﻿{"id":24229,"date":"2015-06-20T22:45:12","date_gmt":"2015-06-20T22:45:12","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=24229"},"modified":"2015-06-20T22:51:30","modified_gmt":"2015-06-20T22:51:30","slug":"sobre-a-discriminacao-dos-mizrahim-em-israel-por-sheila-mann","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=24229","title":{"rendered":"SOBRE A DISCRIMINA\u00c7\u00c3O DOS MIZRAHIM EM ISRAEL \u2013 POR SHEILA MANN"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-24230 \" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_1.jpg\" alt=\"243_especial_3_1\" width=\"196\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_1.jpg 178w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_1-96x135.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fidelidade a Israel e aos nossos ideais, tendemos muitas vezes a ignorar fatos hist\u00f3ricos, documentados e comprovados. Nada estranho nisso. Se falamos a palavra &#8220;ideais&#8221;, \u00e9 justamente para falar de uma imagem ou conceito idealizado, algo a ser almejado e atingido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje gostaria de falar sobre quem s\u00e3o os Mizrahim. A palavra &#8220;Mizrah&#8221;, significa leste ou oriente em hebraico. Isso inclui os pa\u00edses do Levante, ou seja, os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e dos descendentes dos babil\u00f4nios &#8211; Syria, L\u00edbano, Bahrein, Kuwait, Uzbequist\u00e3o, Kurdist\u00e3o, Afeganist\u00e3o, Paquist\u00e3o, Yemen e Ge\u00f3rgia . E os Mizrahim s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es judaicas oriundas desses pa\u00edses de maioria mu\u00e7ulmana, que foram expulsas depois da guerra da independ\u00eancia de Israel, ou ainda antes por motivos de persegui\u00e7\u00e3o. Todos passaram a ser chamados de Sefaradim junto com os judeus do Magreb (Marrocos) e Espanha( Sefarad em hebraico). Na origem, os Sefaradim, s\u00e3o os judeus oriundos de Sefarad que foram expulsos durante a Inquisi\u00e7\u00e3o espanhola e que se espalharam pela bacia mediterr\u00e2nea, norte da \u00c1frica, chegando at\u00e9 a Turquia. Comum aos dois grupos \u00e9 a maneira como se conduz o servi\u00e7o religioso nas sinagogas, \u00e9 o tal de &#8220;Noussakh sefaradi&#8221;(maneira sefaradi), nas liturgias, nos ritos e costumes, em contraponto ao &#8220;Noussakh Ashkenazi&#8221; dos judeus oriundos dos pa\u00edses da Europa, tanto oriental quanto ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa viagem minha a Israel, me deparei com uma reportagem no jornal &#8220;Yediot Aharonot&#8221; sobre documentos hist\u00f3ricos, relativos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, que foram liberados para consulta. Os documentos trazem o relato do dilema que o ent\u00e3o Primeiro Ministro, David Ben Gurion, nos prim\u00f3rdios da forma\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, teve que enfrentar sobre como formar a identidade do &#8220;<strong>novo judeu israelense<\/strong>&#8220;; ele tentou entender como se transformam dezenas de culturas diferentes vindas do mundo todo em uma \u00fanica cultura. Trago aqui uns trechos do texto do jornal relativos a essa quest\u00e3o, que me chocaram:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<strong>Voc\u00eas marroquinos vieram para causar estragos<\/strong>&#8220;- Com essa manchete come\u00e7ou essa hist\u00f3ria no dia 27 de mar\u00e7o de 1949, ao final da guerra da independ\u00eancia, quando jornais reportaram sobre a sa\u00edda de judeus marroquinos que deixaram Israel por causa de humilha\u00e7\u00f5es sofridas no pa\u00eds.