﻿{"id":7669,"date":"2013-07-13T22:16:20","date_gmt":"2013-07-13T22:16:20","guid":{"rendered":"http:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=7669"},"modified":"2013-07-13T22:42:26","modified_gmt":"2013-07-13T22:42:26","slug":"namorados-para-sempre-ildo-meyer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=7669","title":{"rendered":"NAMORADOS PARA SEMPRE &#8211; ILDO MEYER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-5091\" alt=\"Ildo\" src=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Ildo.jpg\" width=\"256\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Ildo.jpg 427w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Ildo-89x135.jpg 89w, https:\/\/glorinhacohen.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Ildo-166x250.jpg 166w\" sizes=\"(max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheceram-se pela internet. Moravam em pa\u00edses diferentes, tinham vinte anos de diferen\u00e7a de idade, falavam, torciam, votavam e rezavam para Deuses distintos. E mesmo com tudo diferente, os dois se falavam todo dia e a vontade de ficar juntos crescia, como tinha de ser. Estavam apaixonados e juravam que opostos se atraem e se completam. Quem disse que existe raz\u00e3o nas coisas feitas pelo cora\u00e7\u00e3o? Apostaram nisto e decidiram casar. Familia, amigos e preconceitos jogavam contra, previam um choque cultural seguido de desilus\u00e3o com a conviv\u00eancia conjugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recomendaram um curso preparat\u00f3rio de noivos, O casal estava t\u00e3o entusiasmado, que qualquer motivo para ficarem juntos era bem aceito. Logo na primeira aula, o rabino, um senhor de meia idade, com uma longa barba ruiva e sotaque meio russo, meio franc\u00eas, comunica ao jovem casal, em tom solene e ao mesmo tempo suave, que se quiserem mesmo casar, ter\u00e3o de fazer uma escolha: \u201c Felizes\u201d ou \u201cPara sempre\u201d. Uma op\u00e7\u00e3o ou outra, as duas juntas n\u00e3o combinavam. Aquele final tradicional dos livros rom\u00e2nticos, casaram e foram felizes para sempre, s\u00f3 existia no papel. Na vida real essa possibilidade era muito remota. Deveriam, naquele momento, se conscientizar e escolher entre um relacionamento est\u00e1vel que lhes trouxesse paz ou uma vida de romance que acelerasse seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram pegos de surpresa. Estavam cheios de expectativas felizes para a nova vida que se anunciava e agora, de onde menos esperavam, recebem um balde de \u00e1gua fria. Queriam e sonhavam ser felizes e sequer cogitavam uma separa\u00e7\u00e3o. O rabino percebendo o mal estar, ofereceu uma x\u00edcara de ch\u00e1 com lim\u00e3o e continuou sua pr\u00e9dica. Casamento \u00e9 como tocar violino em cima de um telhado, \u00e9 preciso ficar tentando arranhar uma simples e bela melodia, enquanto se cuida para n\u00e3o cair e quebrar o pesco\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como manter o equil\u00edbrio? O amor \u00e9 quem vai sustent\u00e1-los. Alguns dias dan\u00e7ar\u00e3o felizes, em outros precisar\u00e3o se abra\u00e7ar para n\u00e3o ca\u00edrem, talvez precisem jogar fora o violino, mas o amor vai mant\u00ea-los firmes no telhado. N\u00e3o existem garantias, apesar da precariedade da incerteza, tudo pode ser refeito, recome\u00e7ado. Sob a perspectiva do medo, nada ser\u00e1 suficientemente seguro, sob a perspectiva do amor, nada \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda inseguros, decidiram deixar de lado a religi\u00e3o e casar apenas no civil. Consultaram um advogado, amigo da fam\u00edlia, que aconselhou o regime de separa\u00e7\u00e3o total de bens acrescido de algumas cl\u00e1usulas espec\u00edficas protetoras em caso de div\u00f3rcio. As chances da uni\u00e3o do jovem casal funcionar eram de apenas cinq\u00fcenta por cento e deveriam se resguardar de um poss\u00edvel fracasso amoroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apavorados com os riscos, sabiam que n\u00e3o tinham mais para onde correr. Teriam que escolher entre desistir ou apostar naquilo que sentiam um pelo outro. Quando o amor precisa acontecer, sabe onde e como encontrar os amantes.. N\u00e3o adiantava fugir. Al\u00e9m disto, existem os riscos que jamais se deve correr, mas existem tamb\u00e9m aqueles que n\u00e3o se pode deixar de correr. Decidiram simplesmente morar juntos. Formar um casal. Dividir e compartilhar arm\u00e1rios, despesas, emo\u00e7\u00f5es. Nada de formalidades, apenas a vontade de dar certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e3o juntos h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele trabalha numa f\u00e1brica de computadores. Ela largou o emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele engordou 20 quilos. Ela precisou tirar um seio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele faz as compras no supermercado. Ela busca os filhos na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele faz o jantar. Ela d\u00e1 banho e p\u00f5e as crian\u00e7as pra dormir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele abre um vinho. Ela coloca uma m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles se beijam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livre adapta\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas Eduardo e M\u00f4nica &#8211; Legi\u00e3o Urbana e Violinista no telhado &#8211; Jerry Bock e Sheldon Harnick<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ildo Meyer<\/strong> &#8211; M\u00e9dico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. <a title=\"ILDO MEYER\" href=\"https:\/\/glorinhacohen.com.br\/?p=5090\">Saiba mais.<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<a style=\"text-align: justify;\" href=\"ildmeyer@terra.com.br\">ildmeyer@terra.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheceram-se pela internet. Moravam em pa\u00edses diferentes, tinham vinte anos de diferen\u00e7a de idade, falavam, torciam, votavam e rezavam para Deuses distintos. E mesmo com tudo diferente, os dois se falavam todo dia e a vontade de ficar juntos crescia, como tinha de ser. 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