﻿{"id":31905,"date":"2016-09-11T00:01:26","date_gmt":"2016-09-11T00:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=31905"},"modified":"2016-09-11T00:01:26","modified_gmt":"2016-09-11T00:01:26","slug":"francoise-dolto-mulher-de-estirpe-e-inigualavel-sobretudo-para-a-psicanalise-por-jayme-vita-roso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=31905","title":{"rendered":"FRAN\u00c7OISE DOLTO: MULHER DE ESTIRPE E INIGUAL\u00c1VEL, SOBRETUDO PARA A PSICAN\u00c1LISE \u2013 POR JAYME VITA ROSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-full wp-image-31907 alignnone\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_1.jpg\" alt=\"273_especial_2_1\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_1.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_1-142x90.jpg 142w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_1-213x135.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fran\u00e7oise e Boris (seu marido) n\u00e3o puderam ingressar na Resist\u00eancia, mas n\u00e3o deixaram de auxiliar tantos quantos se escondiam, em diversos lugares, ao risco de serem presos. Boris foi preso pelos nazistas, porque sendo russo, era assemelhado aos judeus.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-31909\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_2-328x250.jpg\" alt=\"273_especial_2_2\" width=\"328\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_2-328x250.jpg 328w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_2-177x135.jpg 177w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/a><em>\u201cQuando se ama, quando se \u00e9 amado, \u00e9 a vida! Isto \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o\u201d. &#8211; Fran\u00e7oise Dolto<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1)-Um dos sentimentos que mais nos assolam, com matizes diversos para cada pessoa, bem como graduado com a intensidade de cada ser humano, \u00e9 a saudade. Desde quando tomei conhecimento de que era uma palavra intraduz\u00edvel, com os estudos que amparavam essa conclus\u00e3o, realizados pela fil\u00f3loga alem\u00e3 Carolina Vasconcelos (sobrenome adotado de seu marido, tamb\u00e9m fil\u00f3logo, Te\u00f3filo Vasconcelos), passei a ter respeito por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saudade tem conota\u00e7\u00e3o com reminisc\u00eancia. Eu prefiro agregar as duas, porque, sem intuito de compara\u00e7\u00e3o, elas podem se completar, sobretudo, como agora, que ser\u00e3o usadas como meio de comunica\u00e7\u00e3o para expressar um sentimento puro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Bom, volto-me a recordar que tive o privil\u00e9gio, com muitos compartilhado, de conhecer Fran\u00e7oise Dolto, na d\u00e9cada de setenta, quando usava Paris como centro de apoio para obter os necess\u00e1rios vistos para ingressar em pa\u00edses africanos de l\u00edngua francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_3.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-31910\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_3-350x250.png\" alt=\"273_especial_2_3\" width=\"333\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_3-350x250.png 350w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_3-189x135.png 189w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_3.png 712w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>Sempre me hospedara num modesto hotel, como ainda fa\u00e7o, localizado na Rue Saint-Jacques, no 5e arrondissement. E Fran\u00e7oise residia no pr\u00e9dio de n\u00famero 260, onde manteve seu consult\u00f3rio, ap\u00f3s seu matrim\u00f4nio. Transferiu-se para esse pr\u00e9dio em 6 de agosto de 1942 e l\u00e1 viveu, at\u00e9 seu falecimento, num dia muito quente, em 25 de agosto de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Essa mulher, essa modesta e pequena mulher, nascida em 6 de novembro de 1908, deveria merecer aten\u00e7\u00e3o dos brasileiros, que vivem estes dias amargos em nosso pa\u00eds, mas n\u00e3o perdem a confian\u00e7a, nem a esperan\u00e7a, porque t\u00eam f\u00e9. E ela, Fran\u00e7oise, teve tudo isso em abund\u00e2ncia, com todos os imprevistos desde o seu casamento em 12 de fevereiro de 1942, Paris ocupada, e gerou dois dos tr\u00eas filhos (Yvan-Chrysostome e Gr\u00e9goire Dolto) ainda durante o conflito. O marido Boris era russo, que lhe emprestou o sobrenome, pois solteira era Marette.