﻿{"id":42928,"date":"2018-04-19T20:36:14","date_gmt":"2018-04-19T20:36:14","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=42928"},"modified":"2018-04-19T20:36:14","modified_gmt":"2018-04-19T20:36:14","slug":"a-questao-polono-judaica-por-tomasz-lychowski","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=42928","title":{"rendered":"A QUEST\u00c3O POLONO-JUDAICA &#8211; POR TOMASZ LYCHOWSKI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/311_especial_1_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-42929\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/311_especial_1_1.jpg\" alt=\"311_especial_1_1\" width=\"333\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/311_especial_1_1.jpg 320w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/311_especial_1_1-180x135.jpg 180w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>O maior ex\u00e9rcito clandestino nos pa\u00edses ocupados pelos nazistas era o da Pol\u00f4nia, com cerca de 300 mil combatentes.<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pol\u00f4nia contava ent\u00e3o com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 30 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma estat\u00edstica que faz pensar. Mas, antes de mencionar estat\u00edsticas, o alerta que um amigo me fez: elas podem ser injustas, cru\u00e9is, assustadoras. Desde o G\u00eanesis, desde Abel e Caim &#8211; j\u00e1 ent\u00e3o! &#8211; a humanidade estava partida ao meio, dilacerada. \u201cOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?\u201d Todavia, o meu ponto de vista \u00e9 mais otimista. Ao longo dos s\u00e9culos, penso eu, o \u00f3dio destruidor foi sendo limitado a uma minoria enquanto a grande maioria, \u00e0s vezes moralmente l\u00edmbica ou simplesmente amedrontada pode ser ainda e sempre conquistada para o bem. Feita essa ressalva, continuo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a ocupa\u00e7\u00e3o da Pol\u00f4nia pelos nazistas um percentual pequeno de poloneses estava engajado em salvar os judeus e outro, tamb\u00e9m pequeno, era anti-semita. A maioria da popula\u00e7\u00e3o se mantinha \u00e0 margem dos acontecimentos, preocupada em simplesmente sobreviver. Qual seria a raz\u00e3o disso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria porque a Pol\u00f4nia era o \u00fanico pa\u00eds ocupado pelos nazistas em que qualquer ajuda a um judeu era punido com a pena de morte? Seria o pavor de morrer, e tamb\u00e9m toda a sua fam\u00edlia, ao tentar salvar um judeu? \u00c0s vezes, nem ao tentar salvar uma vida, bastava o simples gesto de ajuda. Mas n\u00e3o era assim tamb\u00e9m em outros pa\u00edses invadidos pelos alem\u00e3es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior ex\u00e9rcito clandestino nos pa\u00edses ocupados pelos nazistas era o da Pol\u00f4nia, com cerca de 300 mil combatentes. A Pol\u00f4nia contava ent\u00e3o com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 30 milh\u00f5es. Ou seja, os engajados diretamente na luta contra o invasor representavam cerca de 1%. Mas, e digo isso como testemunha daqueles tempos, todos \u00e0 nossa volta consideravam os alem\u00e3es inimigos de sua p\u00e1tria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, o termo mais adequado seria: nazistas, pois nem todos os alem\u00e3es apoiavam Hitler. A sanha (e a santidade!) \u00e9 de poucos. Acho que n\u00e3o se deva atribuir a nenhum povo uma culpa coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o cabe aqui elencar a lista dos pa\u00edses europeus que direta ou indiretamente se posicionaram a favor de Hitler. Onde as puni\u00e7\u00f5es eram bem mais \u201clight\u201d. Lembro-me, por exemplo, que os nossos guardas na pris\u00e3o de Pawiak eram ucranianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o bem da verdade \u00e9 preciso dizer tamb\u00e9m que o governo polon\u00eas no ex\u00edlio determinou a forma\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o clandestina na Pol\u00f4nia ocupada que tinha por objetivo salvar os judeus. Testemunhei com os meus pr\u00f3prios olhos fatos concretos de hero\u00edsmo. A Pol\u00f4nia, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, n\u00e3o era colaboracionista O exemplo emblem\u00e1tico disso \u00e9 a figura mundialmente conhecida de Irena Sendler, que salvou muitas crian\u00e7as do Gueto de Vars\u00f3via.