﻿{"id":49883,"date":"2019-08-24T20:28:42","date_gmt":"2019-08-24T20:28:42","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=49883"},"modified":"2019-08-24T20:28:42","modified_gmt":"2019-08-24T20:28:42","slug":"paternar-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=49883","title":{"rendered":"PATERNAR &#8211; POR PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/340_especial_1_1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-49884\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/340_especial_1_1-254x250.png\" alt=\"340_especial_1_1\" width=\"254\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/340_especial_1_1.png 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/340_especial_1_1-137x135.png 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/340_especial_1_1-50x50.png 50w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/a>Paternar \u00e9 sobretudo uma experi\u00eancia transformadora que altera a percep\u00e7\u00e3o do dever individual e coletivo.<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 infrequente que evoquemos o peculiar fen\u00f4meno superprotetor das m\u00e3es italianas e judias e n\u00e3o existe esta correspond\u00eancia para pais. \u00c9 evidente que a paternidade tem ficado como um pano de fundo, um detalhe do mundo em uma era de ressignifica\u00e7\u00e3o do papel dos g\u00eaneros. H\u00e1 infinitas categorias de pais, h\u00e1 aquele que pregam que &#8220;tem que rir a cada 15 minutos&#8221;, pais prof\u00e9ticos, cientistas, estimuladores, cr\u00edticos, artistas, aventureiros, construtores, plantadores, artes\u00e3os, instrutores, escritores, m\u00e9dicos e professores. H\u00e1, sob o espectro do pai, um sentimento que transcende a categoria de autor, na verdade a paternidade apresenta, paradoxalmente, um importante desapego \u00e0 autoria. Diz-se na tradi\u00e7\u00e3o judaica que o mundo s\u00f3 pode passar a ter autodetermina\u00e7\u00e3o quando o Pai celestial decidiu contrair-se. N\u00e3o \u00e9 fortuito que um movimento de recolhimento\/expans\u00e3o, o tzimtzum, tamb\u00e9m conhecido hoje como big-bang, tenha dado origem ao Cosmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observemos o verbete pai na linguagem dos sin\u00f4nimos: genitor, aba, gerador, autor dos dias de algu\u00e9m, primogenitor e procriador. Sem contexto, pode-se facilmente confundir com uma vis\u00e3o opressiva do patriarcado. A paternidade tem ficado sob suspeita, junto com tudo que se refere aos temas da masculinidade. Mas nem tudo no masculino e na paternidade s\u00e3o subprodutos da cultura chauvinista e opressora. H\u00e1 sinais antigos de que os homens buscam uma forma de compartilhar responsabilidades. Cita-se, por exemplo, um velho rito de solidariedade na cultura irlandesa na qual o marido simula sentir as dores do parto enquanto a mulher d\u00e1 a luz.* H\u00e1, na paternidade, especialmente na contempor\u00e2nea, aspectos desconhecidos, sequer pesquisados, que poderiam desinregecer o debate.** Pois h\u00e1 um nov\u00edssimo pai, aquele que vem emergindo atrav\u00e9s das mudan\u00e7as s\u00f3cio-culturais e que pode &#8220;paternar&#8221; dividindo direitos e deveres com a companheira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na minha experiencia pessoal, a paternidade apresentou a primeira grande revela\u00e7\u00e3o com as primeiras palavras das minhas filhas: &#8220;Mamm\u00e3e&#8221;. Mais adiante, quando uma delas se referiu ao Criador como &#8220;Ela&#8221;. Se at\u00e9 o g\u00eanero do Onipresente estava em quest\u00e3o, ali j\u00e1 se antevia: o mundo paterno merecia mesmo uma requalifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00edmbolo que caracteriza o pai \u00e9, sobretudo, o de um renunciador, algu\u00e9m que escolhe anular-se para que os seus sucessores possam existir. Poder-se-ia ir mais longe e parafrasear Freud quando fala das m\u00e3es, o bom pai \u00e9 aquele que se torna aos poucos desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paternidade n\u00e3o \u00e9 apenas uma efem\u00e9ride que se encerra quando a autonomia filial toma corpo. Os pais adotivos mostram tamb\u00e9m que a colabora\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 apenas um, provavelmente n\u00e3o o mais relevante t\u00f3pico. Aspectos como prover, cuidar e proteger perduram simbolicamente para al\u00e9m da presen\u00e7a ou exist\u00eancia f\u00edsica daqueles que assumem os filhos. Paternar \u00e9, sobretudo, uma experi\u00eancia transformadora que altera a percep\u00e7\u00e3o do dever individual e coletivo. E mesmo com tanta diversidade o que conta \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o \u00fanica que, como filhos, desenvolvemos com eles. Do ponto de vista do pai o mais espantoso \u00e9, mesmo sem usufruir a sensa\u00e7\u00e3o de acolher filhos durante nove meses, \u00e9 poder colaborar na gera\u00e7\u00e3o de um dos frutos mais curiosos da natureza: sementes que podem viver e gerar \u00e1rvores muito diferentes daquelas que lhes deram origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* **Cf. Rosenbaum, Silvia Fernanda R. &#8220;Perman\u00eancia a Transforma\u00e7\u00e3o, Paternidade na Revista Pais e Filhos&#8221; Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, PUC-SP 1998.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo Rosenbaum<\/strong> &#8211; M\u00e9dico e escritor, assina a coluna semanal \u201cCoisas da Pol\u00edtica\u201d, no JB \u2013 Jornal do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Possui gradua\u00e7\u00e3o em Medicina pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUCSP-1986), mestrado em Medicina (Medicina Preventiva) pela Universidade de S\u00e3o Paulo (1999) e doutorado em Ci\u00eancias pela Universidade de S\u00e3o Paulo (2005), p\u00f3s doutor pela Universidade de S\u00e3o Paulo.(2010). <a title=\"PAULO ROSENBAUM\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5109\">Saiba mais.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paternar \u00e9 sobretudo uma experi\u00eancia transformadora que altera a percep\u00e7\u00e3o do dever individual e coletivo. 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