﻿{"id":42054,"date":"2018-03-08T19:47:03","date_gmt":"2018-03-08T19:47:03","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=42054"},"modified":"2018-03-08T19:47:03","modified_gmt":"2018-03-08T19:47:03","slug":"lembrando-jacques-attali-novamente-por-jayme-vita-roso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=42054","title":{"rendered":"LEMBRANDO JACQUES ATTALI, NOVAMENTE &#8211; POR JAYME VITA ROSO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u201cYou have succeeded in life when all you really want is only what you really need\u201d &#8211; Prov\u00e9rbio ingl\u00eas<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"text-align: justify; line-height: 1.5;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-42055\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_1.jpg\" alt=\"308_especial_2_1\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_1.jpg 300w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_1-142x90.jpg 142w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_1-213x135.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><strong><em>O homem tenta, mas n\u00e3o alcan\u00e7a, descobrir o sentido da vida, a meu ver, porque este mundo \u00e9-lhe pertinente com o tempo da pr\u00f3pria vida. O homem n\u00e3o busca ter a mesma preocupa\u00e7\u00e3o no sentido universal.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>I<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> Contar minha vida para contar a trajet\u00f3ria de Jacques Attali<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Uma maneira de reviver sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria \u00e9 tentar equiparar os preceitos que guiaram o historiador romano, &#8212;, quando esbo\u00e7ou e retratou sua c\u00e9lebre obra \u201cVidas Paralelas\u201d. \u00c9 um m\u00e9todo. E sempre h\u00e1 um guia ou inspirador de qualquer escrito, um tanto fora do corriqueiro ou do seu usual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Trabalhei na Fran\u00e7a, nos fins dos tormentosos anos 60, sem residir no pa\u00eds, pois estava centrado em P\u00e1dova. Acompanhei os acontecimentos de 1968, com os movimentos populares, que culminaram com aascens\u00e3o de Marechal de Gaulle \u00e0 reg\u00eancia do pa\u00eds, que clamava por um governo forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Sou incapaz de sintetizar acontecimentos e real\u00e7ar personagens, mas destaco Sartre, Simone de Beauvoir, Daniel Cohen-Bandit que me chamaram a aten\u00e7\u00e3o. Desses movimentos populares, apareceram jovens que desejavam mudar tudo, inclusive o mundo (Bernard Levy, Glucksman, dentre outros), com o ep\u00edteto de \u201cNovos Pensadores\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 \u2013 J\u00e1 estabilizado o pa\u00eds, politicamente incapazes de sustentar o status quo, com o incremento da insatisfa\u00e7\u00e3o, que se espalhava pela zona sovi\u00e9tica tamb\u00e9m (Hungria, Tchecoslov\u00e1quia, Pol\u00f4nia, Iugosl\u00e1via), os intelectuais franceses se apresentavam com novas ideias e novas proposi\u00e7\u00f5es para, ao menos, mitigar as mentes da nova gera\u00e7\u00e3o ascendente, uma vez que se esbo\u00e7ava a tecnologia em dire\u00e7\u00e3o oposta aos anseios da classe oper\u00e1ria e dos pensadores. E o retrocesso da classe pol\u00edtica ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 \u2013 Apareceu Jacques Attali[1] e seu companheiro, Marc Guillaume, da Escola Polit\u00e9cnica com um livro pioneiro, que lutava para a economia em liberdade, como chamada, para acompanhar Hallak, Dock\u00e8s, Rosier, Nicolosi, Michalete e Dupuyem produ\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ressalto a enorme e decisiva infer\u00eancia de Erich Fromm, para a formata\u00e7\u00e3o das ideias lan\u00e7adas c\u00e1 e l\u00e1, com a retrata\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos XIX e XX, al\u00e9m de propor uma normatiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a