﻿{"id":37963,"date":"2017-07-01T21:57:24","date_gmt":"2017-07-01T21:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=37963"},"modified":"2017-07-01T21:57:24","modified_gmt":"2017-07-01T21:57:24","slug":"a-tragica-historia-de-amor-descoberta-em-um-antigo-cemiterio-judaico-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=37963","title":{"rendered":"A TR\u00c1GICA HIST\u00d3RIA DE AMOR DESCOBERTA EM UM ANTIGO CEMIT\u00c9RIO JUDAICO NA \u00cdNDIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-37708\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_1.jpg\" alt=\"293_especial_1_1\" width=\"387\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_1.jpg 615w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_1-228x111.jpg 228w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_1-513x250.jpg 513w\" sizes=\"(max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/a>Kumari fazendo a limpeza do cemit\u00e9rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, os judeus de Bagd\u00e1 eram um dos principais grupos de mercadores em atividade na \u00c1sia. Na cidade portu\u00e1ria de Chennai &#8211; ou Madras, como ela se chamava antes &#8211; o correspondente da BBC Andrew Whitehead encontrou os \u00faltimos vest\u00edgios da presen\u00e7a judaica no local: um cemit\u00e9rio. E ao se deparar com o t\u00famulo de uma jovem chamada Victoria M Sofaer, o jornalista acabou resgatando do passado uma tr\u00e1gica hist\u00f3ria de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ia ser f\u00e1cil encontrar o cemit\u00e9rio &#8211; tinham dito a ele. O lugar fica escondido, encoberto pelas barracas em uma rua onde existe uma feira movimentada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrela de Davi, perto da entrada, foi sua guia. Os port\u00f5es tinham sido recentemente pintados de azul e, neles, uma placa trazia as palavras Beit Ha Haim &#8211; em hebraico, &#8220;A Casa da Vida&#8221;. Ou seja, um cemit\u00e9rio judaico.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-37711\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_2.jpg\" alt=\"293_especial_1_2\" width=\"333\" height=\"162\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_2.jpg 615w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_2-228x111.jpg 228w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_2-513x250.jpg 513w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>L\u00ea-se Beit Ha Haim (&#8220;A Casa da Vida&#8221; em hebraico) na frente do cemit\u00e9rio (foto Andrew Whitehead)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Port\u00e3o azul<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os port\u00f5es estavam trancados a cadeado. Com um sinal, uma das feirantes indicou a ele que esperasse. Pegou o celular e, enquanto outra mulher lhe trazia uma cadeira, disse: &#8220;Ela vem vindo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meia hora mais tarde, Kumari apareceu, trazendo nas m\u00e3os um molho de chaves. Logo o jornalista estava dentro do pequeno cemit\u00e9rio, com cerca de 80 metros quadrados e um ar um tanto quanto solit\u00e1rio, embora bem cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A respons\u00e1vel era provavelmente Kumari, que, com energia, come\u00e7ou a varrer folhas acumuladas sobre as l\u00e1pides.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sinagoga da antiga Madras foi demolida d\u00e9cadas atr\u00e1s. Hoje, n\u00e3o h\u00e1 uma comunidade judaica na cidade, apenas uns poucos indiv\u00edduos, informam os moradores. O cemit\u00e9rio \u00e9 tudo o que restou, e mesmo assim j\u00e1 mudou de endere\u00e7o duas vezes ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as poucas sepulturas sobreviventes, a maior \u00e9 a de Abraham Salomons, um mercador morto em 1745.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m h\u00e1 um punhado de sepulturas datando do s\u00e9culo 20. Uma chamou a aten\u00e7\u00e3o do jornalista: a de uma mulher que morreu em 1943, como vinte e poucos anos. Qual era a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da morte prematura de Victoria M Sofaer?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-37709\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_3.jpg\" alt=\"293_especial_1_3\" width=\"248\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_3.