&#8221; Os marroquinos reclamam que n\u00e3o se cuida deles em Israel e admitem que \u00e9 dif\u00edcil para eles o trabalho duro&#8221;, publicou naquele ano o jornal Yediot Aharonot, e num outro dia publicou : &#8221; N\u00f3s, somos os israelenses que conquistamos essa terra e voc\u00eas marroquinos vieram aqui s\u00f3 para causar estragos.&#8221; Assim, a Ag\u00eancia Judaica recusou trazer uma imigra\u00e7\u00e3o de jovens da \u00c1frica do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Naquela \u00e9poca, os dirigentes da na\u00e7\u00e3o estavam muito preocupados com a imagem que a na\u00e7\u00e3o teria do ponto de vista cultural&#8221;, comenta o Dr. Hazi Amior, respons\u00e1vel sobre os documentos da Biblioteca Nacional.&#8221; Como o Estado de Israel ter\u00e1 uma cultura ocidental, se continuar a aceitar<strong> hordas<\/strong> que n\u00e3o conhecem essa cultura? Havia aqueles que achavam que isso era um grande perigo&#8221;. &#8220;&#8230;naquele tempo em Israel, havia uma grande discuss\u00e3o sobre se era preciso mesmo aceitar e integrar todos esses imigrantes oriundos dos pa\u00edses do Oriente. N\u00e3o resta d\u00favidas sobre alguns casos de imigra\u00e7\u00e3o seletiva&#8221;. \u201cApesar das boas inten\u00e7\u00f5es, um olhar mais aprofundado nos protocolos mostra a discrimina\u00e7\u00e3o e o racismo em rela\u00e7\u00e3o a esses novos imigrantes&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 essa reportagem no jornal, seguiu-se um document\u00e1rio para televis\u00e3o,&#8221;Hashed Ha edati&#8221; (O diabo \u00e9tnico) do famoso jornalista Amnon Levy, ele pr\u00f3prio descendente de imigrantes tunisianos. Ele pesquisou o assunto da discrimina\u00e7\u00e3o das comunidades mizrahis e chegou \u00e0 conclus\u00e3o que o preconceito existe ainda nos dias atuais, por isso resolveu fazer uma ampla pesquisa que resultou nesse document\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou trazendo esses trechos para tentarmos entender e analisar (essa an\u00e1lise e teoria s\u00e3o minhas) o que est\u00e1 acontecendo hoje em Israel em rela\u00e7\u00e3o ao conflito Israel\/Palestina. Entender o porqu\u00ea da resist\u00eancia em se aceitar um estado palestino lado a lado com o estado israelense. Israel tem a pretens\u00e3o de pertencer \u00e0 Comunidade Europeia, mesmo estando cravada no Oriente M\u00e9dio e n\u00e3o na Europa. \u00c9 compreens\u00edvel que queiramos ser identificados com os vencedores da Hist\u00f3ria, ou seja com os ideais ocidentais, mas esquecemos que esses mesmos ideais ocidentais, que tanto admiramos e louvamos e com os quais queremos ser reconhecidos, levaram ao nazismo e ao massacre de milh\u00f5es de seres humanos entre eles seis milh\u00f5es de judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Israel \u00e9 um pa\u00eds \u00e1rabe, com influ\u00eancia \u00e1rabe na l\u00edngua, na escrita, na m\u00fasica, na culin\u00e1ria&#8230; Os \u00e1rabes israelenses s\u00e3o tratados como cidad\u00e3os de segunda classe, e os Mizrahim n\u00e3o ficam muito atr\u00e1s, e apesar da situa\u00e7\u00e3o deles ser melhor daquela dos palestinos, ainda est\u00e1 longe daquela que os Ashkenazim usufruem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje ainda, os Mizrahim ganham em m\u00e9dia 30% menos do que os Ashkenazim nas mesmas fun\u00e7\u00f5es&#8230; Na verdade os Mizrahim t\u00eam muito mais em comum com os palestinos e os \u00e1rabes israelenses, do que eles gostam de admitir. Depois de d\u00e9cadas rejeitando sua heran\u00e7a cultural \u00e1rabe e mediterr\u00e2nea, tentando assimilar a cultura ashkenazi, eles t\u00eam uma grande dificuldade em reconhecer que s\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos dos seus compatriotas \u00e1rabes e n\u00e3o querem ser identificados com eles&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso levar em conta esses fatos, acordar e