﻿{"id":54225,"date":"2020-06-20T22:07:05","date_gmt":"2020-06-20T22:07:05","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=54225"},"modified":"2020-06-20T22:15:08","modified_gmt":"2020-06-20T22:15:08","slug":"da-era-pos-modernidade-a-era-pos-pandemia-por-maria-luiza-tucci-carneiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=54225","title":{"rendered":"DA ERA P\u00d3S-MODERNIDADE \u00c0 ERA P\u00d3S-PANDEMIA &#8211; POR MARIA LUIZA TUCCI CARNEIRO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_4_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-large wp-image-54309\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_4_1-207x250.jpg\" alt=\"358_Especial_4_1\" width=\"207\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_4_1-207x250.jpg 207w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_4_1-112x135.jpg 112w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_4_1.jpg 247w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Desta vez, temos diante de n\u00f3s um \u201cmuro biol\u00f3gico\u201d, que para ser demolido depende do Estado reconhecer a capacidade que a ci\u00eancia tem de salvar vidas, pois vidas importam antes de tudo.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, em pleno s\u00e9culo XXI, vivemos um novo per\u00edodo de transforma\u00e7\u00f5es delineado principalmente, por dois importantes fen\u00f4menos s\u00f3cio-pol\u00edticos que questionam o papel do Estado na preserva\u00e7\u00e3o da vida: a prolifera\u00e7\u00e3o do Covid-19, s\u00edmbolo da fragilidade do ser humano, e o assassinato do negro americano George Floyd, s\u00edmbolo do racismo plurifacetado que sufoca o mundo. As reflex\u00f5es dos grandes pensadores da P\u00f3s-modernidade, Zygmunt Bauman, Anthony Giddens e Terry Eagleton, certamente nos ajudam a refletir sobre este novo mal-estar que aflige a humanidade, provocando desconforto e estranhamento. Ajudam, mas jamais poder\u00edamos imaginar que algu\u00e9m questionaria que a terra n\u00e3o \u00e9 redonda. Felizmente, a esperan\u00e7a na justi\u00e7a, ci\u00eancia, igualdade e solidariedade continua positiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Possivelmente, em breve, ouviremos falar da Era p\u00f3s-pandemia ou da Era p\u00f3s-verdade, como querem alguns. Creio que a gera\u00e7\u00e3o que assistiu aos eventos-s\u00edmbolo que designam a condi\u00e7\u00e3o sociocultural e est\u00e9tica da p\u00f3s-modernidade &#8212; dentre os quais cito a queda do Muro de Berlim em 1989, o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a crise das ideologias nas sociedades ocidentais do final do s\u00e9culo XX &#8212; entende que estamos em transi\u00e7\u00e3o, inaugurando uma nova Era. Temos identificado, nos \u00faltimos anos, a falta de uma lideran\u00e7a e harmonia mundial com capacidade de avaliar situa\u00e7\u00f5es de risco, que comprometem vidas e os direitos humanos e, desde janeiro de 2020, identificamos novos pontos de ruptura: a pandemia, os movimentos antirracistas que ocupam as ruas das principais cidades americanas, europeias e brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se portanto, de uma mudan\u00e7a de paradigmas, que exige esfor\u00e7os coletivos com o objetivo emergencial de propor a\u00e7\u00f5es preventivas, profilaxias e recupera\u00e7\u00e3o da humanidade p\u00f3s-pandemia. Como interpretar o fen\u00f4meno \u201cCovid-19\u201d que isolou os indiv\u00edduos em suas resid\u00eancias, iniciando um novo projeto reflexivo do eu e do n\u00f3s? Como interpretar os slogans de protesto (re)editados por milhares de jovens portando m\u00e1scaras antiv\u00edrus, que sem precisar de intermedi\u00e1rios, retomaram o direito de ocupar as ruas e de protestar pelas vidas negras? Carregando cartazes improvisados em papel\u00e3o, colocaram na ordem do dia, simultaneamente, a pol\u00edtica da vida e da toler\u00e2ncia. Sinais indicativos de que a liberdade de express\u00e3o garantida pelas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, sobrevive apesar das amea\u00e7as dos panflet\u00e1rios de extrema-direita que interferem nas rela\u00e7\u00f5es humanas, manipulando dados e negando-se a enterrar os mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, em plena Era da pandemia, considero que o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 revolucion\u00e1rio por permitir a a\u00e7\u00e3o imediata dos grupos que clamam pela pol\u00edtica da vida e da toler\u00e2ncia. Potencializados pelas redes sociais, os movimentos pr\u00f3-vida e antirracismo replicam suas vozes mundo afora, anunciando \u201cpara quem os joelhos dobram e sufocam\u201d. Aproveitando-se do v\u00e1cuo aberto pelas incertezas e injusti\u00e7as da justi\u00e7a, os jovens protestam, sem pedir autoriza\u00e7\u00e3o ou carteirinha do partido pol\u00edtico. Os panela\u00e7os ganham novos significados, replicando o som do metal que, por sua vez, refor\u00e7a a identidade do manifesto coletivo pr\u00f3-vida, sem distin\u00e7\u00e3o de cor, etnia, g\u00eanero e\/ou de classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para as futuras gera\u00e7\u00f5es, possivelmente, essa nova arte do protesto estar\u00e1 dispon\u00edvel nos arquivos digitais e nas instala\u00e7\u00f5es visuais e sonoras idealizadas pelas funda\u00e7\u00f5es, museus e associa\u00e7\u00f5es culturais. A fotografia digital e o v\u00eddeo, por sua vez, cumprem com sua fun\u00e7\u00e3o de documentar a viol\u00eancia e o protesto, privilegiando o fotojornalismo que hoje ocupa uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica na hist\u00f3ria. Ainda est\u00e1 para ser avaliado o impacto das novas tecnologias digitais na arte do protesto e, mais especificamente, na democracia brasileira. Lembrando sempre que, a aus\u00eancia de regras na internet, abre espa\u00e7o para informa\u00e7\u00f5es enganosas e a prolifera\u00e7\u00e3o dos discursos de \u00f3dio, tendendo a piorar e confundir o cen\u00e1rio que demanda ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando o atual momento de extrema fragilidade vivenciado pela humanidade e, mais especificamente, pelo povo brasileiro, o desafio maior reside na capacidade do Estado de assegurar o pleno respeito aos direitos civis e pol\u00edticos, at\u00e9 ent\u00e3o incompat\u00edveis com as necessidades b\u00e1sicas dos seres humanos. Desta vez, temos diante de n\u00f3s um \u201cmuro biol\u00f3gico\u201d, que para ser demolido depende do Estado reconhecer a capacidade que a ci\u00eancia tem de salvar vidas, pois vidas importam antes de tudo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maria Luiza Tucci Carneiro, Historiadora, Professora Livre Docente e Coordenadora do LEER-Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discrimina\u00e7\u00e3o, do Departamento de Hist\u00f3ria\/FFLCH-Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desta vez, temos diante de n\u00f3s um \u201cmuro biol\u00f3gico\u201d, que para ser demolido depende do Estado reconhecer a capacidade que a ci\u00eancia tem de salvar vidas, pois vidas importam antes de tudo. 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