sociedade daquela \u00e9poca. Contundente, mas l\u00facido, Fromm respondeu que \u00e0 sociedade faltava sanidade, quando balan\u00e7avam, entre a idolatria totalit\u00e1ria, o supercapitalismo e o socialismo. E, ele propositivo, lutava por uma transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica radical, uma transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sem meios termos e a consequente e necess\u00e1ria transforma\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fromm avan\u00e7ou ao cerne da natureza dos problemas do homem contempor\u00e2neo e as suas perspectivas para o futuro. Partiu da possibilidade de uma guerra. E acrescentou com o robotismo. E, acentuando, concluiu que, embora dev\u00eassemos \u201cconsultar e planejar juntos\u201d, pois \u201ca nova fase da hist\u00f3ria humana, se ela chegar a processar-se, ser\u00e1 um novo come\u00e7o e n\u00e3o um fim\u201d, pois \u201chaver\u00e1 esperan\u00e7a\u201d (p. 349-347).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 \u2013 Mas, afinal, que livro Attali e Guillaume escreveram e que justifica este ensaio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A renomada, na \u00e9poca, Presses Universitaires de France (PUF), no primeiro trimestre[2] de 1974, publicou a primeira edi\u00e7\u00e3o do \u201cL\u2019anti-\u00e9conomique\u201d[3].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 \u2013 Attali, como um foguete espacial, entre a publica\u00e7\u00e3o desse livro e o in\u00edcio desta d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, ocupou diversas posi\u00e7\u00f5es de destaque na pol\u00edtica francesa e europeia, al\u00e9m de ter publicado duas dezenas de obras que, sempre, tiveram grande repercuss\u00e3o e enormes tiragens.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>II<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> A economia em liberdade e as propostas que o livro \u201cL\u2019anti-\u00e9conomique\u201d ofereceu e que ser\u00e3o consideradas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>8 \u2013 A terceira edi\u00e7\u00e3o do <em>L\u2019anti-\u00e9conomique<\/em>, sobre a qual nos debru\u00e7amos, didaticamente, aborda:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.1 \u2013 O que se entende por economia em liberdade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Situada como oposi\u00e7\u00e3o a todos os dogmatismos e confrontos, o mais recente status da ci\u00eancia econ\u00f4mica, com os problemas concretos e quotidianos de nosso desenvolvimento sob uma forma: (i) simples, mas ignora, evitando deliberadamente as complica\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e as formalidades que incumbem a an\u00e1lise econ\u00f4mica; (ii) cr\u00edtica, pois a ci\u00eancia econ\u00f4mica \u00e9 uma ci\u00eancia pol\u00edtica que se insere frequentemente numa justifica\u00e7\u00e3o impl\u00edcita do estado social existente; (iii) ela \u00e9 aberta \u00e0s outras ci\u00eancias sociais (psicologia, sociologia, psican\u00e1lise, ci\u00eancia pol\u00edtica), cujos resultados devem ser tomados em conta na an\u00e1lise econ\u00f4mica; (iv) sua originalidade repousa na presen\u00e7a de desenhos que demonstram que honrou os autores, \u00e9 tamb\u00e9m um instrumento de an\u00e1lise e testemunha que a ci\u00eancia econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 obrigatoriamente austera.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>H\u00e1 uma ficta liberdade no ar&#8230; ou um cinismo em n\u00e3o reconhecer e reelaborar a si mesmo&#8230; ou sermos verdadeiramente humanos, como se estampam as decis\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, onde o poder de veto derrota qualquer tentativa de humaniza\u00e7\u00e3o global de um fato em quest\u00f5es transcendentes.