﻿{"id":14651,"date":"2014-04-12T23:13:17","date_gmt":"2014-04-12T23:13:17","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=14651"},"modified":"2014-04-12T23:13:17","modified_gmt":"2014-04-12T23:13:17","slug":"pessach-20145774-por-bernardo-sorj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=14651","title":{"rendered":"PESSACH 2014\/5774 \u2013 POR BERNARDO SORJ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-14652\" alt=\"bernado\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bernado.jpg\" width=\"240\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bernado.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bernado-119x135.jpg 119w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bernado-220x250.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado n\u00e3o pode ser desprezado, porque condensa a sabedoria que nos faz ser em boa parte quem somos, nem deve ser uma camisa de for\u00e7a que tolhe nossa criatividade e liberdade.<\/p>\n<hr style=\"height: 1px; border-width: 1px; border-style: solid; border-color: #CCCCCC; color: #ffffff;\" noshade=\"noshade\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque nos libertamos da escravid\u00e3o no Egito. E fomos enclaustrados em guetos. E incinerados em Auschwitz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembramos Pessach para manter acesa a chama interna da liberdade, que nenhum poder consegue apagar se est\u00e1 enraizada dentro de n\u00f3s. Porque a sa\u00edda do Egito n\u00e3o representa a garantia da liberdade, mas a consci\u00eancia de seu valor, e a terra prometida n\u00e3o \u00e9 um lugar de chegada, mas o espa\u00e7o de nossa consci\u00eancia que cabe a cada um e a todos juntos cultivar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escolhemos participar da tradi\u00e7\u00e3o judaica pois ser judeu n\u00e3o \u00e9 uma certid\u00e3o outorgada por um estado, nem um clube ao qual devemos pedir autoriza\u00e7\u00e3o para entrar. Mas um sentimento de mundo que n\u00e3o pode ser reduzido a uma \u00fanica palavra. Seja povo, religi\u00e3o, tribo ou fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o judaica \u00e9 a sabedoria acumulada por mil\u00eanios de sobreviv\u00eancia como uma minoria. Que pode nos enriquecer se fortalece nossa humanidade, e nos limitar se nos empurra ao isolamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque ser minoria exige conviver com cren\u00e7as diferentes, dissonantes das nossas, ela nos ensina que todo problema tem varias solu\u00e7\u00f5es. E que toda solu\u00e7\u00e3o traz novos problemas, exigindo sempre sermos criativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque ser minoria nos ensina que devemos procurar entender o outro, que a conviv\u00eancia exige flexibilidade e n\u00e3o manique\u00edsmo. Pois ningu\u00e9m tem o monop\u00f3lio da verdade. E que nos oprimimos e oprimimos os outros quando acreditamos que existe uma \u00fanica forma correta de estar no mundo, e que os outros devem ser nossos espelhos ou que devemos ser espelho dos outros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque o futuro sempre pode ser melhor, com menos preconceitos, estigmas e opress\u00e3o, apostamos no <em>tikun olam<\/em>, na melhoria da humanidade. Como lembra a B\u00edblia, em Pessach sa\u00edram do Egito n\u00e3o s\u00f3 os judeus mais tamb\u00e9m \u201coutros povos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se hoje temos o privil\u00e9gio de viver em condi\u00e7\u00f5es de liberdade e prosperidade \u00fanicas na hist\u00f3ria, devemos lembrar de que fomos perseguidos e n\u00e3o podemos ser c\u00famplices de nenhum tipo de persegui\u00e7\u00e3o, que fomos estigmatizados e n\u00e3o podemos aceitar que algu\u00e9m o seja, e que a ascens\u00e3o social pode nos tornar insens\u00edveis e arrogantes. Nunca deixando de lado o princ\u00edpio no qual o Rabino Hillel sintetizou a B\u00edblia: \u201cN\u00e3o fa\u00e7as ao outro o que n\u00e3o desejas que fa\u00e7am a ti\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ser minoria