﻿{"id":28601,"date":"2016-03-26T18:22:58","date_gmt":"2016-03-26T18:22:58","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=28601"},"modified":"2016-03-26T18:24:18","modified_gmt":"2016-03-26T18:24:18","slug":"qual-o-espirito-do-judaismo-ser-judeu-na-franca-por-dr-jayme-vita-roso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=28601","title":{"rendered":"QUAL O ESP\u00cdRITO DO JUDA\u00cdSMO? (SER JUDEU NA FRAN\u00c7A) \u2013 POR DR. JAYME VITA ROSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jayme.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-full wp-image-27899 alignnone\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jayme.jpg\" alt=\"jayme\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jayme.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jayme-142x90.jpg 142w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/jayme-213x135.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-28602\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_especial_1-335x250.png\" alt=\"261_especial_1\" width=\"335\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_especial_1-335x250.png 335w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_especial_1-181x135.png 181w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_especial_1.png 479w\" sizes=\"(max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pol\u00eamico e intrigante Bernard-Henri Levy (conhecido na Fran\u00e7a como BHL) \u00e9 um incans\u00e1vel defensor e apoiador de toda e qualquer causa honesta que envolva Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escritor prol\u00edfico de alt\u00edssimo n\u00edvel intelectual, n\u00e3o dispensa, todavia, de se vangloriar e de se monstrar um homem cujo dotes f\u00edsicos s\u00e3o dignos de serem ressaltados e elogiados, n\u00e3o mostrando nenhum receio de se colocar como um eterno gal\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembrei-o ao perfil\u00e1-lo ao lado de outros intelectuais franceses contempor\u00e2neos, colocando-o em destaque na obra mencionada[1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atual gera\u00e7\u00e3o brasileira merece que se d\u00ea a BHL o relevo que aqui est\u00e1 sendo feito e, de forma sint\u00e9tica, conhe\u00e7a um pouco da sua biografia que foi colocada no livro mencionado e que fa\u00e7o quest\u00e3o de reproduzir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBHL nasceu dia 5\/11\/1948, cidade de B\u00e9ni Saf, localizada no noroeste da Arg\u00e9lia, perto de Oran. \u00c9 conhecida pelas suas in\u00fameras jazidas minerais, que v\u00eam sendo exploradas por companhias estrangeiras e nacionais h\u00e1 mais de 100 anos. Localiza-se \u00e0 beira mar. Nos dias atuais, \u00e9 um centro tur\u00edstico de import\u00e2ncia, possuindo in\u00fameros hot\u00e9is visitados e frequentados por estrangeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viveu alguns anos com a fam\u00edlia no Marrocos. Quando jovem, todos se mudaram para a Fran\u00e7a, onde se instalaram em 1954, em Neuilly-sur-Seine, comuna francesa do departamento de Altos do Sena (regi\u00e3o da \u00cele-de-France).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu pai, Andr\u00e9, fundou a sociedade La Becob, especializada na importa\u00e7\u00e3o de madeiras africanas. Essa empresa, ao longo dos anos, teve muitos altos e baixos at\u00e9 que, em 1986, em situa\u00e7\u00e3o desesperada, BHL interv\u00e9m decisivamente para apoi\u00e1-lo. Muito controvertida a interven\u00e7\u00e3o, pois, na \u00e9poca, gra\u00e7as a suas fortes liga\u00e7\u00f5es com o Ministro das Finan\u00e7as e outros pol\u00edticos influentes, obtiveram capital suficiente para continuar as atividades da empresa que, por fim, acabou