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluem outros economistas que a economia com liberdade pretende ajudar cada um a melhor compreender a sociedade na qual est\u00e1 inserida (ou vive) e contribui para uma pedagogia da liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tento, como autor deste artigo, traduzir o significado do que \u00e9 ou significa ou pretende atingir a economia em liberdade, na contemporaneidade, onde n\u00e3o s\u00f3 a rob\u00f3tica tem val\u00eancia, mas a globaliza\u00e7\u00e3o pressiona os pa\u00edses pobres para baixo ou a n\u00edveis profundos de desigualdade social, sem perspectiva de ascens\u00e3o e os movimentos migrat\u00f3rios fazem ressaltar a intoler\u00e2ncia na aceita\u00e7\u00e3o das massas que buscam liberdade para sobreviver, fora dos seus recantos originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma ficta liberdade no ar&#8230; ou um cinismo em n\u00e3o reconhecer e reelaborar a si mesmo&#8230; ou sermos verdadeiramente humanos, como se estampam as decis\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, onde o poder de veto derrota qualquer tentativa de humaniza\u00e7\u00e3o global de um fato em quest\u00f5es transcendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.2 \u2013 Os fundamentos ideol\u00f3gicos, mas cient\u00edficos, que os outros buscaram para sustentar a aparente recusa podem ser resumidos em:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.2.1 \u2013 O livro <em>L\u2019anti-\u00e9conomique<\/em> \u00e9 uma cr\u00edtica da forma e do n\u00facleo do ensino tradicional da ci\u00eancia econ\u00f4mica;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.2.2 \u2013 Com humildade, os autores apresentam o <em>L\u2019anti-\u00e9conomique<\/em> como uma vers\u00e3o provis\u00f3ria da economia e \u00e9 um programa de trabalho catequ\u00e9tico, porque, para eles, toda an\u00e1lise social (e a economia o \u00e9) passa a ser profundamente pol\u00edtica, levando os cultores da ci\u00eancia econ\u00f4mica, enquanto participantes e protagonistas, muitas vezes, a tentar sem \u00eaxito todos os julgamentos valorativos que subjazem \u00e0s an\u00e1lises que elaboram (e, acrescento hoje, aplicam o inconcreto como ato de governo).<br \/>\nConcluem os autores que o <em>L\u2019anti-\u00e9conomique<\/em> pretende superar o antagonismo (enfatizo da \u00e9poca) quando ainda imperava o socialismo dos republicas do Pacto de Vars\u00f3via, com o regime liberal, mas nem tanto, mas colocado em quest\u00e3o com as propostas e as ideias de Milton Friedman e demais seguidores da liberdade de negociar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O homem tenta, mas n\u00e3o alcan\u00e7a, descobrir o sentido da vida, a meu ver, porque este mundo \u00e9-lhe pertinente com o tempo da pr\u00f3pria vida. O homem n\u00e3o busca ter a mesma preocupa\u00e7\u00e3o no sentido universal.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8.2.3 \u2013 Comento: a globaliza\u00e7\u00e3o reganiana e tacheriana agravou as condi\u00e7\u00f5es de vida nas cidades e nos pa\u00edses, a persist\u00eancia das desigualdades na reparti\u00e7\u00e3o das riquezas e dos equil\u00edbrios dos poderes, os desperd\u00edcios gerados pela aliena\u00e7\u00e3o comunista e a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, nada disso se compara com a ascens\u00e3o vertiginosa da China no mundo: rompeu barreiras, com um socialismo c\u00ednico assentado num programa de conquistar o mundo, que a genialidade de Napole\u00e3o proclamava que, com o despertar dela, China, o mundo iria tremer (em torno de 1810)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-42056\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_2.jpg\" alt=\"308_especial_2_2\" width=\"333\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_2.jpg 573w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_2-137x135.jpg 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_2-253x250.jpg 253w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/308_especial_2_2-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>8.2.4 \u2013 O grande descompasso, ent\u00e3o, entre os pa\u00edses, est\u00e1 