﻿{"id":73930,"date":"2026-06-13T20:37:48","date_gmt":"2026-06-13T20:37:48","guid":{"rendered":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=73930"},"modified":"2026-06-13T20:37:48","modified_gmt":"2026-06-13T20:37:48","slug":"pesquisa-aponta-o-novo-normal-do-antissemitismo-no-brasil-alta-de-149-e-explosao-nas-redes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=73930","title":{"rendered":"PESQUISA APONTA O  \u201cNOVO NORMAL\u201d DO ANTISSEMITISMO NO BRASIL: ALTA DE 149% E EXPLOS\u00c3O NAS REDES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Relat\u00f3rio anual da CONIB aponta agravamento dos casos de \u00f3dio contra judeus em 2025, com aumento no tom e na intensidade das agress\u00f5es observadas em ambientes digitais e off-line; Comunidade judaica do pa\u00eds esconde identidade, muda de escola e pesa o risco ao escolher universidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-73943\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1-375x250.jpeg\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"222\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1-375x250.jpeg 375w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1-203x135.jpeg 203w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/473_fique_2_1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>Claudio Lottenberg, presidente da CONIB<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o de 2025, um homem atravessava a faixa de pedestres em Joa\u00e7aba, cidade de 30 mil habitantes no interior de Santa Catarina, quando um carro tentou atropel\u00e1-lo. O homem usava quip\u00e1 e uma camiseta com escritas em hebraico. Precisou pular para se salvar. No mesmo ano, um sacerdote de um col\u00e9gio no Rio de Janeiro afirmou em discurso aos alunos que era necess\u00e1rio &#8220;se livrar dos judeus&#8221;, classificando-os como uma &#8220;ra\u00e7a violenta e suja&#8221;. Em novembro, um \u00e1udio de uma influenciadora digital viralizou nas redes: ela dizia que adoraria ver &#8220;sionistas em campos de concentra\u00e7\u00e3o&#8221; e que, em um eventual governo seu, haveria &#8220;gulag e campo de concentra\u00e7\u00e3o para judeus e sionistas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas epis\u00f3dios integram o Relat\u00f3rio Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, divulgado nesta segunda-feira pela Confedera\u00e7\u00e3o Israelita do Brasil (CONIB) em S\u00e3o Paulo. S\u00e3o parte das 989 ocorr\u00eancias formalmente registradas ao longo do ano, que confirmam o que o documento chama de &#8220;novo normal&#8221;: o antissemitismo no Brasil n\u00e3o recuou depois do pico de mais de 1700 registros de ataques identificados em 2024. Estabilizou-se em um patamar 149% acima dos n\u00edveis de 2022, quando o volume era de 397 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O QUE A COMUNIDADE VIVE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da comunidade judaica, o clima mudou. A pesquisa intracomunit\u00e1ria da CONIB, conduzida com 1.427 judeus brasileiros, revela que 86% avaliam o antissemitismo como um problema grave ou existente no Brasil; 1.231 dos respondentes afirmam que o fen\u00f4meno cresceu muito desde outubro de 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos sobre o cotidiano s\u00e3o concretos. Trezentos e vinte (22%) respondentes j\u00e1 deixaram de se identificar como judeus em alguma situa\u00e7\u00e3o por receio. Outros 250 afirmam j\u00e1 ter considerado fazer o mesmo. Novecentos e quarenta e cinco consideram que relatos de antissemitismo no campus pesam muito na escolha de onde estudar ou matricular os filhos. Seicentos e nove relatam ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os online; 215, no ambiente de trabalho; 166, em escolas ou universidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dado espec\u00edfico resume o estado de alerta: 1 em cada 2 judeus diz se deparar com conte\u00fado antissemita nas redes todos os dias ou quase todos os dias. Apenas 2% afirmam nunca ter visto esse tipo de material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fato que acende o alerta em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio do antissemitismo no Brasil afetou a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, que se tornou alvo direto de ataques. Entre 6 e 9 de janeiro de 2026, o formul\u00e1rio da pesquisa intracomunit\u00e1ria da CONIB foi invadido por 150 acessos coordenados que usaram um campo aberto de coment\u00e1rios para inserir mensagens de \u00f3dio. Entre as frases registradas pelos invasores