﻿{"id":40424,"date":"2017-11-18T17:04:29","date_gmt":"2017-11-18T17:04:29","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=40424"},"modified":"2017-11-18T17:18:27","modified_gmt":"2017-11-18T17:18:27","slug":"hipocrates-e-a-funcao-da-historia-da-medicina-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=40424","title":{"rendered":"HIP\u00d3CRATES E A FUN\u00c7\u00c3O DA HIST\u00d3RIA DA MEDICINA?- POR PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-40426\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_1.jpg\" alt=\"302_ESPECIAL_1_1\" width=\"206\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_1.jpg 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_1-137x135.jpg 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_1-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><\/a>Aforismos, de Hip\u00f3crates, que o leitor tem agora em m\u00e3os, \u00e9 provavelmente uma das obras mais compiladas, reproduzidas e reeditadas da historiografia m\u00e9dica.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-40425\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_2.jpg\" alt=\"302_ESPECIAL_1_2\" width=\"266\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_2.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_2-135x135.jpg 135w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_2-250x250.jpg 250w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/302_ESPECIAL_1_2-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que serve a hist\u00f3ria da medicina? Segundo Tem\u00adkin[2] ela foi, durante s\u00e9culos, &#8220;n\u00e3o s\u00f3 uma disciplina a mais nos curr\u00edculos dos estudantes de medicina, mas a principal mat\u00e9ria na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica&#8221;. Para Charles Daremberg[3], a hist\u00f3ria da medicina \u00e9 o arquivo que cont\u00e9m os &#8220;registros de todas as expe\u00adri\u00eancias m\u00e9dicas, incluindo os erros e os acertos de quase todos esses per\u00edodos&#8221;. Numa era em que as opini\u00f5es e as especula\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas parecem contar pouco e as evid\u00eancias cient\u00edficas tudo, torna-se vital repensar novamente o valor da hist\u00f3ria da medicina e o estatuto das ci\u00eancias humanas nos cursos de educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. Pode-se tra\u00e7ar uma linhagem de racioc\u00ednio clinico que \u00e9 inaugurada por Hip\u00f3crates e que deixa uma longeva descend\u00eancia que percorreu as mais variadas correntes da iatrofilosofia, a filosofia m\u00e9dica representados por m\u00e9dicos e suas escolas como Galeno, Paracelso, A escola M\u00e9dica de Salerno, Van Helmont, Sthal, Boissier de Sauvages e a Escola M\u00e9dica de Montpellier, Hahnemann, Cannon, Maranon chegando aos neohipocr\u00e1ticos do s\u00e9culo XX. Heran\u00e7a que num aparente paradoxo chega at\u00e9 a contemporaneidade com as mais modernas tecnologias, que, agora, enunciam que a individualiza\u00e7\u00e3o dos tratamentos pode ser a chave para a efic\u00e1cia e seguran\u00e7a e a aten\u00e7\u00e3o ao sujeito a chave para o Cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAforismo\u201d \u00e9 uma palavra de origem grega, aphorism\u00f3s, cuja etimologia significa \u201cdelimita\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cdistin\u00e7\u00e3o\u201d, &#8220;separa\u00e7\u00e3o&#8221;. Segundo o historiador da medicina Fielding H. Garrisson[4], os aforismos m\u00e9dicos tornaram-se muito populares entre m\u00e9dicos e pupilos pela forma sint\u00e9tica, pr\u00e1tica e de f\u00e1cil leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora menos populares, tamb\u00e9m ficaram famosos os aforismos da Escola M\u00e9dica de Salerno, que tiveram algum impacto na bibliografia m\u00e9dica. Era comum e at\u00e9 tradicional que teses de medicina defendidas nos s\u00e9culos xviii e xix inclu\u00edssem aforismos e, em sua