﻿{"id":47295,"date":"2019-02-07T20:57:47","date_gmt":"2019-02-07T20:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=47295"},"modified":"2019-02-07T20:57:47","modified_gmt":"2019-02-07T20:57:47","slug":"despertar-para-a-noite-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=47295","title":{"rendered":"DESPERTAR PARA A NOITE &#8211; POR PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/328_ESPECIAL_2_1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-47297\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/328_ESPECIAL_2_1-254x250.png\" alt=\"328_ESPECIAL_2_1\" width=\"254\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/328_ESPECIAL_2_1.png 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/328_ESPECIAL_2_1-137x135.png 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/328_ESPECIAL_2_1-50x50.png 50w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a>No rec\u00e9m lan\u00e7ado livro &#8220;Despertar para a noite e outros ensaios&#8221; (<strong>Quixote-Do, Belo Horizonte, 2018, 178p.<\/strong>) Lyslei Nascimento faz uma abordagem multifacetada sobre a Shoah (exterm\u00ednio de judeus pelo regime nacional socialista alem\u00e3o, tamb\u00e9m conhecido pelo nome Holocausto) e, ao mesmo tempo, lan\u00e7a um facho de esclarecimento sobre o retorno (ou o fim de uma curta hiberna\u00e7\u00e3o?) do antissemitismo. Nas palavras do prefaciador, Wander Melo Miranda, &#8220;na forma de vest\u00edgios, rastros ou res\u00edduos, a reminisc\u00eancia se constitui no intervalo entre o n\u00e3o contar para esquecer e o narrar para sobreviver&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao analisar livros e filmes, Nascimento atravessa um vertiginoso painel de autores e cenas que n\u00e3o s\u00f3 impressionam pela amplitude e erudi\u00e7\u00e3o, mas por trazer \u00e0 vida uma literatura n\u00e3o solicitada. Isto \u00e9, a apresenta\u00e7\u00e3o cultural, das vozes n\u00e3o aud\u00edveis, as escassas, aquelas ainda &#8212; e para sempre &#8212; indiz\u00edveis, que &#8211; numa era na qual, erroneamente, considerava-se sepultado o espectro de intoler\u00e2ncia \u00e9tnico-racial &#8211; n\u00e3o encontram mais lugar para testemunhar. Como afirma a ensa\u00edsta no cap\u00edtulo em que evoca dois poetas brasileiros que se ocuparam do tema da Shoah, Vinicius de Moraes e Jorge Amado:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A imperiosa necessidade de se revisitar o epis\u00f3dio da Shoah, delinea-se, para o escritor e para o leitor, como um empreedimento imposs\u00edvel de ser apreendido e contornado, mas nunca soterrado&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que a escava\u00e7\u00e3o se processa em camadas e , assim como o arque\u00f3logo, autor e leitor recolhem, por interm\u00e9dio do paradigma indici\u00e1rio daquele que foi um dos mais abomin\u00e1veis eventos, para, enfim reconstituir aquilo que Carlo Ginzburg chamou de &#8220;micro-hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela prossegue: &#8220;Cercar o fato hist\u00f3rico em sua barb\u00e1rie e contorn\u00e1-lo pela palavra ou pela arte, costurando textos e registros infames, \u00e9 sobretudo, lan\u00e7ar-se numa tarefa que, de antem\u00e3o, j\u00e1 se anuncia como incompleta, residual, b\u00e1rbara&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascimento passeia com leveza e destreza no seu campo de an\u00e1lise que \u00e9 o da literatura comparada e consegue, por meio das muitas refer\u00eancias culturais e historiogr\u00e1ficas, situar o leitor para al\u00e9m do campo da indigna\u00e7\u00e3o pura e da perplexidade paralisante: nos faz pensar nos aspectos multifacetados da Shoah, investindo de um lado na &#8220;voz dos vencidos&#8221; e, de outro, situando a cat\u00e1strofe no campo de uma fenomenologia ainda incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem ceder ao obscurantismo e tal qual a metodologia das discuss\u00f5es talm\u00fadicas, a autora se recusa ao reducionismo: n\u00e3o existe um &#8220;\u00e0 guisa de uma conclus\u00e3o&#8221;, nem mesmo uma insinua\u00e7\u00e3o de desfecho. \u00c9 que a extens\u00e3o da terra devastada do que tamb\u00e9m j\u00e1 foi chamado de &#8220;o maior drama da hist\u00f3ria ocidental&#8221; e as repercuss\u00f5es transgeracionais do genoc\u00eddio organizado pelos nazistas sempre impedir\u00e3o qualquer