flagrantemente mostrado com o surgimento do econ\u00f4mico que passou a predominar e a gui\u00e1-los, onde um desenho estampado na p\u00e1gina 8 do livro (elaborado com as outras ilustra\u00e7\u00f5es pelo cartunista Maja), mostra o homem contempor\u00e2neo, repartido em zonas na cabe\u00e7a (o homem pensante), na boca (o homem pol\u00edtico), nos bra\u00e7os (o homem econ\u00f4mico e produtivo), no peito e no abd\u00f4men (o homem passional e sentimental), no umbigo (o ego), no p\u00fabis (o homem sexual) e nas pernas (o homem militar)! Seria a representa\u00e7\u00e3o modelo do homem contempor\u00e2neo? N\u00e3o se encobre a si (sem licen\u00e7a trinten\u00e1ria p\u00fablica, pois n\u00e3o consegui consultar os outros)?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>III<\/strong><br \/>\n<strong> Breve aprecia\u00e7\u00e3o das \u201cmat\u00e9rias\u201d abordadas no livro<em> L\u2019anti-\u00e9conomique<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 \u2013 Tendo em conta a \u00e9poca em que Attali e Guillaume escreveram, sobretudo porque, em sequ\u00eancia, a demoli\u00e7\u00e3o e a independ\u00eancia das antigas col\u00f4nias (\u00c1frica, Am\u00e9rica do Sul, Oceania e \u00c1sia), algumas conseguidas a ferro-e-fogo ( Vietnam), com a revolu\u00e7\u00e3o da rob\u00f3tica emmarcha, com os costumes colocados em quest\u00e3o, comofeminismonascente e crescente e a diminui\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do sacro, com fundamentalismo religioso em marcha, sobretudo porque os pa\u00edses aut\u00f4nomos se voltaram \u00e0s ra\u00edzes, num mergulho espantoso, eis que a Economia n\u00e3o poderia escapar de solavancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 \u2013 Por necess\u00e1rio, a meu sentir, enumero a \u201cT\u00e1bua das Mat\u00e9rias\u201d do livro L\u2019anti-\u00e9conomique:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Como funciona o Econ\u00f4mico (p. 9-26)<br \/>\nb) A microeconomia, um outro planeta (p.27-58)<br \/>\nc) A macroeconomia, porque fazer? (p. 59-94)<br \/>\nd) Teoria econ\u00f4mica do crescimento econ\u00f4mico (p. 95-124)<br \/>\ne) O consumo e a explos\u00e3o dos desejos (p. 125-144)<br \/>\nf) Conex\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es coletivas (p. 145-176)<br \/>\ng) A economia da natureza e do meio ambiente (p. 177-204)<br \/>\nh) Desigualdades, injusti\u00e7a e explora\u00e7\u00e3o (p. 205-232)<br \/>\ni) Economia da utopia (p. 233-244)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os temas poderiam ser focalizados com a \u00f3tica do presente momento hist\u00f3rico! Fascinantes, intrigantes, s\u00e9rios, decisivos para os destinos do homem, no quadrante hist\u00f3rico que se avizinha: a era do homem anestesiado pela imprensa, pelos mitos contempor\u00e2neos, pela perda da f\u00e9 religiosa, pela destrui\u00e7\u00e3o ruinosa do meio ambiente, pela dissemina\u00e7\u00e3o do fundamentalismo, pela conquista, atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o de poderosos meios informativos pelos evang\u00e9licos, a busca concreta do poder pol\u00edtico, do fragilizado mundo ocidental, pela ingenuidade com que \u00e9 cuidado o Planeta Terra e assim por diante!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 \u2013 O homem tenta, mas n\u00e3o alcan\u00e7a, descobrir o sentido da vida, a meu ver, porque este mundo \u00e9-lhe pertinente com o tempo da pr\u00f3pria vida. O homem n\u00e3o busca ter a mesma preocupa\u00e7\u00e3o no sentido universal. O homem recusa ou \u00e9 indiferente \u00e0s chamadas pelo que se est\u00e1 pensando na sua \u00fanica casa temporal: mofa, com a contamina\u00e7\u00e3o, com o lixo e adota a cultura do descartar, ap\u00f3s o uso, com todos os seus atos, inclusive nas rela\u00e7\u00f5es pessoais e mais ainda nas pseudo-amorosas. O clima \u00e9 tratado como um espet\u00e1culo hollywoodiano, ao se projetarem, por exemplo, as fraturas dos glaciares, pouco importando que se trata de um problema global, com graves dimens\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, distributivas e pol\u00edticas. E a \u00e1gua? Que importa, se falta ou \u00e9 polu\u00edda, quando para compensar a engarrafada, at\u00e9 mesmo provinda de Portugal, Fran\u00e7a ou It\u00e1lia! A biodiversidade est\u00e1 perdida! A qualidade de vida humana deteriora e j\u00e1 levou, aos grandes centros, a degrada\u00e7\u00e3o social. H\u00e1 desigualdade planet\u00e1ria inconteste!