maioria, envolvessem cita\u00e7\u00f5es dessas senten\u00e7as hipocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aforismos, de Hip\u00f3crates, que o leitor tem agora em m\u00e3os, \u00e9 provavelmente uma das obras mais compiladas, reproduzidas e reeditadas da historiografia m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia muito tempo que o p\u00fablico de l\u00edngua portuguesa pedia uma nova edi\u00e7\u00e3o dos Aforismos, que inclu\u00edsse uma nova e cuidadosa tradu\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso desta obra, realizada pelo dr. Joffre Marcondes de Rezende[5]. As j\u00e1 elaboradas e publicadas anteriormente, como a edi\u00e7\u00e3o de Recife, impressa em 1957[6], e a edi\u00e7\u00e3o paulista de 1959[7], apesar de serem edi\u00e7\u00f5es corretas, apresentam pequenas \u2013 mas evidentes \u2013 distor\u00e7\u00f5es no processo de tradu\u00e7\u00e3o e eram pobremente referenciadas. Sabemos que toda pesquisa de tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ctranscriadora\u201d, e aporta uma vers\u00e3o de quem est\u00e1 transpondo significados e fazendo interpreta\u00e7\u00f5es. Mesmo assim \u2013 e n\u00e3o se trata de preciosismo filol\u00f3gico \u2013 jamais se poderia dispensar, como fonte prim\u00e1ria de consulta e cotejo, os originais gregos[8] e as vers\u00f5es em outros idiomas, como as m\u00faltiplas edi\u00e7\u00f5es publicadas nas l\u00ednguas inglesa e francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste valioso e curto espa\u00e7o reservado \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o, enfatizo os principais m\u00e9ritos da presente edi\u00e7\u00e3o. Antes de tudo, merece reconhecimento a iniciativa da rec\u00e9m-criada Editora Unifesp de tornar dispon\u00edvel para o p\u00fablico textos sobre a hist\u00f3ria da medicina, e a bastante acertada elei\u00e7\u00e3o, como prioridade editorial, destes Aforismos. Espera-se que esta publica\u00e7\u00e3o preencha uma importante lacuna do cat\u00e1logo editorial brasileiro. Desejo que o cat\u00e1logo se amplie incluindo, al\u00e9m dos cl\u00e1ssicos da medicina ocidental, uma amostra do conhecimento acumulado pela medicina tradicional chinesa, a medicina hindu, as praticas m\u00e9dicas integrativas, como a homeopatia e a antroposofia, s\u00f3 para citar aqueles que t\u00eam mais potencial para despertar o interesse dos estudantes de ci\u00eancias da sa\u00fade e democratizar as informa\u00e7\u00f5es num campo t\u00e3o carente como esse.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Distin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, algumas considera\u00e7\u00f5es que s\u00f3 fazem intensificar a import\u00e2ncia dos Aforismos: refiro-me \u00e0 sua pertin\u00eancia e \u00e0 sua atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Charles Lichtenthaeler[9], \u201ca hist\u00f3ria da medicina poderia ser resumida como retornos sucessivos a Hip\u00f3crates\u201d. Essa s\u00edntese j\u00e1 \u00e9 em si um importante aforismo, que merece reflex\u00e3o especialmente por ser verdade. De fato, se pensarmos no conhecimento (e revaloriza\u00e7\u00e3o) do saber emp\u00edrico, na capacidade observacional e na sistematiza\u00e7\u00e3o adquirida para narrar o que pode ser constatado a partir das evid\u00eancias cl\u00ednicas produzidas ou testemunhadas, tudo isso amplia sua consist\u00eancia. O \u201cretorno sucessivo a Hip\u00f3crates\u201d se d\u00e1 n\u00e3o porque h\u00e1 um desejo nost\u00e1lgico de reviver as obras desse patrono, mas porque ele resume o \u201cfazer\u201d da arte m\u00e9dica. \u00c9 isso que torna este livro obra \u00fanica e justifica completamente sua voca\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora pouco se saiba da vida do contempor\u00e2neo de S\u00f3crates e Dem\u00f3crito \u2013 as informa\u00e7\u00f5es vieram essencialmente de Plat\u00e3o e de eruditos alexandrinos do s\u00e9culo iii \u2013, h\u00e1 hoje consenso