AMOR PELO DINHEIRO – RAV EFRAIM BIRBOJM

310_historia_2_1Honestidade é mais do que não mentir. É contar a verdade, dizer a verdade, viver a verdade e amar a verdade.


“Em uma enorme floresta, próximo de um riacho, vivia um pobre lenhador, que trabalhava duro para sustentar a família. Todos os dias ele empreendia uma árdua caminhada floresta adentro, levando ao ombro o seu afiado machado. Partia sempre assobiando, contente, pois sabia que enquanto tivesse saúde e seu machado, conseguiria ganhar o suficiente para comprar o pão que a família precisava.

Certo dia, ele estava cortando uma enorme árvore perto do riacho. As lascas voavam longe e o barulho do machado ecoava pela floresta. Passado algum tempo, resolveu descansar um pouco. Encostou o machado na árvore e virou-se para se sentar, mas tropeçou e esbarrou no machado. Antes que pudesse agarrá-lo, ele desceu pela ribanceira e foi parar dentro do riacho. O pobre lenhador vasculhou as águas, tentando encontrar o machado, mas aquele trecho era fundo demais. O riacho continuava a correr com a mesma tranquilidade de sempre, ocultando o machado, tão valioso para o lenhador. Ele ficou desesperado com a perda, pois como sustentaria sua família sem seu machado?

D’us teve misericórdia daquele pobre homem e, algum tempo depois, enviou um anjo, disfarçado de nobre, para ajudá-lo. O nobre aproximou-se do lenhador e perguntou o que tanto lhe afligia. O lenhador contou o que acontecera com o seu machado. O nobre sorriu e disse que seus empregados haviam encontrado alguns machados na foz do riacho, talvez algum poderia ser o dele. Tirou então da sacola um machado e perguntou ao lenhador se aquele era o que ele havia perdido. Os olhos do lenhador quase saltaram, pois o machado era feito de prata. Em um primeiro momento, o lenhador teve vontade de dizer que o machado era seu. Ele pensou em todas as coisas lindas que poderia comprar para os seus filhos com toda aquela prata. Seria o fim de suas dificuldades. Porém, antes que as palavras pudessem sair de sua boca, ele pensou melhor. Sabia que aquele machado não era seu, seria errado pegá-lo. Abanou a cabeça e disse que, infelizmente, aquele não era o seu machado.

O nobre então tirou de sua sacola outro machado, mostrou ao lenhador e perguntou se talvez aquele seria o machado dele. O lenhador quase desmaiou ao ver que era um machado de ouro maciço. Aquele machado sim, seria a salvação de todos os seus problemas, seria a chave para uma vida de conforto e tranquilidade para sua família. Aquele homem nunca saberia se era realmente dele ou não. Porém, quando se preparou para estender a mão para pegá-lo, novamente se conteve. Não era o verdadeiro dono do machado, não seria correto pegar algo que não lhe pertencia, seria roubo. Então, disse ao nobre com convicção que aquele também não era o seu machado.

Finalmente, o nobre colocou a mão na sacola e retirou um terceiro machado. Os olhos do lenhador brilharam, aquele era certamente o seu machado. Agradeceu muito ao nobre, pois assim poderia honestamente voltar a trabalhar para trazer sustento para a sua família. O nobre então entregou-lhe a sacola com os outros dois machados e disse:

- Eles são seus, aproveite. São um presente por sua incrível honestidade”.

Honestidade é mais do que não mentir. É contar a verdade, dizer a verdade, viver a verdade e amar a verdade.


RAV EFRAIM BIRBOJM – Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP, começou seu processo de Teshuvá (retorno ao judaísmo) aos 25 anos, através da Instituição “Binyan Olam”. Saiba mais.

Email: efraimbirbojm@gmail.com