estavam &#8220;a CONIB devia ser incendiada com todos os judeus l\u00e1 dentro&#8221; e &#8220;Holocausto? Deveria ter sido completo&#8221;. As evid\u00eancias foram encaminhadas \u00e0s autoridades competentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O DIGITAL COMO AMPLIFICADOR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As redes sociais concentram 80,9% das ocorr\u00eancias registradas. O Instagram lidera, com 37,1% dos casos online. O monitoramento sistem\u00e1tico de men\u00e7\u00f5es identificou 115.970 conte\u00fados antissemitas em 6,43 milh\u00f5es de mensagens rastreadas ao longo do ano. O alcance potencial estimado deste material \u00e9 de 66 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um movimento preocupa os pesquisadores al\u00e9m dos n\u00fameros absolutos: a migra\u00e7\u00e3o progressiva do conte\u00fado hostil para plataformas com menor capacidade de modera\u00e7\u00e3o, como Threads, TikTok e Discord. Em julho, o relat\u00f3rio documentou o recrutamento de adolescentes via Discord para uma fac\u00e7\u00e3o neonazista chamada &#8220;Misanthropic Division&#8221;, cujo objetivo declarado era atacar sinagogas em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relat\u00f3rio registra ainda um sinal espec\u00edfico sobre a natureza do problema: em setembro, um usu\u00e1rio do Twitter\/X publicou uma convoca\u00e7\u00e3o para incendiar sinagogas e expulsar judeus do Brasil. A postagem foi denunciada e encaminhada ao comit\u00ea jur\u00eddico da CONIB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ESCOLA E TRABALHO VIRARAM CAMPOS DE EXCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Institui\u00e7\u00f5es de ensino foram apontadas por 1.058 respondentes como o principal espa\u00e7o de manifesta\u00e7\u00e3o do antissemitismo no Brasil, \u00e0 frente das redes sociais e do ambiente pol\u00edtico. Os relatos recolhidos pela pesquisa cobrem desde crian\u00e7as xingadas no recreio at\u00e9 professores universit\u00e1rios que proferiram frases como &#8220;\u00e9 necess\u00e1rio fazer um inseticida para acabar com a praga judia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma escola p\u00fablica de S\u00e3o Paulo, um aluno foi repetidamente agredido por colegas que se apresentavam como &#8220;apoiadores palestinos&#8221; e precisou mudar de col\u00e9gio. Em outro caso, uma aluna de 15 anos encontrou uma su\u00e1stica desenhada na pr\u00f3pria carteira ao voltar do recreio, reclamou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o por semanas e, sem resposta, tamb\u00e9m acabou saindo. Na Faculdade de Direito da USP, cartazes foram afixados nos corredores com a frase &#8220;Sionista n\u00e3o \u00e9 professor&#8221;. Na UFRGS, um estudante compareceu \u00e0 cola\u00e7\u00e3o de grau com su\u00e1stica desenhada no rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos respondentes \u00e0 pesquisa intercomunit\u00e1ria, 68% apontam o crescimento do antissionismo nas universidades como uma das principais amea\u00e7as \u00e0 comunidade judaica nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O antissemitismo tamb\u00e9m chega com for\u00e7a \u00e0s empresas. Levantamento do grupo Executivos Contra o Antissemitismo (ECOA), incorporado na pesquisa, entrevistou 1.003 profissionais de diferentes cargos. Entre os judeus, 1 em cada 4 profissionais afirma que j\u00e1 ter sofrido alguma forma de clara antissemitismo na vida profissional. Considerando situa\u00e7\u00f5es inc\u00f4modas ou vexat\u00f3rias, 52% afirmam j\u00e1 terem ouvido piadas sobre judeus no trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a maior parte das situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o gerou reprimenda formal por parte das empresas, e apenas 15% das organiza\u00e7\u00f5es pesquisadas possuem pol\u00edticas expl\u00edcitas de combate ao preconceito \u00e9tnico-religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O QUE A SOCIEDADE PENSA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos dados mais perturbadores do relat\u00f3rio, contudo, n\u00e3o vem dos registros de incidentes. Vem de uma pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica realizada pelo AtlasIntel, encomendada pela entidade StandWithUs Brasil, com 1.812 brasileiros: tr\u00eas em cada dez brasileiros n\u00e3o se sentem totalmente \u00e0 vontade para ter um amigo judeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto destacado \u00e9 que 42% consideram leg\u00edtima a compara\u00e7\u00e3o entre o tratamento de Israel aos palestinos e o que os nazistas fizeram