historiogr\u00e1fico e filol\u00f3gico de que a cole\u00e7\u00e3o hipocr\u00e1tica \u00e9 obra de muitos autores. O corpus foi ampliado por seus seguidores da escola de C\u00f3s \u2013 contempor\u00e2neos e sucessivos compiladores, al\u00e9m de gera\u00e7\u00f5es de comentaristas posteriores[10]. \u00c9 quase imposs\u00edvel definir e diferenciar o que \u00e9 a obra autoral do m\u00e9dico grego, das sucessivas gera\u00e7\u00f5es de textos ap\u00f3crifos que foram sendo acrescentadas. Hoje, a maioria dos historiadores de medicina admite que, dentre todos os textos, o que mais conserva tra\u00e7os originais do autor sejam essas pequenas senten\u00e7as. Pode-se dizer que, de certa maneira, todo corpus hipocraticum encontra sua s\u00edntese precisamente aqui, nos Aforismos[11].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3crates distribuiu-os de forma sequencial, mas o livro n\u00e3o \u00e9 estanque ou homog\u00eaneo. O que poderia ser somente mais uma desvantagem torna-se uma virtude, pois os assuntos se misturam e n\u00e3o se repetem, a n\u00e3o ser nas situa\u00e7\u00f5es de extrema import\u00e2ncia para a pr\u00e1tica m\u00e9dica. Apenas para se tornar mais fluente, o livro foi posteriormente dividido em se\u00e7\u00f5es[12]:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">a primeira se\u00e7\u00e3o abre com uma reflex\u00e3o filos\u00f3fica ampla, para em seguida falar sobre dieta e como enfrentar as crises e algumas doen\u00e7as agudas;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">a segunda com\u00adpreende aquilo que pertence ao corpo no estado de sa\u00fade e o conhecimento sobre os tipos de sa\u00fade do corpo como um todo e tamb\u00e9m de cada \u00f3rg\u00e3o especificamente;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">na terceira se\u00e7\u00e3o s\u00e3o expostos os v\u00e1rios tipos de doen\u00e7as, suas causas e consequ\u00eancias no estado geral do corpo e em cada um dos distintos aparelhos e \u00f3rg\u00e3os, al\u00e9m de evocar as influ\u00eancias clim\u00e1ticas (meteorobiologia) e meiopr\u00e1gicas como fatores importantes a serem considerados na an\u00e1lise cl\u00ednica;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">a quarta se\u00e7\u00e3o fala das febres, das indica\u00e7\u00f5es e contraindica\u00e7\u00f5es para fazer a purga\u00e7\u00e3o. O autor tamb\u00e9m se dedica \u00e0 l\u00f3gica cl\u00ednica e ao estabelecimento de normas e premissas para deduzir. Isso significa que Hip\u00f3crates mostra como correlacionar os eventos (queixas e sintomas) e us\u00e1-los para cada situa\u00e7\u00e3o, em cada sujeito, quer seja uma doen\u00e7a geral (sist\u00eamica) ou seja supostamente uma localizada em um \u00f3rg\u00e3o espec\u00edfico. Al\u00e9m disso, \u00e9 a se\u00e7\u00e3o em que ele ajuda o cl\u00ednico a fazer analogias para poder estabelecer e diferenciar patologias semelhantes (o diagn\u00f3stico diferencial);<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">na quinta se\u00e7\u00e3o, ele se encarrega de estabelecer as regras para o regime diet\u00e9tico adequado e conveniente para cada um dos \u00f3rg\u00e3os, fazendo correspond\u00eancias com cada \u00e9poca do ano e esta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. \u00c9 um esbo\u00e7o bem claro, se n\u00e3o essencial, do aspecto preventivista da medicina hipocr\u00e1tica;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">na sexta se\u00e7\u00e3o, estabelece regras gerais com as quais o m\u00e9dico deve cuidar de cada doente, de forma que o objetivo de devolver a sa\u00fade a quem a perdeu seja, enfim, alcan\u00e7ado. Al\u00e9m disso, encontram-se v\u00e1rios elementos de progn\u00f3sticos observacionais, que s\u00e3o surpreendentemente verific\u00e1veis para qualquer cl\u00ednico contempor\u00e2neo atento;<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">na s\u00e9tima se\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de