﻿{"id":10149,"date":"2013-09-28T23:38:17","date_gmt":"2013-09-28T23:38:17","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=10149"},"modified":"2013-09-28T23:38:19","modified_gmt":"2013-09-28T23:38:19","slug":"mundo-mundo-por-alexandru-solomon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=10149","title":{"rendered":"MUNDO, MUNDO \u2013 POR  ALEXANDRU SOLOMON"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-7272\" alt=\"alexandreSolomon\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alexandreSolomon1.jpg\" width=\"173\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alexandreSolomon1.jpg 173w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alexandreSolomon1-89x135.jpg 89w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/alexandreSolomon1-165x250.jpg 165w\" sizes=\"(max-width: 173px) 100vw, 173px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">Levar a s\u00e9rio a realidade? Melhor dirigir-lhe um olhar zombeteiro. Ser\u00e1 essa a desforra. A pretexto de estarmos vivendo intensamente determinado momento, n\u00e3o faz sentido afirmar ser um instante mais importante do que outro.<\/p>\n<p align=\"center\"><b><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-10150\" alt=\"199_especial_1\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/199_especial_1.jpg\" width=\"196\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/199_especial_1.jpg 196w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/199_especial_1-89x135.jpg 89w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/199_especial_1-166x250.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/>\u00a0<\/b><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">De tanto ver triunfar as nulidades\u2019, exclamou Ruy Barbosa por volta de 1914, \u2018&#8230; o homem chega a desanimar da virtude\u2019. Naquela \u00e9poca, como hoje, o des\u00e2nimo se justificava, dizem. Ser\u00e1? Para quem a tarefa de endireitar o mundo parece excessivamente aborrecida, resta o consolo de entender que o que puder ser salvo o ser\u00e1. Dito de outra maneira:\u00a0se estiver confuso, confunda os demais e ganhe tempo. Sobretudo, jamais interpele os impostores. Para qu\u00ea? A credulidade substitui a contesta\u00e7\u00e3o; o fraco andar\u00e1 a reboque de conceitos que n\u00e3o entende, sempre disposto a amaldi\u00e7oar uma verdade em conflito com a cren\u00e7a que acabaram de lhe instilar. Exigir algo de meros t\u00edteres subordinados aos pr\u00f3prios instintos \u00e9 um pensamento ut\u00f3pico e indigesto, j\u00e1 que a injusti\u00e7a jamais se limitou a gerar um filho \u00fanico. Quanto \u00e0 justi\u00e7a, ela \u00e9 cega por defini\u00e7\u00e3o. Importante \u00e9 deixar sempre um espa\u00e7o para um recuo, que permita contemplar o todo hostil com um sorriso, mesmo com o risco de saber que, a qualquer momento, poder\u00e1 virar um ricto. O segredo, se \u00e9 que existe, \u00e9 tocar sempre com a ponta dos dedos, ro\u00e7ar sem o compromisso de aprofundar-se, sem provocar a alergia \u00e0 verdade daqueles que dela se proclamam donos. Ressaltar o mal que se esconde atr\u00e1s de argumentos trai\u00e7oeiros, \u00e9, seguramente, uma armadilha ao nosso comodismo, a ser cuidadosamente evitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto assim, tudo passa a ser mero objeto de esc\u00e1rnio. N\u00e3o h\u00e1 mais o risco de tombar, empunhando a bandeira de um ideal com seu prazo de validade vencido. Aos que imaginam ser esse um caminho para a superficialidade, para a aliena\u00e7\u00e3o, termo abusivamente presente em debates acalorados, Pascal retrucaria ser importante ter um pouco de tudo e n\u00e3o tudo de alguma coisa. N\u00e3o \u00e9 uma receita de vida nem um convite ao alheamento, e sim uma forma menos tensa de examinar o palco da exist\u00eancia, no qual um detalhe irrelevante pode arruinar o mais ambicioso projeto, um toque inoportuno de celular consegue dissipar a aura de um momento m\u00e1gico, em que, finalmente, \u00eddolos adquirem essa condi\u00e7\u00e3o, enquanto