﻿{"id":32173,"date":"2016-09-24T20:21:38","date_gmt":"2016-09-24T20:21:38","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=32173"},"modified":"2016-09-28T13:11:03","modified_gmt":"2016-09-28T13:11:03","slug":"shofar-5770-rabino-michel-schlesinger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=32173","title":{"rendered":"SHOFAR 5777 \u2013 RABINO MICHEL SCHLESINGER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/274_hist\u00f3ria_2_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-large wp-image-32174 alignnone\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/274_hist\u00f3ria_2_1-187x250.jpg\" alt=\"274_historia_2_1\" width=\"187\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/274_hist\u00f3ria_2_1-187x250.jpg 187w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/274_hist\u00f3ria_2_1-101x135.jpg 101w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/274_hist\u00f3ria_2_1.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 187px) 100vw, 187px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que ser\u00e1 que tocamos este instrumento no per\u00edodo das Grandes Festas? Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o per\u00edodo que corresponde aos quarenta dias, durante os quais Mosh\u00e9 esteve no Monte Sinai para receber a segunda vers\u00e3o das T\u00e1buas da Lei.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tekia, Shvarim, Teru\u00e1.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todos os s\u00edmbolos relacionados \u00e0s Grandes Festas, o <em>shofar<\/em> \u00e9 aquele que mais chama a nossa aten\u00e7\u00e3o. Este instrumento musical milenar j\u00e1 era tocado na \u00e9poca da Tor\u00e1 nas mais variadas ocasi\u00f5es. O <em>shofar<\/em> convocava as pessoas para a guerra, anunciava a chegada de um novo m\u00eas, comunicava um falecimento na comunidade, embalava comemora\u00e7\u00f5es, entre diversas outras possibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que ser\u00e1 que tocamos este instrumento no per\u00edodo das Grandes Festas? Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o per\u00edodo que corresponde aos quarenta dias, durante os quais Mosh\u00e9 esteve no Monte Sinai para receber a segunda vers\u00e3o das T\u00e1buas da Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conta um <em>midr\u00e1sh<\/em> que o l\u00edder teria pedido ao povo que tocasse o <em>shofar<\/em> nos dias em que ele estivesse sobre a montanha para que os israelitas se lembrassem do pecado do Bezerro de Ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, no juda\u00edsmo, nenhum costume ou tradi\u00e7\u00e3o possui um \u00fanico significado. Al\u00e9m das explica\u00e7\u00f5es tradicionais, somos convidados a criar nossa pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o. Convido voc\u00eas a se aventurarem comigo e buscarmos, juntos, um novo significado para os toques do <em>shofar<\/em> no per\u00edodo das Grandes Festas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tor\u00e1 conhece apenas dois toques do chifre do carneiro: tequia (o toque longo) e <em>teru\u00e1<\/em>. Como ser\u00e1 que surgiu <em>shvarim<\/em>, o terceiro e toque?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma interessante discuss\u00e3o talm\u00fadica tenta determinar como seria o teru\u00e1. Os rabinos concordam que ele deveria soar como um choro. Mais especificamente, o choro da m\u00e3e do general Sisr\u00e1 quando soube que seu filho morreu na batalha ocorrida na \u00e9poca da profetiza D\u00e9bora. Enquanto um rabino acreditava que o choro era solu\u00e7ado, algo semelhante ao nosso teru\u00e1, outro s\u00e1bio argumentava que o choro teria sido um lamento. Em coer\u00eancia com sua tradi\u00e7\u00e3o pluralista, o Talmude decidiu n\u00e3o adotar uma \u00fanica opini\u00e3o. Ao inv\u00e9s disto, introduziu um terceiro toque para acomodar as verdades divergentes. Assim nascia <em>shvarim<\/em>, o terceiro toque do Shofar, parecido com um lamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que a compara\u00e7\u00e3o sugerida pelo Talmude entre o shofar e o choro merece aten\u00e7\u00e3o. Como me tornei pai da Tamar no in\u00edcio do m\u00eas de setembro, posso falar sobre choro com alguma propriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Winnicott, pediatra e psicanalista ingl\u00eas que viveu no s\u00e9culo 20, a crian\u00e7a expressa todos os seus sentimentos por meio do choro. Ele pode significar fome, dor, desconforto, medo e pode tamb\u00e9m expressar excita\u00e7\u00e3o e prazer. Como este \u00e9 o \u00fanico mecanismo de comunica\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para o rec\u00e9m-nascido, \u00e9 por meio do choro que a crian\u00e7a vai transmitir tudo o que se passa com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegaram inclusive a inventar uma milagrosa bab\u00e1 eletr\u00f4nica que analisa o choro e determina qual \u00e9 o desejo do beb\u00ea. Obviamente o aparelho mais erra do que acerta. Para entender uma crian\u00e7a, somente a sensibilidade de uma m\u00e3e \u201csuficientemente