prosseguir nos progn\u00f3sticos, exp\u00f5e o conhecimento de como os instrumentos e as ferramentas terap\u00eauticas (nutri\u00e7\u00e3o, medicamento e dose) podem e devem ser usadas para, cuidando de \u201cprimeiro nunca prejudicar\u201d, conservar a sa\u00fade e restabelec\u00ea-la quando for necess\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que o conjunto de aforismos de Hip\u00f3crates seja um dos livros mais populares da hist\u00f3ria da medicina, os leitores precisam saber que jamais se tratou de um patrim\u00f4nio exclusivo dos m\u00e9dicos. Foi a partir desta s\u00edntese de conhecimento que gera\u00e7\u00f5es de escritores, poetas, cientistas, fil\u00f3sofos e at\u00e9 estadistas deduziram e filtraram suas experi\u00eancias. O m\u00e9dico medieval hebreu Mois\u00e9s Ben Maimon, ou Maim\u00f4nides, afirma ter testemunhado que, desde a inf\u00e2ncia, muitos tinham o h\u00e1bito de decorar os aforismos nas escolas e confirma que \u201cmuitos aforismos s\u00e3o memorizados mesmo por quem n\u00e3o pratica a medicina\u201d. O nome e a obra de Hip\u00f3crates continuam, portanto, estritamente ligados ao desenvolvimento seminal da filosofia como \u00e9tica e pr\u00e1xis m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso, por exemplo, quando os aforismos abordam o tema da dieta e da nutri\u00e7\u00e3o, da import\u00e2ncia do exame corporal, da ideia fisiol\u00f3gica de enfermidade, da analogia entre a natureza (ph\u00fdsis) e o sujeito, dos limites e alcance \u00e9tico da arte de curar; tamb\u00e9m quando se fazem men\u00e7\u00f5es aos princ\u00edpios dos contr\u00e1rios e semelhantes, correla\u00e7\u00f5es entre o sujeito s\u00e3o e o enfermo, entre o aspecto f\u00edsico e mental e sua inevit\u00e1vel condu\u00e7\u00e3o \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do estado geral e da vitalidade das pessoas enfermas como par\u00e2metros v\u00e1lidos, com a mesm\u00edssima dignidade de outros marcadores cl\u00ednicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse car\u00e1ter confirma \u2013 mas n\u00e3o torna absoluta \u2013 a capacidade mai\u00eautica da escola hipocr\u00e1tica, fazendo aprender e desaprender a partir da especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica e da experi\u00eancia cl\u00ednica constru\u00edda atrav\u00e9s da retifica\u00e7\u00e3o permanente da observa\u00e7\u00e3o e da sequ\u00eancia (kat\u00e1stasis) dos fatos cl\u00ednicos. Assim, o conhecimento pr\u00e1tico (phr\u00f3nesis) e a teoria (theorein) poderiam estar em permanente interlocu\u00e7\u00e3o. Isso permite compreender por que o corpus hipocraticum e seu leitmotiv nunca foram removidos do p\u00f3dio simb\u00f3lico que ocuparam e ainda ocupam na hist\u00f3ria da medicina ocidental: a inven\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Distanciando-nos dos aspectos reverencial e m\u00edtico que a personalidade do m\u00e9dico grego ainda inspira em nossos dias \u2013 e de um poss\u00edvel vi\u00e9s laudat\u00f3rio deles decorrente \u2013 n\u00e3o podemos deixar de insistir na surpreendente contemporaneidade da sabedoria hipocr\u00e1tica. Em muitas das se\u00e7\u00f5es, a leitura atenta revela uma acur\u00e1cia descritiva, progn\u00f3stica e, por vezes, terap\u00eautica reconhecida ainda hoje. \u00c9 esse pertencimento que perdura sobre a suposta \u201cdesatualiza\u00e7\u00e3o\u201d cronol\u00f3gica de uma obra que vem de t\u00e3o longe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se ainda h\u00e1 quem fa\u00e7a vigorar o argumento de que se trata de texto basicamente desatualizado \u2013 e para aqueles que poderiam opinar sobre a suposta inutilidade de publica\u00e7\u00e3o de textos \u201cultrapassados\u201d \u2013, chamamos o depoimento de Temkin:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os livros s\u00e3o os instrumentos do historiador de medicina e o entendimento de seus significados, sua principal atividade. Ele est\u00e1 