﻿{"id":59893,"date":"2022-01-30T01:10:34","date_gmt":"2022-01-30T01:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=59893"},"modified":"2022-01-30T01:10:34","modified_gmt":"2022-01-30T01:10:34","slug":"quando-o-abismo-nao-te-olha-de-volta-a-experiencia-no-canyon-vermelho-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=59893","title":{"rendered":"QUANDO O ABISMO N\u00c3O TE OLHA DE VOLTA \u2013 A EXPERI\u00caNCIA NO CANYON VERMELHO &#8211; POR PAULO ROSENBAUM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-59897 size-large\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_1-331x250.png\" alt=\"\" width=\"331\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_1-331x250.png 331w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_1-179x135.png 179w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_1.png 721w\" sizes=\"(max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/>Mais do que distante, fui dominado por um estoicismo melanc\u00f3lico. Em apenas um segundo, eis que fui invadido por um insight: o abismo \u00e9 s\u00f3 um vazio que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o te deseja como te despreza acintosamente.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">O risco faz parte da decis\u00e3o daqueles que resolvem emigrar. Mas e quando os pais visitam filhos cuja escolha foi essa? Al\u00e9m da viagem ser um empreendimento perigoso em nossos tempos, as barreiras n\u00e3o se limitam a ela. Os riscos? Risco de ter a saudade exacerbada no lugar de mitigada. Risco de enxergar as condi\u00e7\u00f5es nada ideais de vida pr\u00e1tica mesmo considerando que foi esse o impulso que costuma mover o imigrante. Risco de saber que uma dist\u00e2ncia de 12.000 milhas n\u00e3o pode ser transposta mesmo por mensagens de texto instant\u00e2neas ou liga\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo pela internet. E, por \u00faltimo, o mais dif\u00edcil, saber que o horizonte substituto do outro jamais se transformara no seu pr\u00f3prio. Foi neste contexto que resolvemos, ent\u00e3o, durante a viagem, fazer uma escalada em fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-59898 alignleft\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_2-333x250.png\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_2-333x250.png 333w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_2-180x135.png 180w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_2.png 422w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/>Escolhemos o canyon vermelho, regi\u00e3o sul de Israel, uma pequena \u00e1rea de Wadi Shani, (em hebraico: \u05d4\u05b8\u05e2\u05b2\u05e8\u05b8\u05d1\u05b8\u05d4, literalmente &#8220;\u00e1rea desolada e seca&#8221;; em \u00e1rabe: \u0648\u0627\u062f\u064a \u0639\u0631\u0628\u0629) uma cadeia montanhosa que come\u00e7a sua trajet\u00f3ria desde o Deserto do Sinai no Egito, e que tem um desfecho nesta estranha paisagem de deserto. Trata-se de uma forma\u00e7\u00e3o montanhosa rochosa, pequena, um trajeto de 5 quil\u00f4metros, com uma hora e meia de dura\u00e7\u00e3o a depender do trajeto escolhido. O problema est\u00e1 na volta. O risco paira sobre a vida assim como em toda literatura, e o retorno costuma simbolizar a dor passada. O exemplo ic\u00f4nico \u00e9 representado pela est\u00e1tua de sal na qual se transformou a mulher de Lot: a areia que nunca se desfaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez estive visitando e ouvindo uma terra que persiste em ser amea\u00e7ada e inserida num mapa alternativo do mundo. Evidentemente, para desgosto dos caluniadores, em Israel n\u00e3o h\u00e1 apartheid, n\u00e3o h\u00e1 racismo, claro que isso n\u00e3o significa que a tens\u00e3o entre os desiguais n\u00e3o esteja presente, como em todas as partes do mundo. O alarmante recrudescimento do antissemitismo, mereceria, dos democratas do mundo e da imprensa livre bem mais do que t\u00edmidas interjei\u00e7\u00f5es de ultraje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-59899\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_3.png\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_3.png 639w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_3-228x88.png 228w\" sizes=\"(max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/>O mais not\u00e1vel que \u2014 mesmo em meio as escaramu\u00e7as\u2014 as rela\u00e7\u00f5es entre \u00e1rabes e judeus sejam cont\u00ednuas h\u00e1 mil\u00eanios. E mesmo que sejam inst\u00e1veis e mesmo que sempre estejam sob uma integra\u00e7\u00e3o oscilante, elas permanecem. Chamou a aten\u00e7\u00e3o como a vida se desenvolve em meio a uma multiplicidade de vari\u00e1veis incomodas. Por exemplo, a tipologia dos povos, costuma ser vasta em todos os cantos, por\u00e9m, em Israel, isso se transforma em uma met\u00e1fora exuberante, pois h\u00e1 uma multiplicidade de tribos e pessoas em estado de pura peculiaridade. \u00c9tnica, racial, cultural. Bedu\u00ednos