﻿{"id":67911,"date":"2024-09-07T18:04:01","date_gmt":"2024-09-07T18:04:01","guid":{"rendered":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=67911"},"modified":"2024-09-21T19:32:37","modified_gmt":"2024-09-21T19:32:37","slug":"normalidade-artificial-por-paulo-rosenbaum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=67911","title":{"rendered":"Normalidade artificial\u00a0\u2013 Por Paulo Rosenbaum"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"53\" height=\"25\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/branco-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-67908\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/branco-1.jpg 53w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/branco-1-50x25.jpg 50w\" sizes=\"(max-width: 53px) 100vw, 53px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nas recentes visitas \u00e0 Israel sempre busco, quase involuntariamente, os sinais de um Pais traumatizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando as pessoas e suas rea\u00e7\u00f5es o que emerge da realidade de campo \u00e9 o que merece ser definido como normalidade artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a caracteriza \u00e9 uma mistura de um pragmatismo estoico com resigna\u00e7\u00e3o impetuosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00f4nibus, no com\u00e9rcio, nas ruas e parques a vida segue como se tudo estivesse est\u00e1vel. Como se a exist\u00eancia n\u00e3o estivesse em risco com ataques di\u00e1rios em pelo menos tr\u00eas fronts de sete pa\u00edses diferentes, todos subsidiados pelos fieis s\u00faditos da tiranocracia dos Ayatollah\u2019s.<\/p>\n\n\n\n<p>E me pergunto se j\u00e1 houve, no curso hist\u00f3rico, algum estado an\u00e1logo ao \u201cest\u00e1vel\u201d ou apenas vivemos em um mundo de simulacros?<\/p>\n\n\n\n<p>Seria preciso uma extensa aliena\u00e7\u00e3o program\u00e1tica para conseguir viver com tanta press\u00e3o sem acusar o golpe.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, pondero, o golpe n\u00e3o \u00e9 acusado, parece precisamente o oposto, quanto mais o Pa\u00eds \u00e9 atacado e vilipendiado, mais s\u00f3lida, determinada e desafiadora \u00e9 a resposta da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As campanhas difamat\u00f3rias contra este Pais e a evidente, inacredit\u00e1vel e abjeta obje\u00e7\u00e3o ao direito de defesa n\u00e3o s\u00e3o exatamente in\u00e9ditas.<\/p>\n\n\n\n<p>E elas est\u00e3o nos notici\u00e1rios, na agenda das m\u00eddias parciais e na \u00f3tica da ideologia instrumental dos bem pensantes. Organismos que n\u00e3o tem coragem para assumir seus vieses, nem tampouco o racismo latente que os guiam nas supostas an\u00e1lises faladas calma ou grandiloquentemente nos jornais diretamente de New York, Londres, Rio e S\u00e3o Paulo, ou nas reda\u00e7\u00f5es de grandes jornais.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 poucos dias uma exposi\u00e7\u00e3o organizada pelas ONU apresentou um painel com as vitimas do terrorismo pelo mundo. Mas havia uma exce\u00e7\u00e3o: nenhuma men\u00e7\u00e3o \u00e0s vitimas massacradas e raptadas pelos terroristas do Hamas no dia 07\/10, nenhuma refer\u00eancia aos 251 raptados (suspeita-se agora que pouco mais de 70 ainda estejam vivos).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao que se deveria essa omiss\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Se est\u00e1 lacuna n\u00e3o nos embrulhar o est\u00f4mago, poder\u00edamos arriscar a hip\u00f3tese de que talvez haja algum grau de empatia pelos inimigos da humanidade?<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais chocante porque existem registros e precedentes hist\u00f3ricos, como, por exemplo, a complac\u00eancia da imprensa e das institui\u00e7\u00f5es mundiais durante outros massacres e particularmente na vig\u00eancia da ind\u00fastria de assassinatos: o holocausto no inicio da ascens\u00e3o do IIIo &nbsp;Reich.