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os mitos de hoje suplantam essa anorexia do humano em dar sentido \u00e0 vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12 \u2013 Estamos tratando da Economia, como se fosse financeiro! A microeconomia, seja da empresa (com vista a um pretendido equil\u00edbrio) navega, na realidade brasileira, no mar das contas p\u00fablicas \u00e0 beira do naufr\u00e1gio. Os impactos s\u00e3o pagos para manter uma organizada minoria que consome a maioria dos recursos (sejam da m\u00e1quina produtiva, das trocas exteriores e atividades guiadas de efetivas atividades limpas e descompromissadas).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>IV<\/strong><br \/>\n<strong> Para contribuir com a reflex\u00e3o com uma pitada de ironia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13 \u2013 Ao homem foi dado o mundo e com tudo o que nele cont\u00e9m e existe (Gen 2, 19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14 \u2013 Ao homem escapa a invisibilidade de Deus, que leva \u00e0 sua transcend\u00eancia, porque hoje, em um momento hist\u00f3rico de alta pot\u00eancia tecnol\u00f3gica, com o consequente del\u00edrio da onipot\u00eancia e da grande confus\u00e3o dos valores e do sentido da vida, o termo \u201ctranscendental\u201d vem sido continuamente manipulado. Em primeiro plano, de sentido superficial, Deus \u00e9 transcendente na ideia que est\u00e1 infinitamente longe do homem. Isto trouxe, no tempo \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da qualidade como dimens\u00e3o espiritual, ligada ao Senhor. A um n\u00edvel de sentido, ao inv\u00e9s, mais profundo e complexo, Deus \u00e9 transcendente ao homem, porque lhe \u00e9 sem fundamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a transcend\u00eancia de Deus \u00e9 do tipo inclusivo, n\u00e3o exclusivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Estamos a ponto de atingir um estado humano correspondente \u00e0 vis\u00e3o dos nossos grandes mestres, no entanto, estamos diante do perigo da destrui\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o, ou da robotiza\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constitui o lugar da vida, fora do qual h\u00e1 somente morte[4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15 \u2013 A liberdade de escolher o bem pode ou poderia dar um sentido \u00e0 vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que sim, quando se age com responsabilidade, se d\u00e1 um sentido de amor, ao sofrimento; se considera a vida ef\u00eamera e, diante do mundo atual, se leva em conta a neurose coletiva. Assim, Viktor E. Frankl[5] testemunhou sua vida e nos deu li\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16 \u2013 Quem faz planos econ\u00f4micos ou atua na gest\u00e3o de economia de um pa\u00eds, tem em vista o bem comum e, consequentemente d\u00e1 um sentido \u00e0 vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cap\u00edtulo sobre consumo, estatuto social, evas\u00e3o e poesia (p.30), Attali reflete sobre as necessidades fundamentais do homem, as psicol\u00f3gicas e as alimentares. Elas existem, para que o indiv\u00edduo subsista. O resto \u00e9 cultural, uma vez que o Estado tamb\u00e9m se preocupa em equipar a sociedade e, por via direta, aos cidad\u00e3os, com m\u00ednimo de bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel do Estado, frente \u00e0 interliga\u00e7\u00e3o dos moradores e dos blocos pol\u00edticos, deveria ser perpendicular, pois