﻿{"id":33969,"date":"2016-12-17T22:32:58","date_gmt":"2016-12-17T22:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=33969"},"modified":"2016-12-17T22:41:41","modified_gmt":"2016-12-17T22:41:41","slug":"o-cinema-nacional-na-uti-por-alexandre-nigri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=33969","title":{"rendered":"O CINEMA NACIONAL NA UTI \u2013 POR ALEXANDRE NIGRI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/280_especial_4_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-large wp-image-33970 alignnone\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/280_especial_4_1-167x250.jpg\" alt=\"280_especial_4_1\" width=\"167\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/280_especial_4_1.jpg 167w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/280_especial_4_1-90x135.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 167px) 100vw, 167px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>J\u00e1 pararam para pensar que o Brasil tem tudo para se tornar um dos maiores produtores de filmes mundiais por ser, dos Brics, o \u00fanico povo a n\u00e3o possuir fen\u00f3tipo definido? Brasileiro tem cara de japon\u00eas, de italiano, de portugu\u00eas&#8230; n\u00e3o \u00e9 como os demais povos dos Brics.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gosto n\u00e3o se discute. \u00c9 caracter\u00edstica pessoal e um elemento subjetivo na cultura de cada povo. Dizem at\u00e9 que \u00e9 que nem nariz: cada um tem o seu, e olha que tem nariz de todo tipo por a\u00ed. Dif\u00edcil agradar a todos. Mas a superven\u00e7\u00e3o do senso comum \u00e9 o que suscita a cr\u00edtica como elemento objetivo, \u00e9 o que ajuda a formular a opini\u00e3o das minorias transformadoras, e a\u00ed entra minha tese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a quest\u00e3o \u00e9 cinema nacional, muitos torcem o tal nariz; outros, felizes da vida at\u00e9 se alinham nas filas de avant premi\u00e8re de um novo longa. Mas, para esta minoria transformadora, meter o nariz numa sala de cinema para ver um filme nacional \u00e9 um mau neg\u00f3cio. \u00c9 comprar ingresso para um show de horror sem ter ido ver um filme de medo. Pode ser o contr\u00e1rio tamb\u00e9m, mas h\u00e1 de se saber que a cartilha cinematogr\u00e1fica brasileira hoje em dia \u00e9 composta de filmes feitos para vender na bilheteria. Todos possuem mais ou menos o mesmo formato. \u00c9 a bilheteria do clich\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 ainda pior \u00e9 que s\u00e3o filmes desenvolvidos sob orienta\u00e7\u00e3o do mesmo tipo de pesquisas de mercado, encomendadas para formula\u00e7\u00e3o das grades de programa\u00e7\u00e3o dos canais abertos da televis\u00e3o brasileira. Da\u00ed saem jornais de alcance nacional, reality shows, programas de humor, boa parte deles presentes nas nossas casas todos os dias. Para os donos desses estudos de absor\u00e7\u00e3o (quali-quanti), basta saber para que lado sopram os ventos de mercado. \u201cVoc\u00ea tem sede de qu\u00ea?\u201d, cantavam os Tit\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu me pergunto: saberemos responder, quando inquiridos nessas pesquisas, sobre o que ningu\u00e9m ainda assistiu em portugu\u00eas? Saberemos responder algo sobre \u00e9picas hist\u00f3rias rom\u00e2nticas que n\u00e3o foram produzidas? Sobre hist\u00f3rias epopeicas de trai\u00e7\u00e3o e vingan\u00e7a? Quem sabe um estrepitoso filme de horror brasileiro? Ou um fabuloso filme de poder e glamour envolvendo o empresariado nacional t\u00e3o em evid\u00eancia atualmente no cen\u00e1rio internacional? \u00c9 mais ou menos a hist\u00f3ria do iPad. Se me perguntassem h\u00e1 dois tr\u00eas se eu queria um gadget desses, eu nem saberia o que responder, porque afinal n\u00e3o sabia o que era um iPad!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontece que toda a tem\u00e1tica circunscrita ao cinema nacional de hoje representa uma evolu\u00e7\u00e3o de temas apelativos que, nos idos de 1980, eram as pornochanchadas para o que se vende hoje. Como o sexo e toda forma de sua express\u00e3o banalizou-se pela m\u00eddia e redes sociais, decidiu-se enveredar pelo caminho do tiro, porrada e bomba, pela fome, mis\u00e9ria e com\u00e9dia besteirol. S\u00e3o assuntos que margeiam todo o bom conte\u00fado que podemos transmitir. Apesar da import\u00e2ncia que o cinema tem para a forma\u00e7\u00e3o sociocultural de uma na\u00e7\u00e3o, insiste-se em mostrar a monotem\u00e1tica da viol\u00eancia social e das com\u00e9dias mambembe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Ali\u00e1s, por falar em com\u00e9dias besteirol, os roteiristas e diretores deste segmento que me perdoem, mas confesso que, se for para meter o nariz em uma sala de cinema para ver mais do mesmo, prefiro ficar com o bom e velho Mazzaropi ou, ainda, com nossos queridos Trapalh\u00f5es.