﻿{"id":55817,"date":"2020-10-24T21:28:56","date_gmt":"2020-10-24T21:28:56","guid":{"rendered":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=55817"},"modified":"2020-10-24T21:28:56","modified_gmt":"2020-10-24T21:28:56","slug":"ostrowiec-polonia-1942-deixa-de-existir-vibrante-comunidade-judaica-por-israel-blajberg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=55817","title":{"rendered":"OSTROWIEC, POLONIA (1942) &#8211; DEIXA DE EXISTIR VIBRANTE COMUNIDADE JUDAICA &#8211; POR ISRAEL BLAJBERG"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outubro de 1942<\/strong>. Logo ap\u00f3s Simchat Tor\u00e1, o primeiro dia do m\u00eas de Cheshvan 5703 marcou o final de uma historia secular. Nesta data deixou de existir a comunidade judaica de Ostrowiec, Pol\u00f4nia, at\u00e9 ent\u00e3o quase que uma cidade judaica, onde tudo fechava no Yom Kippur. De Ostrowtze, como era conhecida em \u00eddiche, muitos imigraram para o Brasil, onde hoje tanta gente boa descende daqueles que palmilhavam as ruas de terra, em torno do Rynek (mercado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele dia fat\u00eddico os nazistas esvaziaram o Gueto de Ostrowiec, fazendo os judeus atravessar a cidade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 periferia, onde no p\u00e1tio de manobra aguardavam os trens que os conduziriam ao campo da morte de Treblinka. Transeuntes mudos e impotentes observavam a marcha pela principal avenida, Al\u00e9ia 3 de Maio, de onde o cortejo atravessou a ponte de pedra sobre o Rio Kamienna em dire\u00e7\u00e3o ao p\u00e1tio ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim se ouviam c\u00e2nticos religiosos. Aproveitadores saquearam casas, lojas, fabricas, oficinas, tudo abandonado compulsoriamente \u00e0s pressas pelos judeus, ocupadas at\u00e9 os nossos dias. Al\u00e9m dos onze mil enviados para a morte em Treblinka, de mil a 2 mil pessoas foram brutalmente assassinadas no local. Alguns sobreviveram escondidos, uma parte ficou para trabalho for\u00e7ado, mas Ostrowiec havia deixado de existir como um shtetl (cidade judaica), da noite para o dia. Assim descreve estes eventos o Sefer (Livro) Ostrowiec, editado pelas Associa\u00e7\u00f5es de Imigrantes de Israel, Nova Iorque e Toronto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No domingo, antes do anoitecer a cidade foi cercada por homens da SS, Schutzpolizei, Gendarmerie, pol\u00edcia e colaboradores poloneses e lituanos. Guardas judeus \u2013 Kapos \u2013 foram de porta em porta, ordenando as pessoas a deixarem suas casas, levando um m\u00e1ximo de 10kg de pertences, e todo seu dinheiro e objetos de valor. Todos estavam com medo. N\u00e3o havia para onde ir porque estavam cercados. Ningu\u00e9m sabia o que fazer, nem sequer podiam dizer adeus um ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos foram levados para o p\u00e1tio da escola prim\u00e1ria da Rua Sienkiewicz, uma bonita alameda que lembra um pouco as ruas arborizadas de Teres\u00f3polis. Hoje a escola tem um moderno parque infantil em volta, onde as crian\u00e7as brincam sem ao menos desconfiar do passado negro daquele lugar. Nada identifica este local de mart\u00edrio, cujo capital simb\u00f3lico equivaleria a uma Umschlagplatz de Vars\u00f3via. L\u00e1 ficaram sem uma gota de \u00e1gua ou comida, e dois dias depois, em grupos de 100 a 120 foram transportados em vag\u00f5es fechados para Treblinka. A marcha durou todo o dia, do amanhecer ao anoitecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um t\u00famulo coletivo no cemit\u00e9rio judaico. Aqueles que estavam no Rynek (mercado), tinham diante de si dois caminhos: a morte no local ou em Treblinka. Diz-se que no Rynek morreram oitocentos judeus, mas outras fontes hist\u00f3ricas falam de mil ou dois mil. Em algum local desconhecido do cemit\u00e9rio judaico, se encontra uma vala comum, com os corpos destes M\u00e1rtires. Do cemit\u00e9rio original restou uma pequena fra\u00e7\u00e3o de terreno para onde foram levadas matzeivot (lapides) mas elas j\u00e1 n\u00e3o identificam o local dos enterros, pois foram removidas e dispostas aleatoriamente formando uma esp\u00e9cie de mostra. H\u00e1 um lapidarium, monumento construido com fragmentos das matzeivot. O grande terreno do cemit\u00e9rio original deu lugar a um belo parque em \u00e1rea verde com arvores centen\u00e1rias, onde a 25 metros de um imponente carvalho, familiares de Israel determinaram o local exato do Ohel (mausol\u00e9u) do Santo Rabino Admor de Ostrowiec, Mayer Chil Hallstock, onde um novo Ohel foi constru\u00eddo no mesmo local. O pequeno cemiterio-monumento \u00e9 conservado pela prefeitura, por estar situado em meio a este parque municipal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo era perto em Ostrowiec, Rynek, cemit\u00e9rio, sinagoga, Midrash, concentrados em uma \u00e1rea central da cidade que pode ser facilmente percorrida a p\u00e9. Da bela sinagoga de madeira, queimada pelos nazistas, nada restou. Como descendentes daqueles judeus que l\u00e1 viveram, prosperaram, lutaram e sofreram, ao longo dos mil anos da Polonia Restituta, cabe nos perpetuar o seu legado, e a cada primeiro dia do m\u00eas de Cheshvan (em 2020 correspondeu a 19 de outubro), elevar nossos pensamentos para aqueles martires inocentes, por quem nesses tempos de pandemia rezamos um Kaddish silencioso, pelo descanso das suas almas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota &#8211; In Memoriam dos M\u00e1rtires que pereceram al <strong>Kiddush haShem<\/strong> (pelo Santificado Nome)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Israel Blajberg<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/iblajberg@poli.ufrj.br [iblajberg@poli.ufrj.br]\" data-wplink-url-error=\"true\"><strong>iblajberg@poli.ufrj.br<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outubro de 1942. 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