sendo vendida em 1997 para o grupo Pianult-Printemps-Redoute. A conclus\u00e3o \u00e9 que, sanadas as finan\u00e7as da empresa, o neg\u00f3cio proporcionou a BHL uma valoriza\u00e7\u00e3o patrimonial important\u00edssima, em torno de 800 milh\u00f5es de francos franceses. O personagem Rastignac, celebrado na obra de Honor\u00e9 de Balzac, foi caracterizado em BHL pois aquele podia permitir-se desprezar o dinheiro, j\u00e1 que n\u00e3o valia nada para sua vida&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fez estudos iniciais no Liceu Pasteur em Neuilly-sur-Seine e depois continuou no Liceu Lu\u00eds, o Grande. Ingressou, em 1968, na famosa Escola Normal Superior localizada na rua Ulm, em Paris. Teve como professores, dentre outros, Jacques Derrida e Louis Althusser. Publica seu primeiro artigo na revista Les Temps modernes, fundada por Jean-Paul Sartre, do qual Claude Lazmann foi secret\u00e1rio. Com o t\u00edtulo de Mexique, nationalisation de l\u2019imp\u00e9rialisme, esse artigo sucedeu a uma longa visita de BHL ao M\u00e9xico em 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo de 1970 a 1976, BHL consolida-se como intelectual e como cidad\u00e3o atuante. Em 1971, gradua-se em Filosofia e, no mesmo ano, no jornal de pouca circula\u00e7\u00e3o Combat, escreve uma longa reportagem sobre os conflitos que ocorriam na Irlanda do Norte. Esta, ent\u00e3o, procurava se desvencilhar o controle ingl\u00eas e existia no pa\u00eds profundo \u00f3dio religioso. Tamb\u00e9m realizou um p\u00e9riplo pelo Paquist\u00e3o, na ocasi\u00e3o mergulhado em uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o. Dessa viagem, escreve seu primeiro livro Bangla-Desh Nationalisme dans la r\u00e9volution (Bangladesh \u2013 Nacionalismo na revolu\u00e7\u00e3o), em 1972, publicado pela editora Maspero. Retornando \u00e0 Fran\u00e7a, \u00e9 nomeado professor de epistemologia na Universidade de Estrasburgo e auxiliar na cadeira de filosofia em Paris. Em 1974 cria uma cole\u00e7\u00e3o intitulada \u201cFiguras\u201d para a editora Gasset e, tamb\u00e9m no mesmo ano, nasce uma filha do seu primeiro casamento com a manequim Isabelle Doutreluigne, Justine L\u00e9vy. Em 1976, logo no in\u00edcio do ano, ele ingressa como um dos assessores do Presidente Fran\u00e7ois Mitterrand no \u201cGrupo dos T\u00e9cnicos\u201d. Foram seus companheiros diversas personalidades pol\u00edticas, dentre elas Michel Rocard, Laurent Fabius e Edith Cresson.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do instante em que j\u00e1 se tornara muito conhecido no meio intelectual e pol\u00edtico franc\u00eas, passa a colaborar (1976) na revista Les Nouvelles Litter\u00e1ires (As Novidades Liter\u00e1rias). Ela publicou ent\u00e3o um n\u00famero inteiramente consagrado aos \u201cNovos Fil\u00f3sofos\u201d, tornando-se BHL n\u00e3o s\u00f3 um deles, como tamb\u00e9m redator chefe da revista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1977, realmente se consagrou, tendo sido reputado um verdadeiro fen\u00f4meno, ao escrever e publicar o livro que se tornou iconogr\u00e1fico La Barbarie \u00e0 visage humain (A crueldade com face humana). Denuncia o fascismo e o comunismo hist\u00f3rico e mostra que a sua gera\u00e7\u00e3o insistia em repensar a pol\u00edtica, deixando de lado ou at\u00e9 esquecendo os totalitarismos, bem como se lan\u00e7ando em forte cr\u00edtica ao racionalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu segundo livro Le Testament de Dieu (O Testamento de Deus), publicado em 1979, continua a tem\u00e1tica do anterior. Faz, outra vez, criticas pesada ao desencantamento do mundo em que vivia e do niilismo contempor\u00e2neo. Compromissa-se com a obra de L\u00e9vinas. Embora