﻿{"id":46886,"date":"2019-01-17T17:02:36","date_gmt":"2019-01-17T17:02:36","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=46886"},"modified":"2019-01-17T17:02:36","modified_gmt":"2019-01-17T17:02:36","slug":"alte-zachen-alte-zachen-por-marcos-wasserman-de-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=46886","title":{"rendered":"&#8220;ALTE ZACHEN, ALTE ZACHEN!&#8221;- POR MARCOS WASSERMAN, DE ISRAEL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>Enquanto houver pensadores, fil\u00f3sofos, escritores e vendedores \u00e1rabes de alte zachen (coisas usadas) em Tel Aviv, sempre haver\u00e1 uma esperan\u00e7a.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o pude acreditar quando ouvi a voz dele proclamando em voz alta, quase cantando, enquanto dirigia a carro\u00e7a puxada por dois burros, propondo-se a comprar coisas velhas. Uma tradicional propaganda de vendedor em \u00eddiche, s\u00f3 que, desta vez, o carroceiro era \u00e1rabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas j\u00e1 o conheciam, e ele ia parando de tantas em tantas casas para receber coisas de que as pessoas queriam se desfazer, desde quinquilharias e velhos eletrodom\u00e9sticos at\u00e9 m\u00f3veis usados. Pagava o pre\u00e7o, ningu\u00e9m discutia. \u00c0s vezes ele recebia mercadoria gr\u00e1tis, bens que as pessoas se desfaziam e deixavam na cal\u00e7ada em frente \u00e0s suas resid\u00eancias, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quem quisesse lev\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembrei-me ent\u00e3o de que certa vez, numa rua lateral perto do edif\u00edcio do meu escrit\u00f3rio, me deparei com algo inusitado em plena<em> Tel Aviv<\/em> moderna: uma loja que vende livros usados. Um verdadeiro &#8220;sebo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem n\u00e3o sabe, sebo era a denomina\u00e7\u00e3o que se dava (n\u00e3o sei se ainda hoje existe) para certas lojinhas que vendiam livros usados em S\u00e3o Paulo.Se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, havia uma na rua 15 de Novembro, onde n\u00f3s, estudantes, \u00edamos folhear, examinar e \u00e0s vezes comprar barat\u00edssimos livros, algum romance usado ou at\u00e9 um livro did\u00e1tico para nossos estudos universit\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dia, passando pelo sebo tel-avivense, entrei e fui dar uma olhada para recordar os velhos tempos.Para minha enorme surpresa, me deparei com um livro,um calhama\u00e7o de 600 p\u00e1ginas escrito em hebraico nada mais, nada menos pelo Eliahu (Elias) Lipiner, publicado pela Editora Magnes, da Universidade de Jerusal\u00e9m, com um subt\u00edtulo em Ingl\u00eas: <em>&#8220;The Metaphysics of the Hebrew Alphabet&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por alguns instantes, voltei ao meu passado. No meu segundo ano prim\u00e1rio no Col\u00e9gio Renascen\u00e7a, o Elias Lipiner foi meu professor de \u00eddiche. J\u00e1 adulto, estudante de Direito, fui seu estagi\u00e1rio em seu escrit\u00f3rio de advocacia, na Rua Bar\u00e3o de Paranacapiapava,em S\u00e3o Paulo. Havia ent\u00e3o poucos advogados judeus, e ele era muito procurado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos mais tarde fiz minha<em> Ali\u00e1<\/em> e revalidei meu t\u00edtulo para exercer a profiss\u00e3o. Decorridos um par de anos, para minha enorme surpresa, ele aparece e me informa que tamb\u00e9m fez sua <em>Ali\u00e1<\/em>. N\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de dizer que fui seu mentor, como um dia ele foi o meu, mas pude lhe dar as coordenadas. Uma vez que dominava perfeitamente o hebraico, ele pode em pouco tempo assimilar todo o material jur\u00eddico israelense resumido que serviam aos estudantes que iriam prestar o exame da Ordem dos Advogados de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que ele foi aprovado incontinente. Resultado: passamos a trabalhar juntos. Hoje ele est\u00e1 no Oriente Eterno, provavelmente em companhia de minha m\u00e3e, sua irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de que, no mundo inteiro, algo se est\u00e1 movendo, \u00e0s vezes numa v\u00e3 tentativa de se salvar das <em>Alte Zachen<\/em>, das teorias e conceitos superados, das pol\u00edticas do tempo do On\u00e7a, de uma ONU anacr\u00f4nica. Um mundo em que toda a tecnologia de ponta ainda chafurda na lama da ignor\u00e2ncia, do \u00f3dio, dos assassinatos, terrorismo e de guerras localizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui em Israel, cantamos o <em>\u201cHatikva\u201d<\/em>, o hino nacional, que significa &#8220;A Esperan\u00e7a&#8221;. Ela \u00e9 inerente ao Povo Judeu, sempre na expectativa de dias melhores, rezando pela paz e a seguran\u00e7a, sua e de todos os outros povos do mundo, na esperan\u00e7a de uma paz-<em>shalom<\/em> b\u00edblica universal. Um sonho milenar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que impede o avan\u00e7o para um mundo melhor \u00e9 uma moderna Anarquia, em seu sentido pejorativo, sem lei, que universalmente amea\u00e7a a paz e a seguran\u00e7a dos povos, com uma epidemia de homens suicidas e carros-bombas, e um terrorismo que se alastra, intrat\u00e1vel com qualquer rem\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto houver pensadores, fil\u00f3sofos, escritores e vendedores \u00e1rabes de alte zachen em Tel Aviv, sempre haver\u00e1 uma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: Em vern\u00e1culo, <em>alte zachen<\/em> refere-se a coisas usadas.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MARCOS WASSERMAN &#8211; \u00c9 advogado e reside em Israel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Email: <a href=\"mlwadvog@netvision.net.il%20&lt;mlwadvog@netvision.net.il&gt;\" target=\"_blank\">mlwadvog@netvision.net.il<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.wasserman-lawoffice.com\/\" target=\"_blank\">www.wasserman-lawoffice.com<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto houver pensadores, fil\u00f3sofos, escritores e vendedores \u00e1rabes de alte zachen (coisas usadas) em Tel Aviv, sempre haver\u00e1 uma esperan\u00e7a. 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