerca do movente: “Como não será, então, se a ação for verdadeiramente livre, isto é, criada por inteira, tanto em seu desenho exte rior quanto em sua coloração interna, no momento em que se realiza?”

“Como zero e um, vazio e cheio, sim e não”, diz a artista, desenhos do acaso são transcritos. Edith experimenta o sistema binário como enunciado, que decodifica seus fazeres e moveres, como imagens insistentes, registros que se querem ainda incalculáveis, pois são da ordem do movimento, quando tudo segue sendo. E segue em múltiplas poéticas: como ensaio, como cálculo, como probabilidade, como partitura, como diagrama e todas as variações e permutações de seus retratos – como desenho, como linha, como fotografia, como processo, como mapas, como notações e ainda livro e ainda movimento…


 

SERVIÇO:

ABERTURA 07 de agosto | quarta-feira | 19-22hs

GALERIA GRAVURA BRASILEIRA

Visitação- de 07 de agosto a 14 de setembro de 2013.

Segunda a sexta,  das 10h às 18h | sáb- das 11h às 13h

GRÁTIS

R. Dr. Franco da Rocha, 61 |  Perdizes-SP | f. 11 3624 9193 | 11 3624 0301

www.gravurabrasileira.com