aos judeus. Estere\u00f3tipos com s\u00e9culos de hist\u00f3ria s\u00e3o classificados por parcelas expressivas da popula\u00e7\u00e3o como opini\u00f5es razo\u00e1veis, sendo que 29% consideram leg\u00edtima a afirma\u00e7\u00e3o de que o povo judeu foi respons\u00e1vel pela morte de Jesus; 28% acham natural desconfiar de judeus por suposta lealdade a Israel; 37% entendem como plaus\u00edvel que judeus t\u00eam mais sucesso financeiro do que outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os pesquisadores, o problema central n\u00e3o \u00e9 apenas que essas ideias existam. \u00c9 que quem as reproduz, em grande parte, n\u00e3o as reconhece como preconceito. &#8220;O antissemitismo contempor\u00e2neo no Brasil se manifesta menos por hostilidade declarada e mais por uma combina\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, permissividade diante de estere\u00f3tipos antigos e baixo letramento sobre as formas que o \u00f3dio assume hoje&#8221;, conclui o relat\u00f3rio da CONIB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O QUE O BRASIL N\u00c3O SABE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um segundo recorte, conduzido pelo Grupo ISPO com 7.762 entrevistados em onze regi\u00f5es metropolitanas, oferece um dado que o relat\u00f3rio usa como chave explicativa para a permissividade social: 87,3% dos brasileiros nunca participaram de nenhuma atividade educativa sobre o Holocausto. Nenhuma palestra, nenhuma visita a museu. Apenas 53,2% conseguem definir o genoc\u00eddio nazista corretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradoxo \u00e9 n\u00edtido: 64,4% dos entrevistados consideram fundamental que o Holocausto seja ensinado nas escolas. A valoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 quase un\u00e2nime; o engajamento real \u00e9 residual. Para os autores do relat\u00f3rio, \u00e9 essa lacuna que permite que a compara\u00e7\u00e3o entre Israel e o nazismo circule como argumento aceit\u00e1vel em debates pol\u00edticos e nas diferentes esferas sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A RESPOSTA JUR\u00cdDICA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de 45 advogados volunt\u00e1rios dedicaram mais de 2 mil horas ao departamento jur\u00eddico da CONIB em 2025. Desde outubro de 2023, ao menos 60 casos foram noticiados \u00e0 pol\u00edcia ou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico. Em m\u00e9dia, uma condena\u00e7\u00e3o por antissemitismo foi registrada a cada tr\u00eas meses nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 2025 teve um marco espec\u00edfico: o Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que n\u00e3o cabe acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal em casos de racismo contra judeus, em a\u00e7\u00e3o que contou com a atua\u00e7\u00e3o do time jur\u00eddico da CONIB. A decis\u00e3o encerrou um ciclo de recursos de um advogado condenado por publicar, em suas redes sociais, textos que atribu\u00edam aos judeus a responsabilidade por doen\u00e7as como a Peste Negra e a Covid-19 e que descreviam o Holocausto como um evento fantasioso.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Relat\u00f3rio Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025 \u00e9 produzido pela CONIB em coopera\u00e7\u00e3o com as Federa\u00e7\u00f5es e Associa\u00e7\u00f5es Israelitas do pa\u00eds, StandWithUs Brasil, Museu do Holocausto de Curitiba, Memorial do Holocausto de S\u00e3o Paulo e o grupo ECOA.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio anual da CONIB aponta agravamento dos casos de \u00f3dio contra judeus em 2025, com aumento no tom e na intensidade das agress\u00f5es observadas em ambientes digitais e off-line; Comunidade judaica do pa\u00eds esconde identidade, muda de escola e pesa o risco ao escolher universidade Claudio Lottenberg, presidente da CONIB Em mar\u00e7o de 2025, um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":73943,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,32],"tags":[354],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73930"}],"collection":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=73930"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73944,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/73930\/revisions\/73944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/73943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=73930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=73930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=73930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}