﻿{"id":24233,"date":"2015-06-20T22:45:12","date_gmt":"2015-06-20T22:45:12","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=24233"},"modified":"2015-06-20T22:45:12","modified_gmt":"2015-06-20T22:45:12","slug":"nao-reprisem-barbaries-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=24233","title":{"rendered":"N\u00c3O REPRISEM BARB\u00c1RIES \u2013 POR PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-24234 \" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_2.jpg\" alt=\"243_especial_2_2\" width=\"279\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_2.jpg 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_2-137x135.jpg 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_2-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><\/a>Schlosser se perfila lado a lado aos mais rematados antissemitas da hist\u00f3ria, singularizando pessoas por sua origem. O ancestral \u00f3dio judeof\u00f3bico se instaura oficialmente em nossas faculdades pelas m\u00e3os deste indiv\u00edduo que, assim, em nome de minorias, supostamente, prejudicadas, advoga a xenofobia e toma a nuvem por Juno.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_21.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-24237 \" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_21.jpg\" alt=\"243_especial_2_2\" width=\"367\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_21.jpg 800w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_21-180x135.jpg 180w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/243_especial_2_21-333x250.jpg 333w\" sizes=\"(max-width: 367px) 100vw, 367px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Merece ser lida com indigna\u00e7\u00e3o a orienta\u00e7\u00e3o contida no Memorando\/Circular de n\u00famero 02\/2015, datado de 15 de maio de 2015 redigida pelo Reitor substituto da Universidade Federal de Santa Maria (RS) Jos\u00e9 Fernando Schlosser. Junto com o documento que o antecede e assinado por tr\u00eas m\u00e3os, ele pede para ser informado da presen\u00e7a de discentes e\/ou docentes israelenses no programa de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o. Diz estar atendendo v\u00e1rias entidades representadas pelo \u201cComit\u00ea Santamarienense de Solidariedade ao Povo Palestino\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schlosser se perfila lado a lado aos mais rematados antissemitas da hist\u00f3ria, singularizando pessoas por sua origem. O ancestral \u00f3dio judeof\u00f3bico se instaura oficialmente em nossas faculdades pelas m\u00e3os deste indiv\u00edduo que, assim, em nome de minorias, supostamente, prejudicadas, advoga a xenofobia e toma a nuvem por Juno. Um real representante do universo acad\u00eamico deveria defender as liberdades individuais e proteger seus pupilos em todas as circunst\u00e2ncias, jamais promover segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que seria prefer\u00edvel evitar concentrar a pol\u00eamica sobre um s\u00f3 nome. Por\u00e9m foi pelas m\u00e3os do magnificent\u00edssimo substituto que o manifesto federal mais recente na hist\u00f3ria de nossas institui\u00e7\u00f5es de ensino, abertamente judeof\u00f3bico, veio a p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que, mais uma vez, utiliza-se do desgastado \u00e1libi universal que pensa poder contornar o antissemitismo com a troca m\u00e1gica de uma palavra por outra. O uso de \u201cisraelense\u201d no lugar de \u201cjudeu\u201d tem se tornado a marca de uma pr\u00e1tica falsificadora na linguagem contempor\u00e2nea. Se largamente usada, ainda \u00e9 pouqu\u00edssimo denunciada, e menos ainda, acatada como o que realmente \u00e9: uma manobra sem\u00e2ntica de disfarce para o preconceito judeof\u00f3bico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, por outros motivos e em contingencias hist\u00f3ricas distintas, lembra uma das primeiras leis promulgadas em abril de 1933, que restringia o n\u00famero e a atividade dos judeus em escolas e universidades alem\u00e3s. Como se sabe, a isso se seguiu a cassa\u00e7\u00e3o, destitui\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o dos professores e alunos nas Universidades daquele Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um panfleto desta natureza seria compreens\u00edvel como desculpa para iletrados e incultos, por\u00e9m n\u00e3o deveria valer para quem chegou a conquistar qualquer t\u00edtulo acad\u00eamico como diz possuir o autor do referido libelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece rid\u00edculo, mas \u00e9 necess\u00e1rio explicitar que solidariedade nenhuma, seja ao povo palestino, s\u00edrio, iraquiano ou ucraniano, justifica hostilizar, constranger, boicotar ou segregar povo de qualquer Pa\u00eds, religi\u00e3o ou etnia. Oxal\u00e1 que o reitor substituto estivesse isolado no protagonismo para reeditar persegui\u00e7\u00f5es que pens\u00e1vamos superadas. Assim como os nazistas precisavam queimar livros para destruir o passado, a reflex\u00e3o e o pensamento cr\u00edtico, intelectuais e uma consider\u00e1vel quantidade de pessoas imagina que frente ao injusto, o ato de silenciar pode aceitar a classifica\u00e7\u00e3o de neutralidade. O silencio tem uma carreira conhecida: se transforma em coniv\u00eancia, e, em r\u00e1pida metamorfose, migrar para apoio t\u00e1cito, \u00e9 mera formalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para nossa perplexidade, h\u00e1 mais gente, supostamente esclarecida, que endossa essa discrimina\u00e7\u00e3o. O