POR QUE VOCÊ ESTÁ FELIZ? – RABINO ARIEH RAICHMAN

Esta semana de Purim foi um período incrível de alegria. Em todos os lugares havia risos, cantos e uma sensação de felicidade que elevava as pessoas acima de suas preocupações habituais. Devido a essa atmosfera alegre, fiquei surpreso ao encontrar alguém que estava claramente com raiva. Nada do que eu disse parecia trazer alegria a essa pessoa. A felicidade do feriado simplesmente não a alcançava. Depois dessa conversa, fiquei pensando nisso. Isso me fez questionar: quando sentimos raiva, qual é a coisa certa a fazer com ela?

Uma abordagem vem dos ensinamentos chassídicos. O Chassidismo frequentemente ensina que, quando a raiva surge pela primeira vez, a pessoa deve contê-la. Se alguém fala ou age imediatamente movido pela raiva, o sentimento geralmente se intensifica. Quanto mais é expresso, mais a emoção cresce. Por isso, o primeiro passo é o autocontrole. Ao fazer uma pausa e não reagir imediatamente, a pessoa dá tempo para a mente se acalmar e pensar com clareza, em vez de deixar a emoção tomar conta.

Uma ideia diferente aparece no comentário do Moshe Alshich, conhecido como Alshich HaKadosh. Ele explica que, às vezes, a raiva que permanece escondida dentro de uma pessoa pode causar problemas mais tarde. Se alguém nunca fala sobre o que a incomodou, o sentimento pode permanecer dentro de si e lentamente se transformar em ressentimento. Mais tarde, pode se manifestar de maneiras prejudiciais. Por isso, ele sugere que falar sobre o problema de forma ponderada pode, às vezes, ajudar a raiva a se dissipar e permitir que a pessoa siga em frente.

Uma maneira de combinar essas duas ideias aparece nos ensinamentos do Mitteler Rebbe, o segundo líder do Chabad. Ele explica que a raiva geralmente vem em dois estágios. Primeiro, há a explosão da emoção, quando a pessoa se sente irritada e chateada. Nesse momento, é melhor não expressar a raiva, porque ela só aumentará. Mas, depois que a pessoa se acalma, ela pode pensar sobre o que aconteceu. Então, ela pode fazer uma pergunta importante: essa raiva é sobre algo realmente errado ou é apenas orgulho ferido? Depois de refletir sobre isso, a pessoa pode falar sobre o assunto com calma ou optar por perdoar.

Pensando naquele momento durante o Purim, percebi algo importante. Alegria não significa que sentimentos difíceis nunca apareçam. Em vez disso, significa aprender a lidar com elas de forma saudável. Ao se acalmar primeiro, pensar com cuidado e depois responder com sabedoria, até mesmo a raiva pode levar ao crescimento. Dessa forma, o espírito de Purim ainda pode prevalecer no final.


Rabino Arieh Raichman – Nasceu em Houston, Texas, e estudou em várias Yeshivot da Argentina, Brasil e Estados Unidos. Recebeu sua Smicha- Certificado de Rabino da Rabbinical College of America, e também é formado em Mohel. Desde 2009, juntamente com sua esposa e quatro filhos, é o emissário de Chabad em Manaus, Amazonas.

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