﻿{"id":45880,"date":"2018-10-13T21:06:38","date_gmt":"2018-10-13T21:06:38","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=45880"},"modified":"2018-10-13T21:06:38","modified_gmt":"2018-10-13T21:06:38","slug":"paz-incursao-ao-ciclo-de-5779-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=45880","title":{"rendered":"PAZ, INCURS\u00c3O AO CICLO DE 5779 &#8211; POR PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/323_especial_2_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-45882\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/323_especial_2_1-254x250.jpg\" alt=\"323_especial_2_1\" width=\"254\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/323_especial_2_1.jpg 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/323_especial_2_1-137x135.jpg 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/323_especial_2_1-50x50.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a>O que esperar se os homens j\u00e1 n\u00e3o se reconhecem como parceiros da mesm\u00edssima matriz? Se desprezam o tecido que os mant\u00e9m semelhantes?<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo final de ciclo j\u00e1 prospera o recome\u00e7o. Antes, observem bem os semblantes das pessoas. Estar\u00e3o mesmo atentas? A hist\u00f3ria \u00e9 afoita e se desenrola com celeridade. A velocidade com que ela espalha e as repercuss\u00f5es que causam parecem ser mais determinantes do que os pr\u00f3prios acontecimentos. A viol\u00eancia pol\u00edtica precede os atentados. A primeira vista parece indicar que, ao oferecer paz, subentende-se guerra. E assim, sucessiva e permanentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da ina\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, o clima que vivemos evidencia o descontrole da linguagem. A dominancia de palavras com significados invertidos prenunciam a anomia. Assim como nas ruas atuais, a amea\u00e7a \u00e9 que, inspirada na hesita\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos, n\u00e3o obedecer leis nem regras de organiza\u00e7\u00e3o amea\u00e7a tornar-se norma. E \u00e9 assim, ensina a hist\u00f3ria, que o sentido das coisas se dissipa. No dom\u00ednio das causas e das milit\u00e2ncias, preferimos ter raz\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de consensos. Os m\u00ednimos m\u00faltiplos comuns das sociedades foram perdendo subst\u00e2ncia. Subsistem sem for\u00e7a, enquanto o ponto de uni\u00e3o foi se diluindo em sucessivas subdivis\u00f5es. Quem pregou o marco zero, o nunca antes, desprezava a hist\u00f3ria, e n\u00e3o imaginava como ela pode ser ciumenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prioridade tem sido ideologia em detrimento da verdade. O drama, substituindo a realidade. A hist\u00f3ria n\u00e3o se repete como farsa, mas, com ajuda de farsantes, ela tem promovido diversos efeitos nefastos. A hist\u00f3ria \u00e9 neutra. Mas a m\u00e1 hermen\u00eautica e suas orquestras amestradas a retorcem. A filosofia instrumental que a deforma. A alus\u00e3o \u00e0s doutrinas arremata a falsifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as not\u00edcias simult\u00e2neas e d\u00edspares operando no cadafalso da desinforma\u00e7\u00e3o. No rastro dos sistemas de nota\u00e7\u00e3o. Conforme as observa\u00e7\u00f5es do rabino-soci\u00f3logo Adin Steinsaltz tem sido gra\u00e7as \u00e0 esta &#8220;sociologia da ignor\u00e2ncia&#8221; que os homens, sem se dar conta do tamanho do engano, aderem ao terror hobbesiano de &#8220;todos contra todos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paz? Seria a exce\u00e7\u00e3o. Sua bandeira? Est\u00e1 representada pelo acolhimento da dignidade das dissid\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que esperar se os homens j\u00e1 n\u00e3o se reconhecem como parceiros da mesm\u00edssima matriz? Se desprezam o tecido que os mant\u00e9m semelhantes? J\u00e1 n\u00e3o se apoiam nos crit\u00e9rios que numa teologia desmistificadora reafirmam a natureza sagrada da vida. Desatentos \u00e0 pr\u00f3pria origem, podem mudar de lugar, fazer rod\u00edzio no