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que tem a ver, com o juda\u00edsmo, com os judeus, Fran\u00e7oise Dolto? \u00c9 o que esbo\u00e7aremos dentro dos limites deste valioso espa\u00e7o de Glorinha Cohen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Sempre, na profiss\u00e3o, teve companheiros judeus: desde Hartmann (em 1937) com quem estagiou no tratamento de crian\u00e7as doentes, em sequ\u00eancia, Loewenstein, Spitz, Leubre e Sophie Morgenstern, para as crian\u00e7as, at\u00e9 sustentar sua tese em 11 de julho de 1939 e, dois anos depois, abrir o seu consult\u00f3rio (cl\u00ednica geral e pediatra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fran\u00e7oise Dolto convidou Colette Manier para gravar sua autobiografia, fazendo-a em sua casa-consult\u00f3rio, muito enferma, em duas datas: 29 de maio de 1988 e 14 de julho do mesmo ano, que resultaram no texto \u201cAutoportrait d\u2019une psychanalyste-1934\/1988\u201d[1], e Colette foi ajudada por seu marido Alain Manier, durante os anos de sua rela\u00e7\u00e3o frutuosa. E Alain, cujo interesse cient\u00edfico centrou-se sobre a psicose o levou a elaborar sua teoria \u2013 do qual foi criador \u2013 sempre se maravilhou e como Fran\u00e7oise tornou-se psiquiatra, oriunda de uma fam\u00edlia predominantemente psic\u00f3tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de adentrar ao objeto deste escrito, alguns textos da Introdu\u00e7\u00e3o do livro mencionado, escrito por sua filha Catherine Dolto-Tolitch (5 de agosto de 1946), tamb\u00e9m m\u00e9dica como a m\u00e3e:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) come\u00e7o com um dito de Nietzsche, que leva a refletir: \u201cSe eu lhe digo, \u00e9 preciso ter o caos em si mesmo para p\u00f4r no mundo uma estrela dan\u00e7ante\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) \u201cA psican\u00e1lise, antes de ser assim chamada, foi para ela uma quest\u00e3o de vida ou morte simb\u00f3lica. N\u00e3o vivendo em uma \u00e9poca em que n\u00e3o lhe traziam as crian\u00e7as questionantes por seu acompanhante consultar um psicoterapeuta, ela toma as coisas em suas m\u00e3os, por ela mesma. \u201d(p. 8);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) \u201cquando se ama ou quando n\u00e3o se ame mais, h\u00e1 qualquer coisa de incontrol\u00e1vel\u201d (p.9);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) pouco antes de falecer, em 14 de julho, sua filha, mudando uma poltrona no consult\u00f3rio no qual vivera por cinquenta anos, dela ouviu: \u201c\u00c9 um belo escrit\u00f3rio&#8230; mas n\u00e3o \u00e9 mais meu\u201d, disse ela alegre e espantada por esta descoberta\u201d(p. 9);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) Catherine tra\u00e7ou de sua m\u00e3e este retrato profissional: \u201cEla sempre se sentiu \u2018antip\u00e1tica\u2019 e eu creio que ela era verdadeira. Foi psicanalista, mas ela foi bem mais do que isso, n\u00e3o procurando nunca saber o que ela representava. Buscava fazer com seriedade tudo que produzia, mas n\u00e3o o tomara a s\u00e9rio, pois isto a fazia aberta \u00e0 vida e assim foi at\u00e9 o fim. E, recordando, um de seus \u00faltimos desejos de sua vida, foi de contar isso\u201d(p. 10)[2];<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-31911\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_4-252x250.jpg\" alt=\"273_especial_2_4\" width=\"252\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_4-252x250.jpg 252w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_4-136x135.jpg 136w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_4-50x50.jpg 50w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/273_especial_2_4.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><\/a>5) Fran\u00e7oise Dolto, de 1937 a 1942, trabalhou em dois outros locais em Paris, tendo se transferido para Rue Saint Jacques, 260, em 6 de agosto de 1942, j\u00e1 m\u00e3e do seu primeiro filho com 6 meses. Isso tem um significado pr\u00f3prio com a deflagra\u00e7\u00e3o, que ensejou reportar-se ao cap\u00edtulo 6 do livro em foco: \u201cA Segunda Guerra Mundial\u201d (p. 151\/162).