tamb\u00e9m pode nos fragilizar, produzindo inseguran\u00e7as e sentimentos de persegui\u00e7\u00e3o e isolamento, que nos desumanizam. E o medo de perder nossa identidade pode induzir a querer congelar as mudan\u00e7as, colocando cada coisa no seu lugar retornando a um passado m\u00edtico, em vez de criar novas formas de ver sentir o mundo, que expandam nossa capacidade cognitiva e emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso n\u00e3o devemos temer a conviv\u00eancia, pois ela n\u00e3o borra nossa mem\u00f3ria, sem a qual n\u00e3o existimos. Pois toda mem\u00f3ria individual se sustenta num passado que nos precede e um presente e um futuro pelo qual todos somos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado n\u00e3o pode ser desprezado, porque condensa a sabedoria que nos faz ser em boa parte quem somos, nem deve ser uma camisa de for\u00e7a que tolhe nossa criatividade e liberdade. Assim podemos dizer que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado \u00e9 uma luz que nos ilumina, mas n\u00e3o nos ofusca. As diferen\u00e7as nos enriquecem. Est\u00e1 em nossas m\u00e3os criar um futuro melhor para todos pois nada \u00e9 mais ilus\u00f3rio do que pensar que nossos seres queridos possam viver em para\u00edsos enquanto outros vivem no inferno. A luta contra a opress\u00e3o nunca acaba. E esta luta acontece em primeiro lugar nos nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque estamos dispostos a melhorar e lutar por um mundo melhor, agradecemos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Shehechyanu, ve\u00b4quimanau ve\u2019higuianu lazman haze.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que vivemos, que existimos, que chegamos, a este momento.<\/strong><\/p>\n<hr style=\"height: 1px; border-width: 1px; border-style: solid; border-color: #CCCCCC; color: #ffffff;\" noshade=\"noshade\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bernardo Sorj nasceu em Montevid\u00e9u, Uruguai, e mora desde 1976 no Brasil, onde se naturalizou brasileiro. Estudou antropologia e filosofia no Uruguai, cursou o B.A. e M.A. em Hist\u00f3ria e Sociologia na Universidade de Haifa, Israel, e obteve o t\u00edtulo de Ph.D. em Sociologia na Universidade de Manchester, Inglaterra. Foi professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal de Minas Gerais, do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da PUC\/RJ e \u00e9 professor titular de Sociologia aposentado da <a href=\"http:\/\/www.ifcs.ufrj.br\/\">Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/a>. Autor de 26 livros e mais de 100 artigos, ocupou na qualidade de professor visitante v\u00e1rias c\u00e1tedras em universidades europeias e norte-americanas. Entre as mais recentes, destacam-se a S\u00e9rgio Buarque de Holanda, da Maison des Sciences de l&#8217;Homme, e a c\u00e1tedra Sim\u00f3n Bol\u00edvar, do Institut des Hautes \u00c9tudes de l&#8217;Am\u00e9rique Latine, em Paris. Foi eleito<a href=\"http:\/\/quest1.jb.com.br\/jb\/papel\/cadernos\/ideias\/2005\/12\/30\/joride20051230003.html\"> Homem de Ideias 2005<\/a>. Atualmente \u00e9 diretor do <a href=\"http:\/\/www.centroedelstein.org.br\/\">Centro Edelstein de Pesquisas Sociais<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.plataformademocratica.org\/\">Projeto Plataforma Democr\u00e1tica<\/a>, e coordenador do <a href=\"http:\/\/socialsciences.scielo.org\/scielo.php\/lng_es\">SciELO Latin American Social Sciences Journals English Edition<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"www.bernardosorj.org\">www.bernardosorj.org<\/a> &#8211; <a href=\"www.centroedelstein.org.br\">www.centroedelstein.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O passado n\u00e3o pode ser desprezado, porque condensa a sabedoria que nos faz ser em boa parte quem somos, nem deve ser uma camisa de for\u00e7a que tolhe nossa criatividade e liberdade. Porque nos libertamos da escravid\u00e3o no Egito. E fomos enclaustrados em guetos. E incinerados em Auschwitz. 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