QUE MUNDO VOCÊ VÊ ATRAVÉS DA JANELA? – POR GLORINHA COHEN

Diversas são as visões das pessoas através da janela durante a quarentena. E otimistas, ou não, elas servem para nos mostrar, de um modo que não nos agrada, o quanto muitos de nós estávamos – ou ainda estamos – imersos no egoísmo, na indiferença para com os problemas do próximo e na importância que tem mudarmos nossa forma de ver o mundo e as pessoas.

Lembramos das futilidades materiais que fazem parte das nossas vidas, das mágoas que deveriam ser efêmeras, mas não são, e de como era bom falar diretamente com as pessoas olhando olhos nos olhos neste mundo altamente tecnológico que tem lá suas vantagens, mas que vai deixando muito aquém a sensibilidade humana.

E, tomados pelo medo de que o inesperado aconteça, inevitavelmente pensamos o quanto nos distanciamos do nosso desenvolvimento espiritual, que é o fator primordial da existência humana.

Assim, nesse cenário quase sem esperança de ter um breve fim, em que o número de vítimas cresce dia a dia, o mundo todo se queda impotente perante este inimigo invisível chamado Coronavírus e nos vemos navegando, sem rumo, num mesmo barco sem distinção de classe social, raça, cor ou religião.

Confinados, como vemos o mundo através da janela? Como será ele após a pandemia?

Veja abaixo o que pensam algumas pessoas.


355_first_2_1“Em época de coronavírus, não há verdades absolutas, não há lados soberanos. Alguns defendem o isolamento total, outros entendem que o desemprego e a fome não podem ser mais danosos que a proteção ao problema através do isolamento.

O Estado mostrou-se soberano e engajado, a população manifestou seu lado mais fraternal e solidária em verdadeiras e comoventes correntes humanitárias como jamais visto desde o pós guerra. As empresas buscam ajudar a sociedade pela primeira vez sem a contrapartida do reconhecimento do “responsabilidade social” ou da “sustentabilidade”. Campanhas como #naodemita e volumosas doações vem ocorrendo que sabe-se jamais serão recompensadas financeiramente e nem do ponto de vista institucional.

Por fim, todos já falamos e sabemos que a vida não será como antes, mas resta reconhecer que pela primeira vez, todos nós nos encontramos na mesma dimensão, no mesmo momentum, com o mesmo medo, com a mesma fragilidade perante a vida. Sabendo que ao final, nos restou um pouco mais de humildade de uns para com os outros, de olhar para nossas famílias e amigos com amor, de respeito com a natureza e com os animais, e finalmente, o conceito da Tsedaka que em hebraico significa justiça social”. – ALEXANDRE NIGRI, administrador de empresas com especialização em real estate, é CEO da MCP Realty e vice-presidente do Grupo Maxinvest.


355_first_2_2“Vejo muitas pessoas comentando “quando tudo voltar ao normal…” Nada voltará ao normal. Por causa dessa parada divina, as pessoas terão que se ajustar a um mundo novo. E o que é esse novo? Simples, é o que estamos vivenciando hoje: a economia e o aquecimento global desacelerarão, usaremos menos combustíveis fósseis e a tecnologia dará um salto fenomenal. Milhões de novos postos de trabalho serão criados, a educação trará um avanço significativo no ensino a distância, entregas por delivery serão rotineiras, o trabalho “home office” será crescente, menos viagens a trabalho, mais reuniões usando a videoconferência e as amizades serão mais honestas e duradouras”. – BERNARDO WOLAK é engenheiro, administrador de empresas, trabalha há 35+ anos com tecnologia e é sócio-diretor da AR Master Plus há 10 anos – emissora de certificados digitais Certisign. E tenho uma família fantástica!

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355_first_2_3“O que “vejo” de minha janela é o silêncio. Melhor, não escuto aquele “zummm” permanente que, na maior parte das vezes, em nossa vida pré-pandemia não nos damos conta. E agora escuto outros sons, especialmente das maritacas e sim, eu as vejo pela janela, empoleiradas na chaminé desativada de uma boulangerie. Para além das janelas físicas de vidro, vejo conexões que se fazem por telefone, por computador, essas que são as novas janelas de nossas vidas. Acho que buscamos conexões perdidas, olhamos para nossas histórias e lembramos de pessoas que nos foram importantes e que o dia-a-dia foram se afastando. E isso é bom. Ainda que melancólicos com a impossibilidade do toque e do abraço, ainda que temerosos do que será o nosso futuro, nos apegamos e uma esperança de que isso tudo vai passar e que poderemos atravessar esse Mar Vermelho e chegar em um novo lugar.

Que novo lugar é esse? Sinceramente não sei. Penso que voltaremos aos mesmos lugares onde estávamos antes, que seremos muito parecidos com o que fomos até 2 meses atrás. Talvez, o mundo do trabalho vá mudar para alguns, com mais trabalho em casa, talvez, comecemos a olhar que é preciso desenvolver alternativas para as fábricas chinesas. Mas e nós, seres humanos? Nossas relações mudarão? Seremos mais solidários? Olharemos o mundo como um só e como uma só humanidade? Duvido… Penso que seremos os mesmos seres humanos com nossas diferenças idiossincrasias e manias. Mas, será que essa não é a nossa maior riqueza? Sermos diferentes uns dos outros e nossa busca interminável por algo melhor? Ainda que a custa de todas as maldades e das muitas vezes em que passamos uns por cima dos outros. Enfim, esse é nosso mundo, o único que temos e a única certeza que tenho no momento é que continuaremos nele”. – BRUNO SZLAK é formado em Engenharia Civil, é Mestre e Doutor pela área de Estudos Judaicos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Seu campo de pesquisa está relacionado com o cinema e televisão israelenses, notadamente na construção das imagens da ortodoxia religiosa judaica nestes veículos.