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o menos emblem\u00e1tica \u00e9 a figura de Jan Karski. Seguindo ordens da Resist\u00eancia Polonesa adentrou, com risco de vida, o Gueto de Vars\u00f3via e, atravessando toda a Europa ocupada, levou um relat\u00f3rio minucioso para os governos dos Aliados. Pois bem, como saberemos mais adiante de sua pr\u00f3pria boca, n\u00e3o lhe deram ouvidos. O apelo desesperado dos judeus, que estavam sendo aniquilados, foi ignorado. O Juiz da Suprema Corte Americana, de origem judaica, n\u00e3o acreditou que o que estava ouvindo e lendo era a ign\u00f3bil verdade do holocausto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, os Aliados (?) assistiram passivamente ao Holocausto. Quando do Levante do Gueto de Vars\u00f3via, tamb\u00e9m n\u00e3o houve quem lhes prestasse ajuda, a n\u00e3o ser a Resist\u00eancia Polonesa (AK) com os seus parcos recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que os Aliados eram anti-semitas? Com certeza n\u00e3o o eram. Poder\u00edamos afirmar o mesmo dos poloneses que n\u00e3o participaram ativamente do socorro aos judeus. Com uma diferen\u00e7a brutal: os Aliados tomavam \u2013 ou deixavam de tomar! \u2013 as suas decis\u00f5es em gabinetes ministeriais e n\u00e3o corriam risco de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa sua omiss\u00e3o em agir imediatamente custou milh\u00f5es de vidas. Por que esse fato hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 divulgado? Enquanto isso, os poloneses envolvidos na Zegota (nome da organiza\u00e7\u00e3o clandestina inspirada pelo governo polon\u00eas no ex\u00edlio), eles e suas fam\u00edlias, arriscavam tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 divulgada: o projeto nazista visava exterminar n\u00e3o apenas os judeus, mas tamb\u00e9m os eslavos, os ciganos, os deficientes f\u00edsicos e os homossexuais. Todos aqueles que n\u00e3o correspondiam ao ideal do <em>Homo Germanicus<\/em>. Segundo os seus planos, apenas tr\u00eas milh\u00f5es de poloneses deveriam sobreviver para lhes servir de m\u00e3o de obra escrava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro-me de que, quando preso em Pawiak, localizado no Gueto de Vars\u00f3via, n\u00e3o faltavam pessoas que se afligiam e solidarizavam espiritualmente com os combatentes do Levante Judeu. Que mais pod\u00edamos fazer? N\u00e3o nos deixavam sair das celas nem durante os bombardeios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis as palavras finais de Jan Karski, que era crist\u00e3o, em seu livro o \u201cEstado secreto\u201d depois do seu encontro com os l\u00edderes do chamado mundo livre: \u201cPermitiram o exterm\u00ednio dos judeus. Ningu\u00e9m tentou det\u00ea-lo. Ningu\u00e9m quis tentar. Quando transmiti a mensagem do Gueto de Vars\u00f3via em Londres, depois em Washington, n\u00e3o acreditaram em mim. Ningu\u00e9m acreditou em mim porque ningu\u00e9m queria acreditar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos depois, o Estado de Israel apresentou a candidatura de Jan Karski para o Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido a uma mal tra\u00e7ada Lei, aprovada pelo Parlamento Polon\u00eas, eclodiu faz pouco tempo uma onda de anti-polonismo entre os judeus e de anti-semitismo entre parte da popula\u00e7\u00e3o polonesa. Lament\u00e1vel! Todos saem perdendo! S\u00e9culos de harmoniosa conviv\u00eancia do povo judeu com o povo polon\u00eas est\u00e3o sendo jogados no lixo. Um amigo meu judeu acha que tudo n\u00e3o passa de jogada eleitoral. Ent\u00e3o, pior ainda! H\u00e1 uma onda de nacionalismos varrendo a Europa que \u00e9 nada crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De parte a parte, h\u00e1 m\u00e1goas e feridas mal cicatrizadas. A quem interessa abrir essas feridas e faz\u00ea-las sangrar de novo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora percebo com mais nitidez os belos gestos do santo Jo\u00e3o Paulo II (um polon\u00eas). Ele foi o primeiro Papa na hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica a visitar uma sinagoga em Roma. A pedir perd\u00e3o a todos por nossos desatinos como crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, fez suas as palavras do tamb\u00e9m santo Jo\u00e3o XXIII: \u201cProcuremos sempre o que nos une e n\u00e3o o que nos separa\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tomasz \u0141ychowski<\/strong> &#8211; Poeta, tradutor, professor, pintor. Nasceu na Angola ainda sob dom\u00ednio portugu\u00eas, na cidade de Nova Lisboa. Em 1938, foi com seus pais para a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u0141ychowski \u00e9 o autor das tradu\u00e7\u00f5es de poesias de Julia Hartwig, Ryszard Krynicki e Ewa Lipska para a publica\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Letras. Para a revista &#8220;<em>Polonicus<\/em>&#8221; de Curitiba traduziu poemas selecionados de Karol Wojty\u0142a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior ex\u00e9rcito clandestino nos pa\u00edses ocupados pelos nazistas era o da Pol\u00f4nia, com cerca de 300 mil combatentes. A Pol\u00f4nia contava ent\u00e3o com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 30 milh\u00f5es. Uma estat\u00edstica que faz pensar. Mas, antes de mencionar estat\u00edsticas, o alerta que um amigo me fez: elas podem ser injustas, cru\u00e9is, assustadoras. 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