﻿{"id":10401,"date":"2013-10-02T00:33:17","date_gmt":"2013-10-02T00:33:17","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=10401"},"modified":"2013-10-06T00:19:15","modified_gmt":"2013-10-06T00:19:15","slug":"nao-basta-viver-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=10401","title":{"rendered":"N\u00c3O BASTA VIVER?  \u2013 PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-9699\" alt=\"pauloRosenbaum\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pauloRosenbaum-254x250.jpg\" width=\"254\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pauloRosenbaum-254x250.jpg 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pauloRosenbaum-137x135.jpg 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pauloRosenbaum-50x50.jpg 50w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/pauloRosenbaum.jpg 850w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nossa cultura vai virando uma tradi\u00e7\u00e3o dos sem-tradi\u00e7\u00e3o. Mas o que parece uma pueril simplicidade vai se tornando improv\u00e1vel no universo intelectual.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nossa natureza greg\u00e1ria e o medo fazem com que ainda precisemos pertencer aos grupos, \u00e0s tribos, ou clubes ou classes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>para fazer parecer que h\u00e1 qualquer sentido na vida e para a vida.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diz-se que Montaigne\u00a0<a style=\"text-align: justify;\" href=\"http:\/\/www.jb.com.br\/coisas-da-politica\/noticias\/2013\/09\/06\/nao-basta-viver\/\" target=\"_blank\">respondeu<\/a>\u00a0a uma carta cheia de lam\u00farias e impreca\u00e7\u00f5es existenciais de um velho conhecido, e redarguiu com uma \u00fanica frase que ofendeu o remetente \u00e0 morte. O fil\u00f3sofo emendou, numa \u00fanica frase, um ensinamento que deveria vir gravado nos \u00edm\u00e3s de geladeira ou no\u00a0<i style=\"text-align: justify;\">google glass<\/i>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014\u00a0E n\u00e3o te basta viver ?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que a leitura de algumas poesias e de muitos romances nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de incompletude? Ali\u00e1s, o que \u00e9 esta sensa\u00e7\u00e3o que assola a maioria das pessoas e que muitos identificam com o vazio existencial? H\u00e1 um nome? \u00c9 poss\u00edvel defini-la atrav\u00e9s da elipse, da s\u00edntese, da condensa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode apontar os limites do tempo para explicar uma esp\u00e9cie de lacuna final nas obras cl\u00e1ssicas. Pode ser que seja um simbolismo dos nossos ciclos de vida. Mas tamb\u00e9m \u00e9 cogit\u00e1vel que sejam os limites das hist\u00f3rias que contamos uns para os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que n\u00e3o nos basta mais, ou nunca. Para ningu\u00e9m. A vida, ela mesma, parece dessignificada, e isso explica em parte a banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e dos conflitos tribalistas presentes na raiz das barb\u00e1ries do XX e do XXI. Da S\u00edria ao Congo, da China ao Kosovo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa cultura vai virando uma tradi\u00e7\u00e3o dos sem-tradi\u00e7\u00e3o. Mas o que parece uma pueril simplicidade vai se tornando improv\u00e1vel no universo intelectual. Nossa natureza greg\u00e1ria e o medo fazem com que ainda precisemos pertencer aos grupos, \u00e0s tribos, ou clubes ou classes para fazer parecer que h\u00e1 qualquer sentido na vida e para a vida. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos obrigados a adotar perspectivas ex\u00f3genas para restaurar nossa improv\u00e1vel completude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo est\u00e1 sendo feito e recriado todo tempo o tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como a vida tamb\u00e9m pode ser comparada a uma editora\u00e7\u00e3o, \u00e9 o quanto falta para dar o acabamento que importa? Ou as p\u00e1ginas manuseadas e percorridas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o de que \u201cn\u00e3o \u00e9 bem por a\u00ed\u201d fez longa trajet\u00f3ria at\u00e9 chegar aos nossos dias. Nossas obras s\u00e3o inacabadas como as p\u00e1ginas que, segundo Jorge Luis Borges, jamais chegar\u00e3o \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma estrat\u00e9gia de artista. \u00c9 que o inacabado imita Deus em performance. Seguindo a tradi\u00e7\u00e3o judaica\u00a0\u2014\u00a0e este \u00e9 o significado do ano novo\u00a0\u2014\u00a0tudo est\u00e1 sendo feito e recriado todo tempo o tempo todo. O incessante n\u00e3o significa ac\u00famulo mas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jb.com.br\/coisas-da-politica\/noticias\/2013\/09\/06\/nao-basta-viver\/\" target=\"_blank\">renova\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0radical, despojamento absoluto. \u00c9 como se precis\u00e1ssemos escapar do \u00fatero todas as manh\u00e3s. Da\u00ed a imperfei\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca de toda obra, humana, natural, sobrenatural, incluindo as coisas de natureza indefin\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, por que nos bastaria viver como um m\u00e9rito em si mesmo? Ser\u00e1 que o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jb.com.br\/coisas-da-politica\/noticias\/2013\/09\/06\/nao-basta-viver\/\" target=\"_blank\">otimismo<\/a>\u00a0e a aliena\u00e7\u00e3o controlada merecem controle, discrimina\u00e7\u00e3o? Esquerda e direita, ambas escravas do monotrilho, partilham do mesmo mau humor end\u00f3geno: est\u00e3o escravizadas pela heran\u00e7a materialista. Mas eis um monitoramento que vai para bem al\u00e9m da pol\u00edtica. Fomos t\u00e3o intensamente colonizados por ideias e teorias abstratas t\u00e3o variadas que j\u00e1 n\u00e3o conseguimos nos desvincular para adotar uma s\u00edntese pessoal das coisas. Estamos amarrados para criar. Por isso mesmo a teimosia \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<hr \/>\n<p><b>PAULO ROSENBAUM &#8211; m\u00e9dico e escritor. <a title=\"PAULO ROSENBAUM\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5109\">Saiba mais.<\/a><\/b><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa cultura vai virando uma tradi\u00e7\u00e3o dos sem-tradi\u00e7\u00e3o. Mas o que parece uma pueril simplicidade vai se tornando improv\u00e1vel no universo intelectual. Nossa natureza greg\u00e1ria e o medo fazem com que ainda precisemos pertencer aos grupos, \u00e0s tribos, ou clubes ou classes para fazer parecer que h\u00e1 qualquer sentido na vida e para a vida. 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