iluminados pelo jogo de luzes de um diretor experiente, para se desintegrar quando baixa a cortina. O \u2018para sempre\u2019 dura no m\u00e1ximo at\u00e9 o fenecer da in\u00fatil paix\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>Indiferente a reflex\u00f5es desse jaez, a sociedade se encarrega de ignorar a imagem t\u00e9trica do rel\u00f3gio sem ponteiros de \u2018Morangos silvestres\u2019, soterrada pelo advento de inexpressivos rel\u00f3gios digitais. O di\u00e1logo encontrou substituto digno no discurso vazio, sem contesta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, a arenga insossa do \u2018vender o peixe\u2019. T\u00e3o compacta \u00e9 a fala que rege a sociedade, que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para discuss\u00e3o. Aforismos sem valor, e n\u00e3o vale a pena enumer\u00e1-los, passam a governar as mentes. Contestar? Por acaso existe a certeza \u2013 e se existe, onde \u00e9 que ela fixou resid\u00eancia? Deve estar perdida entre a teia de Pen\u00e9lope e o v\u00e3o esfor\u00e7o de S\u00edsifo, entre o ardil e a senten\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>Levar a s\u00e9rio a realidade? Melhor dirigir-lhe um olhar zombeteiro. Ser\u00e1 essa a desforra. A pretexto de estarmos vivendo intensamente determinado momento, n\u00e3o faz sentido afirmar ser um instante mais importante do que outro. N\u00e3o h\u00e1 mais nada de excepcional, inexistem encruzilhadas hist\u00f3ricas, a n\u00e3o ser para n\u00f3s mesmos. Se houver alguma perspectiva inebriante, bastar\u00e1 um olhar ir\u00f4nico para demolir qualquer arcabou\u00e7o ou dogma, para bagatelizar ao inv\u00e9s de sofrer por conta de males, cuja cura teima em fugir \u00e0 sabedoria. O cani\u00e7o pensante precisa, com urg\u00eancia, aprender a dar de ombros.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>Nossa jornada \u00e9 apenas o atalho para descobrir, algo tardiamente, a inutilidade de ser s\u00e9rio. Os mais nobres sentimentos abdicam da sua solid\u00e3o majest\u00e1tica ao chocarem-se com o trivial. Entre sermos inconsol\u00e1veis cassandras, ou torcer pelo fracasso das nulidades, manter o sorriso \u00e9 uma medida de sobreviv\u00eancia. Sa\u00edda po\u00e9tica, talvez, j\u00e1 que sem sermos poetas, saberemos ser fingidores. Ante a falta de pudor do pol\u00edtico, o sorriso do s\u00e1bio. Isso n\u00e3o ir\u00e1 mudar algo, mas, se n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o, proporcionar\u00e1 pelo menos um agrad\u00e1vel fim de semana.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>E as nulidades? Bem, quantos t\u00eam na ponta da l\u00edngua o nome de quem derrotou Ruy Barbosa nas urnas? Eis a resposta, ainda que disfar\u00e7ada de pergunta.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p><b style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Nota: Cr\u00f4nica do livro \u00b4\u00b4Sess\u00e3o da tarde&#8220;, Ed. Edicon.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>ALEXANDRU SOLOMON &#8211; \u00a0\u00a0Empres\u00e1rio, escritor. <a title=\"ALEXANDRU SOLOMON\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=7177\">Saiba mais.<\/a><\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levar a s\u00e9rio a realidade? Melhor dirigir-lhe um olhar zombeteiro. Ser\u00e1 essa a desforra. A pretexto de estarmos vivendo intensamente determinado momento, n\u00e3o faz sentido afirmar ser um instante mais importante do que outro. \u00a0 De tanto ver triunfar as nulidades\u2019, exclamou Ruy Barbosa por volta de 1914, \u2018&#8230; o homem chega a desanimar da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7275,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[8,32],"tags":[55],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10149"}],"collection":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10149"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10355,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10149\/revisions\/10355"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}