s\u00edntese, e, provavelmente, obnubilar\u00e3o a tenta\u00e7\u00e3o da explica\u00e7\u00e3o \u00fanica, cabal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um livro essencial, s\u00f3lido, concebido e escrito em um per\u00edodo hist\u00f3rico no qual at\u00e9 a busca pela verdade tornou-se est\u00e9ril e rarefeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo o Blog fez uma entrevista com a autora*:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como te ocorreu a ideia deste conjunto de textos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Shoah (Holocausto) \u00e9 um tema caro aos Estudos Judaicos aos quais tenho me dedicado desde o in\u00edcio de minha carreira, nos idos de 1990, na UFMG. Na Literatura e nas Artes em geral, o tema \u00e9 especialmente importante porque p\u00f5e em xeque nossa capacidade de reagir em momentos em que o mal e a viol\u00eancia parecem obliterar o que h\u00e1 de humano em n\u00f3s. Refletir sobre a arte em condi\u00e7\u00f5es adversas como foi a Segunda Guerra Mundial sempre me estimulou \u00e0 pesquisa, ao estudo e \u00e0 reflex\u00e3o. O livro Despertar para a noite e outros ensaios sobre a Shoah apresenta, assim, a sele\u00e7\u00e3o de algumas de minhas reflex\u00f5es sobre esse tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 muito material relacionado aos registros da Shoah, qual foi o crit\u00e9rio para fazer esta sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A Shoah, apesar do vasto e importante material produzido pela hist\u00f3ria, pelo cinema, pela literatura e artes em geral, ainda sofre reveses de discursos revisionistas e negacionistas. No mundo e, infelizmente, tamb\u00e9m no Brasil. Nesse sentido, o crit\u00e9rio para a sele\u00e7\u00e3o desses ensaios foi, basicamente, estudar alguns escritores e artistas que, \u00e0 contrapelo dessa tentativa de esquecimento e de soterramento contempor\u00e2neos, produzem suas obras como alertas \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o e ao respeito \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito interessante e oportuno o resgate feito por Vinicius e Jorge Amado, qual foi sua primeira impress\u00e3o? Por outro lado, h\u00e1 uma certa escassez de registros f\u00edlmicos sobre o Holocausto produzidos no Brasil, concorda? Ao que atribui essa escassez?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; H\u00e1 muitos artistas brasileiros n\u00e3o judeus que contribu\u00edram n\u00e3o s\u00f3 com a\u00e7\u00f5es, mas com um olhar l\u00facido sobre a Shoah a partir da arte. Tanto Amado quanto Vin\u00edcius, nas imagens da Judia de Vars\u00f3via e dos mortos no campo de concentra\u00e7\u00e3o, empreendem uma rea\u00e7\u00e3o a certo sil\u00eancio de artistas e intelectuais, naquele per\u00edodo, por interm\u00e9dio da for\u00e7a expressiva da palavra po\u00e9tica. Nenhum dos dois textos \u00e9 passivo, omisso ou produz um elogio do soterramento e do esquecimento. As met\u00e1foras utilizadas por esses poetas brasileiros s\u00e3o terr\u00edveis, por\u00e9m, elas revelam a necessidade de, mais do que um fantasma ou de um esqueleto, termos, sempre, diante de n\u00f3s, que nossa capacidade de indignar-se diante da viol\u00eancia deve ser um aprendizado e uma tarefa cont\u00ednuos do humano. H\u00e1 textos fundamentais de Carlos Drummond de Andrade e Guimar\u00e3es Rosa (ambos com atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica importante no per\u00edodo), Hilda Hilst, Maria Jos\u00e9 de Queiroz, s\u00f3 para citar alguns escritores, que esperam que os leitores e pesquisadores os visitem em nossos tempos sombrios. Minha inten\u00e7\u00e3o, assim, foi trazer aos leitores dos grandes romances de Jorge Amado e aos admiradores das can\u00e7\u00f5es de Vinicius de Moraes, uma face espl\u00eandida ainda a se descobrir desses autores. Sobre os filmes, eu diria que o impacto da Shoah sobre os nossos realizadores ainda est\u00e1 por acontecer. H\u00e1 in\u00fameras e inspiradoras hist\u00f3rias a serem contadas, principalmente, a dos sobreviventes e dos refugiados que vieram para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que descobriu de interessante na rela\u00e7\u00e3o entre ciganos e judeus (filme Trem da vida, de Radu Mihaileanu). A quest\u00e3o do humor na Shoah merece cuidados extras ou como voc\u00ea escreve \u201cn\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer humor muito menos com a cat\u00e1strofe\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ciganos, judeus, homossexuais, advers\u00e1rios pol\u00edticos e outras tantas v\u00edtimas do Nazismo foram massacrados por um regime totalit\u00e1rio que intentava abolir diferen\u00e7as como uma pol\u00edtica violenta de Estado. No caso dos ciganos, a maioria \u00e1grafos, o drama hist\u00f3rico \u00e9 especialmente grave. O recurso \u00e0 mem\u00f3ria d\u00e1-se, muitas vezes, pela escrita. Assim, a valoriza\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias de vida, da oralidade e do posterior registro desses relatos \u00e9 de suma import\u00e2ncia. No filme de Mihaileanu, \u00e9 revelador que os ciganos sejam aproximados aos judeus, tradicionalmente considerados \u201co povo do Livro\u201d. Na Shoah, no entanto, ficou evidente a igualdade da condi\u00e7\u00e3o humana, independente de quaisquer fatores culturais ou religiosos. No filme, a m\u00fasica e a dan\u00e7a ilumina essa igualdade e n\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a que se faz presente. Acredito que essa \u00e9 li\u00e7\u00e3o de Mihaileanu para o nosso tempo: buscar as aproxima\u00e7\u00f5es, n\u00e3o as diverg\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual o aspecto mais relevante e que destacaria na sua an\u00e1lise do romance de Richard Zimler <em>Os anagramas de Vars\u00f3via?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; De toda a produ\u00e7\u00e3o ficcional contempor\u00e2nea que tem a Shoah como tema, esse romance de Zimler \u00e9 um dos mais instigantes. A trama policial marcada pela conting\u00eancia da segrega\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia do gueto, p\u00f5e o leitor diante da crueldade estampada na tortura, no assassinato sum\u00e1rio e na viola\u00e7\u00e3o de todos os direitos do indiv\u00edduo, a s\u00e9rie de crimes contra crian\u00e7as dentro do gueto, reafirma a quase onipot\u00eancia do mal e sua materialidade, no entanto, apesar de tudo, nesse espa\u00e7o, pode surgir uma luz. No romance de Zimler, afirma-se que todos os templos s\u00e3o met\u00e1foras do corpo humano, logo, \u00e9 o corpo que d\u00e1 origem a um conceito de sagrado. O crime e o assassinato s\u00e3o, no romance, uma forma de desarranjar o mundo, retirar dele tudo o que haveria de sagrado. A fic\u00e7\u00e3o de Zimler \u00e9, nesse sentido, human\u00edstica, no desafio de se aproximar do limite dessa express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que, como escreveu David Grossman, os escritores que escrevem e escrever\u00e3o sobre o Holocausto \u201cest\u00e3o de antem\u00e3o fadados ao fracasso\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Talvez porque estejamos diante de uma viol\u00eancia t\u00e3o inimagin\u00e1vel que a linguagem n\u00e3o consiga abarc\u00e1-la por completo. A partir desse ponto de vista, a situa\u00e7\u00e3o-limite da Shoah \u00e9 sombria. No entanto, n\u00e3o estamos num vazio, mas entre fragmentos, ru\u00ednas e cinzas, \u201ccoisas\u201d em estado de dicion\u00e1rio, como queria Carlos Drummond de Andrade, que parecem trazer de longe, ou de n\u00e3o t\u00e3o longe na hist\u00f3ria, \u201centre o ser e as coisas\u201d, vozes que n\u00e3o podem ser apagadas. Talvez Grossman esteja dizendo ao leitor que o escritor torna-se, quando se trata da mem\u00f3ria da Shoah, um razo\u00e1vel copista em meio a um mundo que n\u00e3o faz mais sentido se tomado em uma imagin\u00e1ria grandeza. Por isso, a aproxima\u00e7\u00e3o entre poesia, narrativa e enciclop\u00e9dia, em suas formas mais contempor\u00e2neas, parece por em xeque n\u00e3o s\u00f3 uma teoria da poesia p\u00f3s-Auschwitz e a senten\u00e7a adorniana que sobre ela recai, mas uma possibilidade de leveza, a da imagem do romancista que, como queria Italo Calvino, sobreleva o peso do mundo. Nesse sentido, mesmo sabendo que n\u00e3o conseguir\u00e1 tudo, o escritor, o artista, e n\u00f3s, os leitores, devemos ser incans\u00e1veis. O fracasso, portanto, em Grossman, \u00e9 o nosso mote para a tarefa infinita de se estar atento ao mal e aos seus efeitos sobre a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No caso de Moacyr Scliar e de suas repercuss\u00f5es sobre o microcosmos de um bairro de Porto Alegre: qual \u00e9 o papel do regional na percep\u00e7\u00e3o da Cat\u00e1strofe?