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.1) Como viveu esta guerra e, sobretudo, com o nascimento do seu primeiro filho e, com a \u201cpartida\u201d de amigos muito queridos judeus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soube ela que, enquanto se desenrolava a guerra, havia campos de exterm\u00ednio de judeus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o. Sabia dos campos de trabalho. E os judeus eram levados a eles para serem roubados. Foi a raz\u00e3o que eu encontrei para esses atos. E n\u00e3o era um genoc\u00eddio para mim. Era para roubar os judeus, seu dinheiro\u201d (p. 152).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E emendou: \u201cComo eu era na \u00e9poca, o genoc\u00eddio me parecia inimagin\u00e1vel\u201d (p. 152). Narra que teve conhecimento que os registros massacravam os ciganos. E a \u201creligi\u00e3o dos nazistas era contra um deus judeus, contra o deus judeu-crist\u00e3o. Para mim, era uma maneira de ser contra os crist\u00e3os\u201d (e nunca leu Mein Kampf).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.2) Narra a farsa que a pol\u00edcia engendrou para enganar os judeus e aos demais que se distanciam dos ciganos. Com refer\u00eancia a uma amiga austr\u00edaca, tamb\u00e9m psicanalista, conta: \u201cE como os alem\u00e3es estavam em Paris, a pol\u00edcia francesa dizia desejar coloc\u00e1-los em abrigos e proteg\u00ea-los dos nazistas. E eram os parisienses que faziam isso. Foi, por exemplo, o caso <em>Vel\u2019 d\u2019Hiv<\/em> (o caso tornou-se simb\u00f3lico, porque, como narra Jacques Adler, \u201cno dia 16 de junho de 1942, mais de 1200 judeus emigrados, inclusive as mulheres, as crian\u00e7as e os idosos foram presos pela pol\u00edcia francesa\u201d, em \u201c<em>Face \u00e0 la persecution<\/em>, Paris, Calman-L\u00e9vy, 1985, p.20, com a nota 76 da narrativa de Dolto, \u00e0 p\u00e1gina 269, e acrescentou que: \u201cO Centro de documenta\u00e7\u00e3o judia contempor\u00e2nea confirmou que, nessa pris\u00e3o em massa, foram 3031 homens, 5802 mulheres e 4051 crian\u00e7as\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Narra que a pol\u00edcia francesa, a t\u00edtulo de proteger os judeus, os enviava aos campos de concentra\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a. E todos, piamente, inclusive ela, acreditaram que os judeus retornariam \u00e0s suas casas ap\u00f3s o fim da guerra. Mas, terminado o conflito, e somente ap\u00f3s, constatou, vendo as fotos, com as primeiras imagens, o horror das mortes e das torturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deu uma \u00eanfase: at\u00e9 parentes, engajados na Resist\u00eancia, n\u00e3o contava nada do que sabia. Assim: \u201cEle (Jacques) n\u00e3o falava nada: \u2018Estou aqui agora. N\u00e3o me pergunte mais. Eu n\u00e3o sei onde estarei dentro de um m\u00eas! \u2019 O clima de desconfian\u00e7a era total, mesmo quando, e Fran\u00e7oise explica, abrigavam os maquis \u2013 e foram muitos \u2013, at\u00e9 diziam: \u2018Escute, isso \u00e9 igual, n\u00e3o \u00e9? Jantei bem, posso ser ingrato, mas eu vou! \u2019\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fran\u00e7oise e Boris n\u00e3o puderam ingressar na Resist\u00eancia, mas n\u00e3o deixaram de auxiliar tantos quantos se escondiam, em diversos lugares, ao risco de serem presos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boris foi preso pelos nazistas, porque sendo russo, era assemelhado aos judeus. Preso durante oito dias, foi liberado, quando conseguiu despir-se em conta de exibir que n\u00e3o era judeu e frequentara a igreja ortodoxa da Darsi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) Quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos judeus na constru\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, Dolto afirmou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.1) \u201ch\u00e1 um problema hist\u00f3rico, de fato, entre a psican\u00e1lise e a \u2018<em>juda\u00eft\u00e9<\/em>\u2019, melhor o juda\u00edsmo\u201d;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.2) respondendo