﻿{"id":28630,"date":"2016-03-26T18:23:00","date_gmt":"2016-03-26T18:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=28630"},"modified":"2016-03-26T18:23:00","modified_gmt":"2016-03-26T18:23:00","slug":"desabafo-de-um-medico-dr-meraldo-zisman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=28630","title":{"rendered":"DESABAFO DE UM M\u00c9DICO \u2013 DR. MERALDO ZISMAN"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_medicina_1_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-28631 size-full\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_medicina_1_1.jpg\" alt=\"261_medicina_1_1\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_medicina_1_1.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_medicina_1_1-142x90.jpg 142w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/261_medicina_1_1-213x135.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhoria das rela\u00e7\u00f5es m\u00e9dico-paciente \u00e9 um assunto inesgot\u00e1vel, desde os tempos do grego Hip\u00f3crates. Um velho professor de Medicina me ensinou: cuidado com o que voc\u00ea fala.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa da opini\u00e3o publica \u00e9 um manipulador perigoso e, pior que tudo, atrevido. Desde que esses tipos de pesquisas se tornaram cada vez mais f\u00e1ceis de serem realizadas, intoxicam as mentes, mais que muitos esgotos a c\u00e9u aberto. Assim, uma pergunta complexa como: \u201cvoc\u00ea \u00e9 a favor da libera\u00e7\u00e3o das drogas?\u201d \u00e9 obtida em menos de vinte e quatro horas, bastando oferecer ao entrevistado as op\u00e7\u00f5es sim, n\u00e3o, ou n\u00e3o sei. A maioria das respostas \u00e9 contabilizada e publicada como a opini\u00e3o de um grupo, de um pa\u00eds, n\u00e3o importando quem a forneceu, como, e, muito menos, por qu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o importante: \u201cvoc\u00ea \u00e9 a favor do aborto?\u201d, com as respostas sim ou n\u00e3o, afirmam que o resultado final \u00e9 cientifico. Se o aborto ganhar, o povo \u00e9 a favor do abortamento. Neste sentido, algumas verdades tidas pelos marqueteiros como \u201ccientificas\u201d valem mais do que anos e anos de estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais estudos s\u00e3o feitos para conhecer o que as pessoas pensam sobre a eutan\u00e1sia, o casamento <em>gay<\/em>, as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco, temas dos mais relevantes at\u00e9 a prefer\u00eancia por uma determinada marca de sab\u00e3o em p\u00f3. \u00c9 uma r\u00e9gua (aferi\u00e7\u00e3o) universal, uma panaceia para obter respostas fajutas. Desse modo, a estat\u00edstica representa uma rainha e a inform\u00e1tica uma fazedora de milagres?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 mesmo a decis\u00e3o de uma op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, no caso de voc\u00ea estar doente, o m\u00e9dico segue um protocolo, como se voc\u00ea, ou o seu sofrimento, fossem coisas mensur\u00e1veis, exatas. Se n\u00e3o for assim, voc\u00ea inexiste, \u00e9 um ponto fora da curva, e o m\u00e9dico passa a ser um incompetente, um sujeito que pode vir a ser processado pelo Conselho Regional de Medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o quero declarar que n\u00e3o deva haver um perfil geral para o tratamento de qualquer nosologia, por\u00e9m desejar que todos os pacientes, ou melhor, que pessoas, seres humanos, sejam iguais, que respondam de maneira id\u00eantica ao mesmo rem\u00e9dio (rem\u00e9dio, aqui, tido, de maneira ampla, como tudo aquilo que contribui para a cura, a melhora, o alivio do sofrimento). Isto seria um absurdo! Quando \u00e9 que vamos perceber que a mente e o corpo humano s\u00e3o das poucas coisas que n\u00e3o podem ser reguladas atrav\u00e9s de uma m\u00e9dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, desejo dizer que, no tocante \u00e0s novas ideias, \u00e0s criatividades, os cientistas que as tiveram ou elaboraram, sejam os \u00fanicos a ter opini\u00f5es diferentes dos demais. Assim, n\u00e3o haveria necessidade de se fazerem novas descobertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observem um exemplo. \u00c9 f\u00e1cil prever qual foi a resposta da maioria do povo, maioria esta, analfabeta, na \u00e9poca em que um obscuro monge polon\u00eas, me reporto a Nicolau Cop\u00e9rnico (1473-1543), teve a ousadia de afirmar ser a Terra quem girava em torno do Sol e n\u00e3o o contr\u00e1rio. O planeta Terra nunca foi o centro do Universo. Quem ousasse votar de modo afirmativo, n\u00e3o embarcaria