﻿{"id":30279,"date":"2016-06-18T17:06:34","date_gmt":"2016-06-18T17:06:34","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=30279"},"modified":"2016-06-18T17:06:34","modified_gmt":"2016-06-18T17:06:34","slug":"ainda-o-caso-dreyfus-por-que-por-jayme-vita-roso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=30279","title":{"rendered":"AINDA O CASO DREYFUS&#8230;. POR QUE?  &#8211; POR JAYME VITA ROSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/267_ESPECIAL_3_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-full wp-image-30281 alignnone\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/267_ESPECIAL_3_1.jpg\" alt=\"267_ESPECIAL_3_1\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/267_ESPECIAL_3_1.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/267_ESPECIAL_3_1-142x90.jpg 142w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/267_ESPECIAL_3_1-213x135.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O julgamento faccioso, falho e inepto de Dreyfus iniciou, em alguns a consci\u00eancia, o sentimento de revolta c\u00edvica. Sobressaiu Emile Zola, condenado por difama\u00e7\u00e3o do regime, exilado em Londres.<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u201cTer pensamentos contr\u00e1rios \u00e0 pr\u00f3pria era \u00e9 hero\u00edsmo. Mas falar contra ela \u00e9 loucura\u201d. &#8211; Eug\u00e8ne Ionesco<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que escrevi sobre o caso Dreyfus suscitou alguns coment\u00e1rios e algumas interroga\u00e7\u00f5es, chegando numa amiga, residente em Paris, a questionar-me sobre a narrativa, que tentou ser pontual qu\u00e3o exclusivamente o fato hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reacendeu-me a vontade de voltar ao tema e o fa\u00e7o, gra\u00e7as \u00e0 generosidade de Glorinha Cohen, que me propicia o espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quem envereda pelo caminho da escrita comunicativa, qui\u00e7\u00e1, formativa, n\u00e3o pode desviar-se do ensinamento: \u201cPedi e me foi concedida a prud\u00eancia; supliquei e me veio o espirito da sabedoria\u201d (Sabedoria 7, 7.15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem pensadas &#8211; prud\u00eancia e sabedoria \u2013 deste feito, valho-me da inigual\u00e1vel aprecia\u00e7\u00e3o do L\u2019Express (n\u00ba 3364 e 3365, de 23\/12\/15) que dedicou um n\u00famero alentado, \u00e0 \u201cGrande epopeia do povo franc\u00eas\u201d, com centen\u00e1rias abrang\u00eancias de fatos merecedores do enunciado como epopeias, no sentido rigoroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor Vincent Hugeux, sem rodeios, chamou o texto de \u201cDreyfus ou a falta de raz\u00e3o do Estado\u201d (n\u00ba 3364 e 3365, de 23\/12\/15, p. 96\/99). Atribui a um trip\u00e9 de fatos que amea\u00e7aram a Rep\u00fablica, todos eles explosivos: uma na\u00e7\u00e3o decadente, um ex\u00e9rcito com desse de revanche e um antissemitismo raivoso feroz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocados na coqueteleira, esses tr\u00eas fatos demonstraram o grau de toxidade, condutores de destinos coletivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Come\u00e7ou com a publica\u00e7\u00e3o em 13 de janeiro de 1895, no <em>Petit Journal<\/em>, a ilustra\u00e7\u00e3o que estampava a degrada\u00e7\u00e3o p\u00fablica do capit\u00e3o Alfred Dreyfus que teria praticado alta trai\u00e7\u00e3o por, como militar, ter servido aos interesses da Alemanha. Um quarto de s\u00e9culo antes \u2013 isto estava vivo e borbulhava no sentimento do povo franc\u00eas \u2013 a humilhante derrota que o pais sofrera, frente \u00e0 superioridade germ\u00e2nica, dirigida por Bismarck, com o alto pre\u00e7o da entrega territorial da Als\u00e1cia-Lorraine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Surge Dreyfus, que alimentou a raiva coletiva e o desejo de vingan\u00e7a: palco c\u00eanico armado pelo psicodrama que desespera o pa\u00eds e, no ex\u00e9rcito, a busca de um \u201csalvador\u201d e de um culpado, o militar espi\u00e3o, mas judeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Escolhido o lugar pr\u00f3prio para o cumprimento da pena, Dreyfus foi levado \u00e0 Ilha do Diabo, na antiga Guiana. Isso desemboca numa troca de acusa\u00e7\u00f5es generalizada, entre todas as vertentes e fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e at\u00e9 religiosas. Um furor coletivo manipulado pela imprensa, que exerceu um papel desleal. Resultado: Hugeux alerta que os adeptos de Dreyfus, anos mais tarde, encamparam as ideias do Marechal P\u00e9tain, com reflexos na resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o alem\u00e3 (entre 1940 e 1942).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. O julgamento faccioso, falho e inepto de Dreyfus iniciou, em alguns a consci\u00eancia, o sentimento de revolta c\u00edvica. Sobressaiu Emile Zola, condenado por difama\u00e7\u00e3o do regime, exilado em Londres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Desceram, ainda que sem a necess\u00e1ria humildade, de suas torres de marfim, movimentando-se, Anatole France, Charles P\u00e9guy, Marcel Proust e Jean Jaur\u00e8s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iniciaram-se, como clem\u00eancia da vergonha nacional, catapultada pelo vergonhoso julgamento, movimentos dentro e fora do pa\u00eds, para resgatar a honra, dentre eles, a Liga dos Direitos Humanos (1898), a revis\u00e3o da pena de Dreyfus alcan\u00e7ada pela cabal demonstra\u00e7\u00e3o de sua inoc\u00eancia, o surgimento (fora do Hex\u00e1gono) das manifesta\u00e7\u00f5es do ideal sionista de Theodor Herz; a impuls\u00e3o de Freud que confessou seu estupor e, j\u00e1, em 1885, muito antes, mostrava-se espantado com o povo franc\u00eas, usando a dura express\u00e3o, \u201cpovoado de epidemias ps\u00edquicas e de convuls\u00f5es hist\u00f3ricas de massa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim ocorrendo, ainda em 1994 a revista do Minist\u00e9rio da Defesa, concluiu um artigo nela publicado, relegando a inoc\u00eancia de Dreyfus ao n\u00edvel de \u201ctese geralmente admitida pelos historiadores\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Para concluir: a jovem resistente (na guerra) neta de Dreyfus, &#8211; Madeleine Levy \u2013 foi entregue aos nazistas pelos colaboracionistas da pol\u00edcia de Vichy e morreu em Auschwitz.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JAYME VITA ROSO<\/strong> &#8211; Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 especialista em leis antitruste e consultor jur\u00eddico de fama internacional, ecologista reconhecido e premiado, &#8220;Professor Honor\u00e1rio&#8221; da Universidade Inca Garcilaso de La Vega de Lima, Peru e autor de v\u00e1rios livros jur\u00eddicos. <a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=25303\" target=\"_blank\">Saiba mais<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"vitaroso@vitaroso.com.br%20&lt;vitaroso@vitaroso.com.br&gt;\" target=\"_blank\">vitaroso@vitaroso.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O julgamento faccioso, falho e inepto de Dreyfus iniciou, em alguns a consci\u00eancia, o sentimento de revolta c\u00edvica. 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