﻿{"id":5130,"date":"2013-05-31T18:42:44","date_gmt":"2013-05-31T18:42:44","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhawp.hospedagemdesites.ws\/?p=5130"},"modified":"2013-06-15T22:17:05","modified_gmt":"2013-06-15T22:17:05","slug":"a-memoria-tecida-de-silencios-e-fantasmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5130","title":{"rendered":"A MEM\u00d3RIA TECIDA DE SIL\u00caNCIOS E FANTASMAS"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\"><i>Vencedor do 2\u00ba Pr\u00eamio Benvir\u00e1, &#8216;Deserto&#8217; foi lan\u00e7ado dia 21 de maio<\/i><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\"><strong><i>\u00a0<a href=\"http:\/\/glorinhawp.hospedagemdesites.ws\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/177_especial_2.1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-5131\" alt=\"177_especial_2.1\" src=\"http:\/\/glorinhawp.hospedagemdesites.ws\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/177_especial_2.1-183x135.jpg\" width=\"183\" height=\"135\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/177_especial_2.1-183x135.jpg 183w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/177_especial_2.1.jpg 288w\" sizes=\"(max-width: 183px) 100vw, 183px\" \/><\/a><\/i><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\"><strong>Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Professor de literatura hebraica e judaica na USP, Luis S. Krausz tinha 16 anos quando integrou uma excurs\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Unificada para Israel. Era o final dos anos 1970 e a ideia de que o povo judeu devia voltar \u00e0 terra de seus antepassados e viver de seu cultivo ainda vigorava. Passou dois meses numa escola agr\u00edcola ao lado de outros adolescentes e teve duas semanas de folga antes de voltar ao Brasil. Mas a regra era clara: n\u00e3o podia ir para a Europa, ou seja, desviar-se do caminho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Essa hist\u00f3ria voltou \u00e0 mem\u00f3ria de Krausz, hoje com 52 anos, depois que ele publicou, em 2011, Desterro &#8211; Mem\u00f3rias em Ru\u00ednas (Tordesilhas), seu primeiro romance, escrito ap\u00f3s a morte do pai e da av\u00f3 paterna. O livro resgata as mem\u00f3rias que herdou deles. &#8220;Foi um mergulho nas minhas origens familiares, nas coisas que s\u00e3o passadas para os descendentes n\u00e3o por meio de palavras, mas de forma silenciosa e involunt\u00e1ria. Senti que com essas mortes as hist\u00f3rias tamb\u00e9m tinham desaparecido e escrever foi uma tentativa de fixar esses fantasmas&#8221;, diz o autor, que depois acabou mergulhando nas pr\u00f3prias lembran\u00e7as para escrever Deserto, um breve e delicado registro ficcional dessa viagem feita aos 16 \u00e0 terra de seus antepassados, \u00e0 casa de seus parentes e \u00e0 Londres de seu sonhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">O livro ficou na gaveta por alguns meses at\u00e9 que Krausz ouviu sobre o Pr\u00eamio Benvir\u00e1 de Literatura. Inscreveu a obra, concorreu com outros 1.500 autores e venceu &#8211; como pr\u00eamio, ganhou R$ 30 mil e a edi\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo, que ser\u00e1 lan\u00e7ado na ter\u00e7a-feira, \u00e0s 19 h, na Livraria Saraiva do Shopping Higien\u00f3polis (Av. Higien\u00f3polis, 618).