poder, criar novas tecnologias, mas ignorando suas matrizes comuns, nada podem cultivar, muito menos a cidadania. Passam a n\u00e3o mais notar a presen\u00e7a das m\u00faltiplas perspectivas. Ignoram a necessidade de um novo giro copernicano, onde para existir como sujeitos, precisamos anteceder o Estado e sermos servidos por ele, n\u00e3o o contr\u00e1rio. As pessoas devem ser priorit\u00e1rias, antes dos regimes pol\u00edticos e sistemas de pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez a paz \u00e9 nascente que surge de uma outra matriz. Irracional, a paz nasce de uma paix\u00e3o e chega a ser nonsense se considerarmos exclusivamente nossa natureza biol\u00f3gica. Um \u00edmpeto contrario \u00e0s puls\u00f5es mais comuns. Ela significa conc\u00f3rdia ou, como queriam os gregos, &#8220;fechar o templo de Jano&#8221;. A paz \u00e9 capaz de nos impelir ao paradoxal ponto de amor aos oponentes. Aceitar a alteridade \u00e9 s\u00f3 aparentemente uma ingenuidade, ainda que o altru\u00edsmo contrarie a ideologia da supera\u00e7\u00e3o. A paz, em seu sentido universal, recusa a dial\u00e9tica grega ocidental para adotar o estranho e incompreens\u00edvel esp\u00edrito dial\u00f3gico do Talmud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim o metasignificado da paz permanece desconhecido. \u00c9 mais do que colocar as armas em sarilhos. Mais do que compor-se com inimigos. Est\u00e1 al\u00e9m da fus\u00e3o de antagonismos. Pois depende da aceita\u00e7\u00e3o do deslocamento de um \u00fanico ponto de vista. Para al\u00e9m da simplifica\u00e7\u00e3o do contradit\u00f3rio. Como na revolu\u00e7\u00e3o promovida pela famosa c\u00e2mera de Orson Welles em Cidad\u00e3o Kane: a sincronicidade da coexistencia, as m\u00faltiplas perspectivas que se desdobram em exist\u00eancias \u00fanicas. \u00c9 com isso, e s\u00f3 com isso, que a democracia deveria se ocupar. Com o sujeito e suas idiossincrasias. S\u00f3 assim a tenta\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria seria contida ou dissipada. A ilus\u00e3o de uma ordem constru\u00edda de fora para dentro seria abandonada. E expulsaria da imagina\u00e7\u00e3o social a fantasia de hegemonia, predom\u00ednio e supremacia. E tamb\u00e9m da contra-hegemonia e dos discursos instrumentais do \u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que a interlocu\u00e7\u00e3o poderia n\u00e3o se reduzir a detalhe sup\u00e9rfluo. Que muitas miradas contemplassem-na ao mesmo tempo e enxergasse as paisagens estranhas umas \u00e0s outras. Que neutralizaria a ilus\u00e3o dos portadores do monop\u00f3lio absoluto da raz\u00e3o. E, como no Aleph de Borges, in\u00fameras moradas cont\u00e9m sincronicamente todos os pontos de vista e nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desta simultaneidade n\u00e3o excludente que o respeito m\u00fatuo, essencial ao conv\u00edvio em uma sociedade aberta, se alimenta. \u00c9 a maturidade poss\u00edvel, na qual se pode assumir que t\u00e3o cedo &#8212; ou nunca &#8212; haver\u00e1 perfei\u00e7\u00e3o. E que enfrentaremos melhor as mar\u00e9s oscilantes na ren\u00fancia ao belicismo, sem concess\u00f5es \u00e0 exig\u00eancia do justo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chance para recolher o que h\u00e1 de melhor sob o chamado instigante no peculiar tom do toque do berrante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Shan\u00e1 tov\u00e1 e shalom.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PAULO ROSENBAUM &#8211; M\u00e9dico e escritor, assina a coluna semanal \u201cCoisas da Pol\u00edtica\u201d, no JB \u2013 Jornal do Brasil. <a title=\"PAULO ROSENBAUM\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5109\" target=\"_blank\">Saiba mais.<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que esperar se os homens j\u00e1 n\u00e3o se reconhecem como parceiros da mesm\u00edssima matriz? Se desprezam o tecido que os mant\u00e9m semelhantes? Em todo final de ciclo j\u00e1 prospera o recome\u00e7o. Antes, observem bem os semblantes das pessoas. 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