﻿{"id":29282,"date":"2016-04-24T22:47:38","date_gmt":"2016-04-24T22:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=29282"},"modified":"2016-04-24T22:47:38","modified_gmt":"2016-04-24T22:47:38","slug":"pessach-57762016-por-bernardo-sorj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=29282","title":{"rendered":"PESSACH 5776\/2016 \u2013 POR BERNARDO SORJ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/263_especial_1_1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-full wp-image-29283 alignnone\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/263_especial_1_1.png\" alt=\"263_especial_1_1\" width=\"180\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/263_especial_1_1.png 180w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/263_especial_1_1-135x135.png 135w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/263_especial_1_1-50x50.png 50w\" sizes=\"(max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pessach nos lembra que a liberdade \u00e9 a luta di\u00e1ria para n\u00e3o deixar que o amor se transforme em posse, o cuidado do outro em controle, o afeto em simbiose, o medo em paralisia, a inseguran\u00e7a em agressividade e o sucesso em arrog\u00e2ncia.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que celebramos Pessach? Porque a hist\u00f3ria b\u00edblica de Mois\u00e9s e o povo de Israel n\u00f3s mostra um l\u00edder e seus seguidores convivendo com as contradi\u00e7\u00f5es da liberdade humana. Pois somos todos impulsionados, ao mesmo tempo, pelo desejo de mudan\u00e7a e pelo medo do desconhecido, pelo amor e pela vontade de dominar, pelo ego\u00edsmo e pela solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos Pessach para lembrar que a luta pela liberdade \u00e9 o confronto constante entre o escravizador e o escravo que carregamos dentro de n\u00f3s. O nosso fara\u00f3, que n\u00e3o aceita limites, a n\u00e3o ser os seus, e quer ser reconhecido, mas n\u00e3o reconhece o direito \u00e0 dignidade e \u00e0 autonomia dos outros. E a travessia do povo de Israel, que cada vez que se desespera perde a liberdade, que \u00e9 a capacidade de enfrentar desafios, preferindo a seguran\u00e7a de um passado idealizado, do que apostar em um mundo novo a construir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa b\u00edblica do sofrimento imposto ao povo eg\u00edpcio, nos tempos atuais, possui um sentido metaf\u00f3rico: o Fara\u00f3 teve que sofrer para se abrir ao sofrimento dos outros. Porque o sofrimento e a dor podem nos aproximar da nossa comum humanidade, lembrando que todos n\u00f3s somos fr\u00e1geis e que devemos ser sens\u00edveis aos sentimentos dos outros. E que reagindo contra o fanatismo de outros podemos nos transformar em fan\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Pessach deve ser lida como um marco em um processo que nunca termina. Processo que se inicia na hist\u00f3ria b\u00edblica com um ato de liberdade, o de Eva, que desobedece uma ordem, e gra\u00e7as a sua curiosidade a aventura humana come\u00e7a. Aventura que continua no Monte Sinai, quando Mois\u00e9s apresenta uma constitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o existe liberdade individual sem regras que assegurem a conviv\u00eancia e o respeito pela liberdade dos outros. E que continua na mensagem dos profetas, que afirmam que os ritos e as ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o irrelevantes, se os poderosos humilham e maltratam os mais fracos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pessach nos lembra que a liberdade \u00e9 a luta di\u00e1ria para n\u00e3o deixar que o amor se transforme em posse, o cuidado do outro em controle, o afeto em simbiose, o medo em paralisia, a inseguran\u00e7a em agressividade e o sucesso em arrog\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como qualquer tradi\u00e7\u00e3o cultural, o juda\u00edsmo pode ser usado para o bem e para o mal, para expandir a nossa sensibilidade ou a negar a humanidade do outro, como uma identidade que n\u00e3o teme o que \u00e9 diferente ou como antolhos narcisistas que nos empobrecem. Por isso festejamos Pessach como uma celebra\u00e7\u00e3o da rebeldia, da liberdade ao servi\u00e7o do bem e de aproxima\u00e7\u00e3o de todos aqueles que s\u00e3o perseguidos, humilhados, estigmatizados e sofrem injusti\u00e7as, e agradecemos:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Shehechyanu, ve\u00b4quimanau ve\u2019higuianu lazman haze.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">BERNARDO SORJ nasceu em Montevid\u00e9u, Uruguai, e mora desde 1976 no Brasil, onde se naturalizou brasileiro. Estudou antropologia e filosofia no Uruguai, cursou o B.A. e M.A. em Hist\u00f3ria e Sociologia na Universidade de Haifa, Israel, e obteve o t\u00edtulo de Ph.D. em Sociologia na Universidade de Manchester, Inglaterra. Atualmente \u00e9 professor do <a href=\"http:\/\/www.bernardosorj.com\/\" target=\"_blank\">Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a>, diretor do <a href=\"http:\/\/www.bernardosorj.com\/\" target=\"_blank\">Centro Edelstein de Pesquisas Sociais<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.bernardosorj.com\/\" target=\"_blank\">Projeto Plataforma Democr\u00e1tica<\/a>. Foi professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da <a href=\"http:\/\/www.bernardosorj.com\/\" target=\"_blank\">Universidade Federal de Minas Gerais<\/a>, do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da PUC\/RJ e professor titular de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Autor de 28 livros e mais de 100 artigos, ocupou v\u00e1rias c\u00e1tedras e foi professor visitante em diversas universidades e centros de pesquisa na Europa e nos Estados Unidos. Foi eleito Homem de Ideias 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.bernardosorj.com\/\" target=\"_blank\">www.bernardosorj.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessach nos lembra que a liberdade \u00e9 a luta di\u00e1ria para n\u00e3o deixar que o amor se transforme em posse, o cuidado do outro em controle, o afeto em simbiose, o medo em paralisia, a inseguran\u00e7a em agressividade e o sucesso em arrog\u00e2ncia. Por que celebramos Pessach? 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