se o fato de Freud ser judeu tinha import\u00e2ncia para ela: \u201cSim, mas sobretudo porque ele recusava ser. Ele mesmo disse: \u2018N\u00e3o, n\u00e3o sou\u2019, e por isso pode descobrir a psicanalise\u201d (p. 159). Mas a forma de Freud, responder que n\u00e3o era judeu \u2013 contradit\u00f3ria \u2013 porque afirmava s\u00ea-lo, por\u00e9m, descrente, sobretudo relativamente \u00e0 pr\u00e1tica, assim como \u00e0 espiritualidade judaica; frente a tanta ambiguidade remanescia a d\u00favida do que pensava Freud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.3) Mas Dolto \u00e9 incisiva, sem deixar d\u00favida: \u201cEu n\u00e3o creio que a psican\u00e1lise pudesse ser inventada por um n\u00e3o-judeu. Eu creio que, em uma \u00e9poca certa, a palavra, significando o que se pensava no inconsciente criativo, criativo de coes\u00e3o carnal de um ser humano, de coes\u00e3o biol\u00f3gica que faz um ser humano nas\u00e7a e voltado \u00e0 palavra, este n\u00e3o poderia de ser sen\u00e3o um judeu. Isto n\u00e3o poderias ocorrer de outra forma\u201d (p. 160).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6.4) Naqueles tempos, &#8211; quando depois desse questionamento, Dolto foi emparelhada a Lacan, como os dois grandes nomes da psican\u00e1lise francesa. Ela contestou a metodologia do seu colega, mas concordou que, pelo fato de n\u00e3o serem judeus, de outra forma n\u00e3o poderia o desejo ser entendido, afirmando: \u201cSem sua \u2018<em>juda\u00eft\u00e9<\/em>\u2019, jamais teria sido podido entender o desejo. O entendimento do desejo no qual \u00e9 Deus sem que o humano o saiba. Deus \u201cm\u00eal\u00e9\u201d ao perverso, Deus \u201cm\u00eal\u00e9\u201d ao <em>refoulement<\/em>, a vida \u201cm\u00eal\u00e9\u201d ao desejo de morte, todo ato que faz este drama humano deve ser tomado eternamente no pecado original. \u00c9 tudo do autor do mito da falta original que se enra\u00edza na humanidade\u201d (p. 162).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) A narrativa, para terminar, da hist\u00f3ria pessoal de Dolto, impressa pouco depois de sua morte, \u00e9 um di\u00e1logo com um psicanalista, uma troca de alto n\u00edvel entre dois profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontram-se os fatos decompostos entre pessoas de mesma fam\u00edlia, de amigos e de colegas, o cuidado em que foram abordadas quest\u00f5es t\u00e9cnicas, desde a psicose, at\u00e9 incurs\u00f5es meta-psicanalistas, como a pintura e a rela\u00e7\u00e3o de seu interesse pela liturgia ortodoxa, oriunda do seu matrim\u00f4nio com Boris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, suas obras abordam temas relevantes que impelem os esp\u00edritos curiosos a de debru\u00e7arem sobre elas com toda afei\u00e7\u00e3o, interesse e introspec\u00e7\u00e3o, ainda que j\u00e1 se passaram muitos anos de sua P\u00e1scoa.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">JAYME VITA ROSO &#8211; Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 especialista em leis antitruste e consultor jur\u00eddico de fama internacional, ecologista reconhecido e premiado, &#8220;Professor Honor\u00e1rio&#8221; da Universidade Inca Garcilaso de La Vega de Lima, Peru e autor de v\u00e1rios livros jur\u00eddicos. <a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=25303\" target=\"_blank\">Saiba mais.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"vitaroso@vitaroso.com.br%20&lt;vitaroso@vitaroso.com.br&gt;\" target=\"_blank\">vitaroso@vitaroso.com.br<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] DOLTO, Fran\u00e7oise. Autoportrait d\u2019une psychnalyste 1934-1988. Paris: \u00c9ditions Du Seuil, 1989. 283 p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] Os textos foram traduzidos livremente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fran\u00e7oise e Boris (seu marido) n\u00e3o puderam ingressar na Resist\u00eancia, mas n\u00e3o deixaram de auxiliar tantos quantos se escondiam, em diversos lugares, ao risco de serem presos. Boris foi preso pelos nazistas, porque sendo russo, era assemelhado aos judeus. \u201cQuando se ama, quando se \u00e9 amado, \u00e9 a vida! 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