gourmets, \u00e1rabes yuppes, judeus ortodoxos rastfari, drusos especialistas em drones, cuidadores tailandeses, russos guias de museus, penitentes em estado ext\u00e1tico sem contar aqueles que desenvolvem a famosa s\u00edndrome de Jerusal\u00e9m, quando sujeitos comuns se descobrem prolixos profetas assim que desembarcam na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A polissemia religiosa, cultural e pol\u00edtica \u00e9 t\u00e3o ampla que se torna imposs\u00edvel estabelecer qualquer predom\u00ednio ou homogeneidade. A divis\u00e3o \u00e9 uma das perman\u00eancias nesta sociedade. Para al\u00e9m de interpretar este fato como virtude ou defeito o curioso &#8211; para contornar o voc\u00e1bulo \u201cmilagroso\u201d- \u00e9 preciso tentar compreender por que todas aquelas pessoas querem estar ali, amontoadas, espremidas em trens lotados, em intransit\u00e1veis mercados, alguns a c\u00e9u aberto, em peregrina\u00e7\u00f5es err\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tudo em Jerusal\u00e9m, mas deslocando-se mais ao sul, em Eilat, pode-se apurar melhor que este \u00e9 um lugar parecido com todos. Mesmo Israel sendo \u00fanico, como todos os outros rinc\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em Tel Aviv, sob um cosmopolitismo quase artificial, pode-se sentir a modernidade liquida na pele. Antes de tudo ela \u00e9 afetiva e dosada em shekels, j\u00e1 que hoje passou a ser a cidade mais cara do mundo, superando Paris e Singapura. As pessoas passam a sensa\u00e7\u00e3o de estar em uma ciclotimia ritual e isso pode ser muito estranho para um visitante. O humor aqui oscila bem mais do que a temperatura. Sim, pois para entender a improv\u00e1vel diversidade do Pa\u00eds \u00e9 preciso capturar sen\u00e3o sua hist\u00f3ria, seu contexto exclusivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-59900\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_4.png\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_4.png 373w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_4-180x135.png 180w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_4-333x250.png 333w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/>N\u00e3o basta ser o lugar dos judeus, dos sobreviventes do holocausto, nem a terra que, mesmo em meio \u00e0s turbul\u00eancias dos arredores, se recusa a ser uma ditadura como tantas espalhadas pelo oriente, e enigmaticamente toleradas pelo ocidente. Este resultado \u2013 uma diversidade cheia de coura\u00e7as, mas duradoura &#8212; s\u00f3 pode acontecer sob elei\u00e7\u00f5es livres e com rod\u00edzio de poder. Por isso mesmo, judeus e \u00e1rabes convivem mesmo sem as conflu\u00eancias e isonomias idealizadas por analistas militantes e acad\u00eamicos com vi\u00e9s ideol\u00f3gico A coexist\u00eancia n\u00e3o significa necessariamente paz, assim como compreender n\u00e3o significa perdoar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 portanto mais do que plaus\u00edvel arriscar que uma das caracter\u00edsticas desta sociedade seja esta: ningu\u00e9m por aqui idealiza mais nada. A receita? Quase seis mil\u00eanios transformam qualquer um em pragm\u00e1tico. Dos gar\u00e7ons aos vendedores de suco de rom\u00e3. Dos fumadores de narguil\u00e9 aos oper\u00e1rios que varrem os pedidos que costumam ser grudados no Kotel (o muro ocidental, tamb\u00e9m conhecido no jarg\u00e3o do SAC como \u201cmuro das lamenta\u00e7\u00f5es\u201d) a vida pr\u00e1tica se imp\u00f5e com a mesma devo\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es e o turista n\u00e3o deve se assustar. A n\u00e3o ser que algu\u00e9m busque criar espa\u00e7o com os cotovelos ou uma vendedora de sorvete se recuse a vende-los se voc\u00ea deixou algo fora do lugar no supermercado. Neste caso, abstenha-se de coisas geladas e esfrie a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conflitos costumam ser resultados de complexos, que geralmente s\u00e3o comandados por desejos inconscientes, idiossincrasias e mitos pessoais. Por\u00e9m aqui existe uma esp\u00e9cie de densidade geogr\u00e1fica espiritual. Sob a carga da experi\u00eancia acumulada, camadas e camadas de uma arqueologia sentimental ignorada, de qualquer maneira, praticamente indecifr\u00e1vel, se faz presente e predomina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se toda an\u00e1lise requer uma s\u00edntese \u00e9 preciso uma que reconstitua a trajet\u00f3ria dos sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es para coloc\u00e1-los no lugar certo. O judeu, n\u00e3o mais o errante &#8212; de Eugene Sue e Sigmund Freud &#8212; permanecer\u00e1 para viver a vida por aqui e onde mais ela estiver dispon\u00edvel. A coexist\u00eancia no Oriente M\u00e9dio n\u00e3o significa necessariamente paz, assim como compreender n\u00e3o significa