﻿{"id":11285,"date":"2013-11-16T21:43:07","date_gmt":"2013-11-16T21:43:07","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=11285"},"modified":"2013-11-16T21:43:07","modified_gmt":"2013-11-16T21:43:07","slug":"espiritualidade-no-mundo-material-chanuka-rav-efraim-birbojm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=11285","title":{"rendered":"ESPIRITUALIDADE NO MUNDO MATERIAL \u2013  CHANUK\u00c1 &#8211; RAV EFRAIM BIRBOJM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-7385\" alt=\"Efraim.fw\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Efraim.fw_.png\" width=\"254\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Efraim.fw_.png 756w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Efraim.fw_-108x135.png 108w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Efraim.fw_-201x250.png 201w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo neste mundo material tem um significado, tudo tem um prop\u00f3sito para existir. N\u00e3o existe algo material sem conex\u00e3o com o lado espiritual.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez um rabino estava ensinando a um de seus alunos que n\u00e3o existe apenas uma realidade material, n\u00e3o estamos limitados somente \u00e0quilo que conseguimos ver ou tocar. Tudo que existe no mundo est\u00e1 embasado em uma realidade espiritual, t\u00e3o palp\u00e1vel quanto o mundo material. \u00c9 apenas necess\u00e1rio refletir para encontrar a espiritualidade em cada pequeno objeto que existe neste mundo, pois tudo o que existe no mundo reflete, de alguma maneira, a vontade de D\u2019us. O aluno ent\u00e3o perguntou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Rabino, se \u00e9 verdade o que voc\u00ea est\u00e1 falando, o que podemos aprender espiritualmente sobre os trens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Que em um segundo n\u00f3s podemos perder tudo \u2013 respondeu o rabino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E o que podemos aprender do tel\u00e9grafo, rabino?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Que cada palavra que falamos \u00e9 contada, e no final vamos prestar contas sobre cada uma delas \u2013 respondeu o rabino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E o que o telefone pode n\u00f3s ensinar? \u2013 insistiu ainda o aluno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Aprendemos que tudo o que \u00e9 dito aqui \u00e9 claramente escutado do outro lado \u2013 respondeu o rabino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aluno se deu por vencido. Ele entendeu que tudo neste mundo material tem um significado, tudo tem um prop\u00f3sito para existir. N\u00e3o existe algo material sem conex\u00e3o com o lado espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es mais importantes desta \u00e9poca t\u00e3o especial para o povo judeu, na qual comemoramos a festa de Ch\u00e1nuka, a Festa das Luzes.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>CHANUK\u00c1<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dia 27 de novembro, quarta-feira, come\u00e7amos a comemorar a festa de Ch\u00e1nuka, um momento extremamente significativo na hist\u00f3ria do povo judeu. Em Ch\u00e1nuka revivemos dois grandes milagres que mudaram o curso da hist\u00f3ria do povo judeu. Na \u00e9poca do 2\u00ba Beit Hamikdash (Templo Sagrado), os gregos haviam dominado Jerusal\u00e9m e impurificado o nosso Templo. Um grande milagre aconteceu e, ap\u00f3s uma longa batalha, conseguimos valentemente expulsamos os gregos. E ao retomar os servi\u00e7os do Beit Hamikdash, um novo milagre aconteceu, quando o \u00f3leo, suficiente para apenas um dia, durou 8 dias. Mas para comemorar Ch\u00e1nuka com a devida inten\u00e7\u00e3o, precisamos entender de uma maneira mais profunda o que a domina\u00e7\u00e3o grega significou e o quanto a vit\u00f3ria do povo judeu foi importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No calend\u00e1rio judaico, existem duas festas que foram fixadas pelos nossos s\u00e1bios: Purim e Ch\u00e1nuka. Apesar de elas terem algumas semelhan\u00e7as, apresentam tamb\u00e9m muitas diferen\u00e7as entre si. Por exemplo, Purim \u00e9 comemorada com \u201cSeud\u00e1 Umisht\u00ea\u201d (Refei\u00e7\u00e3o festiva), enquanto Ch\u00e1nuka \u00e9 comemorada com \u201cHalel e Hoda\u00e1\u201d (Louvores e Agradecimentos), sem a necessidade de fazer uma refei\u00e7\u00e3o festiva. Por que esta diferen\u00e7a na comemora\u00e7\u00e3o das duas festas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma Mishn\u00e1 (Mid\u00f3t 2:3) que nos ensina uma ideia interessante sobre a \u00e9poca da domina\u00e7\u00e3o grega. Um dos s\u00edmbolos do abismo espiritual criado pelos gregos, na sua tentativa acabar com o juda\u00edsmo e extinguir o cumprimento das Mitzv\u00f3t, foi que eles criaram 13 aberturas nas muralhas que circundavam o Beit Hamikdash. Mas o Talmud (Sanhedrin 101b) traz uma informa\u00e7\u00e3o aparentemente contradit\u00f3ria. Na \u00e9poca de Shlomo Hamelech (Rei Salom\u00e3o) tamb\u00e9m havia algumas aberturas nas muralhas do Beit-Hamikdash. Shlomo Hamelech, por um motivo equivocado, fechou as aberturas e foi duramente repreendido, pois isto inibiu o acesso do povo judeu durante as peregrina\u00e7\u00f5es ao Beit Hamikdash. Se o correto era ter mantido as aberturas, como maneira de facilitar a entrada do povo judeu no Templo, ent\u00e3o por que o ato dos gregos de criar aberturas na muralha foi visto de uma maneira t\u00e3o negativa e representa a decad\u00eancia espiritual que eles tentaram nos impor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda outra pergunta importante a ser respondida. O Rambam (Maim\u00f4nides), em seu livro de leis chamado \u201cMishn\u00ea Tor\u00e1\u201d, nos ensina qual \u00e9 a fonte na Tor\u00e1 da obriga\u00e7\u00e3o do povo judeu de construir um Beit Hamikdash. Mas ao inv\u00e9s de trazer uma \u00fanica fonte, o Rambam traz duas fontes, completamente diferentes. Nas leis sobre o Beit Hamikdash, o Rambam fala que a obriga\u00e7\u00e3o est\u00e1 no vers\u00edculo \u201cE Far\u00e3o para Mim um Santu\u00e1rio, e Eu morarei entre eles\u201d (Shemot 25:8). Por\u00e9m, nas leis sobre os reis, o Rambam diz que a obriga\u00e7\u00e3o est\u00e1 no vers\u00edculo \u201cL\u00e1 voc\u00eas devem ir buscar Sua presen\u00e7a\u201d (Devarim 12:5). Como entender esta aparente contradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explica o Rav Yochanan Zweig que todas as perguntas podem ser respondidas com apenas um fundamento. E este fundamento \u00e9 o entendimento de qual era a fun\u00e7\u00e3o do Beit Hamikdash para o povo judeu. Explicam nossos s\u00e1bios que o Beit Hamikdash tinha duas fun\u00e7\u00f5es principais. Em primeiro lugar, era o local onde o povo judeu podia servir a D\u2019us, atrav\u00e9s de suas rezas e sacrif\u00edcios. Mas o Beit Hamikdash tamb\u00e9m tinha a fun\u00e7\u00e3o de ser um local para reunir o povo judeu, principalmente durante as 3 Festas com peregrina\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m (Pessach, Shavu\u00f3t e Suc\u00f3t). Durante estas festas o Templo, completamente lotado, expressava a uni\u00e3o e a solidariedade do povo judeu. \u00c9 por isso que o Rambam traz duas fontes na Tor\u00e1 para a obriga\u00e7\u00e3o de termos um Beit Hamikdash, pois uma delas \u00e9 para ensinar a fun\u00e7\u00e3o de local de servi\u00e7o a D\u2019us (\u201cE Far\u00e3o para Mim um Santu\u00e1rio\u201d), e a outra \u00e9 para ensinar a fun\u00e7\u00e3o de local de reuni\u00e3o do povo judeu (\u201cL\u00e1 voc\u00eas devem ir buscar Sua presen\u00e7a\u201d). Estas duas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o, na realidade, complementares, pois a \u00fanica e verdadeira fonte de uni\u00e3o de todo o povo judeu \u00e9 o nosso comprometimento em manter nossa heran\u00e7a espiritual. Justamente pelo fato do Beit Hamikdash ser o local de servi\u00e7o a D\u2019us \u00e9 que ele tamb\u00e9m pode servir como ponto de encontro para todo o povo judeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre o ex\u00edlio grego e os outros ex\u00edlios. Em um primeiro momento, os gregos n\u00e3o quiseram destruir o nosso Beit Hamikdash nem matar os judeus. Eles queriam inclusive manter o juda\u00edsmo, mas apenas como uma cultura, completamente desprovida de espiritualidade. As aberturas criadas na muralha do Beit Hamikdash eram para aumentar a acessibilidade ao Templo, para que ele servisse como um centro cultural. Segundo as leis espirituais, uma pessoa em estado de impureza, como algu\u00e9m que entrou em contato com mortos, n\u00e3o podia entrar no Beit Hamikdash at\u00e9 passar por um processo de purifica\u00e7\u00e3o. Mas os gregos consideravam as leis de pureza e impureza espiritual muito antiquadas e queriam que fossem abolidas. Por isso eles abriram v\u00e1rias aberturas nas muralhas, permitindo que qualquer um entrasse no Beit Hamikdash quando bem entendesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ensinamento \u00e9 refor\u00e7ado pelo Talmud (Shabat 32a), que nos ensina