em constante rela\u00e7\u00e3o com os livros cl\u00e1ssicos da medicina: que textos melhores poderiam ser escolhidos para a leitura m\u00e9dica do que os cl\u00e1ssicos de todos os tempos? N\u00e3o faz muito tempo que algumas das antigas universidades pediam para os estudantes de medicina a interpreta\u00e7\u00e3o de alguma passagem de Hip\u00f3crates, Celso ou de outra autoridade antiga. Isso era resqu\u00edcio dos tempos da Idade M\u00e9dia, quando a interpreta\u00e7\u00e3o de autores constitu\u00eda a melhor parte da instru\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Hoje, a medicina \u00e9 ensinada pela interpreta\u00e7\u00e3o da natureza, n\u00e3o dos livros. Mas a arte de interpretar obras cl\u00e1ssicas, antigas ou modernas, al\u00e9m do vernacular, claro, n\u00e3o deve ficar perdida. Muita hist\u00f3ria e, talvez, fisiologia tamb\u00e9m poderiam ser aprendidas de uma cuidadosa an\u00e1lise do Estudo Anat\u00f4mico do Movimento do Cora\u00e7\u00e3o e do Sangue nos Animais de Harvey, em uma tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas[13]. [&#8230;] O estudante adquirir\u00e1 um melhor entendimento da origem da fisiologia experimental, sua aten\u00e7\u00e3o ser\u00e1 guiada para a intercorrela\u00e7\u00e3o entre o aristotelismo e as ideias modernas e, acima de tudo, ele ficar\u00e1 impressionado em como um simples livro pode ter a dizer, bem independentemente de seus \u201cresultados\u201d[14].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o leitor entenda minha persist\u00eancia em afirmar a contemporaneidade desse cl\u00ednico do s\u00e9culo iv a.c., transcrevo alguns aforismos que n\u00e3o envergonhariam nenhuma conclus\u00e3o em um paper de nossos dias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos atletas, um estado de sa\u00fade levado ao extremo \u00e9 perigoso, n\u00e3o devendo permanecer nesse estado; ora, n\u00e3o podendo ficar estacion\u00e1rio nem melhorar, a \u00fanica mudan\u00e7a poss\u00edvel \u00e9 piorar. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio promover essa mudan\u00e7a sem demora para que o corpo possa refazer-se acertadamente. A redu\u00e7\u00e3o corporal n\u00e3o deve ser excessiva por ser perigosa; deve ser compat\u00edvel com a constitui\u00e7\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira se\u00e7\u00e3o, 3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o sono faz cessar o del\u00edrio \u00e9 um bom sinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segunda se\u00e7\u00e3o, 2<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas constitucionalmente obesas est\u00e3o muito mais sujeitas \u00e0 morte s\u00fabita do que as magras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segunda se\u00e7\u00e3o, 44<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os doentes com t\u00e9tano morrem em quatro dias; se ultrapassam o quarto dia, curam-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinta se\u00e7\u00e3o, 6<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os seios de uma mulher gr\u00e1vida emurchecem rapidamente, ela aborta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinta se\u00e7\u00e3o, 37<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se deve dar leite aos que padecem de cefalalgia, aos febricitantes, aos que t\u00eam meteorismo nos hipoc\u00f4ndrios e borborigmos, e aos que t\u00eam sede. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 bom para aqueles com febres agudas cujas fezes s\u00e3o biliosas ou cont\u00eam muito sangue [&#8230;].