﻿{"id":37416,"date":"2017-06-17T18:29:11","date_gmt":"2017-06-17T18:29:11","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=37416"},"modified":"2017-06-17T19:00:31","modified_gmt":"2017-06-17T19:00:31","slug":"entrevista-com-alexandre-schwartsman-por-douglas-gavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=37416","title":{"rendered":"ENTREVISTA COM ALEXANDRE SCHWARTSMAN &#8211; POR DOUGLAS GAVRAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/292_especial_3_-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37496\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/292_especial_3_-1.jpg\" alt=\"292_especial_3_ 1\" width=\"251\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/292_especial_3_-1.jpg 251w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/292_especial_3_-1-144x135.jpg 144w\" sizes=\"(max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><\/a>Para ex-diretor do BC, enfraquecimento de Temer pode levar governo a deixar recupera\u00e7\u00e3o da economia em segundo plano<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, o governo de Michel Temer corre o risco de colocar a sobreviv\u00eancia do presidente no cargo acima da recupera\u00e7\u00e3o da economia. Segundo o economista, o Pa\u00eds pode vir a reviver, daqui para a frente, os \u00faltimos momentos de Dilma Rousseff no poder: um governo cujas contas n\u00e3o fecham e que n\u00e3o tem for\u00e7a para desatar os n\u00f3s das despesas p\u00fablicas. A seguir, trechos da entrevista ao Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 pouco mais de uma semana, finalmente pudemos comemorar um resultado positivo para o PIB, de 1% no primeiro trimestre. Na ocasi\u00e3o, o presidente chegou a dizer que a recess\u00e3o havia acabado. A recess\u00e3o acabou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, isso n\u00e3o basta. \u00c9 preciso ser um pouco mais frio a esse respeito. Ningu\u00e9m vai lamentar um resultado positivo, mas o que trouxe crescimento foi um desempenho extraordin\u00e1rio da agricultura. Quando se olha para o lado da demanda, \u00e9 uma hist\u00f3ria que ainda vai muito para o lado externo, aumento das exporta\u00e7\u00f5es l\u00edquidas, aumento de estoque, o consumo est\u00e1 ficando um pouco menos negativo, mas o investimento vai muito mal. Vejo o resultado do primeiro trimestre mais como um sinal de estabiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso mais do que ficar pertinho do fundo do po\u00e7o. A partir do segundo trimestre, a perspectiva \u00e9 que o Pa\u00eds dificilmente ir\u00e1 conseguir repetir resultados nesse mesmo patamar. O lado bom dessa hist\u00f3ria \u00e9 que temos muitas indica\u00e7\u00f5es de que a economia chegou, de fato, ao fundo do po\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o pre\u00e7o da crise pol\u00edtica que ser\u00e1 cobrado da economia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise pol\u00edtica deixou o horizonte de recupera\u00e7\u00e3o da economia um pouco mais distante. A mec\u00e2nica da recupera\u00e7\u00e3o vinha daquelas sinaliza\u00e7\u00f5es de reformas do lado fiscal, com ado\u00e7\u00e3o do teto de gastos e ajustes na Previd\u00eancia. O ambiente de antes apontava para a sociedade que o governo colocaria as contas p\u00fablicas em uma rota de ajuste, o que abriu espa\u00e7o para o corte de juros. Quando a gente tira a reforma da Previd\u00eancia dessa hist\u00f3ria, o aquecimento econ\u00f4mico n\u00e3o se sustenta no mesmo n\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mudou na economia depois da grava\u00e7\u00e3o da JBS?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse governo queria ser lembrado pela hist\u00f3ria como reformista. Ficou entendido na \u00e9poca em que Temer assumiu que sua sobreviv\u00eancia no cargo dependeria do desempenho da economia, do rearranjo das contas e da volta do crescimento. Agora, mesmo que ele fique na cadeira, o presidente dever\u00e1 se dedicar \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, o que necessariamente deve acabar colocando a agenda econ\u00f4mica, ainda carente de cuidados, em segundo plano. O governo Temer fez mais do que se imaginava em um ano, mas essa situa\u00e7\u00e3o mudou. Ainda \u00e9 preciso desatar o n\u00f3 das contas p\u00fablicas do Brasil. O risco \u00e9 voltarmos agora para o mesmo dilema do fim do governo da ex-presidente Dilma, um governo com contas que n\u00e3o fecham e sem for\u00e7a para resolver os problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto tempo