HISTÓRIA DOS JUDEUS DA TUNISIA E A SINAGOGA LA GHRIBA, A MAIS ANTIGA DO PAÍS – POR GLORINHA COHEN

Com cerca de 11,2 milhões de habitantes, a Tunísia está situada no Norte de África, no cruzamento das bacias oriental e ocidental do Mediterrâneo, entre a Argélia (Oeste) e a Líbia (Sudeste) e a Sudoeste da Itália (180 km da Sicília). E é lá, a poucos quilômetros da costa, que se situa a ilha de Djerba, centro da vida judaica e onde também está El Ghriba, a mais antiga sinagoga do país e talvez de toda a África.

A construção é do estilo tunisiano, ou seja, apresenta um exterior simples e muros brancos e no interior paredes recobertas de azulejos brancos e azul-turquesa, pintados à mão.

História

A comunidade judaica da Tunísia, e da ilha de Djerba em particular, remonta a mais de 2.000 anos. Acredita-se que os judeus chegaram à Tunísia com os fenícios, já no século X A.C., que fundaram a antiga colônia de Cartago no extremo norte da África. De acordo com uma lenda popular sobre as origens da comunidade judaica, um grupo de sumos sacerdotes ( kohanim ) chegou a Djerba tendo fugido de Jerusalém após a destruição do antigo Templo em 586 a.C. Em sua fuga, eles resgataram um fragmento de uma porta do antigo Templo e o trouxeram com eles para Djerba. Eles supostamente o preservaram como uma relíquia em uma gruta, ou caverna, abaixo do que se tornaria a sinagoga Ghriba. Esta narrativa liga diretamente a fundação da sinagoga do Templo em Jerusalém, o centro simbólico do judaísmo.

Até a década de 1950, Djerba era o lar da maior comunidade judaica da Tunísia. Embora ainda haja uma presença judaica vibrante na ilha — a segunda maior comunidade judaica ativa no mundo árabe — a comunidade conta atualmente com cerca de 1.100 pessoas e das mais de 20 sinagogas e yeshivot (escolas de aprendizado judaico) na ilha, muitas estão abandonadas.

A sinagoga Ghriba em si não é mais usada pela comunidade judaica de Djerba para orações semanais e, além de seu papel proeminente em Lag BaOmer, quando atrai milhares de pessoas de todas as crenças, é principalmente uma atração turística.

A peregrinação acontece todos os anos no 33º dia da Contagem do Omer, entre Pessach e Shavuot. No dia 14 de Iyar, as festividades começam em memória do rabino tannaítico Meir Baal HaNess e duram até o Lag BaOmer no dia 18 de Iyar em memória do rabino tannaítico Simeon bar Yochais, conhecido na região como rabino Shimon.

Muito embora a Tunísia, que é de maioria muçulmana, não mantenha relações diplomáticas com Israel, a importância turística dessa peregrinação é reconhecida pelo governo que procura afastá-la de sua política. No entanto, o número de turistas que ia até lá para comemorar Lag Baomer diminuiu muito no ano passado em virtude dos protestos violentos que acontecem no país desde o ataque de 7 de outubro de 2023 pelos terroristas do Hamas a Israel, quando mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram mais de 250, 44 dos quais ainda continuam reféns.

Fontes: https://www.wikipedia.org e https://smarthistory.org/

Crédito das fotos: Nivaldo Panossian, a quem externamos nossos agradecimentos.