﻿{"id":52077,"date":"2020-01-25T20:38:34","date_gmt":"2020-01-25T20:38:34","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=52077"},"modified":"2020-01-25T20:38:34","modified_gmt":"2020-01-25T20:38:34","slug":"consciencia-tem-cor-por-meraldo-zisman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=52077","title":{"rendered":"CONSCI\u00caNCIA TEM COR? &#8211; POR MERALDO ZISMAN"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/348_Especial_4_1.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-52078\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/348_Especial_4_1-166x250.png\" alt=\"348_Especial_4_1\" width=\"166\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/348_Especial_4_1-166x250.png 166w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/348_Especial_4_1-90x135.png 90w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/348_Especial_4_1.png 286w\" sizes=\"(max-width: 166px) 100vw, 166px\" \/><\/a>Amossegando e recordando o dia da Consci\u00eancia Negra no Brasil (20 de novembro), conclui que o acontecimento mais importante foi a devolu\u00e7\u00e3o da negritude ao nosso escritor maior, Machado de Assis (1839-1908).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A triste constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a mis\u00e9ria e o preconceito t\u00eam at\u00e9 tonalidade entre n\u00f3s. Da\u00ed a minha pergunta: desde quando consci\u00eancia tem cor? Ser\u00e1 ela branca, amarela ou vermelha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os brasileiros orgulham-se de seu hist\u00f3rico em mat\u00e9ria de rela\u00e7\u00f5es raciais. O mais correto ser\u00e1 dizer que o brasileiro de classe alta costuma orgulhar-se de sua toler\u00e2ncia racial, enquanto o de classe baixa n\u00e3o tem consci\u00eancia dela, limita-se a pratic\u00e1-la. O racista antinegro (ou antissemita) que ocasionalmente se encontra, enquadra-se quase sempre em dois tipos: ou \u00e9 o membro da &#8220;sociedade&#8221; desprovido de consci\u00eancia que, no decorrer de suas viagens, conheceu na &#8220;sociedade&#8221; pessoas que t\u00eam preconceito contra negros ou judeus, perdendo assim sua criptotoler\u00e2ncia (indisfar\u00e7\u00e1vel) nativa ou \u00e9 imigrante europeu, que veio para o Brasi l j&amp; ;aacu te; tendo sofrido discrimina\u00e7\u00e3o desde o seu pa\u00eds de origem. Digo isto passeando pelos escritos da poetisa Elizabeth Bishop (1911-1979).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempo, permitam-me recordar algo que aprendi como m\u00e9dico e simples cidad\u00e3o, filho de imigrante judeu nascido\/criado\/educado no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os seres humanos apresentam diversas tonalidades de pele e de pelos de acordo com o seu conte\u00fado de melanina, pigmento acastanhado que tinge a pele negra, quando em grande concentra\u00e7\u00e3o. A melanina n\u00e3o passa de corp\u00fasculos intracelulares que se armazenam na pele de alguns seres vivos, existindo dois subtipos do pigmento mel\u00e2nico que s\u00e3o produzidos no interior dos melanossomos (c\u00e9lulas produtoras desse pigmento cut\u00e2neo). S\u00e3o eles: eumelanina e a feomelanina. A eumelanina destaca-se por apresentar uma cor que varia de marrom a negro. A feomelanina, por sua vez, possui colora\u00e7\u00e3o vermelha ou amarela. Assim os nomes: pardo, preto, branco, amarelo, vermelho\/ que apa recem em v\u00e1rias das nossas fichas identificadoras s\u00e3o denomina\u00e7\u00f5es sociais, nada a ver com a biologia real&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveitando o tema antirracista que hoje invade a M\u00eddia Brasileira gra\u00e7as a determinados movimentos liter\u00e1rios, acad\u00eamicos, pol\u00edticos ou assemelhados, al\u00e9m da defesa de Ideologias Antiquadas, diria que tal tema serve bem para insuflar o preconceito racial da minoria branca contra a maioria populacional