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_3-96x135.jpg 96w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_3-179x250.jpg 179w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><\/a>Fam\u00edlia n\u00e3o sabia onde Victoria Sofaer havia sido enterrada (foto: Andrew Whitehead)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dado curioso \u00e9 que sua fam\u00edlia n\u00e3o sabia onde ela havia sido enterrada, nem a forma ou o lugar de sua morte. Pelo site, o jornalista procurou a sobrinha de Toyah. Por interm\u00e9dio dela, foi posto em contato com o meio-irm\u00e3o da jovem morta &#8211; Abraham, hoje com 94 anos, que vive em um lar para idosos em Toronto, no Canad\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abraham nasceu dois anos ap\u00f3s Toyah, e tinha sido o mais pr\u00f3ximo dela na fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos ficaram surpresos ao saber da exist\u00eancia da sepultura. E compartilharam com o jornalista a tr\u00e1gica hist\u00f3ria da vida &#8211; e morte &#8211; de Toyah. Uma hist\u00f3ria cercada de sil\u00eancio, mesmo dentro da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930, o pai de Toyah, Menashi, tinha sido o propriet\u00e1rio da British General Supply Store, um emp\u00f3rio de alimentos finos localizada em Bagd\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles importavam, entre outros produtos, queijo da Su\u00ed\u00e7a, brandy da Fran\u00e7a, cigarros dos Estados Unidos e chocolate da B\u00e9lgica. A suntuosa loja da fam\u00edlia ficava na rua Rashid, na \u00e9poca a principal rua da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta de 1940, Toyah se apaixonou por um homem de uma fam\u00edlia arm\u00eania que era propriet\u00e1ria de uma loja de roupas femininas do outro lado da rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia de Toyah descobriu, e seus pais ficaram decididos a acabar com o romance. Tentaram conseguir um noivo judeu para a filha, mas ela recusou todos os candidatos. Ent\u00e3o, embarcaram Toyah para longe &#8211; mais especificamente, para a \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, Abraham, o meio-irm\u00e3o de Toyah, estava vivendo em Bombaim para evitar prestar servi\u00e7o militar no Ex\u00e9rcito iraquiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de 1942, seus pais apareceram na cidade, acompanhados por Toyah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela estava em estado de choque, em sil\u00eancio completo. N\u00e3o me disse uma palavra&#8221;, recordou Abraham. &#8220;Aquilo me causou grande tristeza.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Foto Retocada<br \/>\n<a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_41.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37713\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_41.jpg\" alt=\"293_especial_1_4\" width=\"224\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_41.jpg 224w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_41-96x135.jpg 96w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/293_especial_1_41-178x250.jpg 178w\" sizes=\"(max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><em>Abraham (\u00e0 esq.) com os irm\u00e3os Elias e Jack &#8211; e sem Toyah, que antes aparecia no lado direito da foto, sobre o bra\u00e7o esquerdo de Elias (Arquivo pessoal).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um tempo, Toyah e os pais seguiram viagem. N\u00e3o lhe disseram para onde. Ent\u00e3o chegou a not\u00edcia de que a irm\u00e3 havia morrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais retornaram a Bagd\u00e1. Nunca falaram sobre o que se passara. Foi somente mais tarde que a av\u00f3 de Abraham lhe contou sobre o romance proibido de Toyah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Acredito que minha irm\u00e3 morreu de um cora\u00e7\u00e3o partido&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comovido pela hist\u00f3ria, o jornalista pediu \u00e0 fam\u00edlia uma foto de Toyah. Recebeu uma imagem antiga da fam\u00edlia, onde se viam tr\u00eas meninos. Toyah tinha sete anos de idade na \u00e9poca em que a foto fora tirada. Por que ela n\u00e3o fora inclu\u00edda na foto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela tinha sido inclu\u00edda, explicou a sobrinha de Toyah. Mas os pais retocaram a foto para retirar a imagem da filha. Fizeram isso para eliminar as lembran\u00e7as do esc\u00e2ndalo e da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra foto foi encontrada. Ela mostra uma menina de express\u00e3o s\u00e9ria, com cabelo despenteado. Ningu\u00e9m sabe ao certo se a jovem nessa foto \u00e9 mesmo Toyah. Hoje, mais de 70 anos ap\u00f3s sua morte, \u00e9 bem prov\u00e1vel que jamais descubram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O irm\u00e3o, Abraham, fica reconfortado ao saber que ela tem uma sepultura. E em poder conversar com a fam\u00edlia sobre o triste destino da irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, disse ele, houve um desfecho para o caso. E o reconhecimento p\u00fablico da tremenda injusti\u00e7a cometida contra sua irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma carta de agradecimento ao jornalista, a filha de Abraham disse: &#8220;Foi muito emocionante para n\u00f3s termos de volta a mem\u00f3ria de Toyah&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/emailmarketing.locaweb.com.br\/accounts\/28346\/messages\/523\/clicks\/641\/3670?envelope_id=72\" target=\"_blank\">noticias.uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kumari fazendo a limpeza do cemit\u00e9rio At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, os judeus de Bagd\u00e1 eram um dos principais grupos de mercadores em atividade na \u00c1sia. 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