contempor\u00e2neo, o mestre n\u00e3o tem a mesma linha de conduta que ele na vida profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue nas den\u00fancias \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica do fascismo da \u00e9poca, retratado na extrema esquerda terrorista, entre 1980 e 1983; participa do movimento \u201cA\u00e7\u00e3o internacional contra a fome\u201d, em companhia de Marek Halter e outros nomes representativos na intelectualidade francesa. Com Halter, BHL cria o \u201cComit\u00ea dos Direitos do Homem\u201d, que se prop\u00f5e a boicotar os Jogos Ol\u00edmpicos de Ver\u00e3o de 1980 e, nesse mesmo anos, casa-se com Sylvie Bouscasse, tendo com ela um filho, Antonin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 1981 foi muito f\u00e9rtil para BHL. Logo, com a publica\u00e7\u00e3o de L\u2019Id\u00e9ologie fan\u00e7aise (A Ideologia francesa), pela editora Grasset da qual \u00e9 fiel at\u00e9 hoje, aporta sua contribui\u00e7\u00e3o a uma retrospectiva da Fran\u00e7a como laborat\u00f3rio do fascismo europeu, denunciando o \u201cfascismo afrancesado\u201d, que se fundava sobre valores tradicionais\/ conservadores, dentre os quais a casa pr\u00f3pria e o culto da terra, denegrindo o espirito cosmopolita que se esbo\u00e7ava na \u00e9poca, com certo falso nacionalismo, assim como o \u00f3dio das ideias e dos intelectuais e fazendo oposi\u00e7\u00e3o ferrenha ao movimento do Espirito das Luzes, origin\u00e1rio se 1789. Tudo isso foi trazido em discuss\u00e3o nessa obra que marca a forma\u00e7\u00e3o de uma longa jornada intelectual de BHL. Ela foi criticada por outros intelectuais do porte de Raymond Aron, Paul Thibaud ou ainda Pierre Nora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1987, publica L\u2019\u00c9loge des intellectuels (Grasset); em 1988, Les Derniers Jours de Charles Baudelaire (Grasset); em 1990, lan\u00e7a e dirige a revista La R\u00e8gle de jeu; 1991, nomeado Presidente da Comiss\u00e3o dos adiantamentos sobre as receitas financeiras para a arte cinematogr\u00e1fica; em 1992, difunde, pela Cadeia France 3, o document\u00e1rio que denuncia o mart\u00edrio de Sarajevo, cidade ecum\u00eanica, e o sofrimento dos seus habitantes que sofreran bombardeios frequentes, resistindo a eles com hero\u00edsmo: Un jour dans la mort de Sarajevo; 1993, casa-se com a atriz Arielle Dombasle e torna-se presidente do Conselho de Governan\u00e7a da Cadeia Televisiva Arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 1994 e 2005, com outros intelectuais franceses, BHL participou da constitui\u00e7\u00e3o da lista de um Comit\u00ea intitulado \u201cA Europa come\u00e7a em Sarajevo\u201d, para pressionar os partidos pol\u00edticos europeus a tomar em conta a situa\u00e7\u00e3o explosiva nos B\u00e1lc\u00e3s. Embora fossem feitos muitos esfor\u00e7os, o resultado foi nulo. De qualquer forma, continuou pessoalmente seu esfor\u00e7o para apoiar os intelectuais da conhecida B\u00f3snia-Herzegovinia e para tanto escreveu dois livros: La Puret\u00e9 dangereuse (A pureza perigosa) e Le Lys et la Cendre \u2013 Journal d\u2019un \u00e9crivain au temps de la guerre de Bosnie (O L\u00edrio e a Cinza \u2013 O di\u00e1rio de um escritor nos tempos da guerra da B\u00f3snia). Em 1997, dirige um filme de fic\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico, Le Jour ey la Nuit e, no ano seguinte, no jornal Le Monde publicou uma s\u00e9rie de reportagens sobre a guerra civil e o terrorismo na Arg\u00e9lia, denunciando e acusando o islamismo radical e seus militantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2000, traz ao p\u00fablico Le Si\u00e8cle de Sartre (O S\u00e9culo de Sartre), que foi muito comentado, apreciado por