“NETANYAHU FAZ TRUMP E OS JUDEUS DE BOBOS” – LIONEL ZACLIS COMENTA

Em matéria publicada no “Forum dos Leitores” do Estadão de 26 de fevereiro, o advogado paulistano Lionel Zaclis, como sempre brilhante em suas ponderações, comenta matéria feita pelo colunista do “The New York Times”, Thomas L. Friedman, contra Benjamin Netanyahu, publicada em 22/02 na Seção Internacional deste diário, sob a eufemística denominação de “análise”, encimada pelo título “Netanyahu faz Trump e os judeus de bobos”.


“Prezado Editor,

Submeto ao seu crivo, para fins de publicação, alguns comentários a respeito do tema em epígrafe.

Refiro-me à objurgatória assacada pelo colunista do “The New York Times”, Thomas L. Friedman, contra Benjamin Netanyahu, publicada em 22/02 na Seção Internacional deste diário, sob a eufemística denominação de “análise”, encimada pelo título “Netanyahu faz Trump e os judeus de bobos”. Será que Bibi Netanyahu é tão genial assim, que consegue fazer Trump e os judeus de “bobos”? No meu modesto modo de ver, considero esse objetivo um tanto quanto difícil…Friedman é, sem dúvida alguma, um excelente colunista, mas algo deve ter-lhe subido à cabeça de uns tempos para cá, pois, pelo menos com relação a Israel, têm feito algumas assertivas que não guardam qualquer relação com a realidade. Inegável que Bibi, como aliás os políticos em geral, tem lá suas falhas, porém nem de longe se assemelha à figura pintada por Friedman, que não esconde a ira que lhe desperta o primeiro-ministro israelense. Para não me estender demais, pinço apenas dois pontos da “análise” ora comentada. O primeiro diz respeito ao modo como se refere ao primeiro-ministro de Israel, como se se tratasse de um ditador. Friedman, que vota com os democratas norte-americanos,, não parece levar a democracia muito a sério, ao desconsiderar o fato de que o governo israelense foi eleito democraticamente. Portanto, toda a ira de Friedman acaba, em última análise, por recair, sobre os eleitores. O segundo ponto refere-se à sua frase de que “os governantes islamofascistas de Teerã representam uma ameaça muito real para Israel. Eles lideram um regime terrível, cuja queda seria uma bênção para seu povo. Mas, por favor, poupem-me da bobagem de que o Irã é a única ameaça a Israel hoje”. Lógico que não é a única ameaça, mas é a ameaça fundamental, a ameaça de caráter existencial, e de onde provêm as demais, as “longae manus” terroristas, todos voltados à criação de um estado islâmico na região e que declaram abertamente, até em seus estatutos, desejarem a destruição de Israel. Palestina, para eles, não passa de cortina de fumaça para tentarem esconder seus reais objetivos. E atente-se para o fato de que não é só Israel que desejam destruir, mas intentam subjugar o Ocidente e o mundo como um todo, e implantar o benevolente sistema jurídico da “sharia”. Será que os detentores desse poder teocrático, que aspiram a desenvolver armas nucleares com uma ambição desmedida, não devem ser combatidos antes que consigam chegar à bomba atômica? Será que quem não sente a menor contrição em matar seu próprio povo, como se fosse um amontoado de animais no abatedouro, teria qualquer consideração com aqueles que consideram “infiéis”? Portanto, apesar de o regime teocrático que, por enquanto dá as cartas no Irã não ser o único inimigo de Israel, sem dúvida alguma é o mais perigoso , tendo que ser levado muito a sério, apesar das análises do colunista Thomas L. Friedman.

Atenciosamente,

Lionel Zaclis”


Lionel Zaclis

Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e atuando nas áreas de Contencioso, Contratos, Direito Econômico e Empresarial, Lionel Zaclis é Especialista em Direito Processual Civil pela PUC/SP, Mestre e Doutor em Direito Processual pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.