﻿{"id":38441,"date":"2017-08-05T19:20:53","date_gmt":"2017-08-05T19:20:53","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=38441"},"modified":"2017-08-05T19:20:53","modified_gmt":"2017-08-05T19:20:53","slug":"livros-ceu-subterraneo-de-paulo-rosenbaum-e-santuarios-heterodoxos-de-luis-sergio-krausz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=38441","title":{"rendered":"LIVROS &#8211; &#8220;C\u00c9U SUBTERR\u00c2NEO&#8221; DE PAULO ROSENBAUM E \u201cSANTU\u00c1RIOS HETERODOXOS&#8221; DE LUIS S\u00c9RGIO KRAUSZ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">C\u00c9U SUBTERR\u00c2NEO &#8211; POR HAROM GAMAL<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-align: justify; line-height: 1.5;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38494\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_1.png\" alt=\"295_fique_1_1\" width=\"167\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_1.png 167w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_1-90x135.png 90w\" sizes=\"(max-width: 167px) 100vw, 167px\" \/><\/a>C\u00e9u subterr\u00e2neo, de Paulo Rosenbaum, \u00e9 um romance ambientado durante a maior parte da narrativa em Israel. O narrador, Adam Mondale, no in\u00edcio do primeiro cap\u00edtulo, \u00e9 surpreendido pela chegada inesperada de uma dupla de policiais ao apartamento onde est\u00e1 hospedado, em Jerusal\u00e9m. Um deles entrega-lhe um papel e diz: \u201c\u2014 Precisamos de seu passaporte, a\u00ed explica que ele ser\u00e1 retido temporariamente\u201d. Neste momento ainda nada sabemos sobre Mondale, nem mesmo o que este psic\u00f3logo brasileiro faz em Israel, temos conhecimento apenas de que se trata de um estrangeiro e que seu \u00fanico documento, o passaporte que, como o pr\u00f3prio nome indica, lhe permitiria entrar e sair do pa\u00eds, n\u00e3o mais se encontra em seu poder. No final do primeiro cap\u00edtulo, em forma de flashback, come\u00e7amos a ser informados sobre a hist\u00f3ria do personagem e, pouco a pouco, dos motivos de sua viagem a Israel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o da narrativa pode transitar por v\u00e1rias vias, e a exiguidade de uma resenha n\u00e3o permite trilhar todos esses caminhos. Num primeiro momento, deparamo-nos com um personagem judeu, mas algu\u00e9m que n\u00e3o se sente ligado ao juda\u00edsmo, trata-se de um deslocado do meio religioso, no m\u00e1ximo um judeu cultural. Em segundo, este homem, Adam Mondale, \u00e9 um ser em constante muta\u00e7\u00e3o. Ele exonera-se do cargo de diretor de uma conceituada universidade brasileira decidindo deixar tudo para tr\u00e1s e parte, quase como um n\u00f4made, para Israel. O que ele busca? Pouco a pouco vamos descobrindo, e \u00e9 bom que o leitor acompanhe o percurso e as descobertas deste personagem, ora em conflito consigo mesmo, ora com o mundo. Mesmo em territ\u00f3rio judeu, desde sua chegada ele \u00e9 um estrangeiro, isto \u00e9, mostra-se avesso \u00e0 integra\u00e7\u00e3o a qualquer tipo de grupo de judeus. O qu\u00ea, na verdade, ele descobre? Que todos \u00e0 sua volta s\u00e3o, at\u00e9 certo ponto, estrangeiros, como o motorista de t\u00e1xi que o transporta. S\u00e3o judeus iraquianos, marroquinos, iemenitas e russos. Ent\u00e3o, ele pergunta: \u201c\u2014 E os motoristas israelenses?\u201d. Eis a resposta da boca de um deles: \u201c\u2014 Desde a funda\u00e7\u00e3o de Israel, milh\u00f5es de judeus foram expulsos e exilados, a maioria de pa\u00edses \u00e1rabes. Para n\u00f3s, e para os russos, restou dirigir, mas n\u00e3o reclamo\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas palavras do texto acima s\u00e3o conhecidas do povo judeu. A primeira delas \u00e9 ex\u00edlio. No percurso por Jerusal\u00e9m, Tel Aviv e Hebron, o que mais Mondale descobre s\u00e3o personagens exilados, tenham eles consci\u00eancia disso ou n\u00e3o. Caso n\u00e3o sejam exilados dos pa\u00edses de origem, s\u00e3o exilados devido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que os encerra. Israel surge como uma Babel distorcida, onde a religi\u00e3o apresenta-se como uma esp\u00e9cie de l\u00edngua universal a tentar estabelecer sentido entre todos. Mas ela, a religi\u00e3o, seria suficiente para esta miss\u00e3o? Nem tanto, o que se observa s\u00e3o