boa\u201d, na linguagem no psicanalista ingl\u00eas, ou um pai \u201csuficientemente bom\u201d, acrescentaria eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>shofar<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal. Assim como a crian\u00e7a informa pelo choro aquilo que n\u00e3o pode ser dito em palavras, o chifre de carneiro transmite o que as palavras n\u00e3o poderiam falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo das Grandes Festas \u00e9 uma \u00e9poca de muitas palavras. Pedimos desculpas para aqueles que ofendemos, mandamos cart\u00f5es de Shan\u00e1 Tov\u00e1, lemos centenas de p\u00e1ginas de rezas em nossos machzorim, acompanhamos as leituras da Tor\u00e1 e Haftar\u00e1. No entanto, em determinado momento, esgotam-se as palavras. Numa certa hora, j\u00e1 dissemos tudo aquilo que poder\u00edamos dizer. Ent\u00e3o o que fazemos? Tocamos o shofar. Por meio do instrumento musical mais antigo do mundo, comunicamos aquilo que as palavras j\u00e1 n\u00e3o podem transmitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos pessoas acostumadas a transformar todas as emo\u00e7\u00f5es em palavras. Precisamos resgatar o choro da crian\u00e7a que existe em cada uma e cada um de n\u00f3s. Possu\u00edmos um poderoso <em>shofar<\/em> interior e muitas vezes nos furtamos em utiliz\u00e1-lo por desaten\u00e7\u00e3o, comodidade ou medo. O nosso chifre de carneiro \u00e9 nossa capacidade de comunicar emo\u00e7\u00f5es sem a necessidade de transform\u00e1-las em palavras. Acionamos nosso shofar quando nos permitimos chorar, abra\u00e7ar, beijar, tocar, segurar a m\u00e3o, ou apenas ficar em sil\u00eancio. Ali\u00e1s, este \u00faltimo parece ser nosso shofar mais poderoso e um dos menos utilizados, o ensurdecedor barulho do sil\u00eancio. A for\u00e7a deste recurso foi lindamente captada pela liturgia das Grandes Festas. <em>Ubeshofar gadol itac\u00e1 vecol demam\u00e1 daca isham\u00e1<\/em>. Dizemos na ora\u00e7\u00e3o Unetan\u00ea Tokef: quando o grande <em>shofar<\/em> for tocado, um profundo sil\u00eancio ser\u00e1 ouvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que, ent\u00e3o, tocamos <em>shofar<\/em> no per\u00edodo das Grandes Festas? Inspirado na compara\u00e7\u00e3o que o Talmude tra\u00e7ou entre o instrumento e o choro, acredito que o chifre de carneiro representa nosso choro. Representa toda a gama de emo\u00e7\u00f5es que nunca poderemos traduzir em palavras. Assim como chor\u00e1vamos quando \u00e9ramos pequenos, precisamos ter coragem de chorar como adultos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras continuar\u00e3o sendo essenciais em nossa comunica\u00e7\u00e3o com Deus, com os outros e com n\u00f3s mesmos. No entanto, se nos limitarmos somente a elas, estaremos desperdi\u00e7ando uma ferramenta valiosa para a express\u00e3o daquilo que sentimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Deus nos conceda a bravura necess\u00e1ria, neste per\u00edodo das Grandes Festas e sempre, para comunicar tamb\u00e9m aquilo que as palavras nunca poder\u00e3o dizer. Sejamos capazes de usar com coragem nossos recursos n\u00e3o verbais. Que saibamos fazer bom uso do <em>shofar<\/em> que sempre existiu dentro de cada uma e cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tekia, Shevarim, Teru\u00e1.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Shan\u00e1 Tov\u00e1<\/em>!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">RABINO MICHEL SCHLESINGER &#8211; Michel Schlesinger \u00e9 bacharel em direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Realizou seus estudos rab\u00ednicos e seu mestrado em Jerusal\u00e9m, no Instituto Schechter. Nos Estados Unidos, trabalhou em um acampamento judaico, o Camp Ramah de New England, e se capacitou para dar apoio a doentes e seus familiares no Jewish Pastoral Care Intitute na cidade de Nova Iorque. Desde 2005 \u00e9 rabino da CIP. Em 2012, por ocasi\u00e3o de seu ano sab\u00e1tico, passou tr\u00eas meses em Nova Iorque, onde visitou institui\u00e7\u00f5es judaicas e estudou Talmude no Jewish Theological Seminary. O rabino Schlesinger \u00e9 representante da Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil (Conib) para o di\u00e1logo inter-religioso e coordenador da delega\u00e7\u00e3o judaica na Comiss\u00e3o Nacional de Di\u00e1logo Cat\u00f3licoJudaico da CNBB. Em 2013 esteve em Doha, no Qatar, para a D\u00e9cima Confer\u00eancia Internacional de Di\u00e1logo Inter-religioso. No mesmo ano, concluiu seus estudos em gest\u00e3o de sinagogas no Rabbinical Management Institute de Los Angeles. Casado com a antrop\u00f3loga Juliana Portenoy Schlesinger e pai da Tamar e da Naomi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que ser\u00e1 que tocamos este instrumento no per\u00edodo das Grandes Festas? Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, este \u00e9 o per\u00edodo que corresponde aos quarenta dias, durante os quais Mosh\u00e9 esteve no Monte Sinai para receber a segunda vers\u00e3o das T\u00e1buas da Lei. Tekia, Shvarim, Teru\u00e1. 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