﻿{"id":53200,"date":"2020-04-11T22:14:12","date_gmt":"2020-04-11T22:14:12","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=53200"},"modified":"2020-04-11T22:14:12","modified_gmt":"2020-04-11T22:14:12","slug":"pessach-2020-por-bernardo-sorj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=53200","title":{"rendered":"PESSACH 2020 &#8211; POR BERNARDO SORJ"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Ma Nishtanta Halailahaze (O que mudou nesta noite)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/353_especial_3_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-53201\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/353_especial_3_1-376x250.jpg\" alt=\"353_especial_3_1\" width=\"333\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/353_especial_3_1-376x250.jpg 376w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/353_especial_3_1-203x135.jpg 203w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/353_especial_3_1.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>O \u201cmilagre do coronav\u00edrus\u201d \u00e9 que, pela primeira vez na hist\u00f3ria humana em geral, e do povo judeu em particular, cada morte, de qualquer pessoa, em qualquer lugar no mundo, nos coloca diante de um espelho no qual vemos nossos rostos e de seres queridos.<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o anjo da morte se abateu sobre o Egito, os hebreus receberam a ordem de se refugiar nas suas casas, pois quem sa\u00edsse morreria, e quem ficasse no seu lar partiria no dia seguinte em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Pessach festejamos o in\u00edcio de uma travessia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade. Liberdade sempre relativa, fugidia, imposs\u00edvel de definir, mas que redescobrimos cada vez que nos enfrentamos com situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o vivemos em tempos b\u00edblicos, e nossa travessia depois da epidemia ser\u00e1 outra. N\u00e3o haver\u00e1 des\u00edgnio divino nem a lideran\u00e7a de Mois\u00e9s para nos guiar; e n\u00e3o ser\u00e1 uma lembran\u00e7a de povos em confronto, masa do conjunto da humanidade enfrentando um inimigo comum. E n\u00e3o ser\u00e1 somente a travessia do povo judeu, dever\u00e1 ser a travessia da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cmilagre do coronav\u00edrus\u201d \u00e9 que, pela primeira vez na hist\u00f3ria humana em geral, e do povo judeu em particular, cada morte, de qualquer pessoa, em qualquer lugar no mundo, nos coloca diante de um espelho no qual vemos nossos rostos e de seres queridos. N\u00e3o importa onde, religi\u00e3o ra\u00e7aou posi\u00e7\u00e3o social, todos nos sentimos parte da mesma comunidade humanidade e a mesma batalha, emcuja frente n\u00e3o est\u00e3o ex\u00e9rcitos, e sim m\u00e9dicos, enfermeiros e cientistas. Hoje a noite de Pessach \u00e9 diferente de todas as outras noites de Pessach.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda guerra mundial levou \u00e0 declara\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Podemos lamentar que a humanidade precise de grandes trag\u00e9dias para avan\u00e7ar. Assim foi e assim ser\u00e1. Para que a atual trag\u00e9dia n\u00e3o tenha sido em v\u00e3o, cada um dever\u00e1 se perguntar o que aprendeu nos tempos do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s queremos voltar \u00e0 nossa vida normal. Alguns, esperemos que n\u00e3o muitos, como o Fara\u00f3 do Egito, n\u00e3o aceitaram que sua omnipot\u00eancia seja questionada. Outros, cada um \u00e0 sua maneira, usar\u00e1 a oportunidade para mudar sua conduta, na sua vida pessoal e coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um ter\u00e1 sua lista de mudan\u00e7as a fazer. S\u00f3 posso propor a minha, certamente limitada, que dever\u00e1 ser enriquecida nas mais diversas formas por cada um, na vida pessoal e na a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos numa sociedade que n\u00e3o nos permite distinguir entre o essencial e o secund\u00e1rio. Hoje descobrimos que poucas coisas s\u00e3o ess\u00eancias para viver, e que nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o bem-estar b\u00e1sico de nossos seres queridos, e que ele depende do bem-estar do conjunto da sociedade nacional e da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que, como aprenderam nossos antepassados, o humor \u00e9 fundamental para manter nossa normalidade. A capacidade de rir de n\u00f3s mesmos e da situa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos \u00e9 a melhor defesa para manter dist\u00e2ncia de nossos medos, e n\u00e3o cair na depress\u00e3o e na histeria. S\u00f3 os fan\u00e1ticos, que se alimentam de \u00f3dio, n\u00e3o suportam que as pessoas possam olhar para a vida com