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinta se\u00e7\u00e3o, 64<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As feridas em torno das quais caem os pelos s\u00e3o de mau car\u00e1ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sexta se\u00e7\u00e3o, 4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tamb\u00e9m n\u00e3o significa que os Aforismos devam adquirir \u2013 como j\u00e1 tiveram \u2013 aura oracular. Como concluiu Entralgo, se a capacidade progn\u00f3stica e semiol\u00f3gica da escola de C\u00f3s era espantosa, sua terap\u00eautica era pobre e contava com escassos recursos para intervir. O que s\u00f3 fez hipertrofiar a conduta expectante e, em alguns casos, de forma generalizante, conforme evidencia claramente o aforismo 38 da sexta se\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 melhor n\u00e3o fazer nenhum tratamento no que tem c\u00e2nceres internos; porque, se tratados, os doentes morrem rapidamente; se n\u00e3o se os tratam, a vida se prolonga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e9cnica e a inven\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria cl\u00ednica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Garrison amplia muito o valor da contribui\u00e7\u00e3o de Hip\u00f3crates para a medicina, a ponto de afirmar que a t\u00e9cnica (tekhn\u00e9) inaugurada ia muito al\u00e9m da supera\u00e7\u00e3o da medicina m\u00e1gica e do empirismo rudimentar, inclu\u00eda a medicina de acompanhamento no leito dos enfermos e, posteriormente, sob o revival do hipocratismo no s\u00e9culo xvii e a as revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do xix, ajudaram a consolidar a pr\u00e1tica da medicina interna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os aforismos tornaram-se assim uma compila\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das analogias, compara\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es de um cl\u00ednico experiente frente \u00e0 observa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1\u00adtica e o registro minucioso sobre pessoas, enfermas ou n\u00e3o. Essa constru\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica, confirmada e reiterada por historiadores can\u00f4nicos da medicina, de Pagel \u00e0 Pedro Lain Entralgo, de Diepgen \u00e0 Harris Coulter, s\u00f3 acentua a relev\u00e2ncia hist\u00f3rico-filos\u00f3fica do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A import\u00e2ncia do primeiro aforismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre todos os aforismos o mais citado e comemorado foi o primeiro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida \u00e9 curta, a arte \u00e9 longa, a ocasi\u00e3o fugidia, a experi\u00eancia enganosa, o julgamento dif\u00edcil. O m\u00e9dico deve fazer n\u00e3o apenas o que \u00e9 conveniente para o doente, mas tamb\u00e9m com que o pr\u00f3prio doente, os assistentes, e as circunst\u00e2ncias exteriores concorram para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise atenta desse aforismo evidencia toda a \u00e9tica hipocr\u00e1tica, seu alcance e demandas, inclusive aquelas que vem provocando em cada nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos e terapeutas novas d\u00favidas e incertezas. Conforme comentam Hoff e Bar-Sela:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa da grandeza das virtudes morais de Hip\u00f3crates, ele afirma, nesse aforismo com o qual come\u00e7a, que o m\u00e9dico n\u00e3o deve se contentar em fazer somente aquilo que \u00e9 apropriado e parar al\u00ed, porque pode n\u00e3o ser suficiente para a obten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do paciente. Porque o fim n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado, com sua recupera\u00e7\u00e3o, se ele e tamb\u00e9m aqueles que o rodeiam n\u00e3o fizerem o conveniente, removendo os impedimentos externos que obliteram a cura da doen\u00e7a[15].