uns e criticado por outros. \u201cEs iz laichter tsu zein a mevaker vi a mechaber\u201d (\u00c9 mais f\u00e1cil criticar do que ser autor, reza o ditado i\u00eddiche). No mesmo ano, funda com Benny Levy e Alain Finkielkraut, em Jerusal\u00e9m, o Instituto de Estudos Levianos, consagrado ao estudo e ao pensamento do fil\u00f3sofo Emanuel Levinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois, encarregado pelo presidente da Rep\u00fablica, Jacques Chirac, e pelo primeiro-ministro Lionel Jospin, dirigiu-se ao Afeganist\u00e3o para tentar articular a poss\u00edvel reconstru\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds livre. Retornando \u00e0 Fran\u00e7a, apresentou-lhes um relat\u00f3rio, tendo oferecido a contribui\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds \u00e0quela finalidade humanit\u00e1ria e publicado em La documentation Fran\u00e7aise. Entre esse ano e o seguinte, justifica que se atacasse Saddam Hussein, apodando-o de homicida pelo massacre dos curdos e dos xiitas; de terrorista; de megaloman\u00edaco suicida; de louco; de Nero moderno. Apresentou uma raz\u00e3o curiosa da sua atitude: entendia que combater o terrorismo atrav\u00e9s dos meios ent\u00e3o utilizados, quase sempre defensivos era in\u00fatil. Somente a guerra poderia ter resultados eficazes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano seguinte, a Grasset publica Qui a tu\u00e9 Daniel Pearl? (Quem matou Daniel Pearl?). Esse livro foi duramente criticado por quem o comentou em publica\u00e7\u00f5es importantes. Inclusive, diversos aspectos pessoais de BHL foram levados em considera\u00e7\u00e3o, mostrando a inconsist\u00eancia da obra, pois \u201cum brilhante, prol\u00edfico escritor completado com falta de vergonha na autopromo\u00e7\u00e3o, BHL sempre mudou a sua vontade de um ensaio para um filme, de Jean-Paul Sartre para Gulag, da B\u00f3snia para Charles Baudelaire, de uma mulher exuberante para um pal\u00e1cio de f\u00e9rias em Marrakesh. Inevitavelmente, ele teria que confrontar o principal assunto do momento \u2013 a pol\u00edtica isl\u00e2mica. E completando a faceta amb\u00edgua dele, BHL escreve que era contra a guerra de Bush no Iraque, mas ao mesmo tempo, ele culpava as massas que clamavam que \u00e9 melhor ser escravo com Saddam Hussein do que ser livre gra\u00e7as a Bush. Esse b\u00e1sico engano de sua parte leva-o para os novos conservadores, sejam americanos ou de outras fontes, desacreditando-o ap\u00f3s ter-se manifestado evocando princ\u00edpios contra a guerra ilegal\u201d. Da mesma forma, e com a mesma contund\u00eancia, inclusive BHL acusado de ser leviano, outra importante publica\u00e7\u00e3o reprovou o livro al\u00e9m de apod\u00e1-lo de rid\u00edculo, apontou-o como um falso James Bond, que deu a si pr\u00f3prio o papel de her\u00f3i num romance policial. Muito pr\u00f3pria a sabedoria judaica: \u201cMe ken nit forem oif alleh yariden oif ain mol\u201d (Voc\u00ea n\u00e3o pode dirigir para todas as dire\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2006 e 2007, veio \u00e0 luz seu livro sobre os Estados Unidos, American Vertigo (Vertigem Americana), tamb\u00e9m polemizado pela revis\u00e3o que a imprensa fez do mesmo, embora at\u00e9 injusta, pois a sua finalidade foi mostrar a opini\u00e3o pr\u00f3pria a respeito dos Estados Unidos, realmente sem retoques.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 2006, sustentou a candidatura socialista de S\u00e9gol\u00e8ne Royal, para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica, vencida por Nicolas Sarkozy.