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ser a oitava economia mais importante do planeta e ter o quinto maior territ\u00f3rio em extens\u00e3o, o Brasil \u00e9 ref\u00e9m de roteiristas e diretores que, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, persistem em mostrar \u00e0 comunidade internacional o aperto das favelas do Rio de Janeiro e, a tiracolo, toda a sua viol\u00eancia em incont\u00e1veis filmes como <em>Cidade de Deus, Tropa de Elite, 5 x Favela, Orfeu, Alem\u00e3o etc<\/em>. Nossos cineastas refor\u00e7am seu proselitismo sat\u00e2nico, adotando o nosso pobre e \u00e1rido Nordeste em filmes como <em>Central do Brasil<\/em>, O <em>Auto da Compadecida, O Pagador de Promessas, Ra\u00edzes do Sert\u00e3o, Vidas Secas<\/em>, <em>O Cangaceiro<\/em> e a lista segue, sendo tudo isso em um pa\u00eds que, apesar de ter a quinta maior popula\u00e7\u00e3o do planeta, grandes cidades, uma fauna e uma flora majestosa, possui por suas lentes a vis\u00e3o \u00fanica da miser\u00e1vel pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tenho nada contra mostrar nossas verdades, mas que elas sejam contadas por inteiro. Temos outras hist\u00f3rias tamb\u00e9m: de alegria, de amor, de solidariedade. Que bem viria um bom filme sobre nossos her\u00f3is pracinhas da Segunda Guerra Mundial; da incr\u00edvel descoberta de Pedro Alvares Cabral e suas caravelas; do her\u00f3i abolicionista Joaquim Nabuco. N\u00e3o somos o celeiro da hecatombe, nem o Mad Max do sert\u00e3o. Somos o Brasil, a na\u00e7\u00e3o cujas mesmas pesquisas trombeteiam ter o povo mais feliz do planeta. E nem todas as poucas exce\u00e7\u00f5es de excelentes filmes produzidos at\u00e9 aqui seriam suficientes para corresponder ao nosso tamanho e ess\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dias atr\u00e1s assisti ao <em>A que horas ela volta?<\/em>, maravilhosamente interpretado por Regina Cas\u00e9. Seria uma hist\u00f3ria sensacional se n\u00e3o fosse mais roupa suja no tanque do povo brasileiro. O filme \u00e9 nada mais, nada menos que a demonstra\u00e7\u00e3o da reminisc\u00eancia do per\u00edodo Brasil Col\u00f4nia at\u00e9 o s\u00e9culo 19. Do resqu\u00edcio de uma sociedade escravocrata perenizado na classe m\u00e9dia brasileira. Em nenhum pais desenvolvido do mundo existe tal rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o, de tal estratifica\u00e7\u00e3o social. Para quem tiver d\u00favida sobre isso, recomendo ver o filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 pararam para pensar que o Brasil tem tudo para se tornar um dos maiores produtores de filmes mundiais por ser, dos Brics, o \u00fanico povo a n\u00e3o possuir fen\u00f3tipo definido? Brasileiro tem cara de japon\u00eas, de italiano, de portugu\u00eas&#8230; n\u00e3o \u00e9 como os demais povos dos Brics. Desse grupo, o\u2009pa\u00eds \u00e9 a \u00fanica democracia capitalista, tem a melhor fotografia para um roteiro e, ademais, temos todo o apoio estatal de incentivos atrav\u00e9s da Lei Rouanet e projetos como o programa \u201cBrasil de todas as telas\u201d. Clamemos, pois, pelo livramento deste complexo de inferioridade tupiniquim e vamos para o ataque!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muitos anos fui um cin\u00e9filo na linha alternativa. Sempre gostei muito da experi\u00eancia sensorial que o cinema <em>cult<\/em> me proporcionara. Vi v\u00e1rios longas estrangeiros dignos de fazer os nossos nacionais valerem um Oscar; mas tamb\u00e9m descobri verdadeiras p\u00e9rolas no cinema terceiro-mundista: o iraniano <em>Filhos do Para\u00edso<\/em>, o mexicano E <em>sua m\u00e3e tamb\u00e9m<\/em>, os argentinos <em>O\u2009filho da noiva<\/em>, O <em>segredo de seus olhos e Nove Rainhas<\/em>, o eg\u00edpcio A Banda, o imperd\u00edvel israelense Ushpizin. S\u00e3o uma mostra de que \u00e9 poss\u00edvel, sim, fazer cinema de extrema qualidade e conte\u00fado dentro do chamado cinema <em>low budget<\/em> \u2013 baixo custo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com uma pujante pol\u00edtica de subs\u00eddio \u00e0 ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, o pa\u00eds que j\u00e1 foi a sexta maior economia mundial nunca levou um Oscar. Neste \u00ednterim, a It\u00e1lia recebeu dez; a Fran\u00e7a, nove; a R\u00fassia e a Espanha, quatro; Dinamarca, Holanda, Su\u00e9cia, Alemanha e Rep\u00fablica Tcheca, tr\u00eas; Argentina, \u00c1ustria e Su\u00ed\u00e7a, dois; e \u00c1frica do Sul, Arg\u00e9lia, B\u00f3snia e Herzegovina, Canad\u00e1, Costa do Marfim, Hungria, Ir\u00e3, Jap\u00e3o e Taiwan, um Oscar cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para terminar, que 2017 que se avizinha venha com tudo e nos traga muitas aspira\u00e7\u00f5es, excelente conte\u00fado e imensas alegrias para o nosso Brasil, materializadas nas telas de cinema de nosso pa\u00eds. M\u00e3os \u00e0 obra; claquete, c\u00e2meras, a\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre Nigri \u00e9 administrador de empresas com especializa\u00e7\u00e3o em real estate. \u00c9 CEO da MCP Realty, vice-presidente do Grupo Maxinvest, s\u00f3cio da incubadora click28 e membro do conselho de administra\u00e7\u00e3o e seed investor da startup PagPouco.com &#8211; <a href=\"anigri@nimexusa.com\" target=\"_blank\">anigri@nimexusa.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 pararam para pensar que o Brasil tem tudo para se tornar um dos maiores produtores de filmes mundiais por ser, dos Brics, o \u00fanico povo a n\u00e3o possuir fen\u00f3tipo definido? Brasileiro tem cara de japon\u00eas, de italiano, de portugu\u00eas&#8230; n\u00e3o \u00e9 como os demais povos dos Brics. 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