os frutos do ajuste econ\u00f4mico resistir\u00e3o ao agravamento da crise pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que o que foi feito de ajuste n\u00e3o aguentaria muito em um ambiente de paralisa\u00e7\u00e3o severa do governo, porque n\u00e3o haveria como levar adiante a quest\u00e3o reformista. Isso parece claro. No curto prazo, n\u00e3o tem nenhum grande impedimento para o Banco Central continuar cortando juros, o que \u00e9 \u00f3timo, mas temos um problema em m\u00e3os. H\u00e1 um teto de gastos que diz que a despesa tem de cair, ano ap\u00f3s ano, e uma despesa que representa 45% do total de gastos. A Previd\u00eancia vai continuar sendo a maior despesa do governo e continua crescendo, enquanto o conjunto das despesas tem de cair. Essa conta n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 mais preocupante?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse governo apresentou uma s\u00e9rie de reformas, mas ningu\u00e9m foi \u00e0s ruas discutir a reforma da Previd\u00eancia. A popula\u00e7\u00e3o, de maneira geral, tem estado ausente do ajuste econ\u00f4mico \u2013 e ningu\u00e9m perguntou para as pessoas se elas gostavam das reformas que foram propostas. \u00c9 um programa de grande impacto e import\u00e2ncia, mas que veio de cima para baixo. A quest\u00e3o \u00e9 que no ano que vem as for\u00e7as pol\u00edticas tradicionais estar\u00e3o destru\u00eddas. Lembra um pouco o momento pelo qual a Fran\u00e7a acabou de passar. L\u00e1, os partidos tradicionais estavam combalidos e abriu-se espa\u00e7o para um movimento centrista. No caso dos franceses, evitou-se o pior resultado, de uma guinada radical na pol\u00edtica e na economia. Mas as alternativas que come\u00e7am a aparecer no Brasil para o ano que vem dificilmente ir\u00e3o se comprometer com um programa de ajuste econ\u00f4mico como o que estava em marcha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo entre os partidos que hoje comp\u00f5em a base aliada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil achar algu\u00e9m que defenda esse tipo de ideia no Brasil, porque s\u00e3o propostas que ainda n\u00e3o encontram qualquer eco na popula\u00e7\u00e3o. O PSDB foi colocado no espectro assim. Em qualquer lugar do mundo n\u00e3o seria, mas a pessoa que vier com o discurso liberal no Brasil tem chance zero de se eleger. Os pol\u00edticos, em geral, tendem a falar de ajustes quando a \u00e1gua come\u00e7a a subir, n\u00e3o costuma ser um discurso para anos de elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com todo esse contexto de incerteza, o mercado reage com serenidade. Isso n\u00e3o \u00e9 curioso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho surpreendente n\u00e3o ter piorado tanto quanto poderia piorar. A piora de humor seria muito bem fundamentada. Eu n\u00e3o tenho uma vis\u00e3o t\u00e3o tranquila quanto o mercado do que est\u00e1 acontecendo. Aparentemente, aquela onda inicial de ren\u00fancia parece ter passado. Agora, com a decis\u00e3o do TSE, ele continua como presidente e a crise vai sendo empurrada, enquanto ele luta pela sobreviv\u00eancia. O foco n\u00e3o estar\u00e1 nas reformas, a trabalhista deve passar, mas a C\u00e2mara j\u00e1 tinha dificuldades de aprovar a da Previd\u00eancia mesmo antes do esc\u00e2ndalo Joesley. A gente agora j\u00e1 fala que se passar a idade m\u00ednima est\u00e1 bom. Mas n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o horizonte para 2018?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pa\u00eds pode acabar voltando atr\u00e1s nessa hist\u00f3ria do teto dos gastos p\u00fablicos. A fragilidade institucional do Brasil ainda permite que algum aventureiro apare\u00e7a no ano que vem para nos levar para um outro caminho. Falar de controle da infla\u00e7\u00e3o, de crescimento respons\u00e1vel, de juros ainda vai ser um grande problema para qualquer candidato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota &#8211; Mat\u00e9ria publicada no O Estado de S. Paulo em 10 de junho 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foto: GABRIELA BILO | ESTADAO CONTEUDO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ex-diretor do BC, enfraquecimento de Temer pode levar governo a deixar recupera\u00e7\u00e3o da economia em segundo plano Para o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, o governo de Michel Temer corre o risco de colocar a sobreviv\u00eancia do presidente no cargo acima da recupera\u00e7\u00e3o da economia. 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