personagens \u201cdesfilhados\u201d, como afirma Berta Waldman no pr\u00f3logo quando se refere a Mondale. Mas n\u00e3o h\u00e1 apenas ele. No seu p\u00e9riplo para tentar desvendar o mist\u00e9rio da Makhpel\u00e1 (gruta onde estariam enterrados os patriarcas), ele depara-se com gente semelhante a ele, como Michel Haas, diretor do Museu Rockfeller, Amy (famosa escritora de livros juvenis), e at\u00e9 mesmo Amos Oz, com quem o narrador conversa ao telefone, numa pretenciosa entrevista sobre literatura. De tudo isso, transparece a caracter\u00edstica escorregadia da condi\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser judeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda palavra \u00e9 dirigir. Porque a maior parte dos judeus sempre est\u00e1 dirigindo suas ora\u00e7\u00f5es a Deus. Al\u00e9m disso, o ato de ser judeu compete em ter sempre algum tipo de dire\u00e7\u00e3o, ou direcionamento. A pr\u00f3pria volta a Israel estaria nesta linha de interpreta\u00e7\u00e3o. No entanto, quem garante que neste entendimento encontra-se a solu\u00e7\u00e3o dos problemas? O que resta a Mondale \u00e9 uma esp\u00e9cie de melancolia. Mas mesmo assim ele tem uma dire\u00e7\u00e3o a seguir. Guiado por uma imagem, uma deforma\u00e7\u00e3o de um negativo de fotografia, Adam est\u00e1 em busca de um elo perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realidade virtual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto cabe um par\u00eantese. A realidade virtual tamb\u00e9m se mostra presente no livro. Tendo em vista o que este narrador procura em Israel, esta realidade n\u00e3o estaria distante das revela\u00e7\u00f5es religiosas. No Museu Rockfeller h\u00e1 a descri\u00e7\u00e3o minuciosa de um engenho capaz de trazer luz e desvendar os mais obscuros mist\u00e9rios relativos ao universo da fotografia e da gera\u00e7\u00e3o de imagens. Operando um aparelho conhecido por poucos, o diretor do museu revela a Adam n\u00e3o apenas o alto n\u00edvel de segredo de todo aquele maquin\u00e1rio, mas tamb\u00e9m como o equipamento funciona, presenciando os dois a fabulosa imagem criada a partir do negativo levado por Mondale, o que o faz acreditar na revela\u00e7\u00e3o de um mist\u00e9rio referente aos prim\u00f3rdios da humanidade. A cena perdura por toda a noite e boa parte da madrugada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Rosenbaum foi contemplado com uma bolsa para viajar a Israel e escrever um romance, no que ele \u00e9 muito bem-sucedido. Ele mescla na narrativa o mist\u00e9rio inerente \u00e0 religi\u00e3o, envolve em sua hist\u00f3ria personagens hist\u00f3ricos e c\u00e9lebres, como Moshe Dayan, Golda Meir, o j\u00e1 citado Amos Oz, e at\u00e9 mesmo militares que teriam participado de uma fracassada tentativa de expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e0 gruta de Makhpel\u00e1. A quest\u00e3o palestina e o terrorismo tamb\u00e9m n\u00e3o ficam de fora da trama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa permite discuss\u00e3o sobre literatura, assunto caro a muitos autores contempor\u00e2neos. Adam, al\u00e9m de ser um psic\u00f3logo especialista em comportamento animal, tamb\u00e9m revive o desejo de voltar a ser poeta, como j\u00e1 o havia tentado na juventude, sobretudo, toma esta decis\u00e3o ap\u00f3s aborrecer-se durante muitos anos no ambiente acad\u00eamico de sua universidade. Mas ele encontra-se dividido, ao mesmo tempo que \u00e9 um escritor, tamb\u00e9m \u00e9 um homem que parte \u00e0 terra prometida com o objetivo de revelar um mist\u00e9rio relacionado ao que est\u00e1 escrito nos livros sagrados, como na pr\u00f3pria Tor\u00e1. Assim, como a linguagem da poesia caracteriza-se pela polifonia e pela plurissignifica\u00e7\u00e3o, os signos religiosos procurados por Mondale tamb\u00e9m se deslocam, construindo diversos arcabou\u00e7os sem\u00e2nticos. Ainda no universo dos personagens de Rosenbaum envolvidos na explora\u00e7\u00e3o da gruta, todos se mostram mudados ap\u00f3s o evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se, para finalizar, levantar-se a seguinte quest\u00e3o: o que levaria a literatura ter nacionalidade? Bastaria o idioma em que os textos foram escritos para dizer que se trata de literatura brasileira, portuguesa, francesa, hebraica, etc.? H\u00e1 muita discuss\u00e3o sobre esse ponto, o resultado apresenta cada vez mais d\u00favidas, quest\u00f5es desdobram-se sobre quest\u00f5es. \u00c9 certo afirmar, no entanto, que C\u00e9u subterr\u00e2neo destaca-se por certificar que muitos escritores brasileiros fazem parte de uma literatura que poder\u00edamos chamar de mundial, literatura que ultrapassa as fronteiras de cada na\u00e7\u00e3o. Alguns poderiam insinuar que se trata de literatura judaica. Neste caso, ser\u00edamos todos judeus.