tentar fazer um &#8220;Heshbon Ha Nefesh&#8221; (exame de consci\u00eancia), e se perguntar que democracia queremos para Israel? N\u00e3o somos n\u00f3s que nos gabamos de ser a \u00fanica democracia da regi\u00e3o? Ser\u00e1 que isso \u00e9 verdadeiro? Como ficam os direitos desses povos que vivem na mesma terra, sejam eles os judeus mizrahim que imigraram pra Israel, ou os palestinos que estavam l\u00e1? Israel est\u00e1 obcecado com a demografia do pa\u00eds, almeja superar em n\u00famero os palestinos e os \u00e1rabes israelenses, e continua chamando e acolhendo judeus da Di\u00e1spora, mas a que pre\u00e7o e com que tratamento? Acabamos de ver recentemente como os et\u00edopes s\u00e3o tratados por causa da cor da sua pele. N\u00e3o se conseguiu ainda superar a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e racial, depois de tantos anos da exist\u00eancia de Israel, e isso tem implica\u00e7\u00f5es morais e \u00e9ticas s\u00e9rias, que est\u00e1 pondo em quest\u00e3o tanto o juda\u00edsmo quanto o sionismo. Depende de n\u00f3s todos, ao termos consci\u00eancia desses fatos, dar espa\u00e7o para todos e fazer com que o conflito tenha uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel e justa para todos os envolvidos.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>SHEILA MANN<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-24231 \" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_2.jpg\" alt=\"243_especial_3_2\" width=\"275\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_2.jpg 266w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_3_2-144x135.jpg 144w\" sizes=\"(max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sheila Mann \u00e9 judia, formada em artes pl\u00e1sticas, nascida no L\u00edbano e crescida em Israel. Ela \u00e9 conhecedora das culturas \u00e1rabe e judaica com flu\u00eancia em ambas as l\u00ednguas, o que a torna ainda mais pr\u00f3xima das duas comunidades. A artista chegou ao Brasil, com 18 anos, casada e gr\u00e1vida de g\u00eameas. A dura fase de adapta\u00e7\u00e3o a nova cultura e aos filhos logo foi superada com a decis\u00e3o de voltar a estudar. Inscreveu-se no curso de literatura da Alian\u00e7a Francesa, para n\u00e3o perder a flu\u00eancia no idioma adquirido em sua escola prim\u00e1ria no L\u00edbano, e tamb\u00e9m resolveu estudar artes pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sheila Mann criou o POT &#8211; Peace On The Table, projeto que prop\u00f5e unir os povos atrav\u00e9s da culin\u00e1ria, projeto que hoje se tornou a sua grande raz\u00e3o de viver, e com essa proposta se tornou uma ativista pela paz, principalmente entre \u00e1rabes e judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado Sheila lan\u00e7ou um livro de mem\u00f3rias e culin\u00e1ria denominado \u201cCulin\u00e1ria do L\u00edbano a Israel\u201d. Atualmente d\u00e1 aulas de culin\u00e1ria libanesa na sua pr\u00f3pria escola, em S\u00e3o Paulo, e palestras sobre o seu trabalho, tendo formado um grupo de mulheres judias e mulheres \u00e1rabes que se re\u00fanem para compartilhar experi\u00eancias e fortalecer la\u00e7os de amizade .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"sheila@peaceonthetable.org%20&lt;sheila@peaceonthetable.org&gt;\" target=\"_blank\">sheila@peaceonthetable.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por fidelidade a Israel e aos nossos ideais, tendemos muitas vezes a ignorar fatos hist\u00f3ricos, documentados e comprovados. Nada estranho nisso. Se falamos a palavra &#8220;ideais&#8221;, \u00e9 justamente para falar de uma imagem ou conceito idealizado, algo a ser almejado e atingido. Hoje gostaria de falar sobre quem s\u00e3o os Mizrahim. 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