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“Estou vendo um mundo melhor, onde as pessoas terão mais respeito pelo espaço e a individualidade do outro. Um mundo em que as pessoas se tornarão mais sensíveis diante das dificuldades daquelas que vivem em situação de pobreza e portanto, mais fraternas”.- CÉLIA PARNES, Secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo.

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“Vejo um mundo atordoado, perplexo, sem saber e entender muito bem o que está acontecendo . Pessoas com medo, esperançosas, apreensivas, preocupadas com a sua saúde, de sua família e amigos, preocupadas com o seu futuro e do planeta terra que é nossa mãe. 355_first_2_5Famílias separadas pois não podem mais se encontrar, netos e filhos separados dos avós, pais, amigos que não se encontram mais.

Uma dúvida cruel de como fazer para não falecer e também não falir, é uma equação, pelo menos por enquanto sem solução.

A janela virou uma metáfora da esperança coletiva. Não dávamos muito bola para o que ocorria através da janela. Ela hoje virou um centro de manifestação aplaudindo, vaiando, batendo panelas, gritando, cantando, contando histórias; virou um grande centro de interação social, maneira criativa de se conectar

Acredito que vão mudar significativamente as relações interpessoais e profissionais, as empresas vão se reinventar, quebrar seus paradigmas, mudar seus conceitos, uma mudança profunda e sensível, outros valores. Enfim, muitas coisas mudarão que ainda nem sabemos direito.

Só não sabemos a que custo humano e de capital produtivo”. - EUGEN ATIAS, empresário.


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“Da minha janela, percebo o vazio das ruas. O silêncio que reina mal esconde o medo. Estamos enfrentando um inimigo invisível. Entrincheirados em casa, na luta. A luta não é só a nossa particular. É coletiva também. Temos de sobreviver como comunidade e como sociedade. Temos dias duros pela frente, sem saber ainda quantos serão. Mas espero que esta experiência nos transformará para melhor. Que possamos sair mais solidários, mais unidos e, portanto, mais fortes”. – FERNANDO LOTTENBERG, Presidente da CONIB

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355_first_2_7“Estamos vendo um mundo buscando uma solução efetiva que parece se concretizará em um futuro infelizmente não tão próximo quando no presente já vivenciamos uma batalha desigual e com muito sofrimento. Perdas humanas e materiais que certamente deixarão marcas profundas. Mas é nestas situações extremas que também descobrimos que a solidariedade e fraternidade humanas estão se fortalecendo. Pessoas físicas, individualmente ou em grupos, pequenos comércios e grandes corporações, todos atuando pró ativamente. A comunidade judaica de São Paulo mais uma vez demonstra a sua vocação do amor ao próximo. Membros de nossa comunidade, nossas entidades, todos alinhados tomando iniciativas efetivas para dar todo o suporte e apoio no socorro emergencial e auxílio às pessoas contaminadas e seus familiares que estão enfrentando situações delicadas. A Pandemia trouxe dificuldades, é verdade, e não foram poucas. Mas ao mesmo tempo provocou em cada um de nós o sentimento de pertencimento e solidariedade. Quando superarmos isso e olharmos para trás perceberemos que nos tornamos mais comprometidos um com os outros. A Pandemia vai passar, mas o sentimento de carinho e amor ao próximo precisa se perpetuar. – LUIZ KIGNEL, Presidente da FISESP – Federação Israelita do Estado de São Paulo.


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“O Sol acaba de nascer e vejo pela janela os primeiros raios … Um mundo confuso, estranho, egoísta, surge novamente… muita reflexão. Gostaria de conseguir algumas respostas, mas vejo através destes mesmos raios solares, que não existe entendimentos, explicações, ou qualquer positividade. Triste pensamento, contudo uma felicidade brilha ! Um novo amanhã deverá confirmar que o sonho se extinguiu”!! – MARCEL NEUMANN, Administrador e Engenheiro Industrial com pós-graduação em Gestão Estratégica, MBA em Marketing e mestrado em Gestão Integrada de Sistemas de Saúde e Ambiente. Professor de Administração, Comunicação Social, Saúde e Marketing,

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“Vejo um mundo em transformação. Ninguém sabe como será o amanhã. Existe apenas uma certeza, ele não será parecido com aquilo que conhecemos até agora. A ponte que precisa ser construída desde já em direção a este amanhã é a ponte da solidariedade. Trata-se de uma travessia coletiva que será bem sucedida apenas se tivermos a capacidade de fazer de forma colaborativa”. – RABINO MICHEL SCHLESINGER é rabino da CIP, representante da Confederação Israelita do Brasil (Conib) para o diálogo inter-religioso e coordenador da delegação judaica na Comissão Nacional de Diálogo Católico Judaico da CNBB.

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“Acredito que o mundo irá acreditar mais na humanização, higiene, no cuidado com o próximo, se preocupando mais com aqueles de menor condição financeira, terá mais respeito e fé. Irá se estruturar em tudo”. – NIDIA DUEK, estilista

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“Estou vendo a Natureza reagindo contra o ataque ecológico dos homens. Espero um futuro mais justo e os políticos mais conscientes de seus atos”. – PETER KAUFMANN, palestrante e expert em todo gênero de música, principalmente a clássica.

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