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>OBRA DE LUIS S\u00c9RGIO KRAUSZ ANALISA EMANCIPA\u00c7\u00c3O JUDAICA ATRAV\u00c9S DA LITERATURA<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-38495\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_2.jpg\" alt=\"295_fique_1_2\" width=\"614\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_2.jpg 614w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_2-228x123.jpg 228w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/295_fique_1_2-462x250.jpg 462w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro \u201cSantu\u00e1rios Heterodoxos \u2013 Subjetividade e Heresia na Literatura Judaica da Europa Central\u201d (Edusp), Luis S\u00e9rgio Krausz, professor da USP, seleciona dez escritores dos s\u00e9culos 17 a 20 para compreender a emancipa\u00e7\u00e3o dos judeus da Europa Central. Quando Shabtai Zvi (1626-1676) se apresentou ao mundo como o t\u00e3o esperado Messias dos judeus, em 1648, deu in\u00edcio a uma revolu\u00e7\u00e3o imprevista. N\u00e3o porque seus planos tenham dado certo: capturado em Constantinopla, teve de se converter ao islamismo diante do sult\u00e3o para salvar a pr\u00f3pria vida, encerrando precocemente a heresia sabata\u00edsta. A grande contribui\u00e7\u00e3o de Shabtai Zvi foi disparar uma crise religiosa como nunca se tinha visto entre a comunidade judaica exilada na Europa, abrindo caminho para o questionamento da f\u00e9 e da tradi\u00e7\u00e3o. Ou seja, dando o empurr\u00e3o para a entrada dos judeus europeus na modernidade.<br \/>\nEssa an\u00e1lise \u00e9 o ponto de partida de Santu\u00e1rios Heterodoxos (Edusp, 2017), livro do professor de Literatura Hebraica e Judaica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP Luis S\u00e9rgio Krausz. O autor seleciona obras de dez escritores de entre os s\u00e9culos 17 e 20 para compreender a emancipa\u00e7\u00e3o dos judeus da Europa Central, sua inser\u00e7\u00e3o na moderna e iluminista sociedade europeia e o surgimento de uma subjetividade desvencilhada da tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica.<br \/>\nCom a centralidade do referencial religioso abalada pela frustra\u00e7\u00e3o sabata\u00edsta, uma subjetividade individual come\u00e7a a emergir, alimentada pelo encontro do juda\u00edsmo rab\u00ednico da Alemanha e Holanda com as pr\u00e1ticas e ideias dos marranos, judeus da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica convertidos \u00e0 for\u00e7a ao catolicismo e que mantinham clandestinamente sua religi\u00e3o e costumes. O advento do \u201cjudeu de corte germ\u00e2nico\u201d, que prestava servi\u00e7os aos nobres crist\u00e3os gra\u00e7as ao seu poder econ\u00f4mico e por isso tinha uma vida social fora do gueto, tamb\u00e9m estimula o pensamento liberto das prescri\u00e7\u00f5es rab\u00ednicas.<br \/>\nEsses prim\u00f3rdios do \u201cjudeu moderno\u201d, como define Krausz, come\u00e7am a aparecer na primeira obra analisada, Zichronos Meret Gilkl Hamil, a autobiografia de Gl\u00fcckl von Hameln. Escrita no s\u00e9culo 17 para ser deixada como livro de mem\u00f3rias e ensinamentos para a fam\u00edlia, foi publicada s\u00f3 em 1896 por descendentes da autora. Vivendo no per\u00edodo da heresia sabata\u00edsta, Gl\u00fcckl von Hameln captura ao mesmo tempo as preocupa\u00e7\u00f5es da comunidade judaica do ex\u00edlio europeu, habitante do gueto \u00e0 espera do Messias, e a aurora de um pensamento individual.