na historieta da descoberta do monge Nicolau. N\u00e3o me venham falar da ignor\u00e2ncia medieval. Quem n\u00e3o respondesse afirmativamente, al\u00e9m de ser considerado ignorante, corria o risco de ser queimado vivo em fogueira. E isto d\u00f3i muito. Quem n\u00e3o teria medo de ser queimado vivo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coisas semelhantes est\u00e3o ocorrendo, agora mesmo, enquanto digito esta croniqueta, quando a nossa Presidente acreditou nas pesquisas encomendadas aos seus marqueteiros. Por\u00e9m, volto \u00e0 Medicina que \u00e9 a minha \u201cpraia\u201d. Alguns j\u00e1 afirmaram que ela \u00e9 a mais social de todas as Ci\u00eancias. Por isso, a Presidente pensa e importau m\u00e9dicos do estrangeiro. N\u00e3o sei o que vai acontecer com os brasileiros e tais novos colegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhoria das rela\u00e7\u00f5es m\u00e9dico-paciente \u00e9 um assunto inesgot\u00e1vel, desde os tempos do grego Hip\u00f3crates. Um velho professor de Medicina me ensinou: cuidado com o que voc\u00ea fala. Voc\u00ea diz uma coisa, mas o paciente pode entender outra, e, o acompanhante, uma terceira coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 que fomos amea\u00e7ados pela vinda de m\u00e9dicos estrangeiros, devemos saber, como profissionais da \u00e1rea, que, certas decis\u00f5es n\u00e3o podem ser jogadas sobre os fragilizados ombros dos doentes brasileiros (os Jecas Tatus e Amarelinhos Vermin\u00f3ticos), ou de suas fam\u00edlias. E isso n\u00e3o poder\u00e1 ser orientado por qualquer Lei ou Decreto, promulgados em Tribunais ou C\u00e2maras e, muito menos, pelo poderoso Poder Executivo Brasileiro. Por mais \u201ccapas pretas\u201d que sejam os nossos magistrados e autoridades, quem podem opinar s\u00e3o os m\u00e9dicos e outros profissionais ligados \u00e0 Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, quando a dura\u00e7\u00e3o da vida aumenta geometricamente, e a qualidade da vida \u00e9 uma subtra\u00e7\u00e3o, para quem a tem, apenas prolongada, mas sem qualidade, discutir a validade de uma op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica se torna cada vez mais complexa. E mais complicada \u00e9 a decis\u00e3o de embarcar, ou n\u00e3o, em processos de sobrevidas canhestras. Isto se torna um grande dilema. Sem falar na barreira da l\u00edngua portuguesa: \u201cnordestin\u00eas, \u201cgauches\u201d, \u201cpaulist\u00eas\u201d, \u201camazon\u00eas\u201d, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas recentes, publicadas no prestigioso JAMA (<em>The Journal of Medical Association<\/em>), ainda em maio de 2003, nos d\u00e3o conta de como \u00e9 dif\u00edcil, mediante inqu\u00e9ritos, por mais perfeitos e cuidadosos que sejam, ajudar o sofrimento\/dilema humanos e as decis\u00f5es da sacralidade da vida. Al\u00e9m do mais, a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente se faz atrav\u00e9s da linguagem, principalmente. Quanto mais pratico a Medicina, mais humilde me torno. N\u00e3o canso de lembrar e citar as palavras do meu pai: \u201cas raz\u00f5es s\u00e3o individuais\u201d. Portanto, os sofrimentos e sentimentos s\u00e3o singulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jovens colegas: fujam dos protocolos e das certezas. Eles s\u00e3o, apenas, meros guias e valem, inclusive, at\u00e9 certo ponto. O mais importante \u00e9 com voc\u00ea, com seu paciente e sua fam\u00edlia. O jornalista Nelson Rodrigues tinha raz\u00e3o quando disse: \u201ctoda unanimidade \u00e9 burra\u201d. Neste sentido, cuidado com o que fala. E quando os familiares afirmam: \u201co senhor fez tudo para salvar a vida do meu ente querido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por favor, n\u00e3o me digam nada, nem coloquem notas de agradecimento nos jornais pelo que fiz pelos pacientes. N\u00e3o sei se fui longe demais e deveria ter deixado<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DR. MERALDO ZISMAN<\/strong> \u2013 M\u00e9dico, psicoterapeuta, \u00e9 natural de Recife \u2013 Pernambuco. <a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=4915\" target=\"_blank\">Saiba mais<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A melhoria das rela\u00e7\u00f5es m\u00e9dico-paciente \u00e9 um assunto inesgot\u00e1vel, desde os tempos do grego Hip\u00f3crates. Um velho professor de Medicina me ensinou: cuidado com o que voc\u00ea fala. A pesquisa da opini\u00e3o publica \u00e9 um manipulador perigoso e, pior que tudo, atrevido. 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