que dois fatores contribuem para a morte de pessoas ignorantes: eles chamam as sinagogas de \u201cBeit Am\u201d (Casa do Povo) e chamam o \u201cAron Hakodesh\u201d (Arca Sagrada) de \u201cArn\u00e1\u201d (arm\u00e1rio). O que significa este ensinamento do Talmud? Por que coisas aparentemente t\u00e3o simples e inofensivas s\u00e3o castigadas de uma maneira t\u00e3o severa? Pois aquele que chama uma sinagoga de \u201cA casa do povo\u201d comete um grave erro ao n\u00e3o perceber que \u00e9 o servi\u00e7o a D\u2019us, atrav\u00e9s de Suas Mitzv\u00f3t, que une os judeus, n\u00e3o a nossa cultura. O mesmo ocorre quando o Aron Hakodesh \u00e9 chamado de \u201carm\u00e1rio\u201d, pois isto reflete a vis\u00e3o equivocada de que a Tor\u00e1 \u00e9 um mero objeto cultural, um livro de hist\u00f3rias. Esta vis\u00e3o equivocada n\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o judaica, \u00e9 a vis\u00e3o dos gregos, que queriam acabar com a nossa espiritualidade e transformar o juda\u00edsmo em um movimento cultural. H\u00e1 judeus em todas as partes do mundo, e eles n\u00e3o compartilham da mesma l\u00edngua nem da mesma cultura. O que h\u00e1 em comum entre um judeu brasileiro, um judeu et\u00edope e um judeu russo? O seu legado espiritual e o comprometimento com a sua espiritualidade. \u00c9 isto o que une os judeus do mundo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da principal amea\u00e7a grega n\u00e3o ter sido a destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, as consequ\u00eancias poderiam ter sido at\u00e9 mais devastadoras do que em outras guerras e ex\u00edlios. Os gregos n\u00e3o queriam nos destruir fisicamente, mas queriam destruir o nosso compromisso com a espiritualidade, pois eles sabiam que sem isto o juda\u00edsmo n\u00e3o poderia sobreviver. Em Purim, nossos antepassados foram amea\u00e7ados de exterm\u00ednio f\u00edsico, quando Haman decretou a \u201cSolu\u00e7\u00e3o Final\u201d contra o povo judeu, fixando um dia para que todos fossem exterminados. Portanto, a salva\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 comemorada de uma maneira f\u00edsica, com um grande banquete. J\u00e1 em Ch\u00e1nuka, a amea\u00e7a era de exterm\u00ednio espiritual, pois os gregos tentaram erradicar qualquer vest\u00edgio de espiritualidade de nossas vidas. Por isso celebramos de uma maneira espiritual, com louvores e agradecimento a D\u2019us.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos esquecer que em Ch\u00e1nuka vencemos apenas uma batalha. Na \u00e9poca da vit\u00f3ria sobre os gregos, muitos judeus haviam se rendido \u00e0 cultura grega, transformando-se em \u201cjudeus helenistas\u201d. A guerra contra a cultura grega continua, pois infelizmente muitos judeus continuam vivendo um \u201cjuda\u00edsmo cultural\u201d, no qual a Tor\u00e1 \u00e9 apenas uma \u201cobra de arte\u201d que deve ser exposta em prateleiras de vidro, como uma bela lembran\u00e7a do passado. A assimila\u00e7\u00e3o faz com que pessoas considerem mais importante assistir uma apresenta\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a judaica do que ir \u00e0 reza de Yom Kipur. Muitos esqueceram que a miss\u00e3o do povo judeu no mundo \u00e9 justamente ensinar espiritualidade a todos os povos da Terra. Se n\u00f3s estivermos conectados apenas com um juda\u00edsmo superficial, que ensinamento poderemos transmitir ao mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tor\u00e1 \u00e9 a nossa vida, \u00e9 o nosso \u201cmanual\u201d espiritual de como viver da maneira correta. A vit\u00f3ria contra a assimila\u00e7\u00e3o foi a verdadeira vit\u00f3ria de Ch\u00e1nuka. Ao acender as velas de Ch\u00e1nuka estamos dando nossa contribui\u00e7\u00e3o para que a Tor\u00e1 tenha seu lugar nos centros de estudo, e n\u00e3o nas prateleiras de vidro. Que neste Ch\u00e1nuka possamos participar e ajudar o povo judeu a vencer mais uma batalha, a batalha contra a apatia e a assimila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SHALOM.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RAV EFRAIM BIRBOJM &#8211; <\/strong>Mestre em Engenharia pela Escola Polit\u00e9cnica da USP<strong>. <a title=\"RAV EFRAIM BIRBOJM\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5048\">Saiba mais.<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo neste mundo material tem um significado, tudo tem um prop\u00f3sito para existir. N\u00e3o existe algo material sem conex\u00e3o com o lado espiritual. 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