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A m\u00e1xima atribu\u00edda a Leon Tolstoi de que quando se est\u00e1 falando da aldeia est\u00e1-se falando do mundo pode ser aproximada a toda obra de Scliar. Quando o escritor constr\u00f3i o bairro judaico do Bom Fim, no romance A Guerra no Bom Fim, muito das aldeias pintadas por Marc Chagall tamb\u00e9m est\u00e3o ali evocadas. Ent\u00e3o, o microcosmos, a \u201caldeia\u201d, que \u00e9 o bairro do Bom Fim, no Brasil, \u00e9 um modelo liter\u00e1rio em miniatura do que ocorre no mundo. Primorosamente, a Segunda Grande Guerra \u00e9 o que emoldura o pequeno pa\u00eds do Bom Fim. Entremeados \u00e0 not\u00edcias do front, os jogos de guerra encenados pelas crian\u00e7as reproduzem, em escala menor, os desastres ocorridos na Europa. Scliar, nesse sentido, \u00e9 um mestre da microfic\u00e7\u00e3o que espelha e desloca, pela fantasia, a macro-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu texto que d\u00e1 nome ao livro atravessa a obra de Primo Levi e Elie Wiesel e o pensamento de Walter Benjamin, especialmente, quando este grafou \u201cnunca houve um Monumento da cultura que n\u00e3o tenha sido tamb\u00e9m um monumento da barb\u00e1rie\u201d. Ent\u00e3o, qual seria o leitmotiv de um autor para narrar um fato hist\u00f3rico \u2013 sob a fic\u00e7\u00e3o ou fora dela \u2013 se ela sempre ser\u00e1 \u201cincompleta, residual e b\u00e1rbara\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A necessidade de acordar para a \u201cnoite\u201d, como sugere Wiesel, em A noite, \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o para os nossos tempos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atravessar os dias como se estiv\u00e9ssemos num sono profundo. H\u00e1 que se despertar, h\u00e1 que se sonhar, mas, de olhos abertos. Por for\u00e7a de valorizarmos, em extremo, a cultura, por vezes, esquecemos de nossa humanidade. Estar atento \u00e0 barb\u00e1rie do excesso de racionalidade tamb\u00e9m \u00e9 um desafio. N\u00e3o podemos nos esquecer que o Nazismo foi poss\u00edvel numa na\u00e7\u00e3o que produziu os mais sensacionais escritores, m\u00fasicos e artistas de todos os tempos, a Alemanha. Equilibrar-se, portanto, entre o sono (o sonho) e a vig\u00edlia \u00e9 fundamental. Vivemos num tempo de monumentos est\u00e9reis, nesse sentido, os \u201cpequenos relatos\u201d que escapam \u00e0 grandiloqu\u00eancia devem ser trazidos \u00e0 luz, sem mistifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s teu valioso levantamento historiogr\u00e1fico, depois de Auschwitz ainda existe espa\u00e7o para a presen\u00e7a cotidiana da transcend\u00eancia e da m\u00edstica ou o mundo judaico ficou impregnado pelo ceticismo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sempre haver\u00e1 espa\u00e7o para a poesia, para a fic\u00e7\u00e3o, para a arte. Disso depende a nossa sobreviv\u00eancia. O ceticismo \u00e9, tamb\u00e9m, uma forma de ficcionalizar a pr\u00f3pria incredulidade, n\u00e3o \u00e9? A transcend\u00eancia vazia ou a m\u00edstica que oblitera a raz\u00e3o, a meu ver, devem ser sempre questionadas. Sobre a presen\u00e7a judaica no mundo, gostaria de citar o Rabino Henry Sobel. Para ele, a miss\u00e3o do judeu n\u00e3o \u00e9 tornar o mundo mais judaico, mas tornar o mundo mais humano.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>*Lyslei Nascimento<\/strong> \u00e9 doutora em Letras: Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, onde \u00e9, atualmente, professora de Teoria da Literatura e Literatura Comparada, editora da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG e coordenadora do N\u00facleo de Estudos Judaicos da UFMG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo Rosenbaum<\/strong> &#8211; M\u00e9dico e escritor, assina a coluna semanal \u201cCoisas da Pol\u00edtica\u201d, no JB \u2013 Jornal do Brasil. Saiba mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"paulorosenbaum@hotmail.com%20&lt;paulorosenbaum@hotmail.com&gt;\" target=\"_blank\">paulorosenbaum@hotmail.com<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: Mat\u00e9ria publicada no Estad\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No rec\u00e9m lan\u00e7ado livro &#8220;Despertar para a noite e outros ensaios&#8221; (Quixote-Do, Belo Horizonte, 2018, 178p.) 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