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se dizer que, al\u00e9m da j\u00e1 aludida men\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria cl\u00ednica como fundamental ao fazer do m\u00e9dico, Hip\u00f3crates constr\u00f3i, j\u00e1 no primeiro aforismo, aquele que talvez venha a ser reconhecido como o grande princ\u00edpio geral, axiol\u00f3gico e filos\u00f3fico de sua \u00e9tica: para al\u00e9m dos princ\u00edpios dos contr\u00e1rios e semelhantes (tamb\u00e9m por ele enunciados), encontra-se o terceiro princ\u00edpio hipocr\u00e1tico, o da conve\u00adni\u00eancia[16]. O dever m\u00e1ximo e a obedi\u00eancia a uma conduta \u00e9tica derivam da compreens\u00e3o correta desse terceiro princ\u00edpio. Nele se pede que se fa\u00e7a o que conv\u00e9m a cada paciente e contexto. Talvez essa seja sua li\u00e7\u00e3o mais duradoura e presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ocasi\u00e3o \u00e9 fugidia, j\u00e1 que para aprender n\u00e3o bastam experi\u00eancias, mesmo as met\u00f3dicas e as organizadas. Escapa, no dom\u00ednio da subjetividade do paciente, uma s\u00e9rie de elementos fundamentais, o que automaticamente transforma em quase quimera a busca de uma inapreens\u00edvel ess\u00eancia do sujeito. Os pacientes nos \u201cescapam\u201d por entre os dedos, porque n\u00e3o somos suficientemente aparelhados para detectar tudo, a n\u00e3o ser os sintomas. O sujeito que sofre procura ajuda, al\u00edvio para seu sofrimento, e qualquer ajuda pode lhe dar um suporte positivo. Muitas vezes isso pode resultar em processos transferenciais adequados, medicamentos criteriosamente escolhidos a partir de diagn\u00f3sticos individuais, mas deve-se admitir que nem sempre eles s\u00e3o suficientes. A experi\u00eancia \u00e9 enganadora porque jamais poderemos traduzir completamente uma viv\u00eancia subjetiva, de doen\u00e7a, cura ou intoxica\u00e7\u00e3o, de acordo com uma assepsia metodol\u00f3gica. E em cada novo encontro se enxergam outros fragmentos daquele mesmo sujeito, com os quais muitas vezes se misturam m\u00e9dico, paciente, o ambiente e os recursos terap\u00eauticos. O ju\u00edzo tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil, porque \u00e9 necess\u00e1rio que os componentes \u00e9ticos e human\u00edsticos do terapeuta estejam suficientemente amadurecidos. Assim, pode ser preciso retroceder diante de um ju\u00edzo j\u00e1 feito, de um diagn\u00f3stico &#8220;fechado&#8221;, das convic\u00e7\u00f5es que n\u00e3o admitem exce\u00e7\u00f5es \u00e0 norma. Como um magistrado diante de um caso com m\u00faltiplas possibilidades, ele deve analisar a jurisprud\u00eancia e estar sempre ciente que sempre restar\u00e1 uma margem de interpreta\u00e7\u00e3o, de liberdade no ato de julgar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente a releitura atenta permitir\u00e1 que a tradi\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias da vida rejuvenes\u00e7a. E cada gera\u00e7\u00e3o que o utiliza adquire essa responsabilidade, ao sempre aportar ressignifica\u00e7\u00f5es e reinterpreta\u00e7\u00f5es conforme aduz a hermen\u00eautica filos\u00f3fica. A presente edi\u00e7\u00e3o se ajusta, perfeitamente, a essa fun\u00e7\u00e3o transformadora. Que os leitores descubram porque esse livro foi escrito para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo Rosenbaum<\/strong> &#8211; M\u00e9dico, escritor, doutor em ci\u00eancias, p\u00f3s doutor em Medicina Preventiva, pesquisador associado do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (fmusp). <a title=\"PAULO ROSENBAUM\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5109\">Saiba mais.<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Originalmente este artigo foi pref\u00e1cio para a edi\u00e7\u00e3o dos Aforismos de Hip\u00f3crates (Ed. Unifesp) S\u00e3o Paulo, 2005<br \/>\n[2]. Owsei Temkin, \u201cAn Essay on the Usefulness of Medical History for Medicine\u201d, Bulletin of The History of Medecine, vol. xix, jan. 1946, pp. 9-47 (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<br \/>\n[3]. Charles Daremberg, Oeuvres choises d&#8217;Hippocrate, Paris, Labe, 1855.<br \/>\n[4]. Fielding H. Garrison, An Introduction to the History of Medi\u00adcine, Philadelphia e London, W. B. Saunders Company, 1917.<br \/>\n[5] Membro fundador da Sociedade Brasileira de Hist\u00f3ria da Medicina.