﻿{"id":25013,"date":"2015-08-08T19:45:30","date_gmt":"2015-08-08T19:45:30","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=25013"},"modified":"2015-08-08T19:45:30","modified_gmt":"2015-08-08T19:45:30","slug":"um-estranho-fascinio-josef-barat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=25013","title":{"rendered":"UM ESTRANHO FASC\u00cdNIO &#8211; JOSEF BARAT"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/246_ESPECIAL_3_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-full wp-image-25014 aligncenter\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/246_ESPECIAL_3_1.jpg\" alt=\"246_ESPECIAL_3_1\" width=\"202\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/246_ESPECIAL_3_1.jpg 202w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/246_ESPECIAL_3_1-90x135.jpg 90w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/246_ESPECIAL_3_1-166x250.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia algum historiador com mente muito aberta conseguir\u00e1 explicar esse estranho fasc\u00ednio que o Brasil tem pelo fracasso. Sem restri\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, talvez o exame de epis\u00f3dios recorrentes da nossa hist\u00f3ria possa nos permitir entender tantas altern\u00e2ncias de sucessos e de fracassos. A cada per\u00edodo de busca pela inser\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo e participa\u00e7\u00e3o no concerto de na\u00e7\u00f5es adultas seguem-se os de desmonte das conquistas. Meticulosamente as for\u00e7as do atraso se unem para manter o Pa\u00eds na sua letargia secular. E, por for\u00e7as do atraso, entenda-se n\u00e3o apenas as mais conhecidas, mas tamb\u00e9m as que se dizem &#8220;progressistas&#8221;, que de forma bitolada servem mesmo \u00e9 ao atraso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os adolescentes que t\u00eam pavor de assumir a vida adulta culpam os pais, os professores e o mundo por seus descaminhos e frustra\u00e7\u00f5es. Nunca internalizam a responsabilidade por seus atos. Os culpados sempre s\u00e3o os outros. Vale a transla\u00e7\u00e3o dessa imagem para pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, por exemplo. Sempre engolfados por tiranos irrespons\u00e1veis, seus povos s\u00e3o incitados ao \u00f3dio aos &#8220;adultos&#8221;, causadores de todos os seus males. Atitude bem diferente t\u00eam os do sudeste asi\u00e1tico, que, tamb\u00e9m v\u00edtimas do colonialismo, h\u00e1 tempos j\u00e1 viraram essa p\u00e1gina, n\u00e3o maldizem ningu\u00e9m, assumem posi\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo e olham mais resolutamente para o futuro. Querem ocupar lugar no mundo adulto. Quaisquer indicadores econ\u00f4micos, sociais, culturais ou educacionais mostram com clareza a diferen\u00e7a entre essas duas por\u00e7\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta Am\u00e9rica Latina condenada irremediavelmente a sucess\u00f5es de grandes fracassos &#8211; com duas ou tr\u00eas exce\u00e7\u00f5es -, o Brasil fica um pouco melhor. Pelo menos alterna seus malogros com ciclos de efetivo avan\u00e7o no ordenamento institucional, na modernidade da produ\u00e7\u00e3o e alguma melhoria social. Al\u00e9m do mais, a heran\u00e7a lusitana, ao contr\u00e1rio da espanhola, valoriza mais o exerc\u00edcio do poder pela esperteza &#8211; mais ou menos sutil -, do que pelos confrontos, bravatas e cultos a cad\u00e1veres de seus tiranos, t\u00e3o apreciados pelos &#8220;hermanos&#8221;. Mas como explicar ent\u00e3o o fasc\u00ednio pelo fracasso no Brasil? Seria heran\u00e7a distante do sebastianismo? Seria porque se sente mais confort\u00e1vel e &#8220;respeitado&#8221; entre &#8220;adolescentes&#8221; irrespons\u00e1veis?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vendo a nossa hist\u00f3ria mais recente &#8211; e para citar alguns exemplos &#8211; \u00e9 impressionante como o esfor\u00e7o de contemporaneidade e o otimismo dos anos JK foram seguidos por anos calamitosos e sombrios de outros dois jotas: JQ e JG. Como todo esfor\u00e7o de estabiliza\u00e7\u00e3o e bases institucionais inovadoras de car\u00e1ter econ\u00f4mico e social do curto governo Castelo foi seguido de um retrocesso em Costa e Silva e M\u00e9dici. O esfor\u00e7o de dar uma l\u00f3gica de planejamento e objetivos nacionais de desenvolvimento dos anos Geisel, pelo descontrole dos anos Figueiredo e Sarney. Seria sup\u00e9rfluo destacar o caos imposto por Collor, que s\u00f3 possibilitou um realinhamento da economia e a abertura de perspectivas mais seguras com o Plano Real de Itamar e FHC. Por fim, estamos assistindo ao triste espet\u00e1culo do esfacelamento dos avan\u00e7os conquistados na era FHC e Lula 1 de controle da infla\u00e7\u00e3o, aumento da renda real, melhor distribui\u00e7\u00e3o de renda e maior credibilidade internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste desmonte que resultou do governo Dilma 1, tem-se a sobreposi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas crises de grandes propor\u00e7\u00f5es: econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social. A sociedade j\u00e1 vem dando, h\u00e1 tempos, sinais de inquieta\u00e7\u00e3o com essa mistura explosiva de infla\u00e7\u00e3o alta, redu\u00e7\u00e3o do poder de compra, aumento do desemprego e inadimpl\u00eancia. Os conflitos e tens\u00f5es se exacerbam, mas \u00e9 manifesta a incapacidade do governo de &#8211; na melhor tradi\u00e7\u00e3o brasileira &#8211; afastar os radicalismos e buscar uma solu\u00e7\u00e3o capaz de articular uma nova composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o equil\u00edbrio necess\u00e1rio para conduzir o Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tudo isso, novas articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas j\u00e1 se fazem com o objetivo de viabilizar uma nova governan\u00e7a que tenha a disposi\u00e7\u00e3o de mudar o rumo das op\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Mas, para a dimens\u00e3o e a complexidade das crises, ainda faltam grandes estadistas.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>JOSEF BARAT &#8211; \u00c9 economista, consultor de entidades p\u00fablicas e privadas, e coordenador do N\u00facleo de Estudos Urbanos da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo (ACSP).<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Nota &#8211; <\/b><strong>Artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 23 de julho do jornal<\/strong><b>\u00a0<\/b><em><b>O<\/b><\/em><b>\u00a0<\/b><em><b>Estado de S\u00e3o Paulo<\/b><\/em><strong> \u2013 Economia e Neg\u00f3cios.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia algum historiador com mente muito aberta conseguir\u00e1 explicar esse estranho fasc\u00ednio que o Brasil tem pelo fracasso. 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