o monetarismo passou a dominar os esp\u00edritos \u00e1vidos de fortes lucros, a conta paga (bitcoin), sem atentar aos perigos de uma bolha financeira com riscos inimagin\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que me impressionou foi o fato de Attali, reverenciando o Clube de Roma, passou a cuidar do resguardo e da prote\u00e7\u00e3o ambiental, do estabelecimento de normas para o uso de agrot\u00f3xicos, para concluir que era necess\u00e1rio criar \u201cuma teoria pol\u00edtica da natureza\u201d, tendo em conta: \u201ceconomia da natureza e explora\u00e7\u00e3o do terceiro mundo\u201d; \u201ceconomia da natureza e propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ceconomia da natureza e processo de decis\u00e3o\u201d (p. 196-200).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As desigualdades, a injusti\u00e7a e a explora\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o individual (em todos os matizes), condizem com Attali ao propor que o Estado tem o papel de redistribuir a riqueza. Enfim, suscita temas transcendentes (porque, a meu sentir, n\u00e3o encontrou solu\u00e7\u00e3o que o satisfizesse), como a economia da utopia e a ci\u00eancia econ\u00f4mica como utopia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>V<\/strong><br \/>\n<strong> O in\u00edcio do fim ou do princ\u00edpio do in\u00edcio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confronto Phlilippe Simonnot[6] que, no arrebol do s\u00e9culo passado, se debru\u00e7ou sobre a economia contempor\u00e2nea, escrevendo: \u201cA economia contempor\u00e2nea explicada em trinta e nove li\u00e7\u00f5es, por Archibad, professor muito particular, a um Candido (Voltairiano) que poderia ser cada um de n\u00f3s, isto \u00e9, qualquer um.No fim do \u00faltimo dec\u00eanio, foi abandonado pelas m\u00eddias do contrassenso e lugares comuns sobre a import\u00e2ncia essencial da economia, quem quer que creia saber de que o retorno do fato de mera \u201cvulgata\u201d compreendida nos bancos do liceu ou da universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da utilidade \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, da m\u00e3o invis\u00edvel ao profetismo, da honra e da prud\u00eancia ao c\u00e1lculo da efic\u00e1cia marginal do capital, da economia do direito ao aumento do desemprego, do bem comum \u00e0 fiscalidade ou \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social, eis, assim, vestido o estado dos lugares da economia. Onde o leitor descobre os mecanismos in\u00e9ditos colocados \u00e0 realidade pelos economistas contempor\u00e2neos como aquisi\u00e7\u00f5es diretas te\u00f3ricas que se devem aos \u201ccl\u00e1ssicos\u201d; as no\u00e7\u00f5es fundamentais esclarecedoras como o esquecimento dos outros \u2013 a escola francesa dos s\u00e9culos XVIII e XIX notadamente, que ajudam, portanto, a procurar processos novos; breve, a natureza subversiva da economia, que coloca o mesmo plano o \u00fatil e o in\u00fatil, o racional e o irracional, o necess\u00e1rio e o luxo, o moral e o imoral\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>VI<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong> A Enc\u00edclica de Francisco sobre o cuidado de bem comum e Ep\u00edlogo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A enc\u00edclica Laudato Si do Papa Francisco, al\u00e9m de oferecer uma luz sobre a doutrina social da Igreja, como enc\u00edclica \u00e9 um marco fundamental para a interpreta\u00e7\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que se pensa no mundo contaminado e devastado; sem \u00e1gua; com a perda da biodiversidade; com a deteriora\u00e7\u00e3o da vida humana e degrada\u00e7\u00e3o social; a ilegalidade na distribui\u00e7\u00e3o dos bens, tudo foi abordado, com franqueza, \u00e0 luz da doutrina social da Igreja (retrocedendo \u00e0 <em>RerumNovarum<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o foi escrutinada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O