﻿{"id":40405,"date":"2017-11-18T17:04:29","date_gmt":"2017-11-18T17:04:29","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=40405"},"modified":"2017-11-18T17:18:27","modified_gmt":"2017-11-18T17:18:27","slug":"israel-sofre-discriminacao-ate-no-esporte-por-szyja-lorber-e-ari-zugman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=40405","title":{"rendered":"ISRAEL SOFRE DISCRIMINA\u00c7\u00c3O AT\u00c9 NO ESPORTE &#8211; POR SZYJA LORBER E ARI ZUGMAN"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_4_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-40407\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_4_1.jpg\" alt=\"302_ESPECIAL_4_1\" width=\"375\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_4_1.jpg 1024w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_4_1-187x135.jpg 187w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_4_1-346x250.jpg 346w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/a><strong><em>Foto: Gabriela Sabau\/International Judo Federation\/Facebook<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u00c9 lament\u00e1vel que um pa\u00eds que discrimina vergonhosamente atletas de outro pa\u00eds, at\u00e9 mesmo no momento da vit\u00f3ria,\u00a0mere\u00e7a sediar competi\u00e7\u00f5es esportivas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esporte costuma ser um mundo \u00e0 parte e aqueles que dedicam suas vidas a essa atividade n\u00e3o se incomodam com a origem \u00e9tnica, religiosa ou pol\u00edtica de seus competidores. Admiram a dedica\u00e7\u00e3o, o empenho e a supera\u00e7\u00e3o no ganho de um cent\u00e9simo de segundo, alguns mil\u00edmetros ou gramas, ou algo que diferencie um campe\u00e3o de um mero atleta. O esporte nada tem a ver com pol\u00edtica e assim deveria ser. Infelizmente, nem sempre esse princ\u00edpio elementar \u00e9 seguido \u00e0 risca. Certames esportivos e mesmo os Jogos Ol\u00edmpicos t\u00eam sido palco de rivalidades diplom\u00e1ticas que \u00e0s vezes abandonam o bom senso e a civilidade, e ultrapassam os limites do rid\u00edculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As organiza\u00e7\u00f5es esportivas internacionais deveriam banir pa\u00edses que n\u00e3o entendem o significado do desporto como intera\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos de povos e culturas distintas, e sua contribui\u00e7\u00e3o para a paz mundial. No dia 26 de outubro, mais uma vez, o ideal esportivo foi pisoteado e deixado sob as diferen\u00e7as pol\u00edticas entre pa\u00edses. Naquele dia, ao derrotar Nijat Shikhalizada, do Azerbaij\u00e3o, e vencer a etapa de Abu Dhabi do Grand Slam de Jud\u00f4, o judoca israelense Tal Flicker, da categoria at\u00e9 66 kg, sentiu isso na pele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A federa\u00e7\u00e3o de jud\u00f4 dos Emirados \u00c1rabes Unidos (UAE) se recusou a erguer a bandeira de Israel para os atletas do pa\u00eds vencedor, bem como a tocar seu hino. Antes, os israelenses foram proibidos de utilizar quimonos ou uniformes que identificassem seu pa\u00eds. Israel e os Emirados n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Por\u00e9m, em vez do esp\u00edrito esportivo, prevaleceu o \u00f3dio a Israel, que no mundo \u00e1rabe se reproduz em todos os setores onde a pol\u00edtica normalmente n\u00e3o tem espa\u00e7o. No p\u00f3dio, ao receber a medalha de ouro, sob o som do hino da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jud\u00f4, Flicker cantou sozinho o Hatikvah (\u201cA Esperan\u00e7a\u201d), hino de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Boicotar Israel \u00e9 quase uma tradi\u00e7\u00e3o em eventos com atletas de pa\u00edses