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano depois, publica seu livro sobre o Partido Socialista Ce grand cadavre \u00e0 la renverse (O grande cad\u00e1ver de costas), no qual analisa, ou tenta analisar, a tenta\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica da esquerda francesa. Adquiriu a\u00e7\u00f5es e passou a ser membro do Conselho do jornal Lib\u00e9ration.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2008 e 2010, suas atividades t\u00eam sido sempre voltadas aos acontecimentos do mundo em curso, atrav\u00e9s de testemunhos que BHL tem feito em p\u00e1ginas publicadas no jornal Le monde. Tamb\u00e9m publicou a vers\u00e3o americana de Ce grand cadavre \u00e0 la renverse (9\/08); com Michel Houellebecq, Ennemis publics (8\/08), que re\u00fane a correspond\u00eancia polemica entre os dois autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem muita participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (2008\/2009), seja por seu engajamento quanto \u00e0 Faixa de Gaza, como tambpem desaprovando o embri\u00e3o do Estado Palestino que ele considerou uma base militar avan\u00e7ada dos radicais mu\u00e7ulmanos. Participou ativamente na defesa da oposi\u00e7\u00e3o de Israel no chamado genoc\u00eddio de 500 v\u00edtimas palestinas, que na verdade foram apenas 52 oficialmente constatadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente, em 2009, pugnou pela extin\u00e7\u00e3o do Partido Socialista Franc\u00eas, \u201co mais r\u00e1pido poss\u00edvel, porque se trata de um corpo doente\u201d, sobretudo ap\u00f3s o decl\u00ednio do comunismo. Segundo ele, o PS n\u00e3o encarna mais a esquerda francesa nem a esperan\u00e7a do que seja. O PS devia se renovar com o essencial, ou seja, encarnando a identidade mesma da esquerda, com a converg\u00eancia dos seus tr\u00eas essenciais princ\u00edpios: antifascismo, anticolonialismo e antitotalitarismo. Com isso, segundo ele, a esquerda renasceria das suas cinzas, podendo ser a esquerda do futuro, moderna e reinventada. \u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a edi\u00e7\u00e3o do meu Carrefour, em 2011, at\u00e9 hoje, o inquieto BHL j\u00e1 trouxe ao p\u00fablico diversas obras, todas impec\u00e1veis, por isso que eu lhe atribu\u00ed \u201co triunfo da liberdade individual\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, com a publica\u00e7\u00e3o de \u201cEsp\u00edrito do juda\u00edsmo\u201d[2], ele escreve uma obra rigorosamente contempor\u00e2nea, pois parte desde os meandros da Palavra, como toca na internet e aborda a parte judia da Fran\u00e7a, desde outras \u00e9pocas at\u00e9 a atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Christophe Barbier, que fez a s\u00edntese do derradeiro livro de BHL, enfatiza o fato de se manter judeu na Fran\u00e7a (com o fogo das labaredas geopol\u00edticas da \u00e9poca, ele, BHL, procura tamb\u00e9m a unidade de uma vida, a identidade de um homem que, na verdade \u00e9 uma certa ideia de engajamento e juda\u00edsmo, p. 37, L\u2019Express n\u00ba 3370).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destaco do livro, como foi lembrado por Barbier, que tamb\u00e9m o fez, o interesse da obra est\u00e1, sem d\u00favida, no di\u00e1logo de um intelectual com o Livro: \u201cA Tor\u00e1 \u00e9 um livro infinito, a Tor\u00e1 \u00e9 um livro-homem, a Tor\u00e1 \u00e9 um livro feito, ultimamente, da pluralidade de homens que se descobrem. \u00c9 um livro que me convida a ser eu mesmo \u201d (p. 38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo comentarista encerra a apresenta\u00e7\u00e3o do livro com um texto que precisa ser dado ao conhecimento dos leitores brasileiros, os quais, muito prov\u00e1vel, n\u00e3o ir\u00e3o se debru\u00e7ar na volumosa obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ei-lo: \u201cN\u00e3o se pode seguir at\u00e9 l\u00e1, mesmo