an\u00fancio do Evangelho, confrontado com a tecnologia (sua criatividade e seu poder), as crises e as consequ\u00eancias do antropocentrismo moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que&#8230; sonho ou utopia, busquemos uma ecologia integral (economia, ambiental, social, cultural) com justi\u00e7a. At\u00e9 chegarmos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a uma espiritualidade ecol\u00f3gica. Temas abrangentes, revolucion\u00e1rios, dentro da escola de antropologia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partir\u00edamos para um novo esp\u00edrito de vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gozamos de paz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Converteremos o homem \u00e0 ecologia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revolucionaremos a evolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, queremos sobreviver ou, como escreveu Erich Fromm h\u00e1 quatro d\u00e9cadas: \u201cO homem est\u00e1, hoje em dia, diante da escolha mais fundamental: n\u00e3o \u00e9 a escolha entre o capitalismo e o comunismo, mas entre o robotismo (tanto do tipo capitalista como do comunista) e o Socialismo Comunit\u00e1rio Humanista. A maioria dos fatos indica que ele escolher\u00e1 o robotismo, o que significa, com o tempo, a ins\u00e2nia e a destrui\u00e7\u00e3o. Mas todos esses fatos n\u00e3o s\u00e3o suficientemente fortes para destruir a f\u00e9 na raz\u00e3o, na boa vontade e na sanidade humanas. Enquanto pudermos idealizar outras alternativas n\u00e3o estaremos perdidos, enquanto pudermos consultar e planejar juntos, haver\u00e1 esperan\u00e7a. Mas, na verdade, a sombra se avulta, as vozes da ins\u00e2nia se tornam mais volumosas. Estamos a ponto de atingir um estado humano correspondente \u00e0 vis\u00e3o dos nossos grandes mestres, no entanto, estamos diante do perigo da destrui\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o, ou da robotiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 milhares de anos foi dito a uma pequena tribo: \u2018Coloquei diante de v\u00f3s a vida e a morte, a gra\u00e7a e a maldi\u00e7\u00e3o \u2013 escolhestes a vida\u2019. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a nossa escolha\u201d[7].<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">7Erich Fromm. Psican\u00e1lise da sociedade contempor\u00e2nea. Zahar Editores: Rio de Janeiro, 1967. p. 346-347<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1]Jayme Vita Roso. Carrefour para intelectuais franceses contempor\u00e2neos. Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o: Recife, 2011. \u201cJacques Attali, s\u00edntese do talento judaico\u201d p. 185<br \/>\n[2]O livro foi revisto e corrigido pelos autores Attali e Guillaume e, no primeiro trimestre de 1975, sai a 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n[3] Jacques Attali,\u200e Marc Guillaume. L\u2019anti-\u00e9conomique. PressesUniversitaires de France \u2013 PUF, 248 p.<br \/>\n[4]Valerio Albisetti, \u201cLa libert\u00e0 di scegliere il bene\u201d, p. 5, Paoline Editrice, Mil\u00e3o, 2014<br \/>\n[5] Viktor E. Frankl. D\u00e9couvrir un sens \u00e0 sa vie avec la logoth\u00e9rapie. Paris: Les \u00c9ditions de l\u2019Homme, 2012. p. 132-149; 158-169)<br \/>\n[6] Philippe Simonnot. 39 le\u00e7onsd\u2019\u00e9conomiecontemporaine. Paris: \u00c9ditions Gallimard, 1998. 551 p.<br \/>\n[7] Erich Fromm. Psican\u00e1lise da sociedade contempor\u00e2nea. Zahar Editores: Rio de Janeiro, 1967. p.346-347<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cYou have succeeded in life when all you really want is only what you really need\u201d &#8211; Prov\u00e9rbio ingl\u00eas O homem tenta, mas n\u00e3o alcan\u00e7a, descobrir o sentido da vida, a meu ver, porque este mundo \u00e9-lhe pertinente com o tempo da pr\u00f3pria vida. O homem n\u00e3o busca ter a mesma preocupa\u00e7\u00e3o no sentido universal. 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