<br \/>\n[6]. Hip\u00f3crates, Aforismos, trad. de Leduar de Assis Rocha, Arquivo P\u00fablico Estadual, Recife, 1957.<br \/>\n[7]. Hip\u00f3crates, Aforismos, trad. de Jos\u00e9 M\u00e1rcio de Moraes, S\u00e3o Paulo, Edi\u00e7\u00f5es Zumbi, 1959.<br \/>\n[8]. Dentre essas, a mais conhecida de todas as edi\u00e7\u00f5es do xix, a bil\u00edngue grego-francesa das obras completas, organizada por \u00c9mile Littr\u00e9 em \u00c9mile,Littr\u00e9, Oeuvres compl\u00e8tes d&#8217;Hippocrate, Paris, Chez J. B. Bailli\u00e8re, 1839, 10 vols.<br \/>\n[9]. Charles Lichtenthaeler, La m\u00e9decine hippocratique: m\u00e9thode exp\u00e9rimentale et m\u00e9thode hippocratique \u2013 \u00e9tude compar\u00e9e pr\u00e9liminaire, Lausanne, L\u00eas Fr\u00e8res Gonin, 1948.<br \/>\n[10]. Para Pedro Lain Entralgo, \u201cmesmo que toda tradi\u00e7\u00e3o filol\u00f3gica dos \u00faltimos 75 anos tenha conseguido demonstrar que o corpus hipocraticum n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo \u00e0 pessoa de Hip\u00f3crates, jamais retirou do horizonte anal\u00edtico \u2018a conex\u00e3o sistem\u00e1trica\u2019 que O. Temkim, por exemplo, enxergou ao analisar a totalidade dos escritos\u201d. Para superar a quest\u00e3o da autenticidade autoral e aceitar que a cole\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra composta \u00e0 muitas m\u00e3os, sempre que nos referirmos \u00e0 Hip\u00f3crates, pedimos que o leitor tome sua obra \u2013 conforme j\u00e1 havia sugerido Pedro Lain Entralgo \u2013 como \u201chipocratismo lato sensu\u201d (Entralgo, La Medicina Hipocr\u00e1tica, Madri, Alianza Editorial, 1987).<br \/>\n[11] Segundo Littr\u00e9, que dividiu os escritos hipocr\u00e1ticos em onze classes distintas, os Aforismos est\u00e3o na primeira classe , ou seja s\u00e3o realmente textos deste autor assim como: Da Medicina Antiga; Do Progn\u00f3stico; Primeiro e Terceiro Livro das Epidemias; Do Regime nas Enfermidades Agudas; A Lei; Das Articula\u00e7\u00f5es; Das Fraturas; Dos Instrumentos de Redu\u00e7\u00e3o; O Juramento; Os Males da Cabe\u00e7a; Das \u00c1guas, Ares e Lugares. Cf. Oeuvres compl\u00e8tes d&#8217;Hippocrate, Paris, Chez J. B. Bailli\u00e8re, 1839, vol. I, p. 293.<br \/>\n[12]. Esta divis\u00e3o, segundo \u00c9mille Littr\u00e9, op. cit., foi estabelecida por Galeno.<br \/>\n[13]. Estudo Anat\u00f4mico do Movimento do Cora\u00e7\u00e3o e do Sangue nos Animais inaugurou a s\u00e9rie Hist\u00f3ria da Medicina, da Editora Unifesp, e foi lan\u00e7ado em uma edi\u00e7\u00e3o tril\u00edngue: no original em latim, e nas vers\u00f5es em franc\u00eas (de Charles Laubry) e em portugu\u00eas (de Pedro Carlos Piantino Lemos).<br \/>\n[14]. Owsei Temkin, op. cit., p. 41 (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<br \/>\n[15]. A. Bar Sela e H. E. Hoff, \u201cMaimonides\u2019 Interpretation of the First Aphorism of Hippo\u00adcrates\u201d, Bulletin of the History of Medicine, The Johns Hopkins Press, vol. xxxvii, pp. 347-354, 1963 (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<br \/>\n[16] Conforme j\u00e1 tinha observado Alberto Seabra, em Escul\u00e1pio na Balan\u00e7a, S\u00e3o Paulo, Companhia Editora Nacional, 1929.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: http:\/\/brasil.estadao.com.br\/blogs\/conto-de-noticia\/hipocrates-e-a-funcao-da-historia-da-medicina\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aforismos, de Hip\u00f3crates, que o leitor tem agora em m\u00e3os, \u00e9 provavelmente uma das obras mais compiladas, reproduzidas e reeditadas da historiografia m\u00e9dica. Para que serve a hist\u00f3ria da medicina? Segundo Tem\u00adkin[2] ela foi, durante s\u00e9culos, &#8220;n\u00e3o s\u00f3 uma disciplina a mais nos curr\u00edculos dos estudantes de medicina, mas a principal mat\u00e9ria na educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica&#8221;. 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