﻿{"id":54230,"date":"2020-06-20T22:07:03","date_gmt":"2020-06-20T22:07:03","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=54230"},"modified":"2020-06-20T22:07:04","modified_gmt":"2020-06-20T22:07:04","slug":"qual-o-preco-do-seu-filho-por-jose-renato-nalini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=54230","title":{"rendered":"QUAL O PRE\u00c7O DO SEU FILHO? &#8211; POR JOS\u00c9 RENATO NALINI"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_2_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-54305\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_2_1.jpg\" alt=\"358_Especial_2_1\" width=\"320\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_2_1.jpg 320w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_2_1-142x90.jpg 142w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/358_Especial_2_1-213x135.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a>Pais sabem que filho n\u00e3o tem pre\u00e7o. Mas uma sociedade mercantilista, consumista, ego\u00edsta e narcisista, encontra f\u00f3rmulas de precificar tudo.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 frequente a afirma\u00e7\u00e3o de que um filho custa caro. Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, roupas, entretenimento, \u00e9 algo que onera a economia dos pais. Isso explica, ao menos em parte, a queda demogr\u00e1fica das \u00faltimas d\u00e9cadas. Quem tem ju\u00edzo j\u00e1 n\u00e3o observa, com estrita fidelidade, ao mandamento \u201ccrescei e multiplicai-vos\u201d. Hoje ele est\u00e1 inteiramente fora do contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, \u00e9 interessante observar como \u00e9 que o fen\u00f4meno dos filhos tem sido encarado no decorrer da hist\u00f3ria. A soci\u00f3loga Viviana Zelizer, professora da Universidade de Princeton, escreveu um livro interessante: \u201cO pre\u00e7o da crian\u00e7a que n\u00e3o tem pre\u00e7o\u201d. Entre 1870 e 1930, foi radical a mudan\u00e7a nos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela tem um ponto de vista instigante. Estudou aquilo que poderia ser chamado \u201cevolu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o\u201d de uma crian\u00e7a. Tr\u00eas os crit\u00e9rios econ\u00f4micos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e plenamente mensur\u00e1veis: a) as senten\u00e7as dos Tribunais em caso de acidente com evento morte; b) os seguros de vida; c) o \u201cmercado\u201d de ado\u00e7\u00e3o. Este \u00faltimo, para n\u00f3s, \u00e9 proibido. Embora n\u00e3o seja raro possa ocorrer informalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ela constatou: em 1870, a crian\u00e7a da zona rural trabalha desde os sete anos. O mesmo acontecia na Europa e, talvez, no Brasil do campo. Era apur\u00e1vel a sua utilidade econ\u00f4mica. J\u00e1 em 1930, a crian\u00e7a n\u00e3o trabalha. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que os pais levam para as fotos, para os \u201cbooks\u201d, para a TV ou \u00e0s redes. O \u00fanico trabalho que se reclama \u00e0 crian\u00e7a \u00e9 frequentar a escola. Perdeu o seu interesse econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o: quando entra o amor materno\/paterno, a crian\u00e7a deixa de ser um interesse econ\u00f4mico e passa at\u00e9 a ser um fardo, conforme alguns reclamam. Isso pode ser acompanhado por documentos. Antes de 1930, se a crian\u00e7a morresse acidentalmente, causada por algu\u00e9m que se pudesse identificar, o Judici\u00e1rio calculava a indeniza\u00e7\u00e3o exclusivamente em fun\u00e7\u00e3o da perda econ\u00f4mica. N\u00e3o havia a ideia do \u201cdano moral\u201d, hoje inserto na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso concreto: em 1896, os pais moveram processo contra a ferrovia da Ge\u00f3rgia, culpada \u2013 por neglig\u00eancia \u2013 da morte do filho de dois anos. O j\u00fari decidiu que n\u00e3o havia indeniza\u00e7\u00e3o, porque a crian\u00e7a n\u00e3o ganhava nada. J\u00e1 em 1979, uma cl\u00ednica foi condenada a ressarcir em 750 mil d\u00f3lares pela morte de um garoto de tr\u00eas anos, ocorrida durante uma cirurgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ju\u00edzes do s\u00e9culo XIX achariam absurda essa quantia, j\u00e1 que algu\u00e9m de tr\u00eas anos n\u00e3o trazia dinheiro para casa. O segundo crit\u00e9rio, o do seguro de vida, praticamente desapareceu. Aparentemente, a \u00e9tica o reprova, por considerar que a morte de um filho n\u00e3o tem pre\u00e7o e n\u00e3o pode ser objeto de contrato de seguro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a terceira senda de pesquisa de Viviana Zelizer \u00e9 o pre\u00e7o que os norte-americanos pagam para suprirem o amor parental que, biologicamente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. A\u00ed, o c\u00e1lculo \u00e9 objetivo. Pode parecer ign\u00f3bil, mas entram no c\u00e1lculo o DNA dos pais, a cor dos olhos e da pele, a aproxima\u00e7\u00e3o a padr\u00f5es est\u00e9ticos impostos pelas m\u00eddias, idade, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pais sabem que filho n\u00e3o tem pre\u00e7o. Mas uma sociedade mercantilista, consumista, ego\u00edsta e narcisista, encontra f\u00f3rmulas de precificar tudo. At\u00e9 aqueles produtos do amor, que propiciam aos humanos a co-participa\u00e7\u00e3o na obra do Criador.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jos\u00e9 Renato Nalini \u00e9 Reitor da UNIREGISTRAL, docente da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da UNINOVE, advogado e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pais sabem que filho n\u00e3o tem pre\u00e7o. Mas uma sociedade mercantilista, consumista, ego\u00edsta e narcisista, encontra f\u00f3rmulas de precificar tudo. \u00c9 frequente a afirma\u00e7\u00e3o de que um filho custa caro. Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, roupas, entretenimento, \u00e9 algo que onera a economia dos pais. Isso explica, ao menos em parte, a queda demogr\u00e1fica das \u00faltimas d\u00e9cadas. 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