﻿{"id":59054,"date":"2021-11-04T17:55:32","date_gmt":"2021-11-04T17:55:32","guid":{"rendered":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=59054"},"modified":"2021-11-07T00:24:12","modified_gmt":"2021-11-07T00:24:12","slug":"uma-guinada-em-wilshire-rabino-yossi-marcus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=59054","title":{"rendered":"UMA GUINADA EM WILSHIRE &#8211; RABINO YOSSI MARCUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-59058 alignleft\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_1-315x250.png\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_1-315x250.png 315w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_1-170x135.png 170w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_1.png 386w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/>Ela viu a unidade judaica em a\u00e7\u00e3o, ela viu um homem que valorizou um estranho e acreditou no poder de uma mitsv\u00e1. Ela viu que o Juda\u00edsmo estava muito, muito vivo\u2026<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yossef Groner \u00e9 um rabino de Chabad em Charlotte, na Carolina do Norte. Seu sotaque \u00e9 totalmente do Brooklyn, mas se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 ouvir um ligeiro arrastar sulista. Quinze anos morando na Carolina do Norte devem ter causado algum efeito sobre o soci\u00e1vel rabino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a semana seguinte a Rosh Hashan\u00e1 e Groner est\u00e1 preparando seu discurso de Yom Kipur. Ele recebe um chamado de um certo Harvey Yelnick. O nome soa vagamente familiar, mas n\u00e3o muito significativo para o rabino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRabino Groner falando,\u201d diz ele, recostando-se com um sorriso, a m\u00e3o direita segurando o fone e a outra ajeitando sua kip\u00e1 de veludo azul pousada sobre o cabelo que come\u00e7a a rarear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOl\u00e1, rabino, aqui \u00e9 Harvey Yelnick, voc\u00ea n\u00e3o me conhece, mas tenho de dizer, voc\u00eas nem sequer sabem aquilo que fazem. N\u00e3o o conhe\u00e7o pessoalmente, mas preciso lhe agradecer.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBem, seja bem-vindo,\u201d diz Groner, \u201cparece que voc\u00ea quer contar uma hist\u00f3ria\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSim, de fato. \u00c9 sobre minha filha, Debra.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-59057 alignleft\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_2-215x250.png\" alt=\"\" width=\"185\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_2-215x250.png 215w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_2-116x135.png 116w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/381_hist\u00f3ria_3_2.png 257w\" sizes=\"(max-width: 185px) 100vw, 185px\" \/>Debra tem trinta anos, relata Yelnick, e mora em Los Angeles. Ela tem um belo emprego, adora o clima da cidade e as pessoas de l\u00e1. O problema \u00e9 que todo ano antes de Rosh Hashan\u00e1 ela faz p\u00e9 firme sobre n\u00e3o ir \u00e0 sinagoga para as Grandes Festas. Este ano, pouco antes de Rosh Hashan\u00e1, Yelnick telefona para ela para desejar-lhe um ano bom e dar-lhe sua cutucada anual. Debra \u00e9 uma boa filha, mas tamb\u00e9m \u00e9 sincera:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPapi, n\u00e3o vou a nenhuma sinagoga este ano. Estou fora disso. N\u00e3o significa nada para mim. Eu n\u00e3o entendo, n\u00e3o me interesso \u2013 nada disso faz a minha cabe\u00e7a. Por que eu deveria pagar duzentos e cinq\u00fcenta d\u00f3lares para escutar algum rabino pregando sobre a paz mundial quando poderia estar no escrit\u00f3rio terminando um servi\u00e7o? Neste Rosh Hashan\u00e1 pretendo trabalhar. Para mim, o Juda\u00edsmo est\u00e1 morto.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras de Debra s\u00e3o como um punhal no cora\u00e7\u00e3o do pai. Yelnick sente profundamente pela filha, mas sabe que ela \u00e9 teimosa. Quando toma uma decis\u00e3o, n\u00e3o adianta tentar mud\u00e1-la. Yelnick desliga o telefone com o cora\u00e7\u00e3o pesado. Ele n\u00e3o se considera o judeu mais religioso do mundo, mas uma vez por ano, em Rosh Hashan\u00e1, o lugar de um judeu \u00e9 na sinagoga. Onde ele ter\u00e1 errado na educa\u00e7\u00e3o da filha? Por que n\u00e3o conseguiu passar a ela o mesmo sentimento que tinha pela f\u00e9 judaica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao sentar-se em sua sinagoga naquele Rosh Hashan\u00e1, Harvey recita uma prece adicional por sua filha \u2013 