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, n\u00e3o bastasse a abund\u00e2ncia de condena\u00e7\u00f5es aprior\u00edsticas a Israel, somam-se acusa\u00e7\u00f5es infundadas de apartheid. Outrora conhecida como cal\u00fanias, e as velhas alega\u00e7\u00f5es revisionistas de que a posse da terra seria ileg\u00edtima, isso a despeito de provas cient\u00edficas documentais e arqueol\u00f3gicas da presen\u00e7a judaica continua na regi\u00e3o remontar h\u00e1 mais de 3.200 anos. Mas, esque\u00e7am, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel evocar provas contra o poder fantasmag\u00f3rico das narrativas que passaram a usurpar a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando nos debru\u00e7amos sobre a realidade de campo a contradi\u00e7\u00e3o que se observa quanto \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o gritante porque a diversidade e o conv\u00edvio da sociedade israelense \u00e9 uma dessas auto evidencias imposs\u00edveis de ser subestimadas:<\/p>\n\n\n\n<p>Judeus, druzss, mu\u00e7ulmanos, bahais, sufis, \u00e1rabes, brancos, negros, hindus, chineses, russos, latinos, religiosos e laicos, dividem \u00f4nibus, lojas, escolas pra\u00e7as e parques.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m pode afirmar que todos se amam (h\u00e1 pouco tempo comemorou-se Tu B\u201dAv, algo como &#8220;o dia do amor&#8221;), mas digam-me l\u00e1 onde \u00e9 que se espera que algu\u00e9m ainda tenha essa expectativa em qualquer rinc\u00e3o deste planeta?<\/p>\n\n\n\n<p>Se houvesse um m\u00ednimo de honestidade intelectual a descri\u00e7\u00e3o mais fidedigna seria estampar na festeira das publica\u00e7\u00f5es \u201cum Pais com uma not\u00e1vel conviv\u00eancia inter-religiosa, \u00e9tnica e racial ainda que com toler\u00e2ncia reservada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Significa um respeito t\u00e1cito \u00e1s diferen\u00e7as irreconcili\u00e1veis. Isso sim traduziria a percep\u00e7\u00e3o adequada do que se observa por aqui, ainda que ainda seja muito reducionista. Seria necess\u00e1rio um ensaio cinematogr\u00e1fico para registrar um fragmento da complexidade desta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, \u00e9 evidente, tudo isso n\u00e3o pode aparecer pois o \u00fanico estado hebreu precisa ser indiciado como vil\u00e3o, independentemente dos fatos, urge que seja condenado \u00e0 revelia, sem julgamento ou por tribunais que n\u00e3o podem confessar seus conflitos de interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Os motivos, os argumentos, as explica\u00e7\u00f5es para todo este apriorismo, s\u00e3o apenas detalhes insignificantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como os stalinistas e tiranos de todos os naipes pol\u00edticos gostavam de repetir deem-nos os culpados que arrumaremos um bom processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa que erros &#8212; log\u00edsticos, estrat\u00e9gicos, de percep\u00e7\u00e3o, especialmente aqueles relacionados \u00e0s Rela\u00e7\u00f5es Publicas como muito bem observou um publicit\u00e1rio amigo \u2014 n\u00e3o tenham sido cometidos, ainda que n\u00e3o possam ser atribu\u00eddos exclusivamente ao atual governo de Israel, mas a um conjunto plural e hist\u00f3rico de decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um impulso judeocida rege a intrigante irracionalidade que parece ter contaminado parte do Ocidente. Irracionalidade que ora se disfar\u00e7a de obje\u00e7\u00f5es ao sionismo sem sequer compreende-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou for\u00e7ando uma distor\u00e7\u00e3o completamente emancipada do verdadeiro sentido original do termo, a saber, o estabelecimento dos judeus em seu lar e territ\u00f3rio ancestral.