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Deserto tem dura\u00e7\u00e3o de duas semanas, tempo em que o garoto vai de casa em casa conhecendo seus parentes distantes. Dorme em bibliotecas, sai para caminhar pela vizinhan\u00e7a, senta-se \u00e0 mesa com desconhecidos de fisionomia semelhante \u00e0 da sua av\u00f3, ouve m\u00fasica cl\u00e1ssica e narra com detalhes as comidas que experimentou, as sensa\u00e7\u00f5es e impress\u00f5es que esses encontros despertaram nele. Numa das passagens, conta sobre uma noite de leituras organizada pelo tio-av\u00f4, da qual participou o dramaturgo Max Zweig, primo de Stefan Zweig. O livro Davidia, autografado, \u00e9 guardado por Krausz como uma lembran\u00e7a daquele evento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Deserto \u00e9, segundo seu autor, um retorno ao mundo dos judeus austr\u00edacos assimilados, que se sentiam em casa na \u00c1ustria e foram tomados de surpresa pela ascens\u00e3o do nazismo, que fugiram mas passaram a vida vinculados \u00e0 sua cultura, l\u00edngua de origem e aos costumes e gostos. E passaram a vida buscando esse lugar no mundo &#8211; mas que pelo menos tiveram essa chance. &#8220;Essa ambival\u00eancia est\u00e1 presente nos personagens e em mim. De um lado esse se sentir em casa onde se est\u00e1 e de outro ter a d\u00favida: ser\u00e1 que esse \u00e9 mesmo o meu lugar?&#8221; A Metamorfose, de Kafka, foi o livro que acompanhou o jovem Krausz na sua jornada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">&#8220;O prop\u00f3sito da viagem era convencer os jovens judeus de que a vida na Di\u00e1spora era um equ\u00edvoco. E o que me interessou foi exatamente o contr\u00e1rio, foi o universo dos judeus assimilados, da Di\u00e1spora, um grupo que acho fascinante.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Essa excurs\u00e3o foi o ponto de partida da obra, mas o autor garante que nem tudo \u00e9 real. &#8220;O trabalho art\u00edstico n\u00e3o est\u00e1 em transcrever mem\u00f3rias, mas em despertar essas mem\u00f3rias e construir em torno delas. Interferir e recompor essa trama&#8221;, comenta. As percep\u00e7\u00f5es impressas em Deserto s\u00e3o as que ele tem do que podem ter sido aqueles momentos vividos 35 anos atr\u00e1s. &#8220;N\u00e3o tenho nenhuma pretens\u00e3o de entregar ao leitor um relato verdadeiro, mas um relato plaus\u00edvel.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\"><b>Trechos de Deserto<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">&#8220;O apartamento era pequeno, numa daquelas ruazinhas tomadas por predinhos de tr\u00eas andares, todos id\u00eanticos, constru\u00eddos \u00e0s pressas nos anos 1950 e 1960 para acolher as levas de refugiados que haviam passado anos em campos de tr\u00e2nsito, na Europa. Antes de subirmos as escadas, meu tio-av\u00f4 me levou para conhecer o abrigo antibomba no subsolo do pr\u00e9dio, cuja entrada era marcada com um letreiro hebraico, com letras berrantes que diziam: miklat.* Em id\u00edche, que eu entendia mais ou menos apenas por causa da proximidade com o alem\u00e3o ele deu a entender que j\u00e1 havia passado algumas temporadas ali.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">* Miklat: em hebraico, &#8220;abrigo antibombas&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">&#8220;Minha compreens\u00e3o do que eles diziam era imperfeita tanto quanto era imperfeita a minha compreens\u00e3o das palavras hebraicas que eram pronunciadas nas rezas de Rosh hashan\u00e1 e de Yom kipur que se organizavam na casa de meus av\u00f3s, e assim como l\u00e1, \u00e0 mesa do ch\u00e1, eu me esfor\u00e7ava para manter o sil\u00eancio e, compenetrado, tentar apreender o significado do que se dizia \u00e0 minha\u00a0volta (&#8230;)&#8221;<\/span><\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Fonte:\u00a0(<a href=\"http:\/\/estadao.br.msn.com\/cultura\/a-mem%c3%b3ria-tecida-de-sil%c3%aancios-e-fantasmas-1\" target=\"_blank\">http:\/\/estadao.br.msn.com\/cultura\/a-mem%c3%b3ria-tecida-de-sil%c3%aancios-e-fantasmas-1<\/a>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vencedor do 2\u00ba Pr\u00eamio Benvir\u00e1, &#8216;Deserto&#8217; foi lan\u00e7ado dia 21 de maio \u00a0 Divulga\u00e7\u00e3o Professor de literatura hebraica e judaica na USP, Luis S. 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