se judeus e n\u00e3o judeus s\u00e3o cidad\u00e3os com direitos iguais no Estado de Israel\u201d e considerar que ser judeu na Fran\u00e7a se torne, malgrado o medo lancinante, um destino poss\u00edvel e, de certa forma, invej\u00e1vel, isto porque o espirito do juda\u00edsmo ali, dialoga com a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, isto para a Republica garante, pela laicidade, a pratica de todos os cultos, e sobretudo porque nesse pa\u00eds a nenhum outro apresenta-se igual, essa Cana\u00e3 da literatura, pode-se sonhar a vida de Salom\u00e9 e escrever a Bela do Senhor&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, questionado e questionando pela vida e o momento atrav\u00e9s de um percurso hist\u00f3rico, BHL d\u00e1 ind\u00edcios do que \u00e9 ser judeu na Fran\u00e7a atual de forma bem f\u00e1cil de ser captada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ent\u00e3o, este escriba, com ousadia, prop\u00f5e, questiona, pergunta, interrogando: \u201cComo \u00e9 ser judeu no Brasil? \u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cLa france enfin, l\u2019amour d\u2019un Juif pour la France, pour as langue, pour ses mots, ces mots que le talmudiste Rachi, au XI si\u00e8cle, \u00e0 Troyes, em Champagne, n\u2019a cesse d\u2019enrichir, des milliers de mot nouveaux entrem\u00eal\u00e9s \u00e0 ceux de l\u2019h\u00e9breu le plus savant, le plus \u00e9rudit, ce \u2018vrai creuset de la France et de son id\u00e9e\u2019. Un soufflet pour les identitaires qui tiennent d\u00e9sormais le haut du pave. Sur le plan des id\u00e9es, on peut se retrouver minoritaire et pourtant penser juste et droit. C\u2019est le cas de Bernard-Henri L\u00e9vy.\u201d[3]<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias :<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Carrefour \u2013 Para intelectuais franceses contempor\u00e2neos. Recife: Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o, 2011, p. 153-167<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Bernard-Henri L\u00e9vy, L&#8217;esprit du juda\u00efsme. Paris: Grasset, 2016, 448 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Maurice Szafran, Le Magazine Litt\u00e9raire, n\u00ba 565, p. 23<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DR. JAYME VITA ROSO<\/strong> &#8211; Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 especialista em leis antitruste e consultor jur\u00eddico de fama internacional, ecologista reconhecido e premiado, &#8220;Professor Honor\u00e1rio&#8221; da Universidade Inca Garcilaso de La Vega de Lima, Peru e autor de v\u00e1rios livros jur\u00eddicos. <a title=\"JAYME VITA ROSO\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=25303\">Saiba mais.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"mailto:vitaroso@vitaroso.com.br\">vitaroso@vitaroso.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pol\u00eamico e intrigante Bernard-Henri Levy (conhecido na Fran\u00e7a como BHL) \u00e9 um incans\u00e1vel defensor e apoiador de toda e qualquer causa honesta que envolva Israel. Escritor prol\u00edfico de alt\u00edssimo n\u00edvel intelectual, n\u00e3o dispensa, todavia, de se vangloriar e de se monstrar um homem cujo dotes f\u00edsicos s\u00e3o dignos de serem ressaltados e elogiados, n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":27899,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[8,32],"tags":[125],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28601"}],"collection":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28601"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28878,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28601\/revisions\/28878"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}