O MUNDO EMOCIONAL EM TEMPO DESTA PANDEMIA – POR DORLI KAMKHAGI
Esta crise nos coloca mais próxima de cada ser humano e nos leva a pensar que existe sim uma possibilidade de podermos ser recipientes e conseguirmos sair desta tormenta.
E de repente, tudo se transformou. As pessoas começaram a se dar conta de que estavam, de alguma forma, encerradas em suas casas, fechadas com.suas histórias e com medo de não saberem como seria o amanhã.
Esta parece uma cena de ficção científica, que assistimos em filmes de utopias. Porém, é um quadro que os pacientes têm cada vez mais relatado de como é a sensação de não serem mais o dono de suas vidas.
Frente ao medo desta contaminação e deste inimigo ainda tão desconhecido e que nos obriga a ficarmos isolados de tudo e de todos é uma sensação de impotência enorme.
Todos tivemos que fazer novas adaptações do ponto de vista funcional de nossas vidas ao funcionamento de nossas rotinas. O que nos leva a ter um sentimento de que, para seguirmos em frente nesta vivência e convivência diária, precisamos criar um.novo feito de viver ou melhor de nos reinventando.
Mas o custo de tantos esforços para alguns pacientes é o medo, que pode ser um aliado para sobrevivemos como pode acelerar angústias que muitas vezes evoluem para um pânico.
É verdade que esta situação é única e nos coloca em cheque frente a valores morais, éticos e de solidariedade. Esta crise nos coloca mais próxima de cada ser humano e nos leva a pensar que existe sim uma possibilidade de podermos ser recipientes e conseguirmos sair desta tormenta.
Será necessário uma ampliação de nossa capacidade psicológica e emocional, assim como de podermos aceitar que está ao nosso alcance ajudarmos. Que cada um pode falar uma palavra. Ouvir a dor do outro e parar para escutar e ver o que as pessoas precisam nos falar.
É um luto de um Tempo passado. Um luto de falso self que nos obrigava a viver num mundo de vaidades.
Vamos sair desta !!
Melhores; mais humanos; mais verdadeiros.
Dorli Kamkhagi
Psicóloga CRP 155551
Doutora em Psicologia Clínica e Mestre em Gerontologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Coordenadora e Pesquisadora de Grupos do Amadurecimento do IPq da FMUSP