um pouco de ironia e um sorriso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado \u00e9 imprescind\u00edvel para proteger seus cidad\u00e3os. Sem estado n\u00e3o h\u00e1 sociedade. Certamente devemos melhorar cada vez mais a qualidade de nossas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1tica, mas a ilus\u00e3o individualista que se orienta pelo princ\u00edpio de cada um por si e o mercado por todos n\u00e3o s\u00f3 ofende tudo o que as religi\u00f5es e o humanismo iluminista nos ensinaram, como empurra a sociedade para o abismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica claro que fora da ci\u00eancia existem cren\u00e7as espirituais que devem ser respeitadas, mas em temas mundanos a alternativa \u00e0 ci\u00eancia \u00e9 o charlatanismo. N\u00e3o que cientistas n\u00e3o possam errar. Eles erram, inclusive porque o erro \u00e9 parte constitutiva da pesquisa cientifica. N\u00e3o que devamos tomar a palavra de cada cientista como sendo verdadeira, inclusive porque na ci\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 dogmas, e a diverg\u00eancia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da vida acad\u00eamica. Mas \u00e9 com base nela e a partir dela que podemos tomar decis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento dif\u00edcil quase ningu\u00e9m procura informa\u00e7\u00e3o fora dos meios de comunica\u00e7\u00e3o confi\u00e1veis. A ind\u00fastria de fake news, que dissemina desinforma\u00e7\u00e3o e \u00f3dio no momento est\u00e1 moribunda. Em situa\u00e7\u00f5es de risco real evitamos ouvir mentirasque t\u00eam por objetivo alimentar preconceitos, ou ler mensagens de \u00f3dio, porque sentimos que estamos todos juntos no mesmo barco, e devemos ser solid\u00e1rios e amorosos. Mas as fake news, assim que puderem, voltar\u00e3o a atacar. Porque a agenda pol\u00edtica de quem as produz se sustenta na demoniza\u00e7\u00e3o das elites cientificas e culturaise dos meios de informa\u00e7\u00e3o, no desrespeito ao debate informado de ideias e \u00e0 diversidade de opini\u00f5es. Tomara que deixemos de divulgar mensagens do mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se estes tempos dif\u00edceis, com seu rasto de angustia e dor, nos ajudarem a refletir e a mudar na dire\u00e7\u00e3o de sermos melhores, como indiv\u00edduos e sociedade, poderemos celebrar, no lugar de procurar esquecer, que fomos parte de uma experi\u00eancia \u00fanica, que produziu muito sofrimento, mas que tamb\u00e9m permitiu sermos parte de uma nova travessia, de todos os seres humanos, que ter\u00e1 in\u00edcio no dia que possamos sair de nossas casas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque aprendemos da experi\u00eancia em tempos de epidemia, devemos agradecer:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Shehechyanu, ve\u00b4quimanau ve\u2019higuianu lazman haze.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Que vivemos, que existimos, que chegamos a este momento.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bernardo Sorj nasceu em Montevid\u00e9u, Uruguai, e mora desde 1976 no Brasil, onde se naturalizou brasileiro. Estudou antropologia e filosofia no Uruguai, cursou o B.A. e M.A. em Hist\u00f3ria e Sociologia na Universidade de Haifa, Israel, e obteve o t\u00edtulo de Ph.D. em Sociologia na Universidade de Manchester, Inglaterra. Foi professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal de Minas Gerais, do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da PUC\/RJ e professor titular de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Autor de 28 livros e mais de 100 artigos, ocupou v\u00e1rias c\u00e1tedras e foi professor visitante em diversas universidades e centros de pesquisa na Europa e nos Estados Unidos. Foi eleito Homem de Ideias 2005. Atualmente \u00e9 diretor do <a href=\"http:\/\/www.centroedelstein.org.br\/\" target=\"_blank\">Centro Edelstein de Pesquisas Sociais<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.plataformademocratica.org\/Portugues\/\" target=\"_blank\">Projeto Plataforma Democr\u00e1tica.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"bernardosorj@gmail.com%20[bernardosorj@gmail.com]\" target=\"_blank\">bernardosorj@gmail.com<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[http:\/\/www.bernardosorj..com]www.bernardosorj..com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ma Nishtanta Halailahaze (O que mudou nesta noite) O \u201cmilagre do coronav\u00edrus\u201d \u00e9 que, pela primeira vez na hist\u00f3ria humana em geral, e do povo judeu em particular, cada morte, de qualquer pessoa, em qualquer lugar no mundo, nos coloca diante de um espelho no qual vemos nossos rostos e de seres queridos. 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