perdoar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-59901\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_5.png\" alt=\"\" width=\"503\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_5.png 602w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_5-228x89.png 228w\" sizes=\"(max-width: 503px) 100vw, 503px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando ao Canyon, l\u00e1 estava eu pendurado sobre o abismo e sob o olhar apavorado das minhas filhas &#8211; de fato estar pendurado sobre a face do abismo \u00e9 um exerc\u00edcio pouco recomend\u00e1vel para pessoas acima dos 40. Foi quando pensei no meu pai e no recente sofrimento por perd\u00ea-lo. Agarrei mais fortemente as al\u00e7as de metal chumbadas para escaladores. Foi ali, ainda pendurado, apreciando o mundo de ponta cabe\u00e7a que enxerguei o canyon com outra perspectiva. Vasculhei com os olhos as camadas que demoraram mil\u00eanios para formar aquela sedimenta\u00e7\u00e3o, a precariedade das rochas empilhadas e o aviso na placa \u201cCuidado: fique atento, pedras rolantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensei na c\u00e9lebre frase de Nietzsche: a sensa\u00e7\u00e3o de que enquanto olhava para o abismo ele olhava de volta. Se houvesse uma insinua\u00e7\u00e3o do desfiladeiro n\u00e3o era fazer o papel de im\u00e3, mas reafirmar sua voca\u00e7\u00e3o de um solo, outrora f\u00e9rtil. Minhas m\u00e3os vacilaram e deslizei. O insustent\u00e1vel peso do ser pode ser um momento sublime de apego a vida. Aumentei a press\u00e3o das m\u00e3os sobre as barras de seguran\u00e7a. E, de novo, fiquei atento: pedras rolantes. Uma mensagem digna da porta da cozinha para antes do caf\u00e9 da manh\u00e3. Ali, com a lua pairando ao fundo em pleno dia, e ainda vendo o mundo sob outro \u00e2ngulo, o pendente, notei que desde que a morte imp\u00f4s o frio veredito sobre a fam\u00edlia, permaneci alienado. Mais do que distante, fui dominado por um estoicismo melanc\u00f3lico. Em apenas um segundo, eis que fui invadido por um <em>insight<\/em>: o abismo \u00e9 s\u00f3 um vazio que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o te deseja como te despreza acintosamente. Voltei ent\u00e3o \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do risco original. \u00c9 poss\u00edvel que concorremos mesmo para nossa pr\u00f3pria extin\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 ela s\u00f3 se torne poss\u00edvel sob tal condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, o apego \u00e0 vida ficou mais enraizado, e, nunca saberei ao certo se tal ades\u00e3o foi o instinto de auto preserva\u00e7\u00e3o ou puro amor pelos demais. Soube apenas que o risco revelara seu valor oculto e fiquei grato pela experi\u00eancia no canyon vermelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E agora, j\u00e1 de volta, posso ouvir a risada das filhas abafando o silencio do abismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>*Para Marina, Hanna e Iael<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo Rosenbaum<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-59902 alignleft\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_6-172x250.jpg\" alt=\"\" width=\"172\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_6-172x250.jpg 172w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_6-93x135.jpg 93w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/385_especial_3_6.jpg 242w\" sizes=\"(max-width: 172px) 100vw, 172px\" \/>Paulo Rosenbaum nasceu em S\u00e3o Paulo em 1959. \u00c9 m\u00e9dico e escritor. Possui Mestrado em Medicina Preventiva, Doutorado em Ci\u00eancias e P\u00f3s-doutorado em Medicina Preventiva pela USP, com mais de uma dezena de livros publicados na \u00e1rea. Escreve, regularmente, para o jornal Estado de S\u00e3o Paulo, no blog \u201cConto de not\u00edcia\u201d. Roteirista e produtor de document\u00e1rios, atuou como editor de revistas cient\u00edficas no campo da sa\u00fade. \u00c9 pesquisador na \u00e1rea de cl\u00ednica m\u00e9dica, semiologia cl\u00ednica, rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e pesquisa de medicamentos. Al\u00e9m de ensa\u00edsta, \u00e9 poeta, contista e romancista. Antes de Navalhas pendentes, publicou os romances: <em>A verdade lan\u00e7ada ao solo<\/em> (Record, 2010) e <em>C\u00e9u subterr\u00e2neo<\/em> (Perspectiva, 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/rosenbau@usp.br&lt;rosenbau@usp.br&gt;\">rosenbau@usp.br<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fotos \u2013 Paulo Rosenbaum[\/caption]<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que distante, fui dominado por um estoicismo melanc\u00f3lico. Em apenas um segundo, eis que fui invadido por um insight: o abismo \u00e9 s\u00f3 um vazio que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o te deseja como te despreza acintosamente. O risco faz parte da decis\u00e3o daqueles que resolvem emigrar. 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