﻿{"id":14136,"date":"2014-03-14T19:56:30","date_gmt":"2014-03-14T19:56:30","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=14136"},"modified":"2014-03-14T19:56:30","modified_gmt":"2014-03-14T19:56:30","slug":"mais-medicos-e-menos-improviso-josef-barat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=14136","title":{"rendered":"MAIS M\u00c9DICOS E MENOS IMPROVISO  &#8211; JOSEF BARAT"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-14137\" alt=\"211_medicina_2.1\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/211_medicina_2.1.jpg\" width=\"202\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/211_medicina_2.1.jpg 316w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/211_medicina_2.1-89x135.jpg 89w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/211_medicina_2.1-166x250.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/p>\n<hr style=\"height: 1px; border-width: 1px; border-style: solid; border-color: #CCCCCC; color: #ffffff;\" noshade=\"noshade\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fomentar conflitos para justificar pol\u00edticas de curto prazo \u00e9 postura de alto risco. Portanto, n\u00e3o \u00e9 correto insuflar a popula\u00e7\u00e3o contra os m\u00e9dicos brasileiros. Os hospitais p\u00fablicos e postos de sa\u00fade funcionam gra\u00e7as \u00e0 abnega\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, enfermeiros e atendentes brasileiros.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No jarg\u00e3o dos economistas, o termo estrutural expressa algo decorrente de caracter\u00edsticas essenciais ou duradouras da economia \u2013 tratando, portanto, de mudan\u00e7as que delineiam o longo prazo \u2013, enquanto o termo conjuntural \u00e9 relativo a varia\u00e7\u00f5es ou ocorr\u00eancias no curto prazo. Dar solu\u00e7\u00f5es conjunturais a problemas de natureza estrutural, visando ao curto prazo, pode representar uma s\u00e9ria contradi\u00e7\u00e3o quando se trata de formular pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, fomentar conflitos para justificar pol\u00edticas de curto prazo \u00e9 postura de alto risco. Portanto, n\u00e3o \u00e9 correto insuflar a popula\u00e7\u00e3o contra os m\u00e9dicos brasileiros. Os hospitais p\u00fablicos e postos de sa\u00fade funcionam gra\u00e7as \u00e0 abnega\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, enfermeiros e atendentes brasileiros. Mal remunerados, sem equipes de apoio e sem equipamentos, dedicam-se a dar assist\u00eancia m\u00e9dico-hospitalar com grande sacrif\u00edcio pessoal. Claro que qualquer iniciativa que vise a melhorar o alcance e os padr\u00f5es de qualidade dos servi\u00e7os merece aprova\u00e7\u00e3o. Mas, dada a extrema complexidade da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma avalia\u00e7\u00e3o isenta e objetiva do programa Mais M\u00e9dicos, sem ideologias nem rea\u00e7\u00f5es emocionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sempre oportuno lembrar que os problemas da sa\u00fade p\u00fablica nas \u00e1reas desassistidas se acumulam h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas. Mais precisamente, desde que foram extintos, no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu) e a Superintend\u00eancia de Campanhas de Sa\u00fade P\u00fablica (Sucam), criados em 1956 e 1970. Junto com a Funda\u00e7\u00e3o Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), essas organiza\u00e7\u00f5es de Estado davam suporte a um corpo de m\u00e9dicos sanitaristas de carreira, que exerciam uma fun\u00e7\u00e3o importante com rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s endemias, mas tamb\u00e9m \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria em comunidades afastadas e carentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram modelares os programas que contemplaram, de forma integrada, fossas s\u00e9pticas, tratamento de \u00e1gua e educa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, entre outros. Havia, pois, uma vis\u00e3o estrutural para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas de sa\u00fade p\u00fablica, mesmo considerando a car\u00eancia de recursos para investimentos e opera\u00e7\u00e3o. Infelizmente, no governo Collor essas institui\u00e7\u00f5es e carreiras m\u00e9dicas foram desmanteladas e sua experi\u00eancia acumulada se dispersou. A cria\u00e7\u00e3o da Funasa deixou muito a desejar e se perdeu a vis\u00e3o dos m\u00e9dicos sanitaristas como merecedores de uma carreira de Estado, como t\u00eam os magistrados, diplomatas e militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na gest\u00e3o do ministro Adib Jatene foi criado o programa M\u00e9dicos de Fam\u00edlia, de alcance extraordin\u00e1rio na \u00e9poca, pela objetividade na concep\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de baixo custo na sua execu\u00e7\u00e3o. Infelizmente, esse programa \u2013 que tinha vis\u00e3o de mudan\u00e7as no longo prazo \u2013 foi tamb\u00e9m desestruturado, seguindo a terr\u00edvel maldi\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas publicas brasileiras de fazer malograr tudo o que d\u00e1 certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esta altura, \u00e9 preciso separar bem e sem paix\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o tapa-buraco, pela importa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos sub-remunerados e de qualifica\u00e7\u00e3o duvidosa, do que seriam solu\u00e7\u00f5es s\u00e9rias para cobrir de forma duradoura as defici\u00eancias dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, especialmente os que poderiam estar sendo prestados por m\u00e9dicos com carreiras de Estado estruturadas. \u00c9 pertinente perguntar: 1) se os m\u00e9dicos cubanos ter\u00e3o perman\u00eancia tempor\u00e1ria, pois s\u00e3o impedidos de fixar resid\u00eancia no Pa\u00eds, quem ir\u00e1 substitu\u00ed-los?; 2) Se esses m\u00e9dicos n\u00e3o tiverem suporte de equipes e equipamentos, far\u00e3o \u2013 s\u00f3 no curto prazo \u2013 o papel dos antigos m\u00e9dicos sanitaristas?; 3) Existe algum plano de estrutura\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade, por meio de equipes multidisciplinares e equipamentos adequados, juntamente com a importa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos?; e 4) J\u00e1 se pensou em dar aos m\u00e9dicos brasileiros a oportunidade de uma carreira estruturada, com sal\u00e1rios dignos e possibilidades de progress\u00e3o, para aloc\u00e1-los em \u00e1reas carentes, como se faz com magistrados e militares?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, em meio a tanta improvisa\u00e7\u00e3o, como diria Nelson Rodrigues, o subdesenvolvimento n\u00e3o se improvisa, \u00e9 obra de s\u00e9culos&#8230;<\/p>\n<hr style=\"height: 1px; border-width: 1px; border-style: solid; border-color: #CCCCCC; color: #ffffff;\" noshade=\"noshade\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JOSEF BARAT<\/strong> \u00e9 economista, consultor de entidades p\u00fablicas e privadas, \u00e9 coordenador do N\u00facleo de Estudos Urbanos da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTA: mat\u00e9ria publicada no jornal O Estado de SP dia 22 de fevereiro.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fomentar conflitos para justificar pol\u00edticas de curto prazo \u00e9 postura de alto risco. 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