e por todos os filhos e filhas de Israel l\u00e1 fora, em Los Angeles, Chicago, Tel Aviv, vivendo alheios \u00e0 santidade do dia, perdidos para a tradi\u00e7\u00e3o do seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Costa Oeste, Debra Yelnick est\u00e1 caminhando pelo Wilshire Boulevard, esquecida da santidade do dia. Est\u00e1 a tr\u00eas quadras de seu escrit\u00f3rio na esquina da Rua Poinsettia, e procura seu celular para acessar a caixa de recados. Decide n\u00e3o faz\u00ea-lo quando avista um chassid que caminha rapidamente em sua dire\u00e7\u00e3o. Resolve esperar que ele passe antes de fazer a chamada. Pensa que nada tem em comum com este correligion\u00e1rio, que seus mundos s\u00e3o d\u00edspares e desconectados. Ela para num farol vermelho e v\u00ea o chassid se encaminhando a um homem sem-teto sentado sob o toldo de uma loja de tapetes persas. O chassid deseja bom dia ao homem e pergunta se \u00e9 judeu. A face do sem-teto se ilumina, ele diz sim, e que se chama David.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 ouviu o shofar hoje, David? pergunta o chassid. Creio que n\u00e3o, responde David. N\u00e3o se preocupe, diz o chassid, enquanto retira um chifre de carneiro de dentro do casaco. Remove a kip\u00e1 por sob o chap\u00e9u e a coloca no cabelo seco e crescido de David.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chassid leva o shofar aos l\u00e1bios \u2013 e Debra \u00e0s l\u00e1grimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O farol ficou verde, mas ela n\u00e3o vai a lugar algum. O grito do shofar reverberando em Wilshire Boulevard exige sua total aten\u00e7\u00e3o. Ela ouve em seu som primitivo algo que jamais ouvira antes: o grito de uma alma chorando, a voz de uma princesa ansiando por retornar ao pal\u00e1cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrit\u00f3rio na rua ao lado agora \u00e9 o menor dos interesses em sua mente. Enquanto ela volta para casa, considerando suas op\u00e7\u00f5es de sinagoga \u2013 talvez aquela moderna, em Venice \u2013 ela \u201cprocessa\u201d a experi\u00eancia que acaba de viver. Aqui est\u00e1 um homem sem-teto, que a maioria das pessoas tenta evitar com medo de pegar alguma doen\u00e7a caso chegue perto. Por\u00e9m o chassid faz exatamente o contr\u00e1rio \u2013 ele caminha at\u00e9 o homem e o trata como um ser humano. Diz a ele que \u00e9 um judeu como qualquer outro. Rosh Hashan\u00e1 e a mitsv\u00e1 do shofar s\u00e3o seu legado, tanto quanto do rabino mais importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela viu a unidade judaica em a\u00e7\u00e3o, ela viu um homem que valorizou um estranho e acreditou no poder de uma mitsv\u00e1. Ela viu que o Juda\u00edsmo estava muito, muito vivo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnt\u00e3o, rabino,\u201d conclui Yelnick, \u201ceu queria apenas lhe agradecer.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Groner apalpa a gravata. \u00c9 de um verde azulado, num estilo que saiu de moda h\u00e1 vinte anos. Sua orelha est\u00e1 vermelha por segurar o fone tanto tempo. Finalmente ele fala:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBem, n\u00e3o sei bem o que eu fiz, mas agrade\u00e7o a voc\u00ea por me contar esta linda hist\u00f3ria. Espero que qualquer dia desses possamos nos conhecer, Harvey.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCertamente, rabino, certamente. Quando minha filha me ligou depois de Rosh Hashan\u00e1 e me contou a hist\u00f3ria, quase chorei. Foi o melhor presente que D\u2019us poderia ter me dado. N\u00e3o sabe como estou grato, Rabino Groner, n\u00e3o sabe o quanto estou agradecido\u2026\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/pt.chabad.org\/library\/article_cdo\/aid\/618903\/jewish\/Uma-Guinada-em-Wilshire.htm\">https:\/\/pt.chabad.org\/library\/article_cdo\/aid\/618903\/jewish\/Uma-Guinada-em-Wilshire.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rabino Yosef Marcus \u00e9 o diretor do Centro Chabad em S. Mateo, Calif\u00f3rnia\/USA, onde vive com sua esposa e duas filhas. Ele \u00e9 tradutor, adapta textos judaicos e contribui a muitos websites, incluindo: Chabad.org, Askmoses.com e Kabbalaonline.com.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela viu a unidade judaica em a\u00e7\u00e3o, ela viu um homem que valorizou um estranho e acreditou no poder de uma mitsv\u00e1. Ela viu que o Juda\u00edsmo estava muito, muito vivo\u2026 Yossef Groner \u00e9 um rabino de Chabad em Charlotte, na Carolina do Norte. 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