que recentemente se ouviu de professores universit\u00e1rios \u00e9 digno de perfilar entre as causas indefens\u00e1veis. O apoio \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica macula muito mais do que a honra individual destes docentes, desabona a honestidade intelectual, \u00faltimo patrim\u00f4nio do pensar. Ao acusar Israel de praticar um regime de apartheid e espalhar not\u00edcias deste tipo em redes sociais e em aulas magistrais estas caluniam um Pa\u00eds e difamam um povo. Se demonizar um povo n\u00e3o \u00e9 mais crime, o que seria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso reconhecer que essa versatilidade com as palavras obedeceu longo processo de amadurecimento. Entre n\u00f3s, floresceu sob d\u00e9cadas de prega\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia do lulopetismo, insuflada nos f\u00f3runs sociais da esquerda retr\u00f3grada \u2014 a direita truculenta, j\u00e1 suficientemente conhecida, n\u00e3o merece men\u00e7\u00e3o \u2014 que oportunamente eclipsa valores humanos fundamentais para defender causas. Em geral, uma ideologia, palavra de ordem ou f\u00e9 sect\u00e1ria, que n\u00e3o podem ser contrariadas, n\u00e3o importa a aberra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que impliquem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cria-se um ambiente no qual xen\u00f3fobos, racistas e antissemitas ficam autorizados a escapar do arm\u00e1rio e pregar suas diatribes. Para quem acha que tudo isso n\u00e3o passa de fantasia, basta lembrar do clima na franca e empolgante campanha de demoniza\u00e7\u00e3o de Israel na \u00faltima guerra contra a mil\u00edcia extremista Hamas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo com superavit de paradoxos, algu\u00e9m deveria ficar chocado com mais esta demonstra\u00e7\u00e3o de decad\u00eancia de nossas Universidades? Se n\u00e3o fossem por todos os outros motivos, pela inf\u00e2mia. Para o que exatamente o Zoilo deseja ser informado de cidad\u00e3os israelenses do corpo discente e docente nas depend\u00eancias da Universidade? A finalidade \u00e9 clara ainda que inconfess\u00e1vel: expandir a propaganda de constrangimento. As guerras migram \u00e0s propagandas, n\u00e3o \u00e9 novidade. O fato novo aqui \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de um documento oficial que autoincrimina o professor pelo delito de racismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se proib\u00edssemos um habitante do Pa\u00eds Z de vir e se quis\u00e9ssemos impor san\u00e7\u00f5es contra este sujeito em tempos de paz, ter\u00edamos que explicitar os motivos e fulanizar a escolha: \u201cAquele sujeito prega intoler\u00e2ncia\u201d. \u201cEste outro, defende a litig\u00e2ncia entre povos\u201d. \u201cEste \u00e9 um terrorista perigoso\u201d. Neste caso, v\u00e1rios de nossos pol\u00edticos teriam que ser barrados ou banidos do ambiente acad\u00eamico. Mas n\u00e3o se trata disso. Em seu of\u00edcio, o reitor e seus apoiadores suspeitam de qualquer habitante de Israel. Isto significa que todos eles merecem ser boicotados por serem israelenses ou judeus, o que, no fim e ao cabo, d\u00e1 no mesmo e pouco importa. E o que dizer dos \u00e1rabe-israelenses, drusos israelenses, crist\u00e3os israelenses, agn\u00f3sticos e outras minorias fora do cat\u00e1logo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando tudo, o inaceit\u00e1vel mesmo \u00e9 o silencio da maioria. O silencio dos culpados significa a coniv\u00eancia maci\u00e7a com uma segrega\u00e7\u00e3o anunciada. Significa que estamos em terreno aberto e respaldado para a pr\u00e1tica de arbitrariedades e generaliza\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis. Por que n\u00e3o real\u00e7ar a paz e instigar o di\u00e1logo no lugar de bani-lo? Que tal um realce na inclus\u00e3o? Que tal discutir o discut\u00edvel e capinar a intoler\u00e2ncia? Para aqueles que acham exagero o barulho que se faz em torno deste memorando, recomenda-se examinar melhor a hist\u00f3ria. Especialmente \u00eanfase no estudo de per\u00edodos nos quais aparecem os primeiros ind\u00edcios de legisla\u00e7\u00e3o intolerante e discriminat\u00f3ria. Antes que nos submetamos \u00e0 sua repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso come\u00e7ar a enxergar para al\u00e9m de uma historiografia superficial e baseada em boataria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nossa chance de prevenir a barb\u00e1rie. Ou reprisa-la.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/brasil.estadao.com.br\/blogs\/conto-de-noticia\/nao-reprisem-barbaries\/\" target=\"_blank\">http:\/\/brasil.estadao.com.br\/blogs\/conto-de-noticia\/nao-reprisem-barbaries\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTA &#8211; Escrito em coautoria com Floriano Pesaro, Secret\u00e1rio de Desenvolvimento Social do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Rosenbaum &#8211; M\u00e9dico e escritor, assina a coluna semanal \u201cCoisas da Pol\u00edtica\u201d, no JB \u2013 Jornal do Brasil. <a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5109\" target=\"_blank\">Saiba mais<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"rosenbau@usp.br%20&lt;rosenbau@usp.br&gt;\" target=\"_blank\">rosenbau@usp.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Schlosser se perfila lado a lado aos mais rematados antissemitas da hist\u00f3ria, singularizando pessoas por sua origem. 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