<br \/>\nConforme analisa Krausz, o livro \u201ccoincide com um primeiro \u00edmpeto da sociedade judaica em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o na sociedade europeia, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o. Se nele o sentido de subjetividade parece encontrar-se sempre submetido \u00e0s cren\u00e7as religiosas, as experi\u00eancias individuais narradas s\u00e3o capazes de levar a autora e seus leitores \u00e0 perplexidade. Tais narrativas invariavelmente s\u00e3o acompanhadas de um subtexto que reitera, com temor, a fidelidade \u00e0s leis religiosas e, ao mesmo tempo, a aceita\u00e7\u00e3o estoica do destino, mas tamb\u00e9m parecem esbo\u00e7ar d\u00favidas quanto \u00e0 validade universal dessas cren\u00e7as, o que torna a postura narrativa de Gl\u00fcckl von Hameln emblem\u00e1tica da situa\u00e7\u00e3o dos judeus \u00e0 \u00e9poca dos pren\u00fancios da emancipa\u00e7\u00e3o e da assimila\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nAs d\u00favidas quanto ao abandono da religiosidade e das tradi\u00e7\u00f5es desaparecem na autobiografia do polon\u00eas Salomon Maimon (1752-1800), Lebensgeschichte. Aqui, o otimismo iluminista faz do gueto lugar para ser esquecido, exemplo de opress\u00e3o e sufocamento. Segundo Krausz, Maimon funda uma corrente de autores que, \u201cpersuadidos pelas promessas do Iluminismo, fazem a apologia de uma travessia em dire\u00e7\u00e3o ao novo continente da modernidade burguesa, e a ela atribuem poderes redentores que se aproximam dos projetados sobre o advento da reden\u00e7\u00e3o, durante os s\u00e9culos de isolamento, no pensamento messi\u00e2nico\u201d.<br \/>\nSe a obra de Maimon enfatiza a liberdade social trazida pela fuga do gueto, as cartas de Rahel Levin Varnhagen (1771-1833) s\u00e3o um grito a favor dos sentimentos particulares, o que aproxima a autora do movimento rom\u00e2ntico alem\u00e3o Sturm und Drang (Tempestade e \u00cdmpeto). Nesse sentido, a Gef\u00fchlskultur (cultura dos sentimentos), que se liberta da tradi\u00e7\u00e3o religiosa crist\u00e3 e passa a cumprir pap\u00e9is que antes eram de inst\u00e2ncias superiores transcendentes e inalcan\u00e7\u00e1veis, tamb\u00e9m trava as mesmas batalhas junto ao judeu moderno.<br \/>\n\u201cEsse esp\u00edrito rom\u00e2ntico e seu neopaganismo em tudo se contrap\u00f5em aos preceitos legalistas do juda\u00edsmo rab\u00ednico, fundamentados nos pressupostos do temor, do afastamento e da dist\u00e2ncia. A emancipa\u00e7\u00e3o judaica torna-se, nesse caso, sobretudo, a emancipa\u00e7\u00e3o dos sentimentos e das emo\u00e7\u00f5es, que instaura uma consci\u00eancia caracter\u00edstica da modernidade\u201d, afirma Krausz.<br \/>\nO livro mapeia, contudo, limites para essa emancipa\u00e7\u00e3o social e subjetiva. A crise de identidade e de pertencimento, conforme Krausz analisa em \u201cO Castelo\u201d, de Franz Kafka (1883-1924), parece demonstrar que a tradi\u00e7\u00e3o e o senso comunit\u00e1rio n\u00e3o podem ser facilmente substitu\u00eddos. Tendo sempre no horizonte o espectro dos movimentos nacionalistas e racistas que culminaram no Holocausto nazista, o professor discute o alcance do \u00c9dito de Toler\u00e2ncia de Jos\u00e9 II da \u00c1ustria, considerado \u00e0 \u00e9poca um avan\u00e7o na emancipa\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o dos judeus.<br \/>\n\u201cPropor aos judeus tornarem-se artes\u00e3os e proibir-lhes a aquisi\u00e7\u00e3o do grau de mestre; tornarem-se agricultores e proibir-lhes a propriedade de terras, talvez seja s\u00f3 uma outra maneira de lhes enviar as mesmas mensagens amb\u00edguas que chegam do castelo, por carta ou telefone, a um Sr. K cada vez mais perplexo e confuso.\u201d E Krausz conclui, em outro trecho: \u201cPerdido entre a esperan\u00e7a e a frustra\u00e7\u00e3o, o destino de quem est\u00e1 condenado \u00e0 eterna exclus\u00e3o do castelo pode ser resumido pela frase com que a mulher do estalajadeiro se dirige ao Sr. K.: \u2018O senhor n\u00e3o \u00e9 do castelo. O senhor n\u00e3o \u00e9 da aldeia. O senhor n\u00e3o \u00e9 nada\u2019\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00c9U SUBTERR\u00c2NEO &#8211; POR HAROM GAMAL C\u00e9u subterr\u00e2neo, de Paulo Rosenbaum, \u00e9 um romance ambientado durante a maior parte da narrativa em Israel. O narrador, Adam Mondale, no in\u00edcio do primeiro cap\u00edtulo, \u00e9 surpreendido pela chegada inesperada de uma dupla de policiais ao apartamento onde est\u00e1 hospedado, em Jerusal\u00e9m. 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