brasileira, parda ou negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguramente essa falsifica\u00e7\u00e3o de preconceito racial \u00e9 a mais importante das \u00falceras nacionais a serem combatidas. Ainda acrescento que essa autodesigna\u00e7\u00e3o de uma pessoa ao se diagnosticar de branco, preto, pardo, \u00edndio \u00e9 uma maneira de camuflar preconceito racista. Explico porqu\u00ea: essas exig\u00eancias do conhecimento que o &#8220;Eu&#8221; tem sobre &#8220;si mesmo&#8221; possui dois aspectos distintos: por um lado, um aspecto descritivo, chamado autoimagem, e por outro, um aspecto valorativo, a autoestima. Essa autodenomina\u00e7\u00e3o de branco ou miscigenado \u00e9 por si s\u00f3 um preconceito. E n\u00e3o \u00e9 nada confort\u00e1vel a classifica\u00e7\u00e3o dos in div&amp; ;iacu te;duos por categoria, classe, ra\u00e7a ou qualidade humana, baseada apenas na pigmenta\u00e7\u00e3o da pele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser negro no Brasil \u00e9 muito dif\u00edcil e a maioria dos sem emprego s\u00e3o negros, se acreditarmos na estat\u00edstica atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa camuflagem intelectual n\u00e3o \u00e9 mais que um modelo c\u00ednico (mas politicamente correto), denominado de \u201cEscravid\u00e3o Branda dos Afrodescendentes\u201d al\u00e9m de n\u00e3o passar de mais uma fal\u00e1cia hist\u00f3rica do Brasil. Seria como se qualquer forma de escravid\u00e3o tivesse grada\u00e7\u00f5es e fosse capaz de ser adjetivada. Dizer que servid\u00e3o, sujei\u00e7\u00e3o, cativeiro s\u00e3o a\u00e7\u00f5es dolorosamente tr\u00e1gicas tanto para o senhor quanto para o afro-oriundo de pele mais ou menos negra \u00e9 no m\u00ednimo um cac\u00f3fato nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fecho este artigo sobre Preconceito \u00e0 Brasileira contando uma anedota vinda do humor judaico (aquele que faz gra\u00e7a com a pr\u00f3pria desgra\u00e7a para n\u00e3o ofender outras ra\u00e7as). Dizem ter acontecido l\u00e1 pelas bandas novaiorquinas, vamos a ela:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inverno naquela cidade \u00e9 intenso, principalmente as ventanias nas esquinas das suas largas e garbosas avenidas numeradas. Sentado justo no meio fio de um desses cantos, um afro-descente, tiritando de frio, procurava agasalhar-se com folhas de jornais velhos. E como grande parte dos novaiorquinos \u00e9 de origem judaica, existia imprensa escrita no idioma \u00eddiche, que se escreve com caracteres hebraicos. Um passante, vendo a tentativa de abrigo com papel de jornal em grafia hebraica perguntou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Voc\u00ea \u00e9 judeu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Responde o afro-americano tiritando, sentado no meio-fio, coberto parcialmente de neve: \u201cS\u00f3 me faltava essa&#8230; n\u00e3o bastasse ser negro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O politicamente correto \u00e9 a variante mais recente da falsidade humana.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DR. MERALDO ZISMAN<\/strong> \u2013 M\u00e9dico, psicoterapeuta, \u00e9 natural de Recife \u2013 Pernambuco. <a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=4915\" target=\"_blank\">Saiba mais.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"meraldozisman@uol.com.br&lt;meraldozisman@uol.com.br&gt;\" target=\"_blank\">meraldozisman@uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amossegando e recordando o dia da Consci\u00eancia Negra no Brasil (20 de novembro), conclui que o acontecimento mais importante foi a devolu\u00e7\u00e3o da negritude ao nosso escritor maior, Machado de Assis (1839-1908). A triste constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a mis\u00e9ria e o preconceito t\u00eam at\u00e9 tonalidade entre n\u00f3s. 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