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, o \u00e1libi para se adotar tal racismo, ideologicamente racionalizado, pode ser a chave para compreender o o fen\u00f4meno que \u201cconquistou\u201d e colonizou \u2014 n\u00e3o sem bons subs\u00eddios de pa\u00edses hostis aos judeus \u2014 parcela dos jovens nos EUA e que abra\u00e7aram a causa, multid\u00f5es que marcharam fazendo apologia aos estupros e decapita\u00e7\u00f5es praticados pelos inimigos da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este fen\u00f4meno merece uma analise espec\u00edfica, j\u00e1 que n\u00e3o estar\u00e1 dissociada da bizarra covardia e jogo duplo de Rep\u00fablicas que se esfor\u00e7aram para culpabilizar as v\u00edtimas enquanto poupavam os agressores. Ali, assim como em boa parte da imprensa, todos os discursos foram forjados dentro dos campi das principais institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias que deram guarida para organiza\u00e7\u00f5es ora financiadas por regimes ditatoriais, ora por partidos ou grandes companhias de tecnologia. Uma delas estimulava abertamente o boicote \u00e0 entrada de judeus em suas salas de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>Reitoras e altos funcion\u00e1rios foram demitidas ou pediram demiss\u00e3o, mas nada estrutural mudou. O antissemitismo cresce, junto com a ignor\u00e2ncia e a desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;uma vergonha&#8221; como frisava Boris Casoy, \u00e9 bem mais do que isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o haja terap\u00eautica dispon\u00edvel, mas se houver ela passar\u00e1, necessariamente, por uma reformula\u00e7\u00e3o das academias e dos sistemas de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, cumpra-se o diagn\u00f3stico de uma das picha\u00e7\u00f5es nos muros de Paris em maio de 1968: a hist\u00f3ria ensina, pena que n\u00e3o haja mais alunos. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Nota <\/strong>\u2013 mat\u00e9ria publicada no Estad\u00e3o:&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/na01.safelinks.protection.outlook.com\/?url=https%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br%2Fbrasil%2Fconto-de-noticia%2Fnormalidade-artificial%2F&amp;data=05%7C02%7C%7C544f0ac53277408e203d08dccb5cb0d2%7C84df9e7fe9f640afb435aaaaaaaaaaaa%7C1%7C0%7C638608846172529965%7CUnknown%7CTWFpbGZsb3d8eyJWIjoiMC4wLjAwMDAiLCJQIjoiV2luMzIiLCJBTiI6Ik1haWwiLCJXVCI6Mn0%3D%7C0%7C%7C%7C&amp;sdata=pKtg7AUqcifKv2pq0KhOvxHxd8v8hxoave4p0MzCYtc%3D&amp;reserved=0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.estadao.com.br\/brasil\/conto-de-noticia\/normalidade-artificial\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paulo Rosenbaum<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"254\" height=\"250\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/especial_1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-67912\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/especial_1.png 254w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/especial_1-137x135.png 137w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/especial_1-50x50.png 50w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>M\u00e9dico e escritor, mestre em medicina preventiva, doutor em ci\u00eancias (USP) e p\u00f3s doutor em Medicina Preventiva (FMUSP) , autor de Outro C\u00f3digo da Medicina, Medicina do Sujeito, Nov\u00edssima Medicina, Entre Arte e Ci\u00eancia, as bases hermen\u00eauticas da homeopatia. Na literatura publicou os romances &#8220;A Verdade Lan\u00e7ada ao Solo&#8221; (Ed. Record, 2010), &#8220;C\u00e9u Subterr\u00e2neo&#8221; (Perspectiva, 2016), &#8220;A Pele que nos Divide&#8221; (Poesia &#8211; Quixote-Do, 2018). Desde 2013 edita e publica o Blog &#8220;Conto de Not\u00edcia&#8221; no Jornal O Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"mailto:rosenb@netpoint.com.br\">rosenb@netpoint.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas recentes visitas \u00e0 Israel sempre busco, quase involuntariamente, os sinais de um Pais traumatizado. Observando as pessoas e suas rea\u00e7\u00f5es o que emerge da realidade de campo \u00e9 o que merece ser definido como normalidade artificial. O que a caracteriza \u00e9 uma mistura de um pragmatismo estoico com resigna\u00e7\u00e3o impetuosa. 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