isl\u00e2micos<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2009Al\u00e9m dele, a judoca israelense Gili Cohen, que ficou em terceiro lugar na categoria at\u00e9 52 kg no mesmo torneio, tamb\u00e9m n\u00e3o teve a bandeira do pa\u00eds estendida no p\u00f3dio. Um dia antes, a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jud\u00f4 havia enviado uma carta \u00e0 federa\u00e7\u00e3o dos Emirados \u00c1rabes solicitando que todas as delega\u00e7\u00f5es, incluindo a de Israel, fossem \u201ctratadas de forma igual em todos os aspectos\u201d. \u00c9 lament\u00e1vel que um pa\u00eds que discrimina vergonhosamente atletas de outro pa\u00eds, at\u00e9 mesmo no momento da vit\u00f3ria, mere\u00e7a sediar competi\u00e7\u00f5es esportivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo 2.\u00ba do C\u00f3digo de \u00c9tica da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Jud\u00f4 diz: \u201cN\u00e3o haver\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o entre os participantes com base em ra\u00e7a, g\u00eanero, origem \u00e9tnica, religi\u00e3o ou outros motivos\u201d. Abu Dhabi, Dubai e outros cinco emirados t\u00eam uma imagem cuja propaganda descreve um pa\u00eds desenvolvido, moderno e aberto ao mundo. Mas atr\u00e1s dessa m\u00e1scara esconde-se um regime ditatorial, opressivo, n\u00e3o democr\u00e1tico e preconceituoso. Na Alemanha nazista, judeus ou negros competindo nos Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao todo, 12 judocas israelenses disputaram o Grand Slam de Abu Dhabi, sete homens e cinco mulheres. Al\u00e9m do ouro de Flicker e do bronze de Gili Cohen, o pa\u00eds ainda levou mais tr\u00eas bronzes:\u2009Tohar Butbul (at\u00e9 73 kg), Peter Paltchik (at\u00e9 100 kg) e Or Sasson (acima de 100 kg). Neste caso de Abu Dhabi, que ainda dificultou a entrada dos atletas, chega a ser ir\u00f4nico que a arte marcial japonesa, cuja hist\u00f3ria tem 135 anos, tenha um nome que significa \u201ccaminho gentil\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atletas israelenses t\u00eam sido alvos de discrimina\u00e7\u00f5es constrangedoras; o caso de Abu Dhabi n\u00e3o \u00e9 novidade. Boicotar Israel \u00e9 quase uma tradi\u00e7\u00e3o em eventos com atletas de pa\u00edses isl\u00e2micos. Eles se recusam a competir, ou, quando competem, n\u00e3o os cumprimentam. Tal atitude dos Emirados \u00c1rabes aos israelenses n\u00e3o \u00e9 novidade. Em 2009, o mesmo pa\u00eds negou visto de entrada a Shahar Peer, o que levou a Associa\u00e7\u00e3o Mundial de T\u00eanis a multar Dubai em US$ 300 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta Ol\u00edmpica \u00e9 clara: \u201cqualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o que diga respeito a um pa\u00eds ou a uma pessoa em termos de ra\u00e7a, religi\u00e3o, pol\u00edtica, g\u00eanero ou outra \u00e9 incompat\u00edvel com a associa\u00e7\u00e3o ao Movimento Ol\u00edmpico\u201d. O esp\u00edrito ol\u00edmpico irradia cordialidade, mas a realidade \u00e9 outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/politica-e-esporte-sempre-andarao-juntos-o-importante-e-saber-usar-isso-9q5nifsxlldjoa51jwq61sura\" target=\"_blank\">Pol\u00edtica e esporte sempre andar\u00e3o juntos; o importante \u00e9 saber usar isso (artigo de Ubiratan Leal, publicado em 27 de junho de 2017)<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/israel-perde-a-guerra-para-o-marketing-da-morte-ebefwfz6d2qzbe1kymf8zu0y6\" target=\"_blank\">Israel perde a guerra para o marketing da morte (artigo de Antonio Carlos Coelho, publicado em 28 de julho de 2014)<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lista de grosserias nos esportes \u00e9 longa e nem os Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro, em 2016, escaparam. Naquela ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m no jud\u00f4, o eg\u00edpcio Islam Al Shehaby lutou contra o israelense Or Sasson e foi derrotado. Recusou o aperto de m\u00e3o do oponente mesmo tendo os dois pa\u00edses rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, a judoca saudita Joud Fahmy n\u00e3o disputou uma luta prevista contra Christianne Legentil, das Ilhas Maur\u00edcio. Antes da luta, anunciaram que ela tinha \u201cmachucado os bra\u00e7os e as pernas no treinamento\u201d. Dando uma olhada na chave, ficou evidente que o motivo era outro. Se vencesse a advers\u00e1ria, a saudita enfrentaria a israelense Gili Cohen. A Ar\u00e1bia Saudita e Israel n\u00e3o mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, o reino n\u00e3o autoriza seus habitantes a visitar Israel e n\u00e3o concede visto a israelenses. Mas o primeiro incidente no Rio 2016 ocorreu no dia da abertura dos Jogos. Atletas libaneses rejeitaram a presen\u00e7a de atletas israelenses no mesmo \u00f4nibus que os levaria ao Maracan\u00e3. Oficialmente, L\u00edbano e Israel est\u00e3o em guerra. O chefe da delega\u00e7\u00e3o libanesa exigiu que o motorista fechasse a porta do \u00f4nibus para impedir a entrada dos israelenses, cuja delega\u00e7\u00e3o acabou indo para o est\u00e1dio em outro \u00f4nibus. A Carta Ol\u00edmpica levou uma rasteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conflitos semelhantes com israelenses aconteceram em outras edi\u00e7\u00f5es dos Jogos Ol\u00edmpicos. Em 2004, em Atenas, o judoca iraniano Arash Miresmaeili n\u00e3o quis lutar contra o advers\u00e1rio israelense e foi recompensado pelo Ir\u00e3 com um pr\u00eamio de US$ 115 mil, soma normalmente reservada aos vencedores. E o nadador iraniano Mohamed Ali Rezaei boicotou provas em dois campeonatos mundiais devido \u00e0 presen\u00e7a de israelenses na piscina. Em 2013, num torneio no Uzbequist\u00e3o, o tenista tunisiano Malek Jaziri recebeu advert\u00eancia de sua federa\u00e7\u00e3o para n\u00e3o jogar contra o israelense Amir Weintraub, como previa a chave. A proibi\u00e7\u00e3o a Jaziri repetiu-se em 2015, no torneio de Montpellier, sul da Fran\u00e7a, contra o tenista de Israel Dudi Sela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pequeno alento nisso foi o fato de funcion\u00e1rios da Associa\u00e7\u00e3o de Jud\u00f4 dos Emirados \u00c1rabes pedirem desculpas posteriores, deixando a expectativa, ainda n\u00e3o confirmada, de que os s\u00edmbolos israelenses sejam permitidos numa pr\u00f3xima vez. Derrubar barreiras para maior toler\u00e2ncia entre as na\u00e7\u00f5es, incentivando a amizade e a solidariedade, expressam os reais valores do desporto. A indigna\u00e7\u00e3o internacional tamb\u00e9m \u00e9 importante para que essas flagrantes discrimina\u00e7\u00f5es terminem e desapare\u00e7am da hist\u00f3ria dos esportes no mundo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Szyja Lorber \u00e9 jornalista e assessora institui\u00e7\u00f5es da comunidade israelita do Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ari Zugman \u00e9 empres\u00e1rio e presidente da Federa\u00e7\u00e3o Israelita do Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/\" target=\"_blank\">www.gazetadopovo.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Gabriela Sabau\/International Judo Federation\/Facebook \u00c9 lament\u00e1vel que um pa\u00eds que discrimina vergonhosamente atletas de outro pa\u00eds, at\u00e9 mesmo no momento da vit\u00f3ria,\u00a0mere\u00e7a sediar competi\u00e7\u00f5es esportivas. 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